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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Oportunismo politicamente correto


Causaram enorme bochicho as recentes declarações do novo presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, sobre o possível interesse da agremiação no meia Kaká. Aidar afirmou que o jogador evidentemente interessa, pois "é alfabetizado, tem todos os dentes na boca, bonito, fala bem..., é a cara do São Paulo".
Os politicamente corretos de plantão, como de praxe, logo passaram a cuspir abelhas contra a fala do mandatário em questão, adotando o velho discurso tipicamente - hoje eu não queria usar o termo, mas como se trata de algo que assola cada vez mais todas as esferas da sociedade e da cultura, não há como fugir a ele, infelizmente - esquerdista! No universo das paixões clubísticas e das provocações entre torcedores, não há decoro nem regras e, assim sendo, os que foram alvos do presidente podem, de modo natural e inocente no seio de tal contexto, devolver o cutucão fazendo troça com a sexualidade dos são-paulinos: a palavra "bonito", uma das que foram utilizadas por Aidar para se referir ao ex-jogador do São Paulo, atual atleta do Milan, cai como uma luva para tanto.
A contextualização, que uma vez levada em conta não daria ao fato importância maior do que ele merece, passou longe entretanto da imprensa defensora dos fracos e oprimidos, que não fez cerimônia em atribuir conotações políticas e sociológicas a uma frase meramente clubística. Qualquer sujeito, mesmo aquele que não torce e só acompanha um pouco de futebol, muito mais por osmose do que por vontade própria, sabe que Aidar teve a intenção de dar uma alfinetada no escrete de Itaquera, apenas mais um episódio dentre os tantos que permearam e continuarão permeando o discurso de rivalidade que move os dois clubes paulistas. As provocações de parte à parte já passaram pela boca de Roque Citadini, Marco Aurélio Cunha, Vampeta, Luís Fabiano, Andrés Sanchez, Juvenal Juvêncio e por aí vai ...
A ESPN Brasil, emissora esportiva que vem assumindo de maneira mais aberta a cada dia que passa o tom do politicamente correto, do coitadismo e do oportunismo esquerdista, através de alguns seus âncoras e comentaristas, fez um alvoroço em torno da declaração, com direito a indignação extremada e discursos inflamados condenando o cartola do Morumbi. A análise pretensamente dotada de rigor político e sociológico contaminou até mesmo Mauro Cezar Pereira que, pelo menos até hoje, nunca havia precisado recorrer a clichês de bom-mocismo para construir um raciocínio. José Trajano, o chefe, do alto de sua postura artificialmente douta, chegou a dizer que  a frase de Aidar era racista, sem que em nenhum momento o dirigente tenha se referido a qualquer aspecto racial e como se o fato de se possuir mais ou menos dentes tivesse alguma coisa a ver com a cor da pele, ou como se o conhecimento da escrita fosse fator de diferenciação entre brancos e negros, ou ainda como se um juízo sobre beleza pudesse adotar universalmente critérios baseados no grau de pigmentação cutâneo. Quem enxerga racismo onde não há é que parece estar tomado por algum tipo de paranoia racial... Ah, Leônidas da Silva, o Diamante Negro, tem a cara do São Paulo, do mesmo jeito que Kaká. A declaração não passou de provocação clubística, repito!
O já citado Vampeta, há não muito tempo, foi convidado a falar na ESPN Brasil. Na ocasião, a extrema ignorância do ex-jogador fez com que ele falasse inúmeros absurdos a respeito da Copa do Mundo 2014, logicamente defendendo sua realização e descartando como tolices todas as mais do que justas insatisfações por parte da população quanto à podridão que cerca o evento. Trata-se do mesmo Vampeta que disseminou a alcunha de "bambi" para designar os são-paulinos e, se a dita emissora condena tão veementemente as provocações clubísticas, não deveria conceder espaço ao criador do apelido. Contudo, é extremamente comum nos depararmos com exemplos cotidianos nos quais a autorreferência desmente categoricamente as ações práticas: a ESPN Brasil, inclusive nesse caso prestando serviços jornalísticos elogiáveis, sempre se manifestou contrariamente à realização da Copa no Brasil, mas dado que o discurso sempre é mais fácil do que sua observância concreta, o veículo transmitirá ao vivo todos os jogos do mundial, no que irá ajudar a FIFA, os patrocinadores desta, bem como faturará ele próprio cifras consideráveis ...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A invenção da luta de classes e o ódio à classe média


No pensamento de Marx, a luta de classes é o motor da história, segundo ele, algo observado desde a oposição entre senhor e escravo no mundo antigo, até o antagonismo que opõe burguês e proletário na sociedade industrial capitalista. Nesta, de acordo com o autor em questão, a exploração do homem pelo homem conduziria a um distanciamento cada vez maior entre os donos do capital e o trabalhador assalariado, situação que, por sua vez, promoveria o acirramento da luta de classes e a ocorrência da revolução socialista, pautada obrigatoriamente, nunca é demais frisar, pela violência.
