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segunda-feira, 23 de abril de 2012

As ruínas de um ex-time


Doze anos de repetidos vexames, exceto pelo Paulista de 2008, que a egolatria insana do sr. Vanderlei Luxemburgo não permitiu dar continuidade, e hoje não restam mais do que tristes ruínas do ex-time grande verde e branco.
Os cartolas são mafiosos, administradores de fabriqueta de macarrão, parados no tempo, possuem mentalidade arcaica e espírito de vendeta. Não dão a mínima para o futebol, muitos deles sonham inclusive em transformar o Palmeiras em um clube exclusivamente social, o que já conseguiram em larga medida. Presidente que sai, presidente que entra, todos não passam de bananas que falam grosso quando estão fora, jorram eloquência na identificação dos problemas, mas se mostram incapazes de tomar atitudes quando estão dentro. Bananas e incompetentes!
Um técnico de meia tigela, ultrapassado e decadente, parece não treinar os jogadores, não estabelece um padrão de jogo, taticamente pífio, não consegue nem sequer transmitir motivação, algo que no passado sabia fazer. Acomodado, fatura salário pornográfico, mas não se deu o trabalho de acompanhar minimamente a evolução do futebol nos últimos anos, joga no mesmo esquema do Criciúma de 1991. Covarde, pensa pequeno, tem preconceito contra os atletas da base e ainda comete o equívoco primário de acreditar que marcação se obtém com volantes cabeças de prego. Nas entrevistas, é lacônico, não completa frases, não conclui raciocínio nenhum, não se aprofunda em questões táticas e técnicas, se limita tão somente a dar bufadas. Como se não bastasse, devido à incapacidade de comando, acaba por minar o elenco e destruir o ambiente. O sr. Luiz Felipe Scolari passou da hora de se aposentar, não presta mais nem mesmo para treinar a seleção de Burkina Faso, seu destino é tomar chimarrão e contar causos a quem ainda consegue ter paciência de ouvir o papo furado que sai de sua boca. Flávio Murtosa, o Sancho Pança low profile, terá o importante papel de lhe servir a candente bebida herbácea...
O elenco, que está mais para um amontoado de peladeiros, é composto quase inteiramente por péssimos jogadores, frouxos, além de tudo. Defendi Deola até quando pude, mas realmente o sujeito é um frangueiro nato, conseguindo a proeza de ser pior do que Marcos, bracinho de Horácio, se perde totalmente nas bolas aéreas, se tiver vergonha na cara, pede rescisão de contrato hoje mesmo; Cicinho é um raquítico sem tônus para realizar um cruzamento até mesmo se fosse em quadra de condomínio, ficou enciumadinho com a vinda de Artur, outro bagre, diga-se de passagem, e hoje joga ainda menos do que permite sua ínfima capacidade; Juninho é tão raquítico quanto, sente a pressão e se borra em momentos decisivos; Leandro Amaro e Maurício Ramos são protagonistas de chanchada, pastelões que causariam riso numa pelada de casados vs. solteiros, quanto a Henrique, sonha que é o Beckenbauer, mas precisam informá-lo que o Kaiser não lhe confiaria o engraxe das chuteiras; Marcio Araújo talvez sirva para a 3a. divisão do torneio amador da Ilha de Marajó, Marcos Assunção, que não corre, não marca e abusa do direito de errar passes fáceis, daria um razoável kicker no futebol americano pré-universitário; Daniel Carvalho, coitado, tem qualidade, mas ficou inchado, deformado, uma porpeta que mal aguenta meio tempo, Valdívia morreu e esqueceram de enterrar; Maikon Leite apanha da bola, ou pensa, ou corre, nunca as duas coisas juntas, Barcos é a maior enganação do futebol desde a invenção do esporte, não tem a menor pinta de jogador, parece que corre de calça jeans tamanho P e com um piano nas costas, grande negócio fez a LDU; Ricardo Bueno pode fazer companhia a Araújo no certame marajoara, mas só como reserva, do mesmo modo que Bruno, Chico, Gerley, Tinga e Vinícius, Pedro Carmona iria a contrapeso; Patrick teve bom começo como atacante em 2011, mas o sr. Scolari o transformou em volante de marcação, um empréstimo lhe faria bem; Román, Thiago Heleno, João Vitor, Fernandão e Luan poderiam, sem ironia, compor elenco se um de verdade fosse montado, juntariam-se a Wesley. Isso, no entanto, somente após a refundação do time, por ora, seria interessante fechar as portas por uns dois anos e começar tudo do zero quando findado esse período.
