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sábado, 25 de setembro de 2010

França (Paris)

  
Torre Eiffel

Chegou finalmente a hora de finalizar os relatos sobre o Eurotour. É a vez de Paris, etapa que colocou fim à estadia europeia.
É difícil escrever sobre Paris, por vários motivos: primeiro porque possivelmente, tudo o que eu relatar aqui a respeito da Cidade Luz, já é relativamente sabido por qualquer pessoa medianamente informada, segundo, devido ao fato de que há tantas atrações na capital da França, que o turista que fica por lá durante três dias, como no nosso caso, não consegue dar conta  de ver todas elas, evidentemente. Creio que até mesmo quem reside em Paris, se se propuser a contar o que há nela, não poderá fazê-lo de modo a não sentir uma forte sensação de incompletude a menos que escreva um guia. Pois bem, mesmo assim, vamos lá...
Paris é a cidade mais visitada do mundo. Não é, na minha opinião, a mais bonita, nem a mais dotada de valor histórico, nem a mais aconchegante, nem mesmo a mais charmosa. Concordo sim, em lhe atribuir o título de a mais glamourosa, aquela cuja visitação fecha como nenhuma outra uma viagem ao Velho Mundo. Visitar Paris é como completar um álbum de figurinhas, obtendo aquele cromo sem o qual fica faltando algo. Paris é um cartão postal não apenas da Europa, mas do planeta.
A torre Eiffel é indubitavelmente o ponto alto, a atração mais procurada da cidade mais visitada. Um gigante de ferro, mas que tem a leveza de uma pluma, a sublime elegância das formas, impõe-se sem esforço no meio da urbis, podendo ser avistada de vários pontos diferentes. Um monumento que hipnotiza e que traz em si toda a história da moderna Paris, transmitindo a clara impressão de que sempre esteve ali, mesmo tendo sido erguida apenas no final século XIX, época na qual Paris, justamente se modernizou. Não basta apenas vê-la, mas apreciá-la à luz do dia, no crepúsculo, quando suas luzes começam a ser acesas e finalmente à noite, quando oferece ao turista o esplendor total de sua beleza. Entrar na torre, tomar os elevadores e atingir o topo desse ícone da arte e da arquitetura mundiais, também é essencial, já que Paris vista do alto revela encantos, tanto quanto do nível do solo. Um cuidado que se faz necessário no passeio, diz respeito aos cafés que abundam as imediações da torre, uma vez que seu charme faz com que os preços sejam de exorbitância calamitosa. Ande um pouco mais além e encontre um estabelecimento com preços condizentes.
 

Arco do Triunfo

Outra atração que também remete diretamente ao conceito de urbanização que tornou Paris o que ela é hoje, é o conjunto Arco do Triunfo - Champs Elysées. Passear a pé pela avenida mais famosa do mundo e deparar-se com o Arco em toda sua grandiosidade neoclássica é como um rito de passagem que torna o visitante um turista de fato. O Arco do Triunfo situa-se num ponto central de onde se irradiam, além da Champs Elysées, mais onze avenidas, traçado urbano projetado pelo Barão de Haussmann no século XIX. A crítica marxista acusou a modernização haussmaniana de elitista e autoritária, pois a largura das avenidas e sua geometria reta eliminaram a sinuosidade até então vigente, impossibilitando a ocorrência das barricadas. Balela! Atualmente, o estado francês agradece as cifras que o turismo nas avenidas de Haussmann proporciona a seus cofres, assim como tantos marxistas já passaram por ali maravilhados com a exuberância advinda de um conceito de urbanização que até hoje é ausente em países subdesenvolvidos. Barricadas não melhoram a vida de ninguém, nem ontem, nem hoje, projetos urbanísticos, podem sim permití-lo, no entanto. Viva a Paris moderna, carregada de história! Vale ainda mencionar as tantas lojas e cafés presentes no conjunto das avenidas do centro de Paris, nem sempre com preços inacessíveis. A Sephora, na própria Champs Elysées, é uma megaloja de perfumes na qual se pode comprar das melhores fragrâncias do mundo por valores normais. Na Avenue de Wagram, o Caesar Café oferece boas refeições, igualmente a preços atraentes. Aproveite!


Museu do Louvre

No quesito arte, Paris conta em seu cardápio com o magnífico Museu do Louvre, que vai bem além da Monalisa. As atrações começam ainda na parte externa do museu, cuja construção impressiona pelo tamanho (são 700m de comprimento de cada lado do "U" que lhe dá forma), pela presença das Colunas de Perrault, uma emulação das ordens arquitetônicas da  Grécia Antiga, e das indefectíveis pirâmides de vidro. Já dentro do Louvre, é importante obter um guia (há a versão em Português) com a planta do museu a fim de percorrer suas infindáveis salas e corredores com mais desenvoltura. Este guia indica também as principais atrações do Louvre. São tantas: Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, Eros e Psyche, Código de Hamurabi, Muros do Palácio de Sargão, uma infinidade de sarcófagos egípcios, além da própria Monalisa e de inúmeros outros objetos de arte.


