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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Avassaladora ignorância


Muito já escrevi neste espaço a respeito do tema "planejamento familiar", algo que jamais foi empreendido no Brasil, nem mesmo somente enquanto ideia a ser colocada em debate. Para um país de mais de 200 milhões de habitantes, cuja população, conforme estimativa do IBGE, irá crescer até 2042 e contando com a existência de inúmeros bolsões de pobreza nos quais a taxa de crescimento vegetativo se iguala à de nações africanas e onde muitas mães são adolescentes, solteiras e não podem sustentar nem a si próprias, quanto mais aos seus descendentes diretos, ensinar a refletir detalhadamente e realizar projeções racionais futuras a fim de decidir sobre a quantidade de filhos a serem gerados é altamente positivo e aconselhável, como não negaria nenhum especialista sério. Que o diga o grande historiador Evaldo Cabral de Mello, para quem, caso o Brasil tivesse posto em prática políticas de planejamento familiar desde os anos 1950 ou 1960, estaria atualmente em situação muito melhor.
O planejamento familiar se apresenta inicialmente como um aspecto de caráter econômico, mas evidentemente, ultrapassa em muito a esfera do puro economicismo, já que abarca questões éticas e sociais que se relacionam com o futuro da pessoa que vai nascer e daqueles que a concebem. Além disso, é elementar compreender que a Economia está muito distante de ser um campo do conhecimento restrito aos números, sendo fortemente vinculado a diversos aspectos da sociedade, lição que Friederich Von Hayek explanou há décadas. Tão claras quanto estas questões, também o é a noção de que planejar a família, como o próprio conceito de "planejar" sugere, sempre antecede o nascimento de uma pessoa, o que torna inócuo pensar nas despesas que os pais possam vir a ter depois que um filho já foi concebido. Levar em conta que uma criança necessitará de boa alimentação, cuidados médicos, vestimentas, educação e lazer é, pode-se afirmar, um dever dos pais, o que não faz deles criaturas frias e calculistas, pelo contrário, indica respeito e zelo com relação àqueles que irão colocar no mundo.
Uma das oposições mais importantes entre liberalismo e marxismo reside justamente no fato de que ao invés da primazia do econômico em detrimento das superestruturas, método de análise tipicamente derivada de Marx, os liberais jamais constroem análises em que política, religião e filosofia sejam relegadas ao segundo plano. Não pode haver liberalismo sem padrões éticos e morais, como apontaram Adam Smith e Edmund Burke, tampouco sem um profundo senso de interioridade, como mostrou Irving Babbitt.
Diante disto, é deplorável observar que pseudointelectuais como o sr. José Miguel Wisnik ainda sejam figuras tão recorrentes em países subdesenvolvidos. De acordo com Wisnik, o planejamento familiar corresponde a uma influência "avassaladora do neoliberalismo" sobre as atuais sociedades, uma prática da suposta racionalização econômica, totalizante e direcionadora no mundo de hoje. As palavras do próprio Wisnik, retiradas de um artigo intitulado Regurgitar, nos chegam assim: "O neoliberalismo, enquanto doutrina que propõe a redução formal e prática de todos os comportamentos humanos à sua expressão econômica [...], e que se propõe a decifrar todas as realidades e referências supostamente não mercadológicas em termos estritamente mercadológicos, realiza em grande parte a sua ambição universalizante, não só na macroeconomia contemporânea, mas também no imaginário cotidiano dos sujeitos atrelados em rede a seus cartões de crédito e no impacto em massa da linguagem publicitária com que convivemos a todo instante". Clap, clap, clap! Um jogo de palavras vazio e hiperbólico, como é característico de todo esquerdista encerrado na limitação ideológica.