O que é mais utópico, projetar essa refundação ou acreditar que o Palmeiras ainda existe?!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Corrupção no Brasil: divulgada, mas não intolerada


Só a liberdade pode tirar os cidadãos do isolamento, no qual a própria independência de sua condição os faz viver, para obrigá-los a aproximar-se uns dos outros, animando-os e reunindo-os cada dia pela necessidade de entender-se, de persuadir-se e de agradar-se mutuamente na prática dos negócios comuns. - Alexis de Tocqueville

Tenho notado muitas pessoas acreditando piamente que a corrupção vem sendo menos tolerada no Brasil. De minha parte, creio que estejamos bem distantes disso, pois é necessário saber marcar a nítida diferença existente entre intolerância e divulgação de informações. Condenar sistematicamente a corrupção implica em possuir um mínimo de conhecimento político e padrões éticos, é uma questão de cultura e de mentalidade, por assim dizer. Já as simples informações a respeito da prática não bastam nem um pouco para a sua condenação, sendo até mesmo pior estar bem ciente sobre algo errado e não se importar tanto, infelizmente, o que ainda predomina no seio da população brasileira.
Analisando-se a formação política do Estado brasileiro não é difícil concluir que a corrupção é um mal que aflige o país desde antes mesmo da emancipação junto a Portugal. Tão logo se livrou da dominação lusitana, o Brasil se tornou um império governado pela dinastia de Bragança, arranjo político sem qualquer elemento democrático, centralizado e autárquico. Ainda que entre 1840 e 1889 D. Pedro II sempre tenha buscado possíveis equilíbrios e conciliações, o que é significativo em se tratando de um imperador, a estrutura de poder vigente não mudou e nem poderia ter mudado, dada a natureza imperial do regime. Antes do final do século XIX eis que surge uma “república de bestializados”, segundo a magistral formulação de José Murilo de Carvalho, na qual o novo sistema político não foi nada além do que uma tomada de poder pelos militares positivistas. A chamada  República da Espada representa notoriamente o atraso histórico característico do Brasil; no mesmo momento em que a filosofia positivista havia chegado ao canto de cisne na Europa, forneceu a diretriz para o estabelecimento de um republicanismo bem tupiniquim, de pura fachada. Os brasileiros nem mesmo sabiam o significado do termo “república".... Veio finalmente o século XX, perpassado por misturas sui generis de oligarquia, coronelismo, populismo e ditaduras, com a “democracia” tendo chegado somente em 1985, após o fim do regime militar e, três anos depois, em 1988, com a promulgação da Constituição Federal. Não é preciso salientar que se trata até hoje apenas de uma democracia formal, totalmente desprovida de essência e de cultura democráticas. Nunca houve no Brasil uma centelha sequer de participação política com base na livre associação e no debate argumentativo, como versa a tradição liberal, em parte pelos entraves impostos por regimes políticos avessos a esse direcionamento, em parte também pelo próprio DNA histórico-cultural do brasileiro, estatólatra por excelência.
Convenhamos, não é fácil se livrar de um peso tão grande gerado por experiências políticas bizarras, elas mesmas atuantes como fator direto da corrupção que assola o país. Se sempre nos faltou cultura democrática, a queda pela corrupção é, ao contrário, uma enorme tentação para grande parte da população brasileira. Parece-me que nem sempre fica claro no entendimento de muitas pessoas, que a corrupção no Brasil está na própria sociedade, ou seja, não é uma prática que paira acima do povo, restrita à classe política, embora nossa mentalidade anti-liberal e apolítica sirva como reforço grandioso para a centralização e para o isolamento dos políticos, que se sentem bem mais à vontade na realização de seus desmandos. Essa consideração é importante e revela bem a diferença entre intolerância e conhecimento de causa, que é o cerne desta reflexão. A corrupção brasileira instala-se desde os pormenores do cotidiano, começa numa tentativa de suborno aparentemente insignificante por parte de um sujeito que estaciona em local proibido, passa por um prefeito de cidadezinha que emprega parentes em seu gabinete e deságua finalmente nos grandes desvios de dinheiro público, que hoje, por vezes, chegam a se tornar institucionalizados através da cobrança de impostos e na (des)organização de eventos como a Copa do Mundo. O estudo de Alberto Carlos Almeida, A cabeça do brasileiro, mostra bem como tanta gente no Brasil aprova o tal do jeitinho, o nepotismo ou o servilismo, provando que apesar de algumas manifestações pontuais - e, sem dúvida, positivas - contra a corrupção, a Lei da Ficha Limpa, por exemplo, não são suficientes para apontar o estabelecimento de uma intolerância sistemática contra os corruptos, exatamente devido à corrupção estar entranhada no brasileiro, estar no sangue que corre em suas veias.
