Protected by Copyscape Original Content Checker

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Classismo esquerdista ou mentalidade ridícula?


Para a grande maioria dos esquerdistas, elementos relacionados à mentalidade e à cultura, de caráter extremamente duradouro e que passam por mudanças de longuíssima duração, portanto muito mais atrelados às permanências, não podem ser assumidos como fatores explicativos de fenômenos sociais sem que estejam isentos de conceitos advindos de Marx. Isso se deve, segundo os mesmos, porque tais fatores não perpassam inteiramente as sociedades de modo a apagar as distinções de fundo econômico. É uma análise no mínimo curiosa, já que a condição de classe nas sociedades modernas, sobretudo em sistemas capitalistas que privilegiam o mérito, a dedicação e o trabalho, é sujeita à mobilidade. Se partirmos dessa premissa, como acreditar que uma dimensão tão instável predomine sobre elementos de natureza muito mais resistente às mudanças?
Dentre as tantas falhas do pensamento de Marx, uma delas é absolutamente gritante, ou seja, a ausência de psicologia, como destacou Edmund Wilson, termo que poderíamos comutar, sem risco de distorção, por mentalidade. Quando o crítico norte-americano lançou essa análise, quis dizer justamente que as ideias, o pensamento e a visão de mundo prevalecem em relação à condição de classe dos sujeitos, ao contrário do que subscrevia Marx. Defensores de posições ideológicas esquerdistas, como Edgard Carone, Emília Viotti da Costa ou Jessé de Souza, todos marxistas, não conseguem enxergar esse entendimento porque só isso já basta para provocar a ruína de seu paradigma, logo, continuam enganando a si mesmos e, o que é bem pior, aos outros.
Ouvi um professor de História e Sociologia afirmar que os professores não conseguem obter melhores salários porque impera entre os mesmos uma "mentalidade pequeno-burguesa". Até quando resolve usar o conceito de mentalidade esse pessoal não escapa do classismo! É correto concluir que, segundo as palavras do dito cujo, a "pequena burguesia" não se empenha devidamente e deseja ganhar dinheiro fácil sem pegar duro no batente. Trata-se do mesmo tipo de ideia disseminada pelo já citado Edgard Carone, o que nos defronta com uma situação paradoxal e até mesmo cômica: para Marx, o fato dos burgueses buscarem ganhos era extremamente positivo e sua crítica estava dirigida contra um sistema que ele julgava contraditório, mas não contra a lucratividade em si. De resto, é assombroso observar que esses pretensos analistas da sociedade não conhecem a obra de Max Weber nem sequer superficialmente, tampouco possuem a mais parca noção de aspectos econômicos e geográficos. É corretíssimo pensar que no Brasil, país de matriz latina e posteriormente miscigenada pelo tempero caliente dos trópicos, o pouco apreço pelo trabalho é um traço sui generis de brasilidade. Mas que burguesia? Que lugar resta para ela em uma nação patrimonialista, servil e estatólatra? Como fazer uso de um conceito classista tão distante da realidade brasileira? Não seria mais lapidar se ater ao elemento mental e cultural, estudado em pormenores reveladores por nomes como Sérgio Buarque de Holanda e José Octávio de Meira Penna?
Há quem dê duro nesse país e, em muitos casos, sem a devida valorização, dentre os quais, professores bem qualificados e comprometidos com educação de qualidade certamente se incluem. Ora, quem trabalha de maneira árdua pode carregar uma mentalidade burguesa, mas não é membro de uma suposta classe burguesa em um país que não valoriza o trabalho, sem que lhes sejam pagos salários justos. E nesse caso, deve-se salientar, trata-se de uma mentalidade que não merece condenação, mas sim louvores. E quanto aos que querem ganhar no mole, grupo do qual também fazem parte um grande número de docentes brasileiros? Se Weber nos serve como referência, sem dúvida não são portadores de mentalidade burguesa e se não ganham salários significativos, não são burgueses de acordo com Marx! Tem-se ainda um detalhe que a mínima observação torna irrefutável: a maior parte dos professores brasileiros é alinhada com ideias de esquerda, portanto, não têm mentalidade "pequeno-burguesa", a não ser que, - e não existe contradição nisso - sejam adeptos do "façam o que eu falo, mas não façam o que eu faço". Poucas coisas são mais manjadas do que o estilo politicamente correto e meramente fachadístico, composto pelo completo desapego material, pela barba desgrenhada e pelo discurso igualitarista. Só que o sujeito mora nas Perdizes, gosta de tomar whisky e quer salários altos, mesmo que não faça jus. Então estamos diante de burgueses enrustidos com mentalidade abertamente anti-burguesa, não porque sejam exemplos que contrariam a prevalência da cultura e da mentalidade sobre o fator econômico, mas porque, na verdade, constituem o típico brasileiro que busca vantagens por meio do jeitinho (Edgard Carone certeiro por vias tortas...). Aqueles que agem desse modo e ainda não pertencem à burguesia enquanto classe social, almejam a tal objetivo ao mesmo tempo que, da boca para fora, vociferam contra aquilo que querem ser. Haja recalque!