Notre Dame vista do rio Sena

A Catedral de Notre Dame é outro local famoso e que atrai muitos turistas. Não é a mais bonita igreja europeia, perdendo de longe para a Basílica de San Pietro e para o Domo de Colônia, mas suas gárgulas, suas rosetas de vidro e seus arcobotantes na parte traseira, fazem dela um incontestável símbolo gótico. Em conjunto com o Sena, já que fica situada na beira do rio, compõe mais uma das paisagens parisienses. Pensando no rio Sena, fazer um passeio de barco em suas águas limpas é também essencial. O trajeto parte do ponto em frente à Torre Eiffel e percorre alguns dos locais de maior interesse em Paris, ficando o destaque para a ponte Alexandre III, considerada a mais bonita do mundo e que pode ser apreciada bem de perto.


Jardin du Luxembourg

Igualmente atraentes são o Quartier Latin, com seu imponente Pantheon, a bela igreja gótica de Saint Etienne e a Sorbonne, a Sacré-Couer, basílica com elementos arquitetônicos arábes e situada num local de onde se tem uma vista panorâmica de Paris e principalmente, o fantástico Jardin du Luxembourg, uma espécie de parque que possui um projeto paisagístico de encher os olhos, com tapetes de grama verdejantes (especialmente no verão) recobertos pelas mais diversas espécies de flores e seu exuberante colorido, tudo muitíssimo bem cuidado.
Essas foram apenas a atrações que nós visitamos, havendo muitas outras em Paris. O certo é que a Cidade Luz fecha com chave de ouro uma viagem que todo mundo deve realizar um dia na vida!

domingo, 12 de setembro de 2010

Holanda e Bélgica (Amsterdam e Bruxelas)


Canal em Amsterdam

Olá! Hoje é dia de escrever sobre Holanda e Bélgica, os dois países que compuseram a penúltima etapa do Eurotour. Então, mãos à obra!
Começando por Amsterdam, capital holandesa, logo de cara o que mais chama a atenção do visitante é o agito da cidade, badalada, cosmopolita, vanguardista e liberal. Essa agitação, todavia, nunca passa a impressão de bagunça, sendo antes um elemento que perfaz a própria organização urbana do local. Os inúmeros canais, todos eles limpos, lotados de barcos e sempre margeados por árvores em profusão, dão o toque característico da paisagem. Um charme inconfundivelmente holandês! É impossível também não notar a quantidade gigantesca de bicicletas em Amsterdam. Estacionadas na ruas, nos pontos de locação, ou sendo usadas pelos cidadãos, requerem boa atenção do turista ao caminhar, mas são sem dúvida, um dos fatores que denota a qualidade de vida de quem habita a cidade.
A vida cultural oferecida pela capital holandesa é vasta, uma das mais fartas da Europa. Conforme o tempo disponível, o visitante não pode deixar de conhecer alguns dos museus da cidade, tais como o Rijks, a Casa de Rembrandt, o Museu Judaico, a Casa de Anne Frank e o Museu Van Gogh. O Rijks é considerado o mais tradicional, mas penso que a Casa de Anne Frank e o Van Gogh sejam os dois que devam ter prioridade. 
No caso do pintor holandês, pelo simples fato de possuir o maior acervo de telas do artista, passando por todas as fases de sua pintura. Não há como deixar de notar a evidência do gênio de Van Gogh, também porque as explicações oferecidas junto às obras, informam de modo extremamente detalhado sobre a fantástica, complexa e trágica gênese de sua obra. Depois de apreciar as belas pinturas, o visitante não deve deixar de adquirir a preços módicos nas lojinhas que cercam o museu, ao menos uma réplica de algum dos quadros do grande pintor holandês.
No que se refere a Anne Frank, o valor histórico do museu é inestimável. Aqui cabe um parênteses para abordar a polêmica que envolve a autenticidade do diário escrito pela menina, um dos documentos históricos mais dramáticos acerca da perseguição nazista ao povo judeu. Existem aqueles que, não totalmente desprovidos de razão, negam a autoria do Diário a Anne, sem no entanto incorrerem na negação do Holocausto ou no anti-semitismo. Particularmente, creio que certas partes do diário tenham sido manipuladas por Otto Frank, pai de Anne. Essas minúcias, porém, não desprezam o valor documental dos escritos e nem estão imbuídas de consequências políticas e ideológicas merecedoras de reflexão mais detida pelo público leigo. Levantam, é claro, questões teórico-metodológicas em relação a quem lida com pesquisa histórica, mas o documento, nesse âmbito, não é negado. Por outro lado, a corrente negacionista, - e aí já não estamos mais pensando apenas no Diário - sem nenhuma consistência teórica, apenas adotando os contorcionismos discursivos e a ausência de lógica e de pesquisa documental, recusa as evidências históricas do Holocausto e da perseguição aos judeus (e também aos ciganos). A consiliência de inúmeras provas, diferentes em natureza e no tempo-espaço, bem como os vários estudos a respeito do pensamento nazista, que jamais deixa de ir ao encontro do tema do preconceito racial e do extermínio dos "inimigos da causa", solução tipicamente totalitária, não interessam aos negacionistas, por um único motivo, a saber: o relativismo radical (e modista) dessa corrente tem um objetivo definido, que é reabilitar o nazismo como opção política, algo moralmente aterrador para aqueles que preservam a diferença fundamental entre certo e errado. Um dos maiores apóstolos do negacionismo, Robert Faurisson, declarou que Hitler jamais perseguiria alguém por conta de raça ou religião. Não pode haver mentira maior do que essa e não se pode chegar a outra conclusão, senão a de que Faurisson é um nazista convicto tentando conferir ternura  à ideologia hitleriana. Nos últimos tempos, tem sido trágico e curioso observar como muitas tendências de esquerda abraçaram o negacionismo ao associar os judeus com o capitalismo. Lamentável! Uma coisa é certa, estar na Casa de Anne Frank é se emocionar, pois remete a um dos períodos mais sombrios do pensamento e da história humanas, além de fazer sentir um reflexo do que o povo judeu sofreu durante a perseguição nazista. Visita imprescindível!