Penso já ter discutido o suficiente no que se refere ao planejamento familiar enquanto assunto que transcende à expressão econômica, entretanto, sem conhecer nada da obra de Foucault e imaginando que o filósofo francês tenha feito análises válidas sobre o pensamento liberal que logicamente ele também desconhece, Wisnik recorre a um livro de Geoffroy de Lagasnerie (A última lição de Michel Foucault) para lançar a seguinte conclusão: "entendo que Foucault identificaria no neoliberalismo um papel significativo na quebra da lógica identitária que trabalha com as categorias da totalidade, sejam elas as religiosas ou as políticas, investidas no todo social." Wisnik tira tal conclusão a partir de Lagasnerie, sem estar convencido de que o autor de A última lição de Michel Foucault esteja correto. Mesmo assim, no final do artigo, ele procura no conceito de "hiperdialética" e no bojo da análise de Foucault e de Lagasnerie, a possibilidade de suplantar o "neoliberalismo" através da crítica interna e específica de suas supostas contradições, trazendo à tona as fraturas que quebrariam, "hiperdialeticamente", com a pretensa ação totalizante do "neoliberalismo", estratégia que não estaria ainda plenamente formulada, segundo Wisnik. A linguagem anódina e dadaísta é tragicômica, não só porque o pensamento filosófico que realmente tem algo de sublime a transmitir nos indique que o pós-modernismo de Foucault, inimigo e antípoda de qualquer liberalismo defensor do processo de liberdade como construção interior, não passa de charlatanismo, mas principalmente pela tentativa patética, da parte de Wisnik, de erigir uma reflexão acerca do liberalismo. Primeiro ele atribui falsas premissas marxistas ao liberalismo, depois, se perde completamente com Foucault, um anarquista perturbado e confuso, capaz de tecer admirações à revolução islâmica iraniana. Ao fim de tanta gororoba conceitual, nada pôde restar a Wisnik senão insistir no fim do "neoliberalismo" a partir da "hiperdialética", que ele empresta do pensador carioca Luiz Sérgio Coelho de Sampaio, qualificado pelo próprio autor como "excêntrico". Tem-se então que o "neoliberalismo" contém as armas que destruirão a si mesmo, isto é, um paradigma que visa à totalidade, mas que carrega consigo um potencial fragmentário e, em última instância, libertador. Belo exemplo de paranoia pós-moderna revestida de ranço marxista. Um nada que leva a lugar nenhum!
Wisnik acredita que vivemos em um ambiente tomado pela "avassaladora onda neoliberal", pois pensa que o liberalismo dá as cartas na China, no Oriente Médio, na Indonésia, na Rússia, na África e na América Latina. Quem fizer as contas dos contingentes populacionais de todos esses lugares certamente obterá uma quantidade que perfaz a ampla maioria dos habitantes do planeta. Se o planejamento familiar for um dos elementos constituintes da "avassaladora onda neoliberal", bastará uma simples operação de soma para que a análise de Wisnik se junte à montanha de lixo ideológico que caracteriza o esquerdismo. Avassaladora ignorância!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Marina Silva: vale o risco?


O cenário eleitoral brasileiro que ora se delineia e que desembocará no resultado do pleito em outubro próximo é desesperador. Dentre os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas, Aécio Neves, em virtude da racionalidade econômica que defende e do maior respeito pelas normas da democracia institucional, é aquele que considero o menos pior, mas, pelo andar da carruagem e a continuar assim, o tucano parece não ter chances de alcançar o 2° turno.
Alguns analistas liberais, notadamente Reinaldo Azevedo, têm reiterado que uma possível vitória de Marina Silva poderá ser ainda mais terrível para o país do que a continuidade do PT, pois supostamente, a acriana carregaria consigo um viés revolucionário situado à esquerda do próprio PT: não é demais lembrar que, entre outras "coisitchas", Marina vê com os melhores olhos os "movimentos sociais" e recebeu com entusiasmo o decreto bolivariano de Dilma Rousseff. Tomando outro caminho, mas chegando a conclusões igualmente assustadoras, um editorial de O Estado de São Paulo publicado em 07/09 levanta a hipótese do retorno de Lula em 2018 caso ocorra um mandato marineiro a partir de 2015. Isso é plausível, segundo o editorial, porque levando-se em conta o despreparo, a ausência de propostas sólidas e a tibieza de Marina, o risco de uma crise seria grande e faria com que o ex-presidente ganhasse mais capital político do que já tem, reabrindo-lhe as portas da presidência da República.
Para qualquer liberal que se proponha a destrinchar a figura política de Marina Silva, os argumentos acima são plenamente compreensíveis, afinal, ela representa um perfil incontestavelmente esquerdista, o que muito contribui para que se possa apontar como desesperador o cenário político do país. A despeito disso, penso que nada pode ser pior do que o PT, o partido mais rico e mais bem organizado do Brasil. O partido que estabeleceu a mais sólida estrutura de poder desde o início deste século e que lhe possibilitou, até este momento, mais de uma década de governança federal, que, gramscianamente, construiu um discurso hegemônico nos círculos escolares e acadêmicos (uma das consequências mais graves do petismo), que remodelou decisivamente o populismo de modo a torná-lo não apenas uma questão política, mas cultural, que reduziu drasticamente a independência dos Três Poderes, que instituiu a corrupção não como desvio, mas como modus operandi (esse aspecto ainda não foi entendido da maneira correta nem mesmo por aqueles que hoje se manifestam contra o PT, erro de compreensão determinante a ponto da corrupção não afetar acentuadamente o juízo político-eleitoral da população brasileira), que aparelhou a máquina pública em toda a sua extensão, que controla majoritariamente os sindicatos, a miríade de falsas ONG`S e que possui uma militância cuja capacidade de se transmutar da noite para o dia em milícia revolucionária é notória e já se tornou realidade. O PT é o partido para o qual a perpetuação do poder justifica qualquer coisa. O PT é um partido absolutamente ditatorial, algo que a própria história da sigla revela desde sua fundação. Enquanto pensavam que o comunismo se deparava com seu canto de cisne e chegava ao fim com a queda do muro de Berlim e o ocaso da União Soviética, ele na verdade deitava raízes na esfera cultural e na preparação dos "intelectuais orgânicos"...