E você, reconhece a si próprio em algum destes tipos? Se sim, talvez nem devesse ter lido o artigo, a menos que sinta vergonha da própria condição, então sugiro que passe a tentar um processo interior de libertação. Agora, se você não se enquadra nessas situações trágicas e jocosas, sei exatamente qual é o seu sentimento. Sabemos bem de uma coisa: que mentalidade ridícula essa de esquerda! Rimos ou choramos?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Cultura e evolução


Um conhecido filósofo afirmou que, em última análise, o darwinismo significa perpetuação da espécie. A afirmação foi feita com vistas a relacionar o aumento da taxa de fecundidade em certos países desenvolvidos e a crença no catolicismo, concluindo-se daí, que a execração religiosa por parte de muitos darwinistas é contraditória, de vez que a religião católica atua como sustentáculo para o darwinismo.
Estatisticamente, nem eu nem o filósofo em questão sabemos o porcentual de católicos no mundo contemporâneo que leva rigidamente em conta a sugestão da procriação como vetor da perpetuação da espécie humana, até porque, se o darwinismo for corretamente entendido, o ato sexual com o objetivo exclusivo de procriar é mais instintivo do que qualquer outra coisa, não podendo ser associado com uma construção cultural, como no caso da religião. Sim, formar uma família é um ideal plenamente merecedor de louvores e que se relaciona com a religiosidade, mas aí já não cabe nenhum tipo de exclusivismo católico. Há mais: quando se presume que homens determinados se unem a mulheres férteis com a intenção de perpetuar a espécie, certamente o Carnaval brasileiro, no qual o sexo rola solto e muitas vezes sem que haja as devidas precauções, se mostra bem mais eficiente do que o fervor religioso, tendencialmente monogâmico na maioria das grandes religiões, fora a diminuição do período fértil da mulher, outra tendência fortemente ligada a diversos aspectos da vida atual.
Sabe-se também, de acordo com Darwin, independente de se aceitar ou não sua teoria, que de nada adianta uma espécie "querer" se perpetuar, haja vista animais cuja reprodução envolve dificuldades, mas que nem por isso desapareceram (perpetuação não significa quantidade). Muito mais determinante é a capacidade de adaptação ao meio natural, bem como a noção de que transformações nocivas a este meio ocorrem várias vezes em função do ser humano. E pensando em capacidade de adaptação, afloram inúmeros questionamentos: a despeito de sua enorme adaptabilidade e do fato do ser humano ser capaz de utilizar recursos e inventos que lhe permitem sobreviver mesmo em ambientes potencialmente hostis, até que ponto o crescimento vegetativo é uma vantagem na senda da evolução quando se conhecem os problemas gravíssimos que a superação da capacidade limite pode acarretar? Malthusianamente falando (e pelo menos até aqui não se vislumbra uma revolução tecnológica tão ampla e suficiente que possa nos desmentir), em termos dos próprios recursos, tantos deles esgotáveis, não seria um risco para a perpetuação da espécie humana aumentar a prole ao passo que a disponibilidade de tais recursos diminui? O homo sapiens sapiens é o último ponto da escala evolutiva? Nada indica que sim, muito pelo contrário, então, considerando as acentuadas modificações observadas no meio natural e a possibilidade concreta do escasseamento de recursos, a sanha praticamente instintiva da procriação seria inútil, no mínimo.