A análise histórica, a despeito das pretensões científicas de Marx, o desmente categoricamente, bastando mencionar conflitos tais quais a Guerra do Peloponeso, as guerras de reconquista na Península Ibérica, a Guerra das Duas Rosas ou importantes desenvolvimentos da história, como o avanço científico e a produção cultural, dentre tantos outros elementos que nada têm a ver com luta de classes, para se saber que a obra marxiana é recheada de falhas e de um senso profético que chega a ser ridículo. Ao longo de seus escritos Marx nunca conseguiu oferecer uma conceituação precisa de classe social nem ninguém que compre a ideia da luta de classes como motor da história poderá sustentar o argumento solidamente, já que a mente humana, com toda a sua complexidade e multiplicidade, não opera somente com base no fator econômico-classista.
É sabido que Marx, tomado pelos arroubos de desonestidade intelectual que marcaram a gênese de suas reflexões, manipulou estatísticas na intenção de confirmar o que ele queria que fosse confirmado, não o que de fato se verificava, por isso o uso anacrônico que fez de muitos dados e fontes. O desenrolar da história, todavia, se encarregou de desnudar a farsa marxiana: em sociedades capitalistas fundadas sobre a liberdade individual, a isonomia jurídica e a meritocracia, os salários reais dos trabalhadores só aumentaram nos últimos cento e cinquenta anos, bem como se formou uma ampla classe média trabalhadora e consumidora, resultado totalmente contrário à polarização proletários empobrecidos-burguesia concentradora de riquezas que Marx quisera prever. Indicadores sociais como renda per capita, além do próprio IDH, mostram que nestas sociedades capitalistas, o acesso à educação, saúde, lazer e cultura é bastante disseminado entre a população.
O surgimento da classe média é um elemento importantíssimo para a compreensão das políticas empreendidas hoje em dia por partidos de esquerda no poder, como o PT, e do ideário que permeia a cabeça dos intelectualóides filiados aos mesmos, vide a sra. Marilena Chauí, marxista de carteirinha, ferrenha adepta da luta de classes como motor da história e que odeia a classe média. Por que será?
No âmbito econômico, a existência da classe média é uma prova do equívoco de Marx quanto ao desenvolvimento do capitalismo e, mesmo no Brasil, país em que o paternalismo servil, o apadrinhamento e o peso do Estado populista sempre contribuíram para minar a construção de um sistema coadunado com a livre iniciativa e com o mérito, ainda assim foi capaz de aparecer o estrato médio da sociedade, especialmente a partir dos anos 1940/1950. A partir daí, é possível notar tentativas paulatinas da esquerda em promover um aproveitamento político da classe média, sobretudo por meio dos mecanismos de produção cultural, o que passa a tomar grande nitidez por volta da segunda metade dos anos 1970. Quem se puser a assistir ao canal Viva, coligado à Globo, e que reprisa novelas e séries da época, pode procurar perceber o tipo de discurso transmitido por muitos personagens, de modo que os valores tidos como vanguardistas, modernos e progressistas se opõem ao que é visto como resquício do que é preciso eliminar para erigir a tal da justiça social, mistificação criada desde Robespierre para o controle ideológico da máquina pública. Qualquer elemento de moralidade é sumariamente condenado e associado a uma superação dialética que anuncia a marcha do novo homem. Na educação, a doutrinação esquerdista se tornou a realidade didática de professores e livros e, com isso, o aspecto político se transformou no mote da esquerda em relação à classe média, pois no que tange ao econômico, a própria existência desta contradiz Marx. É no seio do aspecto político, negligenciado pelo autor de O capital, que nos dias atuais a esquerda insiste em proclamar a existência da luta de classes. Injetando um sentimento de culpa no próprio membro da classe média, impingindo a ele uma conotação retrógrada, tacanha e um dever de ultrapassar os próprios limites, já não mais compatíveis com as leis da história que a fazem avançar, o sujeito se auto-expurga e se abre à visão de mundo revolucionária.