Oude Kerk - Amsterdam

O turista que vai a Amsterdam econtra ainda a beleza da arquitetura da Oude Kerk, a velha igreja, da Westertoren, torre com relógio na igreja onde Rembrandt foi sepultado, e do Koninklijk, palácio real da cidade, sem falar de outros tantos monumentos e construções. Interessante também, pela tipicidade local e pelo inusitado ao estrangeiro, é fazer o passeio pelo Red Light District, bairro onde ficam as prostitutas (que possuem carteira de trabalho assinada) e onde há certos estabelecimentos nos quais é permitido o uso de maconha. Quem pensa que fumar o entorpecente é permitido em qualquer lugar e a céu aberto, está muito enganado. Só nos estabelecimentos autorizados pelo governo, a uma quantidade limite por usuário e com pesados impostos recaindo sobre o preço da droga, o que contribui decisivamente para custear o tratamento dos viciados, que somam apenas 5% dos habitantes da cidade.
Em seu agito singular, Amsterdam não deixa de refletir a organização que se vê em toda a Europa. Vale muito a visita.


Atomium - Bruxelas

Após deixarmos a capital da Holanda, fizemos uma parada em Bruxelas, desta feita, capital belga e sede da União Europeia. Como a passagem pela cidade seria rápida, optamos por fazer um city tour em ônibus aberto na parte superior. Valeu a pena, apesar do veículo não acessar a praça central de Bruxelas. Partimos da bonita catedral gótica de Saint Michel e passamos pelo Atomium, grande estrutura em alumínio representando um átomo, construída em 1958 com o objetivo de revelar a pujança da indústria de base na Bélgica, pelo Palácio Real, com sua impressionante fachada neoclássica, pela sede da UE, composta de vários edifícios modernos e pelo o Arco do Triunfo do Cinquentenário Belga, construído para comemorar os cinquenta anos da independência da Bélgica e que não tem nem um terço da fama de seu primo parisiense, mas que em beleza, pode rivalizar tranquilamente com ele. O tour passou também pela estátua do Manneken Pis, pequena fonte que mostra um garotinho urinando e cuja inspiração talvez tenha sido a história do filho de um duque que urinou numa batalha, mas que não conseguimos ver, pois a parada no local foi rápida e pelo fato do monumento ser bem menor do que se possa imaginar. Assim foi a visita à simpática Bruxelas.
Agora só falta relatar a passagem por Paris, última etapa da viagem. Volto daqui uns dias, au revoir!

domingo, 5 de setembro de 2010

Suécia e Dinamarca (Estocolmo e Copenhague)