Até agora, abordei o tema quase exclusivamente de uma perspectiva da natureza, entretanto, é no bojo dos elementos culturais que o assunto se torna mais intrigante. A crise cultural é hoje em dia uma realidade, não só em países desenvolvidos, mas até mesmo em algumas nações desenvolvidas (quando um zoológico dinamarquês assassina uma girafa sadia, disseca o animal recém-abatido e serve partes do mesmo aos leões na frente do público, é sinal claro de que as coisas estão longe do normal), percepção bastante assustadora na medida em que a produção da alta cultura e o acesso a ela constituem o leitmotiv privilegiado que não só diferencia o ser humano, mas que acima de tudo lhe permite entender e lidar com tudo aquilo que faz parte de sua experiência material e espiritual. O caráter do indivíduo depende em larga escala da boa formação cultural e do conhecimento que ela enseja. Partindo disso, é extremamente legítimo perguntar se os pais de hoje em dia levam a sério o dever de proporcionar alta cultura a seus filhos. Caso estejam imbuídos dessa intenção, poderão empreendê-lo, seja por obstáculos econômicos, práticos ou influências externas? Indo além, embora a condição humana não se encontre inteiramente extinta nem mesmo sob a égide de sistemas totalitários, como demonstrou Hannah Arendt, em qual estrutura política os pais enfrentarão a missão que lhes é inerente desde o momento em que os filhos nascem? Eles estão atentos a essa situação? Se estiverem, então, antes de perpetuar a espécie, é fundamental lutar pela liberdade individual e pela própria possibilidade de existência da família, sem o que não há futuro. Desprovido de alta cultura, o ser humano não passa de uma besta daninha, um vetor da destruição de tudo aquilo que o cerca e de si mesmo. Perpetuação não vale mais do que evolução, até porque esta só se torna real e positiva em termos de interioridade. Quem quer se perpetuar?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Crimes e criminosos. Você entendeu alguma coisa?


Mao Tse-tung acreditava que o ser humano pudesse ser comparado a "uma folha de papel em branco, pronto a ser pintado com as mais belas cores". Comunista, o líder chinês não considerava qualquer elemento de natureza humana, genética ou moral.  Ele foi também o maior assassino da história, responsável por algo em torno de setenta milhões de mortos. Tal como Mao, Marx, Nietzsche, Lenin, Stalin e Hitler, eram todos engenheiros sociais que defendiam a criação de um "novo homem", expurgado dos "impeditivos e mistificações da sociedade burguesa". Rousseau não era propriamente um engenheiro social, porém, foi o primeiro a lançar uma das mais estúpidas ideias dos anais filosóficos, aquela segundo a qual o Homem é bom por natureza, sendo a sociedade a responsável por corrompê-lo. Esta formulação o coloca certamente como componente e influenciador do nefasto time e talvez tenha sido em vista exatamente disso que o pseudo-iluminista genebrino, ao invés de criar seus filhos, os abandonou à própria sorte...
As filosofias derivadas dos nomes acima são daquele tipo que não leva em conta a responsabilidade individual e as escolhas morais. Como nos aponta o historiador Carlo Ginzburg, jamais pode ser atribuído a um acaso o fato de que todos os grandes líderes espirituais que conhecemos tenham primado por suas inabaláveis condutas morais. É desolador saber que em pleno século XXI ainda haja quem esteja disposto a propagar ideias de engenharia social, fruto sem dúvida, da doutrinação de esquerda que venho comentando. Trata-se de gente que praticamente só escuta isso, do nível educacional básico até o ensino superior, cuja estatística mais conhecida é aquela que indica haver quase quarenta por cento de analfabetos funcionais entre os estudantes universitários.
Acredito honestamente que certo tipo de criminoso pode ser recuperado se houver uma determinada estrutura para tanto, do mesmo modo que não creio absolutamente na recuperação de pessoas como um Batoré ou um Champinha, ou ainda de Albert Fish, Ted Bundy, Jeffrey Dahmer e tutti quanti. A maldade humana é algo que não pode ser desprezado, como nos revelam os estudos mais recentes no campo da psicologia evolucionista e das neurociências. Também o famoso caso de Phineas Gage não deixa mentir. A leitura de um estudo do quilate de Tábula Rasa, do psicólogo norte-americano Steven Pinker, não faz mal a ninguém, indubitavelmente uma leitura mais profícua e esclarecedora do que os tantos blogs escrevinhados por esquerdistas recém-paridos pelo complexo "pucusp".
Tendo em mente o caso do Brasil, país no qual o número de homicídios chega a setenta mil por ano, - curioso observar a ausência de indignação da parte de nossos intelectualóides quando uma vítima é queimada viva ou quando um pai de família é morto a tiros na frente dos filhos - se é certo que alguns criminosos podem ser regenerados, será que o mesmo governo que torra bilhões em políticas assistencialistas sem porta de saída ou para realizar um mundial de futebol imerso em corrupção e interesses mesquinhos tem a intenção de erigir um outro modelo prisional? Mais do que isso, quem pode acreditar que um governo de cunho comunista, que sempre carregou consigo a ideia de relativização do crime, esteja no intuito de prescrever formas exemplares de punição? Bem contrariamente a isso, o atual governo justifica e legitima crimes, a começar pela apologia descarada em favor de seus quadros julgados e condenados, transmitindo claramente a mensagem de que o crime, além de compensar, está imbuído de motivos nobres. O atual governo -  e aí quem não entende nada é quem tem a pachorra de defendê-lo - patrocina organizações criminosas tanto no interior das próprias fronteiras do país, como na América Latina, tudo com objetivos políticos e ideológicos denunciados há muito tempo por alguns pensadores liberais, alerta, é bom que fique claro, negligenciado e desacreditado pelos politicamente corretos. Com que direito, diante de um Estado que dá de ombros para a questão da segurança, estes mesmos politicamente corretos agora vêm falar em recuperar criminosos? Ademais, nem todo crime está relacionado com aspectos socioeconômicos, do contrário, todo pobre seria criminoso, não havendo nenhum entre os ricos. É aí que, justamente, entram a responsabilidade individual e as escolhas morais. Definitivamente, afirmar que é sempre a estrutura social que transforma alguém em criminoso não passa de uma imbecilidade insustentável, cantilena relativista de esquerda para adoçar os ouvidos de quem, no fundo, não tem nada no que pensar além da crítica rasteira ao capitalismo.