Em função do alto grau de complexidade que permeia um país multifacetado como o Brasil, ainda existem setores médios refratários à cooptação esquerdista, para os quais o governo nada realiza e que ao mesmo tempo são os alvos prediletos da retaliação e da virulência das Marilenas Chauís e dos Jessés de Souza, pessoas cujo desejo não é outro senão destruir o estrato social que derruba as teses de Marx e que ainda se põe como obstáculo à implantação do totalitarismo comunista. Você vai se deixar levar?

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Classismo esquerdista ou mentalidade ridícula?


Para a grande maioria dos esquerdistas, elementos relacionados à mentalidade e à cultura, de caráter extremamente duradouro e que passam por mudanças de longuíssima duração, portanto muito mais atrelados às permanências, não podem ser assumidos como fatores explicativos de fenômenos sociais sem que estejam isentos de conceitos advindos de Marx. Isso se deve, segundo os mesmos, porque tais fatores não perpassam inteiramente as sociedades de modo a apagar as distinções de fundo econômico. É uma análise no mínimo curiosa, já que a condição de classe nas sociedades modernas, sobretudo em sistemas capitalistas que privilegiam o mérito, a dedicação e o trabalho, é sujeita à mobilidade. Se partirmos dessa premissa, como acreditar que uma dimensão tão instável predomine sobre elementos de natureza muito mais resistente às mudanças?
Dentre as tantas falhas do pensamento de Marx, uma delas é absolutamente gritante, ou seja, a ausência de psicologia, como destacou Edmund Wilson, termo que poderíamos comutar, sem risco de distorção, por mentalidade. Quando o crítico norte-americano lançou essa análise, quis dizer justamente que as ideias, o pensamento e a visão de mundo prevalecem em relação à condição de classe dos sujeitos, ao contrário do que subscrevia Marx. Defensores de posições ideológicas esquerdistas, como Edgard Carone, Emília Viotti da Costa ou Jessé de Souza, todos marxistas, não conseguem enxergar esse entendimento porque só isso já basta para provocar a ruína de seu paradigma, logo, continuam enganando a si mesmos e, o que é bem pior, aos outros.
Ouvi um professor de História e Sociologia afirmar que os professores não conseguem obter melhores salários porque impera entre os mesmos uma "mentalidade pequeno-burguesa". Até quando resolve usar o conceito de mentalidade esse pessoal não escapa do classismo! É correto concluir que, segundo as palavras do dito cujo, a "pequena burguesia" não se empenha devidamente e deseja ganhar dinheiro fácil sem pegar duro no batente. Trata-se do mesmo tipo de ideia disseminada pelo já citado Edgard Carone, o que nos defronta com uma situação paradoxal e até mesmo cômica: para Marx, o fato dos burgueses buscarem ganhos era extremamente positivo e sua crítica estava dirigida contra um sistema que ele julgava contraditório, mas não contra a lucratividade em si. De resto, é assombroso observar que esses pretensos analistas da sociedade não conhecem a obra de Max Weber nem sequer superficialmente, tampouco possuem a mais parca noção de aspectos econômicos e geográficos. É corretíssimo pensar que no Brasil, país de matriz latina e posteriormente miscigenada pelo tempero caliente dos trópicos, o pouco apreço pelo trabalho é um traço sui generis de brasilidade. Mas que burguesia? Que lugar resta para ela em uma nação patrimonialista, servil e estatólatra? Como fazer uso de um conceito classista tão distante da realidade brasileira? Não seria mais lapidar se ater ao elemento mental e cultural, estudado em pormenores reveladores por nomes como Sérgio Buarque de Holanda e José Octávio de Meira Penna?