Não é nada absurdo avaliar que Marina também pode estar contaminada pelo mesmo DNA petista (ela saiu do PT, mas será que o PT saiu dela?) e que sua incapacidade e inexperiência gerais são potencializadoras do retorno de Lula, mas - triste encruzilhada! - ela provavelmente significa a última oportunidade de varrer o petismo do poder no âmbito federal. Em crise o Brasil já está há um bom tempo e, crise por crise, uma que viesse de Marina teria mais chances de ser revertida: a estrutura e a organização do PT é que protegem o partido, mantendo-o como governo mesmo em meio a tantos escândalos e equívocos práticos e ideológicos.
E se, de fato, Lula voltar firme forte em 2018? Bem, caberá à sociedade brasileira avaliar se deseja realmente que isso aconteça e, embora pelas vias mais tortas e com todas as ressalvas devidas, Marina é a alternativa que se apresenta. Além disso, se Dilma vencer, mesmo já não faltando motivo algum para alijar o PT do poder e ainda que a situação do país venha a se tornar pior do que já está, isso não impede a candidatura de Lula daqui a quatro anos, se é que com a continuidade do petismo haverá espaço para eleições...
Vale o risco de eleger Marina? Caso sejamos obrigados a escolher entre ela e Dilma no 2° turno, não tenho dúvida de que vale; no 1° turno, vou de Aécio.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O futebol brasileiro e outras mazelas


E após um longo hiato, eis que este espaço volta a dar as caras ao mundo e, principalmente, ao país do futebol (muitos e muitos risos!). Agora, na mais completa falta de elementos que possam preencher sua surrada e mentirosa propaganda, o governo vende a ideia de que a Copa do Mundo foi um sucesso (e como tem gente que compra!), mesmo com os problemas dentro e fora dos estádios, vide os casos do Mané Garrincha, do Maracanã e do ataque sofrido por torcedores ingleses em São Paulo. Mais uma vez se observa que o fato do PT estar no poder por tanto tempo é fruto sobretudo da ignorância do povo.
"A Copa foi um sucesso em termos futebolísticos", poderão afirmar: huummm..., será? Esse mundial poder até ter sido um pouco melhor do que os últimos seis que, exceto pelo de 1998, foram todos modorrentos, ainda assim, não teve partidas tão bem disputadas e emocionantes como Suécia x Romênia em 1994 ou Inglaterra x Argentina em 1998. E digo mais, se a primeira fase, com muitas seleções ridiculamente fracas proporcionou algumas goleadas que elevaram a média de gols, o mesmo não se viu a partir das oitavas, com vários empates em zero a zero.
Por outro lado, a grande diversão ocorreu no dia 08/07, com o histórico 7x1 imposto pela Alemanha contra o timeco de peladeiros vestidos de amarelo, fazendo com que meus ataques de riso permaneçam até hoje! O jogo escancarou de maneira absolutamente gritante, mais do que fatores propriamente técnicos, a total decadência tática que tomou conta do futebol brasileiro, carente de variações, engessado por esquemas superados e falta de movimentação, falho nos fundamentos e pautado pelo defensivismo. As linhas de passe executadas pelos germânicos dentro da área tupiniquim, como se aquilo fosse um treino recreativo de profissionais enfrentando crianças e a facilidade extrema na construção da sonora lavada não deixam pensar outra coisa. Para quem vivia falando do Maracanazzo de 1950, ocasião em que um duelo disputado, no qual não houve lugar para desonra, deu a vitória de virada para os uruguaios, o Mineiraço de 2014 enterra por completo a lembrança do vice obtido na primeira Copa disputada em terras brasileiras como exemplo de vexame, até porque aquilo não foi vexame, já os 7x1... (gargalhadas!). Não pense você, no entanto, que o ufanismo típico da brasilidade deixará de vicejar, pois ao invés de se preocupar com aquilo que realmente importa no desenvolvimento de uma nação, o brasileiro típico continuará acreditando que o Brasil é iluminado por um milagre sobrenatural onde nada do que compõe a realidade tem importância: ele ainda crê que seu país é o país do futebol (como se isso fosse relevante), que MPB é a melhor música (e que Chico Buarque preste para alguma coisa, seja em termos artísticos ou políticos), que aqui é o melhor lugar do mundo para se viver, que o povo Brasileiro é o mais alegre, hospitaleiro e blá-blá-blá..., enquanto isso, mais um gol da Alemanha, mais um político fazendo festa com dinheiro público, mais uma vítima da violência...