No que se refere aos países desenvolvidos, estes apresentam estatísticas baixas de criminalidade simplesmente porque punem os criminosos com rigor e de forma exemplar, inclusive oferecendo a chance do criminoso se regenerar, arcabouço que necessariamente envolve seu julgamento, condenação e encarceramento. Nesses países, o crime não compensa. Aqui, o cidadão de bem, pagador de uma carga tributária colossal em termos absolutos e assolado por uma péssima relação entre o total dos tributos pagos e o retorno dado pelos governos em todas as suas esferas, não conta com praticamente nenhum serviço de qualidade. Além do mais, criminosos muitas vezes não chegam nem mesmo a ser identificados. É do interesse do cidadão de bem que o crime seja reduzido com medidas preventivas, o que inclusive é cobrado dos governantes. Isso foge de teorizações acerca do crime e não envolve uma guerra de ideias - e de classes - que só interessa a um governo ditatorial e a intelectualóides que o defendem. Ninguém, em sã consciência, gosta de bandido, a não ser aqueles que os patrocinam com finalidades de cunho político e ideológico. De qualquer forma, se é caso de discutir a respeito de como prevenir os crimes e sobre as formas corretas de punição, então o alvo não deve ser o cidadão de bem, aquele que sofre com o banditismo e com um governo que tem feito grassar a violência e a criminalidade de forma proposital. Você entendeu alguma coisa?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O pluralismo da esquerda, pluralismo de uma nota só


Na esteira do que escrevi no último artigo, desta feita desejo somente esclarecer um outro aspecto sobre o ensino universitário no Brasil, especialmente no que tange às Humanidades.
Sabe-se que as universidades brasileiras - públicas ou privadas - em seus cursos voltados para as áreas de História, Sociologia, Filosofia e Ciência Política, desde um bom tempo, são inteiramente dominadas pelo esquerdismo, seja aquele mais tradicionalmente marxista, ou o da vertente frankfurtiana pós-moderna, uma derivação do primeiro. No seio de seus corpos dicente e docente cresceu acentuadamente nos últimos tempos a defesa das cotas raciais como forma de "democratizar a universidade", hoje em dia, uma bandeira tipicamente esquerdista. 
A despeito de se colocarem como adeptos de posturas anti-racistas, os defensores das cotas agem com todo o cinsimo do mundo na medida em que dão apoio a uma política inteiramente calcada em pressupostos fenotípicos, ou seja, absolutamente coadunada com o racismo. A questão nada tem a ver com fundamentos de ordem econômico-financeira, de modo que cabe, com toda justiça, colocar duas perguntas: 1) e quanto aos brancos menos favorecidos economicamente?; 2) como aderir ao cotismo fenotípico em um país tão miscigenado, o qual indica claramente que a carga genética se traduz em fator muitíssimo mais importante do que a aparência? É evidente que nenhum defensor das cotas raciais tem como responder a tais indagações, quanto mais reconhecer que o correto é otimizar a gestão do ensino de base, abrindo oportunidades a todos, independentemente de raça ou origem.
Mais ainda do que essa problemática, é necessário usar o Português rasgado para desmascarar a ideologia cotista: os postulantes dessa causa são militantes políticos de esquerda cuja intenção não é outra que exercer um controle ainda maior do que já exercem em tantos meios universitários. Se em âmbito teórico o marxismo dá a tônica, resta agora doutrinar um contigente de pessoas desprovidas de instrução básica, aumentando assim o número de correligionários prontos a bradar contra a liberdade individual, a propriedade privada, a economia de mercado e a alta cultura, em relação a qual emitem preconceituosos julgamentos classistas. Seu objetivo é a própria destruição da moderna sociedade ocidental e o escancaramento da ditadura comunista. Não enxergar esse encaminhamento é pura irresponsabilidade que só faz o inimigo ganhar terreno.