Storkyrkan, em Estocolmo

Hoje volto para cumprir mais uma etapa de relatos sobre o Eurotour. Será a vez de completar o roteiro na Escandinávia, passando por Estocolmo e Copenhague. No texto anterior, escrevi que Holanda e Bélgica também fariam parte da postagem seguinte, todavia, temo que se incluir esses dois últimos, o texto se torne muito longo e cansativo. Irei deixá-los, assim sendo, para um relato posterior. Feita a ressalva, sigamos viagem!
Depois de ver os fjords, tivemos pouco tempo para descansar na cidade de Hommelvik, centro-norte da Noruega, e seguir viagem no dia seguinte por cerca de 780 km até Estocolmo. Por sorte, teríamos 3 noites na capital sueca, o que nos daria a possibilidade de desacelerar um pouco após os momentos mais cansativos da estadia no Velho Mundo.
A chegada em Estocolmo ocorreu apenas no final da tarde. Era hora então de descansar até o o próximo dia, quando então, já refeitos, teríamos a oportunidade de desvendar a cidade. Estocolmo é normalmente considerada a mais charmosa das capitais nórdicas e um dos mais belos locais da Europa. Nem eu nem minha namorada concordamos com essa avaliação após dois dias inteiros passeando pela cidade. Obviamente, Estocolmo não é um lugar ruim, longe disso, mas perde de Oslo, na própria Escandinávia, ou de cidades em outras partes da Europa, como Berna. Apesar disso, a capital sueca oferece momentos bastante agradáveis, sempre com a baía entre o Mar Báltico e o Lago Malaren dominando a paisagem e servindo ao visitante como ponto de referência.
O ponto alto de Estocolmo, ao menos segundo minha impressão particular, - Fernanda poderá confirmar, ou não - é a Storkyrkan, catedral da cidade com fachada em estilo barroco italiano. A construção não é tão rica em detalhes quanto o gótico, mas suas paredes em tom alaranjado e o relógio da torre lhe dão um aspecto bastante singular e intrigante. Próximo dali, o turista deve fazer uma parada por volta do meio-dia para acompanhar a pomposa cerimônia da troca da guarda no Palácio Real (leve água, pois se precisar comprar por ali, terá de desembolsar até 3 Euros!). Outras catedrais de Estocolmo, como a Riddarholmskyrkan e a Tyska Kyrkan, também valem uma visita, dada a interessante mistura de elementos neoclássicos, góticos e nórdicos. O mesmo efeito é observado no Stadshuset, prédio da prefeitura, que apresenta ainda um belo jardim.
Estocolmo oferece, além disso, um recheado cardápio de museus ao turista. Dependendo do tempo disponível, o visitante escolhe um ou dois para visitar, ou vai em todos eles, sendo que os principais são o Nordiska, o Vasa, o Skansen (esse, além das tradições rurais suecas, mantém animais em seus recintos, motivo pelo qual resolvemos não visitá-lo) e o Historiska, aquele que escolhemos, devido ao rico acervo de peças vikings que possui (o visitante não pode deixar de observar com atenção o machado viking, em notável estado de conservação).
Se Estocolmo se mostra em desvantagem com relação a outras cidades que mencionei, por outro lado, não se pode negar seu charme e sua singularidade. Ao percorrer suas ruas e atrações, o visitante certamente se sentirá no século XIX e desfrutará de um ar imperial novecentista que a capital sueca transmite como nenhuma outra.


Nyhavn, em Copenhague

Após a estadia em Estocolmo, a viagem teve o ponto de parada seguinte em outra capital escandinava, Copenhague, na Dinamarca. Chegamos na cidade num sábado à tarde e logo partimos para uma caminhada na Stroget, um quadrilátero que compõe a maior quantidade de lojas comerciais da Europa. O local se mostrou bagunçado e até mesmo sujo para padrões europeus, o que nos deu uma má impressão inicial de Copenhague. No domingo, saímos novamente, indo em direção ao norte da cidade para ver a Pequena Sereia, estatueta de autoria de Hans Christian Andersen e símbolo da Dinamarca. Chegando no local, soubemos que ela se encontrava em Shangai! Outro motivo de irritação! A caminhada continuou ao longo do dia, o que nos permitiu visitar lugares muito bonitos, como o Nyhavn, canal todo margeado por um colorido casario, ponto alto de Copenhague, a meu ver, além da Igreja de Santo Albano, situada num belo parque, o Amalienborg, conjunto neoclássico de edificações que abriga a residência da família real, o Palácio Christiansborg, sede dos 3 poderes dinamarqueses, a Borsen, antiga sede da Bolsa de Valores, o Palácio Rosenborg, com seus impressionantes jardins e o Radhuset, edifício-sede da prefeitura. O Tivoli, espécie de parque de diversões, é normalmente citado como uma das principais atrações da cidade, porém, me parece um lugar procurado apenas por convenção e modismo. Seu aspecto fake não me atrai, afinal, não fui até a Escandinávia para ver pagode chinês ou templo mourisco, daí eu tê-lo riscado da visitação.
Copenhague possui um número altamente significativo de construções belíssimas que, assim como em Estocolmo, mesclam elementos arquitetônicos de várias origens - neoclássico, gótico e nórdico, -  de modo intrigante, profícuo e charmoso. O lado negativo desta capital escandinava fica por conta da bagunça e da sujeira excessivas, o que me faz pensar que uma única visita seja o suficiente para apreciá-la.
Com os relatos de hoje, encerra-se o exotismo da etapa escandinava do Eurotour. Quando eu retornar aqui, já estaremos de volta à Europa clássica. Até lá!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Alemanha e Noruega (Colônia, Travemünde, Oslo e fjords)


Catedral de Colônia: ícone gótico medieval

Volto uma vez mais para escrever sobre a Europa. Agora é a vez da etapa ao norte do continente, a mais exótica do Eurotour, que abrangeu a Alemanha e três países escandinavos, a Noruega, a Suécia e a Dinamarca (Hoje abordarei, além da Alemanha, apenas a Noruega).
A estadia na Alemanha foi relativamente curta, apenas uma noite e mais um dia de viagem até o ponto de onde se toma a balsa para a Escandinávia. A cidade de Colônia foi escolhida para ser visitada em função de seu magnífico domo, aquele que, a meu ver, mais bem representa o gótico medieval europeu. A altura da catedral, seu grau de verticalização e sua geometria triangular, materializam de maneira inconfundível a arquitetura da Alta Idade Média. A edificação, cuja construção se estendeu por cerca de 600 anos, se posta com absoluto triunfo em pleno centro da cidade, especialmente para quem sai da estação de trem Hofbanhof e dá de cara com o monstro gótico, uma visão que chega a assombrar, dada a grandiosidade do domo. Em seu interior, mais elementos de destaque, traduzidos nas relíquias dos três reis magos, o sarcófogo onde estariam os restos mortais de Melchior, Gaspar e Baltazar e o painel que mostra a adoração dos magos ao menino Jesus. A praça na qual está localizada a catedral fica lotada por turistas e pela população local, cenário que transmite claramente o orgulho cívico que o povo alemão sente em relação a seus monumentos públicos. A visita à Colônia não se faz completa sem que o turista adquira nas lojas próximas ao domo a famosa Água de Colônia, souvenir mais típico da cidade, podendo ser encontrado em diversas fragrâncias.