Há quem dê duro nesse país e, em muitos casos, sem a devida valorização, dentre os quais, professores bem qualificados e comprometidos com educação de qualidade certamente se incluem. Ora, quem trabalha de maneira árdua pode carregar uma mentalidade burguesa, mas não é membro de uma suposta classe burguesa em um país que não valoriza o trabalho, sem que lhes sejam pagos salários justos. E nesse caso, deve-se salientar, trata-se de uma mentalidade que não merece condenação, mas sim louvores. E quanto aos que querem ganhar no mole, grupo do qual também fazem parte um grande número de docentes brasileiros? Se Weber nos serve como referência, sem dúvida não são portadores de mentalidade burguesa e se não ganham salários significativos, não são burgueses de acordo com Marx! Tem-se ainda um detalhe que a mínima observação torna irrefutável: a maior parte dos professores brasileiros é alinhada com ideias de esquerda, portanto, não têm mentalidade "pequeno-burguesa", a não ser que, - e não existe contradição nisso - sejam adeptos do "façam o que eu falo, mas não façam o que eu faço". Poucas coisas são mais manjadas do que o estilo politicamente correto e meramente fachadístico, composto pelo completo desapego material, pela barba desgrenhada e pelo discurso igualitarista. Só que o sujeito mora nas Perdizes, gosta de tomar whisky e quer salários altos, mesmo que não faça jus. Então estamos diante de burgueses enrustidos com mentalidade abertamente anti-burguesa, não porque sejam exemplos que contrariam a prevalência da cultura e da mentalidade sobre o fator econômico, mas porque, na verdade, constituem o típico brasileiro que busca vantagens por meio do jeitinho (Edgard Carone certeiro por vias tortas...). Aqueles que agem desse modo e ainda não pertencem à burguesia enquanto classe social, almejam a tal objetivo ao mesmo tempo que, da boca para fora, vociferam contra aquilo que querem ser. Haja recalque!
E você, reconhece a si próprio em algum destes tipos? Se sim, talvez nem devesse ter lido o artigo, a menos que sinta vergonha da própria condição, então sugiro que passe a tentar um processo interior de libertação. Agora, se você não se enquadra nessas situações trágicas e jocosas, sei exatamente qual é o seu sentimento. Sabemos bem de uma coisa: que mentalidade ridícula essa de esquerda! Rimos ou choramos?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Cultura e evolução


Um conhecido filósofo afirmou que, em última análise, o darwinismo significa perpetuação da espécie. A afirmação foi feita com vistas a relacionar o aumento da taxa de fecundidade em certos países desenvolvidos e a crença no catolicismo, concluindo-se daí, que a execração religiosa por parte de muitos darwinistas é contraditória, de vez que a religião católica atua como sustentáculo para o darwinismo.
Estatisticamente, nem eu nem o filósofo em questão sabemos o porcentual de católicos no mundo contemporâneo que leva rigidamente em conta a sugestão da procriação como vetor da perpetuação da espécie humana, até porque, se o darwinismo for corretamente entendido, o ato sexual com o objetivo exclusivo de procriar é mais instintivo do que qualquer outra coisa, não podendo ser associado com uma construção cultural, como no caso da religião. Sim, formar uma família é um ideal plenamente merecedor de louvores e que se relaciona com a religiosidade, mas aí já não cabe nenhum tipo de exclusivismo católico. Há mais: quando se presume que homens determinados se unem a mulheres férteis com a intenção de perpetuar a espécie, certamente o Carnaval brasileiro, no qual o sexo rola solto e muitas vezes sem que haja as devidas precauções, se mostra bem mais eficiente do que o fervor religioso, tendencialmente monogâmico na maioria das grandes religiões, fora a diminuição do período fértil da mulher, outra tendência fortemente ligada a diversos aspectos da vida atual.