Durante muito tempo pouco se soube acerca da corrupção governamental no país, épocas nas quais os mandatários promoviam a farra do dinheiro público sem em nenhum momento serem flagrados ou mesmo considerados alvos de suspeitas. Uma das poucas conquistas da incipiente democracia brasileira foi fazer a imprensa livre e tem cabido a ela tornar cada vez mais desnuda e disseminada a informação sobre a prática da corrupção no Brasil, daí a importância cabal da liberdade de imprensa, algo que gera ódio nos adeptos do governo centralizado e autoritário. Se a imprensa livre exerce papel imprenscindível de informação, em um país massificado e governado por um partido gramsciano como o Brasil, sozinha ela não tem força para promover sentimentos inconfundíveis de intolerância contra a corrupção. O populismo de Lula e o gramscianismo do PT souberam exatamente como explorar a ignorância das massas em prol da construção do regime autoritário que se consolida cada vez mais no país. Com Lula e com o PT, escorada por trás de uma suposta justiça social e de um distributivismo que só serve para manter a pobreza e a dependência, a corrupção passou não somente a ser tolerada, como também justificada e legitimada. A prova de que o aumento da intolerância contra a corrupção é uma tola quimera está no fato de que o PT foi colocado no poder mais duas vezes após o mensalão, bem como nos índices de popularidade de Lula e de sua marionete, Dilma Rousseff. Ainda que tenham sido e ainda sejam índices um tanto quanto manipulados, isso é parte da estratégia populista e gramsciana.
É tarefa dura e de conclusões imprevisíveis tentar vislumbrar qualquer perspectiva de mudança em tal panorama político, sobretudo quando se entende que as alterações de mentalidade só se processam na longuíssima duração e dependem de uma miríade de fatores. Não há maior intolerância contra a corrupção no Brasil e, apesar de certas manifestações nesse sentido, estas não atingem a grande massa em catarse, justamente aquela que é o substrato e o alvo de um governo como o do PT. Infelizmente, é a cara desse país!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Páscoa e o ocaso da moralidade


E a loucura que virou a Páscoa se repetiu mais uma vez esse ano, inclusive em termos climáticos. Tem sido sempre assim e continuará sendo. Esse período representa emblematicamente a transformação pela qual o mundo passou nos últimos tempos, de um feriado austero e contemplativo, se tornou uma busca frenética por chocolates e pela necessidade que tantos sentem de estar sempre no centro dos acontecimentos (agora a moda é o baile havaiano do sábado de Aleluia; antes, em uma época que o Outono já trazia frio, realizavam-se procissões...).
Para mim, o desvirtuamento da Páscoa é mais acentuado do que o do Natal, que apresenta um aspecto comercial há mais tempo e no qual a troca de presentes disseminada contribui mais com o frenesi. O costume de trocar chocolates era algo intrafamiliar até uns vinte anos atrás e foi de lá para cá, cada vez mais, que assumiu esse caráter tolo que dá as cartas atualmente. O Natal já mudou há muitas décadas e talvez as pessoas de maior idade sintam essa modificação mais fortemente que os da minha geração, o mesmo que eu tenho observado com relação à Páscoa.
É fácil adotar o chavão de imputar ao capitalismo essa situação. Fácil e equivocado. Como sempre, a abstração do economicismo posta no lugar das pessoas de carne e osso e de sua moralidade. Será que os que nunca se debruçaram seriamente sobre uma análise das sociedades humanas e, logicamente, incluo nisso todos aqueles que se sentem bem e isentos de responsabilidade por adotarem discursos politicamente corretos, não são participantes da Páscoa pós-moderna? Temo que sejam. Eles mantêm a “tradição” do dia santo sem “carne” comendo peixe. Peixe não é carne?! Peixes morrem por asfixia. Os oceanos são pilhados. Como se não bastasse, o sábado de Aleluia é geralmente marcado por um churrasco e a abstenção da “carne” no dia anterior descamba logo depois na liberação das pulsões por sangue. Vá lá se alguém hoje em dia que ainda não se livrou do consumo de cadáveres ficasse durante os quarenta dias da Quaresma sem carne vermelha, pois seria um pouco mais coerente.