Cotidiano na pequena vila de Travemünde

Deixando Colônia, a viagem seguiu na direção de Travemünde, vila de onde partem ferries para as regiões mais setentrionais da Europa. O local é pitoresco, com algumas ruelas e a avenida principal, situada à beira-mar e povoada por casinhas, transeuntes e aves que harmonicamente dividem o espaço com as pessoas. Era um domingo, e o agito de uma vila como essa, ao contrário do que faz pensar quem está acostumado com o caos de cidades grandes, sujas e caóticas, é extremamente agradável e saudável, contrastando com as bicicletas e com casais de idosos caminhando tranquilamente na orla a alimentar as famílias de patos com seu andar jocoso e simpático. Para completar, numa espécie de tenda, uma banda formada por cinquentões mandava o bom e velho Rock ´n Roll.
Eu poderia ter resumido tudo em uma só expressão: qualidade de vida. Vale ressaltar ainda que, quando se viaja pelas estradas da Alemanha, é incontável a quantidade de aerogeradores avistados, um atrás do outro, o que denota preocupação com questões ambientais e inteligência no uso de uma forma de energia limpa e renovável, a servir de exemplo para certo país dos trópicos, onde a incidência ventosa é elevadíssima, mas cujo governo nada sabe sobre meio ambiente.


Kongelige Slott: palácio neoclássico em Oslo

Depois de passar o dia em Travemünde, tomamos a balsa rumo a Malmö, na Suécia. E que bela balsa da companhia Finnlines, equipada com cabines bastante confortáveis, aptas a permitir um descanso reparador. Logo de manhã, chegando a Malmö, pegamos o carro e dirigimos cerca de 550 quilômetros até Oslo, a capital norueguesa. Devo informar então que essa é uma das mais bonitas cidades que já pude visitar. Limpa, arborizada, calma, organizada, chique, um local dos mais agradáveis do mundo! Impressiona em Oslo a presença marcante de áreas verdes e canteiros floridos, sendo um privilegiado aquele que tem a oportunidade de passear pelas elegantes ruas da cidade, com o topo das inúmeras edificações neoclássicas recortando o pano de fundo formado pelo céu. O ponto alto é constituído pelo Kongelige Slott, grandioso edifício neoclássico do século XIX que abriga a residência real norueguesa. Após transitar por um imenso e verdejante parque, alcança-se o centro do mesmo no qual situa-se o palácio, sem dúvida um dos passeios mais bonitos e sofisticados da Europa. Detalhe, o carro ficou parado na rua por mais de uma hora com a janela aberta e com o GPS à vista sobre o banco do carona. Quando voltamos, tudo estava intocado. É outro papo! Ainda na belíssima Oslo, o visitante deve fazer paradas obrigatórias no Radhuset, prédio da prefeitura com seu grande relógio público, no Teatro Nacional, de monumental arquitetura neoclássica, no Akershus, fortaleza medieval, e no Nobel Institute, de importância óbvia e adornado com impressionante jardim. Eu moraria em Oslo, com muito prazer!


Fjord norueguês

Depois de uma noite na capital, viajamos pelo interior da Noruega em busca das paisagens naturais mais características do país, os fjords, localizados na costa oeste. Foi um dia de viagem muito cansativo e no qual as condições atmosféricas estiveram longe de ajudar: garoa e neblina, que impediram os fjords de se revelar em sua plenitude e tornaram a dirigibilidade lenta e perigosa. Mesmo assim, foi possível observar cenários impressionantes e que fogem completamente do lugar comum. Além dos próprios fjords, as típicas igrejas de madeira que se fazem presentes em todo interior norueguês compõem outro elemento essencial do passeio. Nas tortuosas estradinhas, ladeadas por montanhas, mar e neve, o visitante tem a sensação de estar nos confins do planeta, em perfeita integração com a natureza. Da próxima vez, como ficou evidente que não vale a pena fazer tais caminhos usando carro, a receita é viajar de barco pelos fjords partindo de Oslo, modo mais tranquilo de apreciar essa bela e inusitada paisagem.
Das longínquas paragens da Noruega, me despeço por aqui. Retorno semana que vem, ainda relatando a passagem pela Escandinávia e já expondo também sobre Holanda e Bélgica. Até lá!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Suíça (Alpes, Thun, Berna)