E o sr. Luiz Felipe Scolari? Bem, está no limbo do esquecimento, certo? Errado! Cerca de vinte dias depois do vexame hecatômbico, ele aparece feliz e sorridente no comando técnico do Grêmio, como se nada tivesse acontecido. Nação surreal essa onde se adora premiar a decadência e a incompetência. Será que os tricolores gaúchos ainda estão na década de 1990, aquela já longínqua época em que se "amarrava cachorro com linguiça", como afirmou um certo treinador quando questionado a respeito de eras passadas do futebol? Pois é, devem estar renovando...
Futebol à parte, daqui dois meses teremos eleições nacionais e o apagão hídrico em São Paulo, maior colégio eleitoral e mais importante unidade federal do Brasil, governada pelos tucanos há vinte anos, certamente fornecerá chumbo grosso para a campanha do PT. Sempre que devem assumir responsabilidades os políticos de qualquer partido saem pela tangente e jogam a culpa em fatores impessoais, como a natureza, mas o fato é que o PSDB se tornou tão fraco que não é preciso mesmo muito mais do que a falta de nuvens para impor outra derrota ao tucanato. Em um momento em que o "menos pior" é válido como nunca antes, a inabilidade dos tucanos, tão incompetentes e corruptos quanto o PT, mas isentos do caráter ditatorial deste, poderá nos custar mais um mandato vermelho e o comunismo cada vez mais consolidado.
Bem, no fundo, essa questão da natureza e do meio ambiente não deixa de estar intimamente relacionada com a falta d´água. Sempre ouvi de muitos professores (todos esquerdistas) que a Europa havia devastado quase por completo suas formações vegetais e, após o privilégio de ter feito minha segunda viagem ao Velho Mundo no mês passado, cheguei à conclusão de que estes professores confundem urbanização com devastação ambiental, já que em praticamente todas as cidades europeias, sejam de grande, médio ou pequeno porte, a enorme profusão de áreas verdes e parques destinados ao desfrute do cidadão e do turista revelam que o tecido urbano não precisou derrubar a vegetação para se estabelecer. Aqui no Brasil, onde se consome e se exporta toneladas de carne, as grandes massas vegetais são pulverizadas cada vez mais para a abertura de pastagens e lavouras destinadas à alimentação do gado. Assim, a despeito da falta de ação governamental, o apagão hídrico não chega a ser de todo surpreendente, de vez que as chuvas dependem em boa medida da umidade lançada pela vegetação.
E por falar em esquerdistas, eles não poderiam deixar de botar suas mãos sujas no que diz respeito ao conflito na Faixa de Gaza. É óbvio que detestam a próspera democracia liberal israelense, mais um exemplo que desmente as teses de esquerda, mas o incrível mesmo é notar os paradoxos dessa gente: se dizem contra as religiões instituídas, mas apoiam o fanatismo e as teocracias islâmicas, se dizem feministas, mas não dão um pio para protestar contra a terrível condição submissa da mulher perante o Islã, se dizem pacifistas, mas além da manjada idolatria a assassinos históricos como Che Guevara, acreditam que o terrorismo do Hamas, que ensina a prática do ódio e da mais pura violência às crianças desde os primeiros anos de sua infância, é capaz de pleitear a criação do Estado Palestino. E quando se levantam em defesa da justiça, o que têm para dizer sobre o que a China faz com o Tibete, o que o governo sírio faz com os civis, ou o que o Boko Haram faz com populações africanas? Nada! Esquerdistas, de tão safados e imbecis, não deveriam ser levados a sério, mas o problema é que o canto de sereia dessa gente embala a muitos, por isso é dever das pessoas de bem combater ferrenhamente a essa turma. Como bradava Churchill: "jamais nos renderemos"!

terça-feira, 27 de maio de 2014

A seleção não tem nada a ver com isso... E eu não tenho nada a ver com eles.