No caso de eu estar errado (e não estou!), proponho um desafio, embora a esquerda nunca tenha passado nem perto de carregar a democracia como valor. Se realmente o cotismo está alinhado com a "democratização da universidade", contrariando tudo aquilo que brota dos escritos de Marx e de seus seguidores, e se tem como meta o dissenso e o debate, pilares democráticos, a coisa é simples: efetuem-se as cotas, mas criem ao mesmo tempo um espaço para o ensino de ideias opostas ao esquerdismo, abram cursos de graduação e pós-graduação com orientação liberal, tragam à tona os textos de Frédéric Bastiat e da escola austríaca, discutam o conservadorismo moral de Aristóteles, de Edmund Burke e o novo humanismo de Irving Babbitt, abordem os totalitarismos do século XX com base nas obras de Leo Strauss, Eric Voegelin, Hannah Arendt, Viktor Frankl e Alain Besançon. Como os intelectualóides que formam o corpo dicente universitário se mostram quase inteiramente ignorantes acerca de todos esses autores, é inteiramente improvável que possam fazê-lo. Ainda assim, eles o querem? É claro que não! O seu pluralismo e de seu alunado, massa de rebentos doutrinados, tem uma nota só.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Doutrinação de esquerda nas escolas: fique atento


O ano letivo nas escolas brasileiras está em seu início e, normalmente, os pais que se mantêm atentos à vida escolar de seus filhos procuram acompanhar rotineiramente o desempenho dos mesmos por meio de avaliações e boletins. Nem tão corriqueira, contudo, é a verificação dos conteúdos ministrados em sala de aula, até porque trata-se de uma questão que requer conhecimentos mais aprofundados, nem sempre ao alcance dos responsáveis, e cujas providências a serem tomadas não são tão simples, bem como, muitas vezes, não podem ser postas em prática de imediato.
No Brasil, faz cerca de quarenta anos que o pensamento de esquerda incursiona pelos meandros da cultura a fim de doutrinar e, a médio e longo prazo, arregimentar simpatizantes ou miltantes para sua causa autoritária. Com o gramscianismo e com o marxismo cultural, a esquerda passou, sem evidentemente abandonar o frisson da política, a apostar suas fichas no âmbito silencioso da cultura como modo eficaz de controle das mentes. Uma vez ingresso nos cursos pré-vestibulares e posteriormente à universidade, o aluno que durante a base sofreu doutrinação esquerdista, muito dificilmente conseguirá se libertar das amarras de uma visão de mundo baseada em pressupostos absolutamente falsos, mesquinhos e construídos sob a égide do ódio e do ressentimento. Caso deixe de ser devidamente instruído quando ainda não estiver plenamente contaminado pela doutrinação, os esquerdistas que dominam a cena cultural e educacional do país terão cumprido sua missão ao formar mais um aluno-militante, pronto a disseminar pelo resto da vida ideias como justiça social, luta de classes e exploração capitalista. É um círculo vicioso cada vez mais abrangente, já que muitos daqueles que se formam com base em tal sistema educacional engrossarão eles próprios as fileiras dicentes, além de vastos setores da imprensa e de outros meios de divulgação cultural. Obviamente, a estratégia é negada e apontada como paranoia anticomunista, mas para o leitor de Czeslaw Milosz e de Andrzej Lobaczewski, fica claro que a psicopatia do cinismo, da inversão da realidade e da falta de vergonha são típicas da esquerda.
Todos aqueles que são pais de estudantes em idade escolar básica e que se preocupam com o tipo de educação que seus filhos recebem em sala de aula, devem reconhecer o dever e a responsabilidade de checar com frequência os conteúdos e ideologias que lhes são transmitidos. Nesse sentido, a única forma de proceder a fim de evitar a doutrinação esquerdista, é buscar conhecimento a respeito dos quadros de pensamento da esquerda e de seus antípodas, os liberais. Para os pais que não são habituados a temas relacionados com filosofia, história e política, o processo pode ser mais ou menos lento, por isso, quanto antes for empreendido, melhores resultados poderá alcançar.
