sábado, 4 de julho de 2015

Educação e esquerdismo



Uma educação humanista deve estar imbuída, principalmente, da preocupação com a formação do caráter da pessoa humana. Entretanto, tal paradigma educacional está longe de ser a realidade das escolas brasileiras, por dois motivos: primeiro, e em nível mais imediato, em função do viés pragmático e tecno-científico exigido pelos vestibulares que, embora seja uma linha a ser mantida até certo ponto, deveria passar por uma remodelagem considerável nos currículos do Ensino Médio, de modo a equacionar com maior otimização os conteúdos disciplinares com as carreiras profissionais a serem seguidas pelos alunos (ainda que um jovem de 14 ou 15 anos possa não fazer ideia clara de qual profissão seguir, uma orientação sólida traduzida em testes vocacionais bem elaborados é capaz de conferir um norte seguro; a partir de certa idade já é plenamente possível saber se há vocação para ramos mais próximos das Exatas, Humanas ou Biológicas, assim, se o desejo for Biologia, por exemplo, deve estar claro que Química e Física terão que ser estudadas, mas sem grande ênfase em Atomística ou em Eletricidade, do mesmo modo que um aluno que se incline pela Engenharia não necessita estudar as minúcias do Período Regencial, ou seja, tornar o currículo mais enxuto e mais voltado para a área de vocação, seria bastante salutar); em segundo lugar, num âmbito mais relacionado à política, à cultura e ao campo das ideologias, a educação predominante no Brasil, e isso inclui também os vestibulares e o ENEM, pauta-se nos pressupostos do marxismo e do relativismo pós-moderno, este como uma derivação daquele. É nesse segundo ponto que pretendo me deter com mais atenção no que segue abaixo.
É certo que a educação escolar, dependendo daquilo que é estudado e como é estudado em disciplinas tais quais a Filosofia, ou até a História, pode contribuir com uma formação humanista. Ocorre que, para tanto, um aspecto fundamental que serve de base para as preocupações do humanismo a serem complementadas em ambiente escolar é a educação em termos de questões básicas referentes à moral e às regras elementares de convívio social. É com os pais e com os avós que uma criança deve aprender a respeitar o próximo, a ser minimamente polida, a deixar de lado as pulsões egoístas e a não prejudicar os outros em nome de seus próprios desejos. Desde os primeiros dias de vida e durante boa parte da primeira infância os familiares mais próximos carregam a missão de transmitir esses rudimentos que, em conjunto com a carga genética e com o próprio ambiente familiar, ajudarão a sedimentar o substrato do caráter humano. É depois dessa fase, com a educação humanista, que a formação do caráter então se completa. Logicamente, não se trata de uma receita pronta e livre da influência de fatores nem sempre ponderáveis (a escola não abarca a totalidade da vida de um indivíduo, até por isso, os apelos mais sedutores provenientes de todo o lixo cultural que nos cerca e que levam aos descaminhos, têm preponderado como determinante a desorientar jovens e mesmo adultos) e que, por determinadas circunstâncias, podem escapar do controle da família (inclusive, há a possibilidade da família não ser um bom referencial, malefício que tem sido cada vez mais recorrente, daí não surpreender tanto o caos ora instalado), mas é um método que precisa ser seguido, tomado com esforço, carinho e responsabilidade, pois quase sempre influencia fortemente a conformação da pessoa humana. Se uma criança não presta reverência aos familiares mais próximos, muito menos o fará com relação aos professores, sendo que um acompanhamento deficiente ou inexistente dentro do seio familiar, compromete seriamente as pretensões de uma educação humanista.
A grande maioria dos profissionais da educação, inclusive aqueles que seguem posições de esquerda, é categórica em afirmar que a escola não pode transmitir mais do que a escolaridade, isto é, o saber pragmático e tecno-científico ou, de maneira mais fiel ao que de fato ocorre nas salas de aula, uma educação exclusivamente voltada para orientações político-ideológicas tributária do pensamento marxista de Paulo Freire com pitadas de Foucault e afins, cujo objetivo não é outro senão o de formar quadros revolucionários, ou pelo menos simpáticos às causas esquerdistas. Quando se tem claro um panorama como esse, fica fácil entender a hostilidade ferrenha do esquerdismo contra a família e as tentativas de destruí-la, bem como a defesa da tese segundo a qual é de educação, entendida logicamente nos parâmetros de esquerda, que os jovens precisam.
É óbvio que um país que precisa se desenvolver, precisa também de educação de qualidade, não aquela que o esquerdismo quer transmitir. Também é uma evidência afirmar que pessoas já a partir de uma certa idade, ainda na infância e que venham a cometer crimes, devem passar por julgamentos baseados nos saberes jurídicos e psiquiátricos, de modo que, caso fique comprovado o conhecimento de causa, a punição ocorra sem atenuantes fundados na imprecisão dos cortes etários. Um assassino juvenil, um estuprador adolescente, têm que ser retirados do convívio social e permanecer em reclusão o tempo que for preciso para, se houver essa possibilidade, algo igualmente dependente da análise de especialistas, serem soltos quando recuperados, ainda assim mantidos sob acompanhamento. E se for constatada a impossibilidade de recuperação, devem ficar definitivamente presos.
O marxismo, uma filosofia que obviamente não é racional-humanista, mas sim racionalizadora-cientificista, não está preocupado com a formação do caráter da pessoa humana, ao contrário disso, seu objetivo é a luta violenta contra o mercado para a instauração de um regime ditatorial, cujos resultados são a concentração total do poder político e o fim das liberdades individuais. O pós-modernismo, por sua vez, niilista em essência, não reconhece qualquer valor universal de ética e moralidade, tendo como consequência a destruição da civilização. É a educação baseada em tais linhas de pensamento que irá conduzir à diminuição da criminalidade? Como se pode notar, não só a resposta é não, como se tratam de ideias que servem inclusive de incentivo ao crime. Não é por acaso que apesar da universalização de nosso ensino de base, ocorrida há cerca de 15 ou 20 anos, os índices de criminalidade tenham aumentado desde então.
Os que creem na educação como remédio para a construção de uma sociedade próspera, com índices praticamente inexistentes de criminalidade, devem tomar o cuidado de classificar exatamente o tipo de educação que defendem. Se for a educação humanista de matriz liberal, que sejam capazes de lutar para que a mesma, um dia, venha a ser tornar hegemônica, ao mesmo tempo que precisam ter a coragem para rechaçar o discurso pérfido da esquerda, que se serve do caos e da criminalidade como subterfúgios da revolução comunista. O caminho é dos mais difíceis, visto que hoje o Brasil é comandado pelas hostes de esquerda, tanto no âmbito dos poderes institucionais, como na grande sociedade, repleta de milícias esquerdistas sustentadas, muitas vezes com dinheiro público, a serviço de partidos como PSOL, PC do B e do próprio PT. Cabe lembrar, por fim, que mesmo em uma sociedade desenvolvida e na qual a educação for orientada pelos melhores princípios do humanismo liberal, nada garante a inexistência completa de criminalidade: nesse caso, e também naquele que estamos vivenciando hoje, ser a favor de um ambiente penal virtuoso (não essa redução atenuada ao extremo em função do lobby esquerdista e que pouco vai mudar as coisas) tem a ver com punir devidamente as transgressões sem deixar margem para que criminosos ou criminosos em potencial, seja lá de qual idade, se sintam atraídos pela prática do crime por saberem que as punições são brandas ou inexistentes, abrindo espaço, ainda por cima, para o recrutamento facilitado de banidos juvenis. Educação de qualidade e esquerdismo são conceitos antitéticos.