As origens do capitalismo mais genuíno podem ser desincrustadas no puritanismo do século XVII. Os puritanos, permeados por forte sentimento religioso, pregavam uma moralidade rígida, sendo que somente o indivíduo austero, disciplinado e esforçado estaria apto ao acúmulo da riqueza, visto por eles como forma de redenção propiciada pela entidade divina. “Deus ajuda a quem cedo madruga”, eis a máxima mais puritana e capitalista que já houve. Será que essa moralidade e esse comportamento podem ser verificados no mundo de hoje? Com certeza a resposta é não para a maioria das nações. Atualmente, quem mais acumula em países sem tradição capitalista e onde os padrões de moralidade são desprezados, são os que passam mais distantes de qualquer regramento puritano. A culpa é do capitalismo?!
Os supostos doutos sabem que o mundo mudou para pior em vários aspectos, como este que ora reflito é só mais um exemplo. Eles criticam a degeneração, mas cometem a hipocrisia de participar dela e, o que é talvez ainda pior, buscam explicá-la segundo esquemas de pensamento sem nenhum elemento de universalidade ou de moralidade, inválidos até mesmo para pensar o contexto do qual foram produtos, completamente absurdos e extemporâneos em se tratando da contemporaneidade. A culpa é do capitalismo?! Que capitalismo?!

terça-feira, 27 de março de 2012

Ditadura tributária


Não conheço nenhuma ação concreta da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente/SP no sentido de melhorar a poluição na cidade, seja em solo, na água ou no ar. Não vejo esse órgão implantar projetos de despoluição de rios e córregos, de plantio de árvores ou realizando campanhas educativas sobre a questão do descarte de lixo pela população em locais inadequados, tampouco abordando a importância da reutilização e reciclagem de embalagens. Só o que existe como obrigatoriedade imposta pela SVMA/SP ao cidadão paulistano, já tremendamente enforcado por impostos, é a tal da Inspeção Veicular Ambiental, supostamente uma estratégia para incentivar os proprietários a manter seus veículos em condições ideais quanto à emissão de gases. Poderia ser exigido de cada proprietário que apresentasse uma revisão veicular efetuada por concessionária autorizada ou mecânico de confiança quando da época do licenciamento, o que teria, além de tudo, efeito salutar na medida em que as revisões checam não somente a emissão de gases, mas todos os outros itens relativos à segurança e boas condições de rodagem do veículo.
Não é esse o caso. A revisão do veículo é opção do proprietário, todavia, a Inspeção é obrigatória, implicando para que possa ser feita, no pagamento de duas taxas, uma para a empresa conveniada, outra para a Prefeitura de São Paulo, totalizando R$ 90. Pode-se observar claramente que a intenção não é reduzir a poluição do ar provocada por veículos automotores, mas sim arrancar do contribuinte mais e mais impostos. Paga-se IPVA para rodar em asfalto de qualidade inferior, além do seguro obrigatório e taxa de licenciamento, incluindo R$ 11(!) de postagem do documento, o que não satisfaz os cofres governamentais em um país onde a sanha arrecadatória é completamente insana.
Estou em dia com o pagamento das taxas no DETRAN, porém, meu documento de licenciamento foi retido porque não fiz a Inspeção no ano de 2011. Contestei essa medida no DETRAN e a resposta foi que eles não podem fazer nada, pois a Inspeção é uma obrigatoriedade imposta pela SVMA/SP. Não se pode fazer nada, exceto barrar a emissão do documento, que nada tem a ver com a Inspeção... Enviei uma reclamação ao Ministério Público nos seguintes termos: como morador do município de São Paulo, a Prefeitura, através de sua Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, me exige realização anual de Inspeção Veicular; meu veículo tem menos de 3 anos de rodagem, ainda está na garantia e com as revisões em dia pela oficina da concessionária autorizada; eu não fiz a Inspeção do ano de 2011, ciente de que, se pego em trânsito, devo arcar com multa; no que se refere às taxas de IPVA, licenciamento e seguro obrigatório, estou rigorosamente em dia com o DETRAN, no entanto, recebi comunicado deste órgão informando que meu documento de licenciamento não pode ser liberado sem a regularização da Inspeção; pergunto então: se estou quites com o DETRAN e se o próprio órgão afirma que a Inspeção é de responsabilidade exclusiva da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, como pode deixar de emitir um documento que nada tem a ver com a Inspeção?; além disso, a Inspeção é uma exigência apenas do município de SP, enquanto dependo do documento de licenciamento para rodar em todo o Brasil; e se caso eu ficar um ano morando em outra cidade?; por fim, pesam suspeitas de irregularidade licitatória sobre a empresa que executa a Inspeção, sendo assim, enquanto se investiga a situação, não seria o caso de se suspender a obrigatoriedade da mesma?; ressalto que fiz o pagamento das taxas para realização da Inspeção e estou no aguardo do agendamento, entretanto, em vista da indignação com tamanha incidência de tributos em um país que presta serviços de África Subsaariana, peço um parecer sobre a matéria.; grato!