Tomando por base certos conteúdos nos quais a doutrinação se faz de forma mais gritante, deixo desde já um ponto de partida: pegue o livro didático utilizado na escola de seu filho e procure os seguintes temas: Revolução Francesa (8° ano do Fundamental/2° ano Médio), Crise de 1929 e Nazismo (9° ano do Fundamental/3° ano Médio). No que se refere ao primeiro assunto, tente verificar se o livro aborda concepções de pensadores como Edmund Burke e Alexis de Tocqueville, ou se somente fica restrito a análises de fundo marxista; sobre o segundo, se existe alguma abordagem dos economistas austríacos (Ludwig von Mises e Friederich Hayek) acerca da questão, ou se a crise é atribuída à especulação capitalista, finalmente, no que tange ao nazismo, tente observar se o livro estabelece alguma relação entre este e o comunismo, ressaltando a noção de que ambos são doutrinas totalitárias de massa, ferrenhamente adversárias da liberdade individual, da iniciativa privada e do capitalismo, adeptas de uma visão de mundo coletivista, raivosa, manipuladoras da realidade e carregadas de promessas falsas que visam ao "Homem Novo" e à engenharia social. Muito provavelmente nada disso será encontrado, caso contrário, se estará diante de um livro didático respeitável, algo extremamente raro no Brasil. Além disso, os pais devem conversar permanentemente com seus filhos a fim de obter informações a respeito do discurso ideológico e político dos professores, bem como manter contato com as instituições de ensino tendo em mente o conhecimento dessas mesmas informações.
Lembrem-se, é um caso de dever e de responsabilidade. Não fujam!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Mercado gerador de riquezas e preservador da liberdade: o que um sociólogo de esquerda é incapaz de entender


Perdi a conta do número de vezes em que o sociólogo Jessé de Souza apareceu nas páginas de O Estado de São Paulo de um ano para cá, tendo se tornado o maior habitué deste veículo de imprensa. Para quem já teve Daniel Piza, a coisa está brava! Para quem ainda acredita que predomina o pensamento de direita na mídia brasileira, uma revisão de conceitos cairia muito bem. Para quem defende o debate e o espaço para o dissenso, algo que não faz parte do ideário esquerdista, diga-se de passagem, toda reflexão é saudável e passível de críticas...
Pois bem, uma das bizarrices mais gritantes das análises de Jessé - e são tantas que não podem ser tratadas em uma exígua postagem - reside na maneira pela qual o sociólogo considera a questão da corrupção, deixando de enxergá-la como uma falha humana que se faz presente mais ou menos intensamente de acordo com o ambiente jurídico-normativo em vigência e ainda em função do respeito (ou falta dele) que os indivíduos nutrem pela ética e pela moral. Jessé promove um corte epistemológico esdrúxulo quando trata do Estado, que ele idolatra, e do mercado, que é fruto de seu ódio. Ora, filosoficamente, é possível e plenamente correto separar as dimensões da sociedade no intuito de compreender a fundo os conceitos que permeiam cada ordem de fatores que compõe a experiência humana: Platão, Aristóteles, Guilherme de Occam, Pascal e André Comte-Sponville, cada um a seu modo, trouxeram contribuições de grande valor para o tema, assim por exemplo, caso se queira discutir a respeito de moral, é no campo universal e atemporal da ética e dos valores que a discussão deve encontrar seus instrumentos de análise. Um método do tipo evita confusões epistemológicas como é típico na obra de Marx, que trata da ciência econômica como se esta fosse recheada de valorações morais ao mesmo tempo que subordina os elementos da moral e da ética à suposta base estrutural da sociedade, sem levar em conta as especificidades de cada dimensão social, além de só observar as relações entre tais dimensões a partir de um feixe que sempre converge para o econômico-material.
Se tomarmos o problema da corrupção como um fato que deriva da inobservância de valores éticos e morais e, sabendo ainda, de acordo com a filosofia pascaliana, que a ordem moral, dada sua abrangência, prevalece sobre outras nas quais o aspecto técnico e pontual confere a tônica, tal como na Economia, é fácil refutar Jessé de Souza, para quem é possível eliminar a corrupção no âmbito do Estado, mas jamais no mercado, lugar, segundo ele, da exploração capitalista. Mistureba conceitual marxista...
Segundo Jessé, o que ele chama de classe endinheirada, - talvez sem se dar conta de que a apropriação de lucros e dividendos públicos no Brasil ocorra quase que inteiramente por parte daqueles que controlam os mecanismos políticos, leia-se, os próprios políticos e os apaniguados do poder - tem interesse na corrupção da esfera estatal para que o mercado reste como opção de virtude e eficiência. Pergunta-se: que mercado pode haver se a forma de atuação do Estado é concentradora de tão demasiado poder e não respeita as regras jurídico-normativas? E ainda, que mercado é esse no qual os competidores se resumem a uns poucos donos do poder? - poder político vinculado ao Estado que o sociólogo tanto exalta. Mercado tupiniquim? Se for esse, que se façam as devidas adjetivações! Jessé não vislumbra a relação entre a necessidade de um Estado eficiente, enxuto, transparente e cumpridor de leis para que o mercado possa existir e funcionar bem. Se há interesse na manutenção do Estado corrupto, e quem assim deseja são aqueles que detêm o poder político e econômico, então isso se dá justamente com o objetivo de tolher a existência do mercado, que não pode se sustentar sem um ambiente jurídico-normativo sólido e fiscalizado que preserve o caráter de impessoalidade e garanta a concorrência, por si só uma característica que se opõe à centralização do poder. Tirar proveito do poder político é justamente uma forma de não se submeter à competição de mercado, na qual a isonomia dos concorrentes deve ser preservada em todos os sentidos.
