segunda-feira, 28 de março de 2011

Porque a Donzela de Ferro é imortal


O Heavy Metal é um fenômeno que transcende o tempo, um estilo musical que se perpetua há mais de quarenta anos e que conquista uma crescente legião de seguidores leais à medida que esses anos passam, bem ao contrário do que um dia ousaram supor os profetas decadentes que se apressaram em anunciar a morte do gênero. Não é preciso dizer que muitos deles, como Rob Halford, depois de desprezarem a música pesada que praticavam, voltaram rápido e de rabinho entre as pernas para o cenário metálico. O Heavy Metal os perdoou, pobres mortais.
Mais fenomenal do que o próprio Heavy Metal, no entanto, é o Iron Maiden, banda que desde finais da década de 1970, portanto há cerca de 35 anos, levanta a bandeira daquilo que é mais tradicional e mais característico do gênero em questão: a técnica, a força, o peso, a melodia e a agressividade. Nenhuma banda do segmento consegue o mesmo sucesso que o sexteto inglês. A música pesada da Donzela atravessa gerações, sendo que hoje muitos pais e até mesmo alguns avôs veem seus filhos e netos curtindo a banda que eles começaram a ouvir desde os primórdios. Pude comprovar isso durante o show do Iron Maiden que tive o privilégio de acompanhar pessoalmente no último sábado (26/03), a terceira apresentação que os vi fazer ao vivo, depois de uma sofrida abstinência de 13 anos. Foi ao mesmo tempo surpreendente e emocionante observar duas garotinhas irmãs, ambas com idade não superior a 10 ou 11 anos chegando para o show devidamente trajadas com o indefectível Eddie em suas camisetas. Elas, que ainda estavam muito longe de nascer quando comecei a ter contato com a sonoridade maideniana, algo formador de certos aspectos da minha vivência, se mostram como prova viva do legado imortal da Donzela se materializando através do tempo. As duas garotinhas são o exemplo mais notório da imortalidade do Iron Maiden, mas apenas um dentre tantos outros, dada a quantidade de crianças e jovens adolescentes imunes às modas comerciais, supra-sumo da podridão musical enfiada goela abaixo pela alienação chamada MTV. Cenas gratificantes, reveladoras de que a cultura de boa qualidade não está totalmente perdida entre o público jovem. Grande revanche da música pesada, marginalizada e estigmatizada pelo mainstream, provando todavia que sobrevive muito bem sem ele ou, mais do que isso, sobrevive ainda mais poderosamente sem ele.
Mas como explicar o arrebatamento provocado pelo Iron Maiden? Ao que se deve este verdadeiro fenômeno metálico? Bruce Dickinson, com seu carisma, sua potência vocal, sua teatralidade no palco, sua interação praticamente como um elemento visível que o conecta à plateia? O líder Steve Harris, apólogo-mór do gênero, herói da autenticidade do Heavy Metal, um mestre da literatura no estilo, além, é claro, das proezas que executa com um baixo nas mãos? Dizem os magos sibaritas que os cavalos aprenderam a cavalgar escutando Harris tocar seu Fender Precision. O trio de guitarristas, responsável por tantos riffs criativos, solos de extrema perícia, melodia e feeling cativantes?; Dave Murray, cortando o ar com seus ligados afiadíssimos, Adrian Smith, preciso em cada nota, ambos extremamente técnicos, Janick Gers, nem tão técnico, mas dono da mais eletrizante performance de palco, capaz de levantar um defunto de seu sono eterno? Nicko Mc Brain, que massacra sua imensa bateria em perfeito compasso com o restante do grupo?
Não há dúvida de que a conjunção magistralmente erigida entre todos esses fatores positivos alça a Donzela a patamares só alcançáveis pelos monstros da música e por aqueles que exercem sua atividade com denodo e paixão, aspecto também completamente palpável no que se refere ao Iron Maiden. Competência técnica, carisma, criatividade e apreço profissional compõem uma parte da resposta, mas não toda ela. A banda nascida no East Side londrino tem o melhor marketing do Heavy Metal. Sim, marketing! Pode parecer estranho à primeira vista, porém, um exame atento e uma concepção de marketing isenta de preconceitos ideológicos completa o quadro. Para uma banda como o Iron Maiden o marketing não tem relação nenhuma com o fato de se vender continuamente aos ditames da moda, mas é exatamente o oposto disso. O marketing maideniano, tratado com todo cuidado pelo excelente empresário Rod Smallwood, explora exatamente as qualidades históricas da banda que a caracterizam desde sua origem. O som do Iron Maiden permance ligado às raízes da NWOBHM, se alterou ao longo da extensa carreira, é claro, - hoje tem vários elementos prog - mas mantém intactas aquelas características heavy que mencionei acima. É sempre importante lembrar que a Donzela chegou ao lugar que hoje ocupa porque se recusou a aderir ao punk que dava o tom do cenário Rock em fins dos anos 1970. Assim, a figura de Eddie marca presença constante nas capas dos discos de modo a tecer uma história do mascote, mais do que um desenho, um personagem que traz em si a expressão do poder do conjunto. Os fãs veem em Eddie o poder do Iron Maiden e o poder do qual eles mesmos se imbuem ao escutar o som produzido por Harris, Murray, Smith, Gers, Mc Brain e Dickinson. Assim também é que a Donzela lança no mercado tantos discos, DVD´s, camisetas, pôsters, calendários e outros itens de publicidade dotados de produção com o mais alto grau de qualidade. Tudo isso em plena era da MP3, formato que comprometeu seriamente a venda de produtos relacionados às bandas. O marketing do Iron Maiden, criativo e qualitativo, permite que seus materiais continuem seduzindo os fãs, estes que além de se deleitarem com a música da banda, são colecionadores de seu material.
A perpetuação, a lealdade e a renovação dos chamados maidenmaníacos é uma realidade observada in loco, fato que nos deixa em extremo otimismo com relação ao futuro ainda longo que a Donzela tem pela frente, banda que há muito já é imortal para a legião que sempre irá acompanhar e ouvir os acordes da Besta. “Iron Maiden gonna get you no matter how far!