Por sua vez, o Ministério Público/SP me enviou a seguinte resposta: Prezado(a) Senhor(a), de ordem do Dr. Fernando José Marques, Ouvidor do Ministério Público do Estado de São Paulo, informamos que o Ministério Público de São Paulo não dá parecer sobre questões jurídicas, em tese, mas apenas em processos em andamento, desde que tenha atribuições para o caso.
Não tenho como contestar a aapreciação do MP/SP, restando somente a hipótese de entrar com um processo na justiça alegando inconstitucionalidade quanto à não emissão do documento de licenciamento, já que interfere no direito de ir e vir e estando eu com as obrigações em dia no DETRAN. Conhecendo-se a morosidade e a burocracia da justiça brasileira, o trâmite poderia durar anos a fio... O trágico de tudo isso é viver em um país no qual a cada ano que passa são criados mais impostos para sugar o contribuinte e, ainda assim, não se é compensado com nenhum serviço público de qualidade, muito pelo contrário. Nossos governos são de tendência fortemente centralizadora em todas as suas esferas e a monstruosa carga tributária imposta sobre a população é mais uma faceta da ditadura que vigora no Brasil. Seria esse o capitalismo à brasileira, ou o socialismo real?!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Trinta anos sem Randy Rhoads


Há exatos trinta anos, em 19/03/1982, um acidente áereo que poderia ter sido facilmente evitado provocou a morte prematura de Randy Rhoads, um dos maiores gênios da guitarra em todos os tempos. Definitivamente, o Rock nunca mais seria o mesmo depois dele.
No final da década de 1970, em virtude da onda punk, o momento se mostrava bastante difícil para bandas e músicos que procuravam primar pelo apuro técnico, assim, só quem realmente fosse extremamente bom e perseverante, quando muito, estava apto a conseguir se manter em cenário tão desfavorável. Nessa época Rhoads já mostrava sua incrível perícia no pouco conhecido Quiet Riot, talento que não demoraria para ser reconhecido e cobiçado. Em 1979 o guitarrista foi convidado para fazer parte da banda do já consagrado Ozzy Osbourne, que havia deixado o Black Sabbath e começava a partir de então sua carreira solo. A parceria entre o carismático e impressivo Ozzy e o prodígio de genialidade representado por Rhoads legou dois álbuns essenciais para qualquer discoteca de Heavy Metal que se preze, Blizzard Of Ozz (1980) e Diary Of A Madman (1981), obras primas que podem ser ouvidas infinitas vezes sem jamais deixarem de revelar novos detalhes e minúcias a serem desvendadas. Sem dúvida, teria sido muito mais se Rhoads não fosse vítima da tragédia. É possível que até hoje ele estivesse fazendo música juntamente com Ozzy.
A importância de Rhoads para o Heavy Metal é de natureza grandiosa, não só devido ao repertório completíssimo de técnicas que ele possuía, como também pela intensa criatividade na elaboração de riffs, melodias, licks e solos, só possíveis de serem executados por um guitarrista monstruoso como ele. Combinados, esses elementos lhe conferiram o que a meu ver define um músico de alto gabarito, isto é, a posse de um estilo próprio. Assim como acontece com todos os outros músicos dotados de enorme talento, distingue-se a sonoridade produzida por Rhoads já nos primeiros acordes, atributo que faz do músico não apenas um tocador de instrumento, mas alguém que dá a sua identidade a esse instrumento. Não é só uma guitarra, é uma guitarra tocada por Randy Rhoads, o que faz toda a diferença. Apreciar clássicos como Crazy Train, Mr. Crowley, Flying High Again, Goodbye To Romance, Over The Mountain, You Can´t Kill Rock And Roll, Little Dolls, Tonight ou Diary Of A Madman, surfando em cada nota perfeitamente encaixada por Rhoads, é um verdadeiro deleite.