Berna e sua perfeição urbanística

Assim como avisei no final das impressões italianas, volto hoje para escrever sobre a Suíça, segundo país visitado durante o Eurotour.
Após deixar a península Itálica e ter adentrado no pequeno território suiço, a primeira parada ocorreu em uma estradinha que conduz a Interlaken. No local, conhecido como Passo de São Gotardo, muitos viajantes estacionam seus veículos numa espécie de plateau de onde se obtém uma visão privilegiadíssima dos Alpes. Coberto por gramíneas verdejantes e pinheiros típicos das altas montanhas, o sopé dos Alpes revela ao fundo, montanhas imponentes, cujos topos permanecem cobertos por neves eternas (até quando?!). É possível sentir o frescor do ar alpino entrando macio e reconfortante pelas narinas, uma energia que tonifica o corpo e o espírito, tomando conta do visitante que tem o prazer de entrar em contato com tal maravilha da natureza. O Passo de São Gotardo é, sem qualquer sombra de dúvida, um dos lugares mais bonitos da Terra. Fascinante!
Seguindo viagem, a refinada Interlaken se mostrou acolhedora por meio de suas águas límpidas, uma característica que pode ser observada em toda Suíça, e de seu centro comercial, repleto de charmosas lojinhas nas quais o produto mais cobiçado é o famoso relógio suíço. Instrumento da mais alta precisão, tornado acessível ao grande público graças ao gênero inventivo e disciplinado dos povos ao norte do maciço central europeu, as melhores marcas dessa preciosa engenhosidade não são nada convidativas ao bolso do consumidor sul-americano. É apenas para ficar babando!
Depois de um dia de viagem pelos deslumbrantes caminhos alpinos, foi hora de assentar bagagem no vilarejo de Grindelwald, também ao sopé dos Alpes. Uma vez mais, foi possível observar e entrar em contato com as típicas paisagens suíças, cheias de pinheiros, aqui e acolá, a preencher os prados povoados por casinhas de madeira com suas floreiras multicoloridas. Tudo organizado, limpo e feito para transmitir paz e tranquilidade. Como diz minha namorada Fernanda, a Suíça é como uma casa de bonecas. A perfeita ordem das coisas não a deixa mentir.
Logo cedo, no dia seguinte, tomamos o trem que conduz até o topo da montanha Jungfrau. Lá em cima, o grande barato é andar na neve e curtir a brancura dos Alpes cobertos pelo tapete natural de água congelada em contraste com o azul do céu. Mais um espetáculo oferecido pela natureza!
Ainda no mesmo dia, a viagem seguiu rumo a Berna, não sem antes parar na pequenina Thun para um descanso (na verdade, para conhecer o local). Nessa cidade medieval, passeia-se tranquilamente pelas ruazinhas de chão de pedra adornadas com bandeiras da Suíça e da província de Berner-Oberland. Durante as andanças, revela-se num plano mais alto, o castelo da cidade, construído por volta do ano 1190. Simpática, bonita e aprazível, assim é Thun.
Finalmente, a última cidade que fez parte da estadia na Suíça foi Berna, capital do país. Tão logo tomei contato com esse maravilhoso lugar, já pude ter a certeza absoluta de que moraria em Berna na primeira oportunidade. A cidade é patrimônio cultural da humanidade, pois possui um dos mais bem preservados e incríveis conjuntos arquitetônicos medievais do mundo. O casario e as edificações-símbolo, como a catedral e o Zytglogge, um grande relógio público com cúpula gótica, que brinda os turistas com as estatuetas que se expõem sucessivamente, de hora em hora, abaixo do mostrador, são todos de coloração bege-areia. Para completar o mágico cenário bernese, as construções são abraçadas pelo rio Aar e suas águas em tom azul turquesa. O rio fica num nível mais baixo que o casario, tendo suas margens guarnecidas por gramados totalmente aparados e árvores frondosas, permitindo à população de Berna se banhar tranquilamente nesse verdadeiro instrumento de lazer. A limpeza da água é de causar um deleite que se mistura facilmente com a inveja de quem vive numa cidade cruzada pelo Tietê e pelo Pinheiros. Ao redor do centro medieval de Berna estão os bairros residenciais, de ruas tranquilas e arborizadas a ponto do verde das copas formar túneis naturais sobre as vias. É algo indescritível a qualidade de vida oferecida pela cidade, que não à toa é considerada uma das dez melhores do mundo para se viver. Quem tem ideia do que significa urbanização e qualidade de vida, procure fazer um levantamento a respeito de quantos e quais candidatos a cargos públicos no Brasil abordam o tema com consistência e conhecimento. O exercício pode ser altamente desanimador!
A Suíça é um país sempre pronto a mostrar ao visitante todos os detalhes mínimos da organização impecável que oferece. Nada é fora do lugar, tudo se encaixa com perfeição e faz parte de um conjunto harmonioso que fornece a clara impressão de ter sido projetado por gênios na arte da minúcia e do bom gosto.
Curta a Suíça, por enquanto. Volto em breve para discorrer sobre a Alemanha e a Escandinávia...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Itália (Roma, Assis, Firenze)