sábado, 19 de março de 2011

Liberdade no âmago - um conto


A multidão fervilhava em uma mistura de ódio e pavor contido face à marcha inexorável que confirmava o cumprimento da profecia. Era cinco de maio de 1935, Kazyrin, do alto do palanque, ergueu a mão esquerda com o punho cerrado e vociferou execrações contra o lumpesinato. Os desviantes eram criaturas anti-históricas que seriam eliminadas pela própria necessidade da causa. A natureza, concebida pelos líderes ideológicos como palco das ações humanas, não lhes dava a mínima chance de continuar existindo.
No mesmo dia, a cerca de mil quilômetros de distância de Níjni Novgorod, a Waffen SS incursionava no pequeno vilarejo de Lauchhammer. No apertado sótão localizado na parte detrás do celeiro, encoberto por feixes de trigo, Schoppelmann improvisou um esconderijo para sua irmã mais nova, para ele próprio e para dois amigos da vizinhança. Os quatro eram jovens judeus-alemães, feitos órfãos pelo regime nazista. Conseguiram sair ilesos e, três meses depois, com a ajuda de uma professora da escola local, emigraram para a América.
A infância de Schoppelmann fôra das mais difíceis. Órfão já aos dez anos, passou a cuidar sozinho da irmã de cinco. Sempre esteve longe de ser popular na escola e suas amizades eram poucas. Às vezes tem-se a impressão de que as pessoas são escolhidas. O jovem garoto da região de Brandenburg soube desde cedo tirar proveito das agruras que a vida lhe impôs já em tão tenra idade.
Schpoppelmann era sério, carrancudo, não fazia concessões moralmente aviltantes, odiava o sucesso fácil e jamais se deixava levar pelas efusividades de fachada. Para ele, nada poderia ser mais revelador do que a interioridade humana, o mérito, não só pragmático, mas sobretudo moral, a humildade, a tolerância, a coragem, a justiça, a simplicidade e a boa fé sempre foram as virtudes que mais prezou, pois nelas, e só nelas, é que se pode encontrar os universais que perfazem o ser humano em sua completude, o próprio spoudaios aristotélico.
Schoppelmann dedicou o restante de sua vida aos estudos. Na América, se formou filósofo, lecionou em Princeton e deu palestras no mundo inteiro. Escreveu cerca de 45 livros, publicados em vários línguas, além de uma quantidade imensurável de artigos e ensaios. Os temas da interioridade humana e da liberdade individual, pilares do senso do dever e da responsabilidade, elementos que ele conhecia tão bem desde a infância, compuseram o norte de sua obra como grande humanista. Trabalhou incansavelmente em prol do que é mais nobre na experiência humana, inclusive em relação a qualquer forma de vida, a própria liberdade.
E quanto a Kazyrin? Bem, digamos que na prática nunca conseguiu realizar nada pelos outros, nada de positivo. Seu erro foi nunca ter deixado de lado o apego ferrenho à religião mundana cujos dogmas promovem a reificação de uma realidade paralela, transfigurada, ilusória e portanto, de impossível materialização. Acabou, de maneira previsível e fatal, apanhado por essas armadilhas tão típicas das ideologias paranóicas que só podem se alimentar do medo e da fabricação de culpados, aqueles que existem e são execrados para justificar a irrealização da causa no presente, bem como para manter a crença patológica de sua suposta materialização num futuro que, evidentemente, jamais chegará. Os inimigos da causa nunca deixarão de existir, do contrário, é a causa mesma que se torna extinta.
Schoppelmann sempre esteve atento aos universais intemporais. Schoppelmann vive por seu legado de liberdade. Kazyrin provou do próprio veneno, morreu pelas mãos dos assassinos ideológicos. Outrora, ele havia sido um deles. Hoje ninguém mais o conhece. A ideologia sobrevive e continua fazendo vítimas expiatórias. Por sorte, os homens podem contar, se assim o quiserem, com o bálsamo dos que sabem que nem tudo é possível.