Sabe-se também, de acordo com Darwin, independente de se aceitar ou não sua teoria, que de nada adianta uma espécie "querer" se perpetuar, haja vista animais cuja reprodução envolve dificuldades, mas que nem por isso desapareceram (perpetuação não significa quantidade). Muito mais determinante é a capacidade de adaptação ao meio natural, bem como a noção de que transformações nocivas a este meio ocorrem várias vezes em função do ser humano. E pensando em capacidade de adaptação, afloram inúmeros questionamentos: a despeito de sua enorme adaptabilidade e do fato do ser humano ser capaz de utilizar recursos e inventos que lhe permitem sobreviver mesmo em ambientes potencialmente hostis, até que ponto o crescimento vegetativo é uma vantagem na senda da evolução quando se conhecem os problemas gravíssimos que a superação da capacidade limite pode acarretar? Malthusianamente falando (e pelo menos até aqui não se vislumbra uma revolução tecnológica tão ampla e suficiente que possa nos desmentir), em termos dos próprios recursos, tantos deles esgotáveis, não seria um risco para a perpetuação da espécie humana aumentar a prole ao passo que a disponibilidade de tais recursos diminui? O homo sapiens sapiens é o último ponto da escala evolutiva? Nada indica que sim, muito pelo contrário, então, considerando as acentuadas modificações observadas no meio natural e a possibilidade concreta do escasseamento de recursos, a sanha praticamente instintiva da procriação seria inútil, no mínimo.
Até agora, abordei o tema quase exclusivamente de uma perspectiva da natureza, entretanto, é no bojo dos elementos culturais que o assunto se torna mais intrigante. A crise cultural é hoje em dia uma realidade, não só em países desenvolvidos, mas até mesmo em algumas nações desenvolvidas (quando um zoológico dinamarquês assassina uma girafa sadia, disseca o animal recém-abatido e serve partes do mesmo aos leões na frente do público, é sinal claro de que as coisas estão longe do normal), percepção bastante assustadora na medida em que a produção da alta cultura e o acesso a ela constituem o leitmotiv privilegiado que não só diferencia o ser humano, mas que acima de tudo lhe permite entender e lidar com tudo aquilo que faz parte de sua experiência material e espiritual. O caráter do indivíduo depende em larga escala da boa formação cultural e do conhecimento que ela enseja. Partindo disso, é extremamente legítimo perguntar se os pais de hoje em dia levam a sério o dever de proporcionar alta cultura a seus filhos. Caso estejam imbuídos dessa intenção, poderão empreendê-lo, seja por obstáculos econômicos, práticos ou influências externas? Indo além, embora a condição humana não se encontre inteiramente extinta nem mesmo sob a égide de sistemas totalitários, como demonstrou Hannah Arendt, em qual estrutura política os pais enfrentarão a missão que lhes é inerente desde o momento em que os filhos nascem? Eles estão atentos a essa situação? Se estiverem, então, antes de perpetuar a espécie, é fundamental lutar pela liberdade individual e pela própria possibilidade de existência da família, sem o que não há futuro. Desprovido de alta cultura, o ser humano não passa de uma besta daninha, um vetor da destruição de tudo aquilo que o cerca e de si mesmo. Perpetuação não vale mais do que evolução, até porque esta só se torna real e positiva em termos de interioridade. Quem quer se perpetuar?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Crimes e criminosos. Você entendeu alguma coisa?


Mao Tse-tung acreditava que o ser humano pudesse ser comparado a "uma folha de papel em branco, pronto a ser pintado com as mais belas cores". Comunista, o líder chinês não considerava qualquer elemento de natureza humana, genética ou moral.  Ele foi também o maior assassino da história, responsável por algo em torno de setenta milhões de mortos. Tal como Mao, Marx, Nietzsche, Lenin, Stalin e Hitler, eram todos engenheiros sociais que defendiam a criação de um "novo homem", expurgado dos "impeditivos e mistificações da sociedade burguesa". Rousseau não era propriamente um engenheiro social, porém, foi o primeiro a lançar uma das mais estúpidas ideias dos anais filosóficos, aquela segundo a qual o Homem é bom por natureza, sendo a sociedade a responsável por corrompê-lo. Esta formulação o coloca certamente como componente e influenciador do nefasto time e talvez tenha sido em vista exatamente disso que o pseudo-iluminista genebrino, ao invés de criar seus filhos, os abandonou à própria sorte...