O técnico da seleção brasileira disse que ela nada tem a ver com a Copa fora do campo, ou seja, segundo Luiz Felipe Scolari, tudo de ruim que faz parte deste mundial e que não se relaciona com o que se passa exclusivamente dentro das quatro linhas não importa aos jogadores e à comissão técnica.
Evidentemente, o sr. Scolari, assim como tantos idiotas, pretende que a população torça para o escrete nacional, mas se ele e seus comandados nada têm a ver com a sujeirada nojenta que trouxe a disputa para o Brasil, como se não fossem, antes de tudo - ou pelo menos devessem ser - cidadãos, não há como desvincular os indivíduos e o corpo social dos fatores extracampo. Sendo assim, e assumindo que diante da enormidade de erros e falcatruas que envolvem a Copa 2014, há uma quantidade significativa de pessoas refratárias à descomunal tolice da pátria de chuteiras, conclui-se que muitos não irão torcer pela seleção brasileira. Repare por aí se há bandeiras nas janelas ou ruas decoradas com motivos verdes e amarelos. Eu não estou vendo nada aqui em São Paulo e cidades vizinhas. Menos mal.
O clima nada alvoroçado que antecede o início do torneio deixa claro que, bem ao contrário do que diz o chucro técnico da seleção brasileira, ela tem sim a ver com o que se passa fora do gramado. Qual o sentido da existência dos times nacionais? Ao se analisar a atual situação do futebol brasileiro e a própria declaração do sr. Scolari, a única resposta plausível indica que a seleção brasileira é um fim em si mesmo, um grupo de jogadores cuja maioria nem mesmo atua no Brasil, todos eles alheios a questões políticas e cujos objetivos em nada vão além das vantagens que cada um pode obter vestindo a camisa amarela. Inclui-se aí, logicamente, a comissão técnica que, além do comandante, conta com outra figura execrável, em relação à qual um pingo de respeito que seja, só pode ser visto como absurdo. O sr. Carlos Alberto Parreira, a meu ver um dos grandes responsáveis pela falência do futebol brasileiro, ao soltar uma pérola equiparável àquela que saiu da boca do diretor técnico, se mostrou em compasso com o mesmo. É de autoria do sr. Parreira a seguinte frase: "a CBF é o Brasil que deu certo". A CBF envolta em escândalos de corrupção, a CBF que há décadas virou as costas por completo à organização dos campeonatos, a CBF que não cuida de assuntos ligados à arbitragem, a CBF que não toma providência nenhuma em relação ao calendário bagunçado, em suma, o órgão máximo do futebol brasileiro que em nada exerce aquilo que deveria ser de sua responsabilidade. É essa a CBF que deu certo do sr. Parreira? A CBF que é a cara do Brasil, isto é, que compõe um pedaço da tragédia brasileira? Pior que é! E ainda tem gente que enxerga nesse sujeito alguém que mereça ser levado a sério.
De acordo com o sr. Scolari, seleção brasileira é uma coisa, já aquilo que a cerca em termos do país e do povo que representa, é outra completamente diferente. Segundo o coordenador Parreira, plenamente imbuído da famigerada e nefasta brasilidade, o errado é certo. Você terá coragem de torcer por esses caras? Ou você torce apenas pela seleção? Se respondeu "sim" à última pergunta, aconselho que preste bem atenção à fala do sr. Scolari, afinal, para ele, seleção não passa de um círculo fechado sem conexão com absolutamente nada que seja externo a ela. Trocando em miúdos, o comandante não enxerga vínculo entre o time e o torcedor-cidadão, que sofre na pele com a situação do país. Há três opções: caso concorde com o treinador, você é um Zé Ninguém que torcerá, se não concorda, mas mesmo assim acha que existe patriotismo envolvido na questão, torcerá porque é tonto, ou não torcerá e mostrará respeito por si próprio, assim como merecerá o respeito por parte daqueles que têm nojo disso tudo que está aí. A escolha é de cada um. Em tempo, fica mais outra indagação: por que a imprensa se dispõe a cobrir esse evento maldito?

terça-feira, 6 de maio de 2014

Caos nosso de cada dia


O Brasil vive um momento esquisito: as denúncias de corrupção continuam pululando uma atrás da outra, um mar de lama sem igual e o governo, como sempre, procurando minimizar a gravidade da situação, coisa que faz com sucesso desde 2005, já que se aproveita de uma oposição inexistente e de uma população em estado de catarse, a despeito das enganosas ondas de "despertar do gigante", pura ingenuidade de gente que costuma se bem intencionada, mas incapaz de vislumbrar com mínima exatidão o que acontece por aqui.