Fórum Romano e Coliseu ao fundo

Escrevi no último texto, que voltaria em breve para descrever mais detalhes a respeito de cada cidade que visitei na viagem à Europa. Começo a partir de agora, pela Itália, primeiro país no qual estive.
A rota se iniciou na capital da bota, Roma. O centro do antigo Império Romano faz toda justiça à grandiosidade de seu passado. Roma impressiona o visitante a cada passo que é dado, sem exageros, pois a quantidade de monumentos, grandes construções, ruínas, templos, enfim, todo tipo de vestígios históricos e arqueológicos, tudo absolutamente preservado, é de deixar qualquer um boquiaberto. Roma vai bem além do Coliseu, evidentemente o principal cartão postal da cidade e um dos lugares mais famosos do mundo, mas deparar-se com a bela Fontana di Trevi após percorrer ruelas repletas de cafés e gelaterias, observar a monstruosa Piazza Venecia ou andar em meio ao banquete cultural oferecido pelo Fórum Romano, é igualmente uma experiência extática. Quem vai a Roma não pode também dispensar uma visita ao Museu do Vaticano, que reúne vasta coleção de obras da Antiguidade e do Renascimento, bem como vários objetos arqueológicos. Aí também encontra-se muito mais do que apenas a Capela Sistina, sendo que uma visita capaz de aproveitar tudo aquilo que o museu oferece, dura, no mínimo, cerca de 3 horas. Ao lado do museu, a parada seguinte é a Piazza San Pietro e a Basílica de mesmo nome, com seu interior magnífico e onde é possível ainda ver a Pietá de Michelângelo, escultura deslumbrante.
Em termos gastronômicos, a dica vai para os gelatos romanos, os quais se começa a degustar pelos olhos antes de ter o prazer de saboreá-los.
Roma é história em estado puro, é cultura a transbordar a cada metro de chão, é cidade para encantar e deixar saudade!
Após deixar a capital italiana, passei por Assis, cidadela medieval, repleta de construções de pedra e local onde São Francisco nasceu e passou a maior parte de seus anos. No interior da linda basílica de São Francisco, adornada por afrescos de Giotto, estão depositados os restos mortais do homem de origem rica que abdicou do conforto material para dedicar a vida à contemplção monástica e à proteção dos animais. A energia e a sensação de paz e tranquilidade transmitidos por esse lugarejo incrustado na verdejante região da Umbria, são intensamente sentidos por quem o visita.
Quem vai a Assis, também não pode deixar de fazer um passeio a pé pelas ruazinhas da cidade, todas enfeitadas com gerânios e onde podem ser encontrados souvenirs bastante interessantes. Certamente, esse pequeno lugar, místico e aprazível, jamais sairá da memória de quem por ele passar.
A última cidade da Itália que visitei foi Firenze, capital da Toscana e berço do Renascimento Italiano. A presença marcante do Duomo de Santa Maria del Fiore, com suas paredes externas de mármore colorido, o campanário de Giotto e a gigantesca e revolucionária cúpula de Brunelleschi, sem dúvida domina a paisagem dessa bela cidade. Externamente, essa catedral é a mais bela que já vi.
Assim como Roma, Florença também exala cultura, sendo impossível não estar remetido aos grandes nomes do Renascimento, de da Vinci a Maquiavel, quando se caminha por suas ruas. É indispensável ir a pé até a Piazzale Michelângelo, enfrentando uma considerável ladeira, para obter uma vista privilegiada da cidade. De lá, todos os cartões postais fiorentinos são vistos em sua imponência característica. Outros pontos que devem ser passagem obrigatória do visitante são o Palazzo Vecchio, a Piazza della Signoria, a charmosa e peculiar Ponte Vecchio e a Galleria Uffizzi, importantíssimo museu, cujos pontos altos são o retrato do Duque de Urbino, por Piero della Francesca, o Nascimento de Vênus, de Botticelli e A Anunciação e O Baptismo de Cristo, ambos de Da Vinci. Só não menciono com mais destaque a igreja de Santa Croce, também bela, porque acaba ofuscada pela majestade do Duomo.
Finalmente, para fechar com chave de ouro a passagem por esta linda cidade, sugiro a degustação de uma pizza no Ristorante Gusto Leo, onde o preço é acessível, a refeição é muito boa e o atendimento, gentilíssimo.
Mais uns dias e voltarei relatando minha passagem pela Suiça, não sem antes ressaltar com ênfase que a Itália é um país ímpar em sua beleza e em sua riqueza cultural. Arrivederci!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Viagem à Europa