As filosofias derivadas dos nomes acima são daquele tipo que não leva em conta a responsabilidade individual e as escolhas morais. Como nos aponta o historiador Carlo Ginzburg, jamais pode ser atribuído a um acaso o fato de que todos os grandes líderes espirituais que conhecemos tenham primado por suas inabaláveis condutas morais. É desolador saber que em pleno século XXI ainda haja quem esteja disposto a propagar ideias de engenharia social, fruto sem dúvida, da doutrinação de esquerda que venho comentando. Trata-se de gente que praticamente só escuta isso, do nível educacional básico até o ensino superior, cuja estatística mais conhecida é aquela que indica haver quase quarenta por cento de analfabetos funcionais entre os estudantes universitários.
Acredito honestamente que certo tipo de criminoso pode ser recuperado se houver uma determinada estrutura para tanto, do mesmo modo que não creio absolutamente na recuperação de pessoas como um Batoré ou um Champinha, ou ainda de Albert Fish, Ted Bundy, Jeffrey Dahmer e tutti quanti. A maldade humana é algo que não pode ser desprezado, como nos revelam os estudos mais recentes no campo da psicologia evolucionista e das neurociências. Também o famoso caso de Phineas Gage não deixa mentir. A leitura de um estudo do quilate de Tábula Rasa, do psicólogo norte-americano Steven Pinker, não faz mal a ninguém, indubitavelmente uma leitura mais profícua e esclarecedora do que os tantos blogs escrevinhados por esquerdistas recém-paridos pelo complexo "pucusp".
Tendo em mente o caso do Brasil, país no qual o número de homicídios chega a setenta mil por ano, - curioso observar a ausência de indignação da parte de nossos intelectualóides quando uma vítima é queimada viva ou quando um pai de família é morto a tiros na frente dos filhos - se é certo que alguns criminosos podem ser regenerados, será que o mesmo governo que torra bilhões em políticas assistencialistas sem porta de saída ou para realizar um mundial de futebol imerso em corrupção e interesses mesquinhos tem a intenção de erigir um outro modelo prisional? Mais do que isso, quem pode acreditar que um governo de cunho comunista, que sempre carregou consigo a ideia de relativização do crime, esteja no intuito de prescrever formas exemplares de punição? Bem contrariamente a isso, o atual governo justifica e legitima crimes, a começar pela apologia descarada em favor de seus quadros julgados e condenados, transmitindo claramente a mensagem de que o crime, além de compensar, está imbuído de motivos nobres. O atual governo -  e aí quem não entende nada é quem tem a pachorra de defendê-lo - patrocina organizações criminosas tanto no interior das próprias fronteiras do país, como na América Latina, tudo com objetivos políticos e ideológicos denunciados há muito tempo por alguns pensadores liberais, alerta, é bom que fique claro, negligenciado e desacreditado pelos politicamente corretos. Com que direito, diante de um Estado que dá de ombros para a questão da segurança, estes mesmos politicamente corretos agora vêm falar em recuperar criminosos? Ademais, nem todo crime está relacionado com aspectos socioeconômicos, do contrário, todo pobre seria criminoso, não havendo nenhum entre os ricos. É aí que, justamente, entram a responsabilidade individual e as escolhas morais. Definitivamente, afirmar que é sempre a estrutura social que transforma alguém em criminoso não passa de uma imbecilidade insustentável, cantilena relativista de esquerda para adoçar os ouvidos de quem, no fundo, não tem nada no que pensar além da crítica rasteira ao capitalismo.
No que se refere aos países desenvolvidos, estes apresentam estatísticas baixas de criminalidade simplesmente porque punem os criminosos com rigor e de forma exemplar, inclusive oferecendo a chance do criminoso se regenerar, arcabouço que necessariamente envolve seu julgamento, condenação e encarceramento. Nesses países, o crime não compensa. Aqui, o cidadão de bem, pagador de uma carga tributária colossal em termos absolutos e assolado por uma péssima relação entre o total dos tributos pagos e o retorno dado pelos governos em todas as suas esferas, não conta com praticamente nenhum serviço de qualidade. Além do mais, criminosos muitas vezes não chegam nem mesmo a ser identificados. É do interesse do cidadão de bem que o crime seja reduzido com medidas preventivas, o que inclusive é cobrado dos governantes. Isso foge de teorizações acerca do crime e não envolve uma guerra de ideias - e de classes - que só interessa a um governo ditatorial e a intelectualóides que o defendem. Ninguém, em sã consciência, gosta de bandido, a não ser aqueles que os patrocinam com finalidades de cunho político e ideológico. De qualquer forma, se é caso de discutir a respeito de como prevenir os crimes e sobre as formas corretas de punição, então o alvo não deve ser o cidadão de bem, aquele que sofre com o banditismo e com um governo que tem feito grassar a violência e a criminalidade de forma proposital. Você entendeu alguma coisa?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O pluralismo da esquerda, pluralismo de uma nota só


Na esteira do que escrevi no último artigo, desta feita desejo somente esclarecer um outro aspecto sobre o ensino universitário no Brasil, especialmente no que tange às Humanidades.