Nascido em Santa Mônica, na Califórnia, Rhoads foi um divisor de águas no Rock, um guitarrista que juntamente com alguns outros nomes da New Wave Of British Heavy Metal, gente que lutava pela sobrevivência da técnica no outro lado do Atlântico, influenciou muitas bandas e guitar heroes dos anos 1980, proporcionando novo fôlego a um estilo ameaçado por modismos e que precisava reencontrar caminhos alternativos ao Hard e ao Progressivo setentistas. Estudioso, metódico e perfeccionista, contrariando a tese admiradora da preguiça que advoga em favor da despreocupação e do improviso como fatores de genialidade, Rhoads foi um músico à frente de seu tempo, um dos pioneiros a trazer a influência do Barroco e do Neoclássico para o campo do Rock. Tem-se aí um alto grau de percepção e inventividade dado somente àqueles que farejam e pesquisam, não aos que esperam obter frutos a partir de alguma iluminação milagrosa, ideia ingenuamente comprada por muitos críticos.
Se a máxima “apenas os bons morrem jovens” (ele morreu aos 25) for verdadeira, Rhoads infelizmente a representa categoricamente. Mas talvez esteja nisso também uma lógica que, apesar de trágica, define o gênio: cedo se foi, mas produziu com tamanha qualidade e competência, que foi o bastante para privilegiar os ouvintes da boa música. Rhoads não precisava de mais nada par ter seu lugar merecidíssimo na seleta galeria que eterniza os monstros sagrados. Rhoads está vivo em cada nota de sua música!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Planejamento familiar e desenvolvimento


O britânico Thomas Malthus (1766-1834) foi um dos primeiros estudiosos a abordar as relações entre economia e população, sendo bastante conhecida sua teoria da superpopulação que conduziria a um quadro de fome. Malthus escreveu na passagem do século XVIII para o XIX, período em que as condições médico-sanitárias haviam melhorado bastante na Europa, diminuindo a mortalidade infantil e elevando a expectativa de vida. O resultado disso foi que a população europeia cresceu à época como jamais se tinha antes observado, levando Malthus a concluir que enquanto a produção alimentar crescia segundo uma progressão aritmética, o aumento populacional se dava no ritmo de uma progressão geométrica, daí a insuficiência de alimentos que levaria à fome. Como remédio, Malthus apontou a importância da redução da natalidade, o que mais tarde, no século XX, iria influenciar a escola chamada neomalthusiana, porém, ele não deixou claro por quais métodos essa redução deveria ser posta em prática.
Apesar de Malthus ter vivido um contexto no qual a indústria inglesa se consolidava a cada dia, ele ainda era alguém que pensava de acordo com a mentalidade pré-industrial, sendo assim, não atentou para o fato de que a tecnologia, ao permitir que o ser humano resolvesse melhor a equação clima-agricultura, seria capaz de promover maior produção de alimentos, determinando o equívoco central de sua teoria. Sabe-se agora que a fome é um problema de fundo econômico, isto é, quem sofre com a carestia alimentar é em função da insuficiência de dinheiro para comprar alimentos, que não faltam, mas sobram em várias partes do mundo. Essa constatação torna o malthusianismo um paradigma obsoleto, resgatado somente nos cursos de Geografia, entretanto, há muita gente que não percebe que a discussão concernente ao tema da superpopulação nos dias de hoje não deve estar focada somente na fome, nem que o neomalthusianismo, mais voltado para pensar o quadro geral do desenvolvimento e do subdesenvolvimento,  se aproveita apenas de alguns traços deixados por Malthus.