Uma vez que o sociólogo em questão, haja vista as conclusões que defende, jamais tomou contato com a obra de qualquer pensador liberal, ele é incapaz de perceber que a concentração de poder político nas mãos do Estado, tipo de estruturação inerente ao socialismo, além de abolir todas as liberdades, faz com que o desejo de igualdade, sua justificativa, não passe de mera utopia, pois tratar de modo igual pessoas diferentes só tem como efeito a acentuação de desigualdades. A única igualdade que pode haver é de fundo político, que se desdobra em igualdade perante as leis e igualdade de oportunidades. Ao invés de diferenciar ordens para identificar com clareza quais conceitos operam em cada uma delas e para delimitar seu campo de atuação, Jessé promove uma mutilação artificial entre Estado e mercado sem jamais procurar definir o que cabe a cada um e as relações entre ambos, mas depositando no mercado a velha e insustentável tese marxista da exploração capitalista. Além do mais, ele não analisa o problema da corrupção como um dado decorrente da falibilidade humana a ser coibido com respeito às leis e à moral, mas sim como se fosse uma prática provinda exclusivamente da busca por lucro e por interesses particulares, coisas que, se almejadas dentro do aparato jurídico-normativo, não podem ser condenadas, bem como, caso transgridam a legalidade, devem ser punidas normalmente, o mesmo valendo para o Estado, que não é essencialmente mau ou bom, mas teoricamente sujeito aos mesmos imperativos. Todavia, anticapitalistas como Jessé não são capazes de entender que o Estado planejador e interventor, pela necessidade de controlar todos os aspectos da vida individual e coletiva, característica sem a qual não existe socialismo, acaba se tornando invariavelmente um Estado corrupto, impossível de ser mantido sem recorrer a meios espúrios, uma vez que os imperativos legais representam um freio às ações totalitárias desse tipo de organização.
O moto perpétuo da esquerda é: "Estado benfeitor, mercado gerador de exclusão", pensamento pueril e redutor, algo que, deve-se reconhecer, também é costumeiro entre alguns liberais que invertem a fórmula. O correto entendimento do tema depende da defesa de um Estado que zele pelo ambiente jurídico-normativo e que coíba as transgressões com base na lei, sem margem para brechas, negociatas e inobservâncias, o que vale tanto para as próprias tecituras estatais, como para as relações de mercado. O combate à corrupção segue a mesma lógica, independentemente do meio no qual ela surge e em nada tem a ver com considerar a corrupção como exclusividade disto ou daquilo. Por sua vez, a defesa do capitalismo de mercado não é uma bandeira do liberalismo por este acreditar que as práticas mercantis estão aprioristicamente isentas da possibilidade de haver corrupção, porém, simplesmente pelo fato de ser o único tipo de arcabouço econômico capacitado a oferecer igualdade de oportunidades, gerar riqueza e sustentar as liberdades política e econômica, que andam a par e passo. Para que tal situação seja possível, o Estado deve necessariamente primar pelo cumprimento da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência, como consta inclusive da Constituição brasileira. Quem acha que observar tais imperativos é plausível em um sistema socialista, ou sofre de cegueira ideológica e jamais ousou se despir das fraldas do marxismo, ou então, não liga para nada disso, ou seja, não pode reclamar da corrupção, seja em qual esfera for.
Uma historieta elucidativa serve como bom exemplo no intuito de findar este artigo: em 2013 fui professor de um aluno cujo pai é famoso nos círculos da intelectualidade esquerdista; o fato é que esse aluno foi reprovado devido à falta de postura, comprometimento e notas aquém do mínimo necessário para a aprovação, tendo assim deixado de aprender o essencial para dar seguimento à sua vida estudantil; inexplicavelmente indignado com a justa e cabível reprovação, o pai do aluno interpôs recurso junto à Diretoria de Ensino. Não é ilegal, mas é imoral. Para bom entendedor...

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Segue o jogo...


E cá estamos novamente... 2013 terminou com o tal do rolezinho, 2014 começa com ele e vem aí o rolezão... . A prática não passa de pura arruaça, desordem, intimidação, violência, mau uso de espaço privado com acesso público, impede a livre circulação das pessoas, promove depredação, saque, furto, ou seja, é crime.