Dentro de pouco mais de trinta dias, se iniciará a Copa do Mundo, evento esportivo que pode ter consequências políticas das mais importantes. Enquanto a competição estiver acontecendo, com a seleção nacional viva ou não na disputa, será o foco das atenções para grande parcela do povo, portanto, a influência que ela terá nos rumos do país só poderá ser explorada e sentida quando faltar um tempo bastante curto para as eleições de outubro, para o bem ou para o mal. Em um Brasil de tantos absurdos, o fator Copa interferindo na política é só mais um deles. E se tudo já estiver previamente arranjado para que o escrete tupiniquim conquiste a taça? Dá para duvidar? Em tempo: se algum jogador convocado recusasse o chamado de Luiz Felipe Scolari em função de posições políticas e ideológicas, de imediato, se tornaria para mim um herói (como propôs Joseph Campbell, o herói é aquele que renuncia a uma oportunidade em nome de outra, mais fugaz, mas também, muito mais grandiosa). A esse tipo de conjectura, dá-se o nome de "utopia".
Voltando à política em si, um conceito distorcido de política e daquilo que se relaciona ao político é sempre invocado quando quem detém o poder tenta deslegitimar um debate. Assim procede o PT através de seus quadros, pois têm sido absolutamente corriqueiro observá-los dando declarações em relação à CPI da Petrobrás, ressaltando de modo veemente que a mesma não pode enveredar por um caminho político (talvez por isso o governo terá maioria na comissão, inclusive comandando presidência e relatoria...). Ora, mas é óbvio que, queiram ou não os governistas, trata-se sim de uma questão política, ainda mais porque envolve uma empresa pública cujos diretores e ex-diretores, além do próprio governo, devem satisfações não aos partidos da "oposição", mas sim à população brasileira. O PT tem usado a Petrobrás obedecendo a velhas táticas esquerdistas: aparelhamento da máquina pública e populismo, patologias administrativas que destroem as instituições e impedem que a política seja entendida e exercida a partir daquilo que a define, isto é, participação à base de ideias e repertório argumentativo. Desde Aristóteles a política é condição sine qua non para que se erija a condição humana. O PT quer eliminar a política, mas faz politicagem.
E no intuito de gerar o caos para com isso acentuar progressivamente a ditadura gramsciana, o mesmo PT, juntamente com seus acólitos, permanece insuflando o ódio de classes no país: qualquer evento, por mínimo que seja, serve a esse propósito, até mesmo o preço dos ingressos para partidas de futebol e a presença de público nos estádios. Segundo o sr. Lucio de Castro, da ESPN Brasil, está em curso um projeto de "elitização" dos estádios, salvo exceções como o Fluminense. Engraçado: Peter Siemsen não é um membro da elite? Ou é um membro da elite que age contra a elite? Ah, já sei, é porque o presidente do clube das Laranjeiras, tem "consciência social", apesar de ser da elite. Logo no Fluminense, um clube de raízes elitistas... . Mas, devemos insistir: que elite é essa, a elite política? Como, se o Brasil é controlado por um partido de esquerda e se os partidos não-governistas são todos de esquerda, ou, no mínimo, de centro-esquerda? Será a elite econômica? Hummmm..., aquela que é composta por empresários amigos da realeza, liderada por um partido de esquerda? Talvez a elite intelectual, formada majoritariamente por... "intelectualóides" esquerdistas, muito bem representados por ninguém mais, ninguém menos, do que ele, o próprio sr. Lucio de Castro! Agora, sem ironias, é preciso ser de uma idiotice ímpar para não enxergar que vivemos o completo oposto de uma "elitização", ou seja, devido à paulatina desvalorização da cultura, da moral e dos interditos sem os quais não há possibilidade de existência de qualquer sociedade, a massificação que tomou conta do Brasil, vetorizada pela canalhice esquerdista, tenta empurrar goela abaixo das pessoas de bem que o descumprimento de normas básicas de convívio não existe e não passa de uma mistificação preconceituosa. Assim, defendem que todo tipo de comportamento, independente de causar prejuízos à vida em sociedade, deve ser aceito normalmente.
É ou não é o caos? Ele já está instalado!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Oportunismo politicamente correto


Causaram enorme bochicho as recentes declarações do novo presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, sobre o possível interesse da agremiação no meia Kaká. Aidar afirmou que o jogador evidentemente interessa, pois "é alfabetizado, tem todos os dentes na boca, bonito, fala bem..., é a cara do São Paulo".