Segundo o argumento marxista, tanto o malthusianismo, mas sobretudo o neomalthusianismo, são equivocados porque a superpopulação é uma consequência da pobreza, não a causa dela. A ideia não está errada, pois é correto admitir que quando se estabelecem políticas eficazes de desenvolvimento, a pobreza se reduz e, desse modo, contribui-se com a queda nas taxas de natalidade. De resto, não é preciso ser marxista para saber disso. O leigo poderia se perguntar o que o desenvolvimento tem a ver com a queda da natalidade, ao que responderíamos que em sociedades desenvolvidas há uma tendência maior da mulher na ocupação de postos de trabalho, as informações a respeito de métodos anticoncepcionais são mais difundidas e postas em prática, bem como ocorre maior valorização de aspectos culturais e de lazer, além do que inexiste a concepção perversa, mas recorrente em meios subdesenvolvidos, de que mais filhos significam mais pessoas para sustentar o lar. Assim, pode-se afirmar que nas sociedades desenvolvidas uma série de elementos está diretamente relacionada a taxas de natalidade reduzidas.
Atualmente, os neomalthusianos - talvez a alusão a Malthus não seja precisa, o que contribui com a má compreensão do neomalthusianismo - são aqueles que defendem a tese segundo a qual é preciso haver redução populacional para que o desenvolvimento venha de modo mais ágil e eficaz. Estes não negam que a superpopulação é consequência da pobreza, como espero ter deixado suficientemente claro no parágrafo anterior, mas não desprezam a noção de que o desenvolvimento também é dependente de um perfil populacional que já tenha, no mínimo, entrado no estágio de transição demográfica, quando as taxas de natalidade passam a apresentar curva descendente, pois só assim é possível haver desenvolvimento efetivo. A redução da natalidade seria assim, ela própria uma estratégia política para a implementação do desenvolvimento, feita concomitantemente a ele e como vetor para sua agilização. É mais fácil promover desenvolvimento quanto menor o número de pessoas, afinal, se a pobreza gera a superpopulação, esta acentua aquela.
Da mesma maneira que acontece com o liberalismo, pesa sobre o neomalthusianismo uma pecha atribuída pela má-fé de muitos marxistas, como o senhor Ignacy Sachs. Tomado por grande falta de honestidade intelectual, Sachs acusa os neomalthusianos de desejarem exterminar populações, o que não poderia ser mais falso, abjeto e deploravelmente execrável. Neomalthusianos defendem planejamento familiar e Sachs teria o dever de apontar que genocídios marcam, isso sim, as políticas empreendidas por experiências marxistas que ele advoga. Na quimera utópica do paraíso terreno, o comunismo legou invariavelmente o fruto da instalação do horror no presente como justificativa para alcançar um futuro inalcançável, posto que assentado sobre uma ideia absurda e geradora de ódio.
O neomalthusianismo, ao contrário do marxismo, jamais pregou a eliminação de pessoas, mas tão somente a necessidade de redução no número de nascimentos, resultado que pode ser alcançado de forma simples e pragmática por meio de planejamento familar, requerendo apenas campanhas de educação, políticas de assistência social, divulgação de métodos anticoncepcionais e distribuição de preservativos, ao mesmo tempo que, obviamente, deve-se implementar desenvolvimento humano e econômico. Cabe ainda lembrar aos marxistas dois pontos importantes: primeiro, que não há um compasso exato entre a promoção do desenvolvimento e a automática e rápida queda na natalidade, como o provam China e Índia, países que vêm se desenvolvendo há mais de três décadas, mas permanecem apresentando taxas de natalidade elevadas (escusa-se salientar que as políticas de redução de natalidade em ambos os países não são baseadas em estratégias neomalthusianas de planejamento familiar, embora a Índia dê sinais de mudança nesse sentido, quanto à China, seu governo é comunista...); em segundo lugar, o neomalthusianismo não é uma teoria que se resume a levar em conta elementos econômicos isolados de outras dimensões sociais, de vez que atenta também para o viés ecológico, considerando a disponibilidade de recursos naturais e, algo que me sinto totalmente à vontade para colocar, a questão dos hábitos alimentares, muitíssimo responsável pela ocorrência da fome em vastas porções da Terra, já que a pecuária favorece também o colapso econômico e agrícola.

terça-feira, 6 de março de 2012

Entre chutes no traseiro e boquirrotos vagabundos, viva as bananas!


Os patrioteiros estão dando chiliques, não se aguentam de raiva com a declaração do secretário-geral da FIFA, Jerôme Valcke, ao dizer que o Brasil merece um chute no traseiro. Preocupado com a total desordem que impera na organização da Copa 2014 no país, - não só alguns estádios estão com obras atrasadas, mas principalmente a parte de infraestrutura e a Lei Geral da Copa mal saíram do papel - Valcke perdeu as estribeiras. Particularmente, considero a declaração do mandatário francês uma rara réstia de lucidez - ainda que não intencional - em meio a tanta coisa errada que marca esse famigerado mundial em terras tupiniquins.