Estamos, porém, no Brasil, país no qual o comunismo implantado por vias gramscianas avança a galope, daí não surpreender o fato de que quando o crime vai aos poucos tomando conta de tudo - os números de guerra civil e os recentes episódios no Maranhão, quintal da família Sarney, aliada do PT, são desdobramentos do mesmíssimo tipo -, sempre aparecem os vários "cientistas sociais" tupiniquins, esquerdopatas, apólogos do coitadismo, da vitimização do criminoso, do ódio de classe e da violência que lhe é inerente - pois seu modus operandi disso depende - para defender o caos. "São jovens buscando o consumo, ávidos por conquistas sociais e de acesso à cultura manifestando-se em uma estética própria". Palavras do tipo pulularam na imprensa, em blogs como os dos Leonardos Sakamotos da vida e nas redes sociais, desnudando uma vez mais a profunda ignorância e o analfabetismo político que grassam no Brasil. Em suma, meros clichês esquerdistas que invertem a realidade de modo sui generis: tentam passar a ideia de que em nome de reivindicações, quaisquer que sejam elas, mesmo quando totalmente inviáveis, os meios são sempre legítimos e justificáveis, logo, quem se opõe ao que é nitidamente errado, acusa-se de "criminalizar movimentos sociais". Tudo se transforma em movimento social, bastando estar dotado de ideologia esquerdista e fazer uso da violência e de táticas criminosas. O crime deixa de ser crime porque carrega consigo a vaga ideia de "justiça social" e qualquer obstáculo é visto como elemento "burguês", "reacionário", "capitalista", devendo ser sumariamente eliminado.
Em um país assolado pelo projeto de poder petista, as classes C e D passaram a consumir bens muitas vezes descartáveis ao verdadeiro espírito liberal, que é poupador, ao contrário do que se passa na mente de tantos intelectualóides ou metidos a tal. Consumo essas classes estão obtendo, mesmo à custa de endividamento e juros: todos têm TV, smartphone, tênis Nike, roupas de skate e surfwear e às vezes até carro popular. Não é consumo propriamente que desejam, mas sim ostentação, patologia típica da classe política e dos ricos apadrinhados pelo governo a ser imitada pelos adeptos do rolezinho.
A alta cultura é algo que passa cada vez mais longe de uma nação cujo governo adotou práticas populistas para alcançar e sustentar apoio escorado na ignorância. Nos círculos parcamente instruídos, a alta cultura ganha conotação classista - lembremos que o ódio de classe é mais um elemento inerente a qualquer governo esquerdista - e considerada como manifestação de afetação do adversário, lixo burguês a ser destruído. Essa gente não quer acesso à alta cultura, jamais lhes passa pela cabeça ler clássicos da filosofia e da literatura, assistir bons filmes, ouvir música clássica, jazz, blues, fusion, ou um rock de qualidade, só o que desejam é poder escancarar o porta-malas em qualquer lugar e despejar funk nos ouvidos de quem estiver próximo, assistir novelas globais, programas de auditório e ler revista de fofoca. Tudo isso eles já fazem e agora querem fazer cada vez mais até que se pulverize o pouco que ainda resta da alta cultura do inimigo de classe. Preconceito? Não, realismo, ainda que, claro, existam exceções.
Conseguir acesso a uma maior quantidade de renda, quase todo mundo tenta. Eu tento, um copeiro tenta, um lixeiro, bem como um trainee, um advogado, um médico, um marceneiro, um vendedor, um comerciante ou qualquer outro profissional que acredita poder ir além em suas condições financeiras. É algo que depende de oportunidade, de estudo, aprimoramento, esforço e dedicação, meios legais e honrosos. A população cujo acesso à instrução ainda é altamente deficiente - governo populista gosta de população ignorante - tem que cobrar das autoridades outro tipo de educação no Brasil, mas suas preocupações praticamente não tocam nesse ponto. Seria interessante um rolezinho imbuído de tal reivindicação, algo diametralmente oposto ao descaso com que grande parcela do alunos trata a escola e o estudo. E não só eles, mas também muitos de seus professores que, a despeito da falta de valorização, encontram justificativas infindáveis para faltas e licenças, para aulas mal ministradas e para doutrinação esquerdista que, logicamente, jamais aborda temas como responsabilidade individual, mérito e deveres morais.
Em tempo, cabe sempre salientar aos nossos intelectualóides que o conceito de espaço público implica no direito de todos ao usufruto daquilo que pertence à coletividade cívica, ou seja, o exato contrário de um espaço que não pertence a ninguém. O niilismo anárquico e autodestrutivo não pode ser imposto a outrem. Segue o jogo..., segue de mal a pior...