Os politicamente corretos de plantão, como de praxe, logo passaram a cuspir abelhas contra a fala do mandatário em questão, adotando o velho discurso tipicamente - hoje eu não queria usar o termo, mas como se trata de algo que assola cada vez mais todas as esferas da sociedade e da cultura, não há como fugir a ele, infelizmente - esquerdista! No universo das paixões clubísticas e das provocações entre torcedores, não há decoro nem regras e, assim sendo, os que foram alvos do presidente podem, de modo natural e inocente no seio de tal contexto, devolver o cutucão fazendo troça com a sexualidade dos são-paulinos: a palavra "bonito", uma das que foram utilizadas por Aidar para se referir ao ex-jogador do São Paulo, atual atleta do Milan, cai como uma luva para tanto.
A contextualização, que uma vez levada em conta não daria ao fato importância maior do que ele merece, passou longe entretanto da imprensa defensora dos fracos e oprimidos, que não fez cerimônia em atribuir conotações políticas e sociológicas a uma frase meramente clubística. Qualquer sujeito, mesmo aquele que não torce e só acompanha um pouco de futebol, muito mais por osmose do que por vontade própria, sabe que Aidar teve a intenção de dar uma alfinetada no escrete de Itaquera, apenas mais um episódio dentre os tantos que permearam e continuarão permeando o discurso de rivalidade que move os dois clubes paulistas. As provocações de parte à parte já passaram pela boca de Roque Citadini, Marco Aurélio Cunha, Vampeta, Luís Fabiano, Andrés Sanchez, Juvenal Juvêncio e por aí vai ...
A ESPN Brasil, emissora esportiva que vem assumindo de maneira mais aberta a cada dia que passa o tom do politicamente correto, do coitadismo e do oportunismo esquerdista, através de alguns seus âncoras e comentaristas, fez um alvoroço em torno da declaração, com direito a indignação extremada e discursos inflamados condenando o cartola do Morumbi. A análise pretensamente dotada de rigor político e sociológico contaminou até mesmo Mauro Cezar Pereira que, pelo menos até hoje, nunca havia precisado recorrer a clichês de bom-mocismo para construir um raciocínio. José Trajano, o chefe, do alto de sua postura artificialmente douta, chegou a dizer que  a frase de Aidar era racista, sem que em nenhum momento o dirigente tenha se referido a qualquer aspecto racial e como se o fato de se possuir mais ou menos dentes tivesse alguma coisa a ver com a cor da pele, ou como se o conhecimento da escrita fosse fator de diferenciação entre brancos e negros, ou ainda como se um juízo sobre beleza pudesse adotar universalmente critérios baseados no grau de pigmentação cutâneo. Quem enxerga racismo onde não há é que parece estar tomado por algum tipo de paranoia racial... Ah, Leônidas da Silva, o Diamante Negro, tem a cara do São Paulo, do mesmo jeito que Kaká. A declaração não passou de provocação clubística, repito!
O já citado Vampeta, há não muito tempo, foi convidado a falar na ESPN Brasil. Na ocasião, a extrema ignorância do ex-jogador fez com que ele falasse inúmeros absurdos a respeito da Copa do Mundo 2014, logicamente defendendo sua realização e descartando como tolices todas as mais do que justas insatisfações por parte da população quanto à podridão que cerca o evento. Trata-se do mesmo Vampeta que disseminou a alcunha de "bambi" para designar os são-paulinos e, se a dita emissora condena tão veementemente as provocações clubísticas, não deveria conceder espaço ao criador do apelido. Contudo, é extremamente comum nos depararmos com exemplos cotidianos nos quais a autorreferência desmente categoricamente as ações práticas: a ESPN Brasil, inclusive nesse caso prestando serviços jornalísticos elogiáveis, sempre se manifestou contrariamente à realização da Copa no Brasil, mas dado que o discurso sempre é mais fácil do que sua observância concreta, o veículo transmitirá ao vivo todos os jogos do mundial, no que irá ajudar a FIFA, os patrocinadores desta, bem como faturará ele próprio cifras consideráveis ...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A invenção da luta de classes e o ódio à classe média


No pensamento de Marx, a luta de classes é o motor da história, segundo ele, algo observado desde a oposição entre senhor e escravo no mundo antigo, até o antagonismo que opõe burguês e proletário na sociedade industrial capitalista. Nesta, de acordo com o autor em questão, a exploração do homem pelo homem conduziria a um distanciamento cada vez maior entre os donos do capital e o trabalhador assalariado, situação que, por sua vez, promoveria o acirramento da luta de classes e a ocorrência da revolução socialista, pautada obrigatoriamente, nunca é demais frisar, pela violência.