Ter trazido a realização da Copa 2014 para o Brasil foi um devaneio (mais um!) da personalidade autoritária e megalomaníaca do ex-presidente Lula, amicíssimo de Ricardo Teixeira, inclusive. Muitos bem sabem que a FIFA está distante de merecer qualquer elogio, pois nos últimos tempos mergulhou num espesso lodaçal de interesses escusos que levou a instituição máxima do futebol a enxergar o esporte apenas como negócio. Negócio esse que obviamente engorda os bolsos de seus altos dirigentes e de seus aliados espalhados mundo afora, sobretudo em países nos quais a esbórnia é favorecida pelo desrespeito às leis e pela idiotice da população em catarse com o pão e circo.
Marco Aurélio Garcia, acessor do governo federal e um dos mais típicos próceres do autoritarismo gramsciano-petista, respondeu enfurecido às palavras de Valcke, acusando o secretário-geral de boquirroto e vagabundo. Alguns comentaristas, também eles patrioteiros de ocasião, disseram que a resposta foi justa e à altura, uma vez que alguém deve mostrar que o Brasil não é uma república das bananas. É aí que se enganam redondamente, dado que a réplica de Garcia acentua de modo ainda mais gritante a condição que este país tem feito questão de vender há tempos como imagem. O Brasil é sim, sem a menor sombra de dúvida, uma república das bananas e a realização da Copa 2014 nos moldes em que está sendo empreendida é mais uma prova disso. Se Garcia - que nessa troca de farpas invocou até mesmo a colonização francesa, fazendo referência à nacionalidade de Valcke e deixando desnuda sua mentalidade rancorosa e terceiromundista - fosse uma pessoa de ideias corretas, teria dito em resposta alguma coisa como: “infelizmente o secretário-geral da FIFA, embora tenha pecado por certa falta de educação, está coberto de razão, o Brasil não tem a menor condição de sediar uma Copa do Mundo e tudo que envolve esse mundial implica em equívocos ainda mais graves quando se reconhecem os caminhos sórdidos que estão por trás da realização do evento”. Somente uma argumentação nessa linha poderia mostrar que pelo menos alguns neste país não querem de fato ser súditos de uma república das bananas, mas desejam, ao contrário, ser cidadãos de  uma nação séria. O chilique de Garcia não faz mais do que dar carta branca para que a FIFA continue se utilizando de seu modus operandi em conluio com a CBF e com o governo federal petista. Há quem diga que Dilma tem batido de frente com Ricardo Teixeira, só não percebem que ela não é quase nada além de uma marionete de Lula a quem, inclusive, a presidente veio tomar conselhos na última sexta-feira, encontro que ocorreu praticamente na surdina. Lula ainda tem mais força que Dilma, quem governa o Brasil é o PT, não ela.
A Copa do Mundo de 2010 foi na África do Sul, 2014 será no Brasil, 2018 na Rússia, que acaba de reeleger Vladimir Putin para a presidência, 2022 no Catar, nação do mundo árabe cujas somas abundantes de dinheiro são obtidas com o petróleo e com o poder dos sheiks. Países assim, de instituições frágeis e governados por autarquias que, como não poderia deixar de ser, costumam desprezar tenazmente condutas democráticas, constituem-se em terrenos perfeitos para a organização de eventos esportivos cujos interesses nada têm a ver com esporte.
Valcke percebeu que o Brasil, tamanhas suas deficiências e desorganização, não tem condições de sediar uma Copa e não, evidentemente, que tenha sido tomado dessa percepção por alguma causa nobre, afinal, ele é um homem da FIFA. Sua lucidez se deu por vias tortas e efêmeras. Mais do que em tempo o secretário-geral da entidade máxima do futebol já se desculpou da declaração, culpando os tradutores, e diz que banca o mundial no Brasil. O ufanismo patrioteiro, os idiotas do pão e circo, Lula, Marco Aurélio Garcia, a marionete Dilma (quo vadis, Dilma?), o faz tudo (e não faz nada certo) Aldo Rebelo e toda a cúpula gramsciana, megalomaníaca e autoritária petista podem ficar sossegados, a Copa 2014 será no Brasil, a maior república das bananas do planeta.