Sabe-se que as universidades brasileiras - públicas ou privadas - em seus cursos voltados para as áreas de História, Sociologia, Filosofia e Ciência Política, desde um bom tempo, são inteiramente dominadas pelo esquerdismo, seja aquele mais tradicionalmente marxista, ou o da vertente frankfurtiana pós-moderna, uma derivação do primeiro. No seio de seus corpos dicente e docente cresceu acentuadamente nos últimos tempos a defesa das cotas raciais como forma de "democratizar a universidade", hoje em dia, uma bandeira tipicamente esquerdista. 
A despeito de se colocarem como adeptos de posturas anti-racistas, os defensores das cotas agem com todo o cinsimo do mundo na medida em que dão apoio a uma política inteiramente calcada em pressupostos fenotípicos, ou seja, absolutamente coadunada com o racismo. A questão nada tem a ver com fundamentos de ordem econômico-financeira, de modo que cabe, com toda justiça, colocar duas perguntas: 1) e quanto aos brancos menos favorecidos economicamente?; 2) como aderir ao cotismo fenotípico em um país tão miscigenado, o qual indica claramente que a carga genética se traduz em fator muitíssimo mais importante do que a aparência? É evidente que nenhum defensor das cotas raciais tem como responder a tais indagações, quanto mais reconhecer que o correto é otimizar a gestão do ensino de base, abrindo oportunidades a todos, independentemente de raça ou origem.
Mais ainda do que essa problemática, é necessário usar o Português rasgado para desmascarar a ideologia cotista: os postulantes dessa causa são militantes políticos de esquerda cuja intenção não é outra que exercer um controle ainda maior do que já exercem em tantos meios universitários. Se em âmbito teórico o marxismo dá a tônica, resta agora doutrinar um contigente de pessoas desprovidas de instrução básica, aumentando assim o número de correligionários prontos a bradar contra a liberdade individual, a propriedade privada, a economia de mercado e a alta cultura, em relação a qual emitem preconceituosos julgamentos classistas. Seu objetivo é a própria destruição da moderna sociedade ocidental e o escancaramento da ditadura comunista. Não enxergar esse encaminhamento é pura irresponsabilidade que só faz o inimigo ganhar terreno.
No caso de eu estar errado (e não estou!), proponho um desafio, embora a esquerda nunca tenha passado nem perto de carregar a democracia como valor. Se realmente o cotismo está alinhado com a "democratização da universidade", contrariando tudo aquilo que brota dos escritos de Marx e de seus seguidores, e se tem como meta o dissenso e o debate, pilares democráticos, a coisa é simples: efetuem-se as cotas, mas criem ao mesmo tempo um espaço para o ensino de ideias opostas ao esquerdismo, abram cursos de graduação e pós-graduação com orientação liberal, tragam à tona os textos de Frédéric Bastiat e da escola austríaca, discutam o conservadorismo moral de Aristóteles, de Edmund Burke e o novo humanismo de Irving Babbitt, abordem os totalitarismos do século XX com base nas obras de Leo Strauss, Eric Voegelin, Hannah Arendt, Viktor Frankl e Alain Besançon. Como os intelectualóides que formam o corpo dicente universitário se mostram quase inteiramente ignorantes acerca de todos esses autores, é inteiramente improvável que possam fazê-lo. Ainda assim, eles o querem? É claro que não! O seu pluralismo e de seu alunado, massa de rebentos doutrinados, tem uma nota só.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Doutrinação de esquerda nas escolas: fique atento


O ano letivo nas escolas brasileiras está em seu início e, normalmente, os pais que se mantêm atentos à vida escolar de seus filhos procuram acompanhar rotineiramente o desempenho dos mesmos por meio de avaliações e boletins. Nem tão corriqueira, contudo, é a verificação dos conteúdos ministrados em sala de aula, até porque trata-se de uma questão que requer conhecimentos mais aprofundados, nem sempre ao alcance dos responsáveis, e cujas providências a serem tomadas não são tão simples, bem como, muitas vezes, não podem ser postas em prática de imediato.