A análise histórica, a despeito das pretensões científicas de Marx, o desmente categoricamente, bastando mencionar conflitos tais quais a Guerra do Peloponeso, as guerras de reconquista na Península Ibérica, a Guerra das Duas Rosas ou importantes desenvolvimentos da história, como o avanço científico e a produção cultural, dentre tantos outros elementos que nada têm a ver com luta de classes, para se saber que a obra marxiana é recheada de falhas e de um senso profético que chega a ser ridículo. Ao longo de seus escritos Marx nunca conseguiu oferecer uma conceituação precisa de classe social nem ninguém que compre a ideia da luta de classes como motor da história poderá sustentar o argumento solidamente, já que a mente humana, com toda a sua complexidade e multiplicidade, não opera somente com base no fator econômico-classista.
É sabido que Marx, tomado pelos arroubos de desonestidade intelectual que marcaram a gênese de suas reflexões, manipulou estatísticas na intenção de confirmar o que ele queria que fosse confirmado, não o que de fato se verificava, por isso o uso anacrônico que fez de muitos dados e fontes. O desenrolar da história, todavia, se encarregou de desnudar a farsa marxiana: em sociedades capitalistas fundadas sobre a liberdade individual, a isonomia jurídica e a meritocracia, os salários reais dos trabalhadores só aumentaram nos últimos cento e cinquenta anos, bem como se formou uma ampla classe média trabalhadora e consumidora, resultado totalmente contrário à polarização proletários empobrecidos-burguesia concentradora de riquezas que Marx quisera prever. Indicadores sociais como renda per capita, além do próprio IDH, mostram que nestas sociedades capitalistas, o acesso à educação, saúde, lazer e cultura é bastante disseminado entre a população.
O surgimento da classe média é um elemento importantíssimo para a compreensão das políticas empreendidas hoje em dia por partidos de esquerda no poder, como o PT, e do ideário que permeia a cabeça dos intelectualóides filiados aos mesmos, vide a sra. Marilena Chauí, marxista de carteirinha, ferrenha adepta da luta de classes como motor da história e que odeia a classe média. Por que será?
No âmbito econômico, a existência da classe média é uma prova do equívoco de Marx quanto ao desenvolvimento do capitalismo e, mesmo no Brasil, país em que o paternalismo servil, o apadrinhamento e o peso do Estado populista sempre contribuíram para minar a construção de um sistema coadunado com a livre iniciativa e com o mérito, ainda assim foi capaz de aparecer o estrato médio da sociedade, especialmente a partir dos anos 1940/1950. A partir daí, é possível notar tentativas paulatinas da esquerda em promover um aproveitamento político da classe média, sobretudo por meio dos mecanismos de produção cultural, o que passa a tomar grande nitidez por volta da segunda metade dos anos 1970. Quem se puser a assistir ao canal Viva, coligado à Globo, e que reprisa novelas e séries da época, pode procurar perceber o tipo de discurso transmitido por muitos personagens, de modo que os valores tidos como vanguardistas, modernos e progressistas se opõem ao que é visto como resquício do que é preciso eliminar para erigir a tal da justiça social, mistificação criada desde Robespierre para o controle ideológico da máquina pública. Qualquer elemento de moralidade é sumariamente condenado e associado a uma superação dialética que anuncia a marcha do novo homem. Na educação, a doutrinação esquerdista se tornou a realidade didática de professores e livros e, com isso, o aspecto político se transformou no mote da esquerda em relação à classe média, pois no que tange ao econômico, a própria existência desta contradiz Marx. É no seio do aspecto político, negligenciado pelo autor de O capital, que nos dias atuais a esquerda insiste em proclamar a existência da luta de classes. Injetando um sentimento de culpa no próprio membro da classe média, impingindo a ele uma conotação retrógrada, tacanha e um dever de ultrapassar os próprios limites, já não mais compatíveis com as leis da história que a fazem avançar, o sujeito se auto-expurga e se abre à visão de mundo revolucionária.
Em função do alto grau de complexidade que permeia um país multifacetado como o Brasil, ainda existem setores médios refratários à cooptação esquerdista, para os quais o governo nada realiza e que ao mesmo tempo são os alvos prediletos da retaliação e da virulência das Marilenas Chauís e dos Jessés de Souza, pessoas cujo desejo não é outro senão destruir o estrato social que derruba as teses de Marx e que ainda se põe como obstáculo à implantação do totalitarismo comunista. Você vai se deixar levar?