O Zytglogge de Berna, cartão postal no coração da cidade

Goethe, um dos maiores humanistas de todos os tempos, escreveu Viagem à Itália com a intenção de explicar a seus leitores o que tanto lhe chamava a atenção naquele país. Mais tarde, o grande historiador suiço Jacob Burckhardt, em âmbito mais restrito, deu a público seu ensaio sobre a cultura do Renascimento na Itália, igualmente com o objetivo de elucidar as especificidades italianas (florentinas, mais do nunca) que permitiram o despertar do movimento renascentista, bem como seu fascínio próprio pelos elementos culturais adjacentes ao Renascimento. Não é preciso informar que tanto Goethe como Burckhardt tiveram amplo sucesso em suas jornadas, ambos referências de autoridade para o estudo e conhecimento a respeito da Itália. Viajar e conhecer culturas diferentes é uma arte e um exercício filósofico ímpar, algo que nos é ensinado pelos dois mestres em questão.
Estive não apenas na Itália, mas em boa parte da Europa durante o último mês de julho, período de extremo deleite e no qual as reminescências de Goethe e Burckhardt me povoaram a mente. Europa e cultura se confundem, sendo tarefa do viajante atento, tentar deslindar a trama histórica e intelectual que fez e continua fazendo da Europa, afinal de contas, a Europa. Evidentemente, uma tal empreitada transcende em muito um simples blog. No máximo, arriscarei breves insights a seguir.
Particularmente, uma comparação que traz consigo vários desdobramentos foi o que mais me chamou a atenção e, caso se queira refletir acerca do que realmente é qualidade de vida, deve-se obrigatoriamente passar por esse ponto. Trocando em miúdos, os conceitos de cidade e de espaço público são completamente diferentes quando se tem em mente as realidades europeia e brasileira. Vou me abster de escrever sobre o Brasil, já que conhecemos a nossa realidade (ou deveríamos conhecê-la), além disso, basta traçar um perfil urbano europeu para que automaticamente seja feita a comparação com as cidades brasileiras em geral.
Seguramente, é correto afirmar que o centro da cidade é o locus onde a vida se desenrola no continente europeu, centro esse que atua como palco das atrações, todas elas preservadas e devidamente inseridas no espaço, frequentado tanto pela população local, como pelos turistas. No entorno de grandes monumentos como o Coliseu, a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o domo de Colônia, de museus diversos, parques ou mesmo de prédios públicos como a prefeitura, é imposível não se contagiar com o ritmo alegre e pulsante das cidades do Velho Mundo, um ritmo ágil, movimentado, mas jamais bagunçado e caótico. É ali que se localiza também o comércio, caracterizado pelas lojas de rua, nas quais os turistas encontram variadíssima gama de produtos e ainda os cafés e restaurantes. Esses dois últimos exibem todo seu charme no período noturno, momento no qual a efervescência cultural do centro urbano europeu prolonga sua atividade depois das visitas e passeios realizados de dia. Não há violência com que se preocupar, crianças, jovens, casais, pessoas mais velhas, todos compartilham do que é oferecido por atrações intrínsecas às próprias cidades. O maior perigo se resume à possibilidade do turista mais desavisado ter sua carteira furtada, mesmo assim, apenas em cidades maiores.
Na Europa o cidadão não precisa recorrer à extensões implantadas "artificialmente" no espaço público como forma de lazer. A própria cidade constituiu o lazer, na medida em que vivenciá-la, experimentá-la, é também praticar uma atividade voltada ao lazer. Não à toa, esse mesmo espaço público é convidativo, aprazível, privilegia o contato entre as pessoas, é o local onde a interação cidade-cidadão encontra toda sua plenitude. Em vista de comparações, cabe destacar que os transportes públicos oferecem acesso fácil aos pontos de interesse das cidades europeias, bastando apenas um pouco de paciência incial até pegar-se o jeito para adquirir os bilhetes, comprados muitas vezes em máquinas e para praticar os deslocamentos de acordo com o ponto de referência inicial, ou seja, o local onde se está hospedado. Fora isso, em cidades como Berna, Estocolmo ou Amsterdam, é possível transitar a pé tranquilamente pelo espaço público, de modo que a caminhada se torna um exercício sem igual para conhecer cada pedaço das mesmas, o que traduz exatamente o sentimento de intereção entre o transeunte e a cidade. Notável também, é o respeito que se tem pelos ciclistas, que possuem ciclovias em praticamente todo o coração das cidades, bem como semáforo próprio. Nada mais comum do que se deparar com pessoas de terno e gravata indo trabalhar fazendo uso das duas rodas. Também não surpreende notar que mesmo os idosos não têm preconceito algum quanto ao uso desse fantástico meio de transporte, usando-o quase tão marcadamente quanto crianças, jovens e adultos. Definitivamente, o espaço urbano europeu é culturalmente riquíssimo, organizado, democrático e oferecedor de lazer. Cidades na Europa são sinônimo de qualidade de vida.
Para finalizar, dois mitos a serem desfeitos: em primeiro lugar, é falsa a imagem do europeu mal educado, frio e distante; logicamente, existem diferenças culturais que podem suscitar rusgas, mas um conhecimento mediano de Inglês e regras básicas de boa comunicação bastam para uma relação amistosa. Em segundo, apesar da limpeza das ruas ser bem melhor do que o brasileiro está acostumado, não é correto pensar que não se encontra nem uma mínima sujeirinha no chão, pois elas existem, sobretudo em meses de visitação turística intensa, mas nem de longe se fazem motivo de decepção.
Após esse panorama geral, volto em breve trazendo minhas impressões específicas sobre cada um dos locais que visitei. Até mais!