No Brasil, faz cerca de quarenta anos que o pensamento de esquerda incursiona pelos meandros da cultura a fim de doutrinar e, a médio e longo prazo, arregimentar simpatizantes ou miltantes para sua causa autoritária. Com o gramscianismo e com o marxismo cultural, a esquerda passou, sem evidentemente abandonar o frisson da política, a apostar suas fichas no âmbito silencioso da cultura como modo eficaz de controle das mentes. Uma vez ingresso nos cursos pré-vestibulares e posteriormente à universidade, o aluno que durante a base sofreu doutrinação esquerdista, muito dificilmente conseguirá se libertar das amarras de uma visão de mundo baseada em pressupostos absolutamente falsos, mesquinhos e construídos sob a égide do ódio e do ressentimento. Caso deixe de ser devidamente instruído quando ainda não estiver plenamente contaminado pela doutrinação, os esquerdistas que dominam a cena cultural e educacional do país terão cumprido sua missão ao formar mais um aluno-militante, pronto a disseminar pelo resto da vida ideias como justiça social, luta de classes e exploração capitalista. É um círculo vicioso cada vez mais abrangente, já que muitos daqueles que se formam com base em tal sistema educacional engrossarão eles próprios as fileiras dicentes, além de vastos setores da imprensa e de outros meios de divulgação cultural. Obviamente, a estratégia é negada e apontada como paranoia anticomunista, mas para o leitor de Czeslaw Milosz e de Andrzej Lobaczewski, fica claro que a psicopatia do cinismo, da inversão da realidade e da falta de vergonha são típicas da esquerda.
Todos aqueles que são pais de estudantes em idade escolar básica e que se preocupam com o tipo de educação que seus filhos recebem em sala de aula, devem reconhecer o dever e a responsabilidade de checar com frequência os conteúdos e ideologias que lhes são transmitidos. Nesse sentido, a única forma de proceder a fim de evitar a doutrinação esquerdista, é buscar conhecimento a respeito dos quadros de pensamento da esquerda e de seus antípodas, os liberais. Para os pais que não são habituados a temas relacionados com filosofia, história e política, o processo pode ser mais ou menos lento, por isso, quanto antes for empreendido, melhores resultados poderá alcançar.
Tomando por base certos conteúdos nos quais a doutrinação se faz de forma mais gritante, deixo desde já um ponto de partida: pegue o livro didático utilizado na escola de seu filho e procure os seguintes temas: Revolução Francesa (8° ano do Fundamental/2° ano Médio), Crise de 1929 e Nazismo (9° ano do Fundamental/3° ano Médio). No que se refere ao primeiro assunto, tente verificar se o livro aborda concepções de pensadores como Edmund Burke e Alexis de Tocqueville, ou se somente fica restrito a análises de fundo marxista; sobre o segundo, se existe alguma abordagem dos economistas austríacos (Ludwig von Mises e Friederich Hayek) acerca da questão, ou se a crise é atribuída à especulação capitalista, finalmente, no que tange ao nazismo, tente observar se o livro estabelece alguma relação entre este e o comunismo, ressaltando a noção de que ambos são doutrinas totalitárias de massa, ferrenhamente adversárias da liberdade individual, da iniciativa privada e do capitalismo, adeptas de uma visão de mundo coletivista, raivosa, manipuladoras da realidade e carregadas de promessas falsas que visam ao "Homem Novo" e à engenharia social. Muito provavelmente nada disso será encontrado, caso contrário, se estará diante de um livro didático respeitável, algo extremamente raro no Brasil. Além disso, os pais devem conversar permanentemente com seus filhos a fim de obter informações a respeito do discurso ideológico e político dos professores, bem como manter contato com as instituições de ensino tendo em mente o conhecimento dessas mesmas informações.
Lembrem-se, é um caso de dever e de responsabilidade. Não fujam!