domingo, 13 de março de 2011

O preconceito linguístico no Brasil


Uma das coisas mais estranhas que faz parte do universo mental das pessoas é a inclinação em travestir de certo aquilo que é logicamente errado. No Brasil, país onde o panorama intelectual está sempre retardado, o pensamento pós-moderno ainda insiste em deixar resquícios, o que provoca a grave confusão entre o certo e o errado também no campo da linguagem. Daí ocorre um desdobramento que, por sua vez, transforma em vanguarda algo absolutamente retrógrado e tacanha.
De acordo com o ceticismo relativista pós-moderno, a linguagem é uma criação da elite cujo objetivo é excluir as classes baixas da possibilidade de inserção no discurso. É isso, segundo tal ponto de vista, que provoca a cisão entre a norma culta da língua, que exige uma assimilação mais complexa e demorada, e as formas coloquiais de comunicação, mais simplificadas e que permitem, mesmo de maneira totalmente improvisada, a participação dos desprivilegiados no processo comunicativo. Esse improviso que tantos males é capaz de promover, em nada preocupa os pós-modernos.
Tal forma de ver as coisas não é apenas cruel e perigosa pelo equívoco intrínseco a ela, mas porque gera uma série de outras aberrações conceituais, acabando por distorcer a realidade até no âmbito moral. O efeito cascata advindo dessa salada mental corre sério risco de fomentar ódios, preconceitos e tornar inviável o bom convívio social.
Em primeiro lugar, cabe notar que a construção linguística não é um dado da natureza, mas sim um elemento cultural. Ninguém nasce sabendo a linguagem, ao contrário, ela é fruto de um aprendizado educacional que permite sua assimilação, até que um certo ponto desse trajeto de apropriação educacional é atingido e a partir do qual o usuário da língua passa a dominá-la na maioria de seus aspectos, sendo que daí em diante, resta somente aprimorá-la. Obviamente, se não fosse assim, se a língua fosse um dado natural, então não haveria a imensa variedade linguística que se observa nas populações humanas. O pensamento pós-moderno não consegue operar com o conceito de “usuário da língua”, exatamente porque não enxerga a construção socioeducacional da qual ele depende. Os pós-modernos acreditam que a linguagem é um elemento orgânico ex-nihilo, parecido, por exemplo, com a capacidade de ver ou de sentir odores, um sentido físico, por assim dizer. Evidentemente, trata-se de uma castração cultural que perde a noção da construção linguística. É curioso que o pensamento pós-moderno, em outros aspectos do entendimento, relacionados à psicologia do indivíduo, esqueçam a natureza humana onde, aí sim, a carga genética exerce grande grau de influência.
Além disso, a língua não pode ser admitida como um dado econômico-classista, pois isso cria um problema insolúvel de segregação. Temos aqui mais uma estultice do pensamento pós-moderno que, autoproclamado por seus representantes como uma inovação filosófica, logo se revela mero depositário do mais vulgar marxismo ortodoxo. Entender a construção linguística a partir do conceito de classe social só pode ser resultado de uma visão míope da história, que parece confundir cultura nacional com estratos sociais, dois conceitos antagônicos. Não conheço nenhum gramático rico, mas posso citar vários exemplos de celebridades acéfalas que fazem péssimo uso da linguagem e estão montadas em dinheiro.
A norma culta da língua consiste na expressão perfeita dela própria e existe, como não poderia deixar de ser, devido à necessidade da linguagem como instrumento comunicativo, coisa que muita gente não enxerga, assim como os números servem para contar. Vários gramáticos, linguistas e filósofos demonstraram com propriedade que a norma culta confere ao usuário da língua o conhecimento de uma gama rica e variada de vocábulos, indispensáveis à articulação de expressões verbais e à elaboração de frases compostas com clareza e inteligibilidade. O pensamento abstrato, vetor de operações mentais de interpretação, comparação, relação, dedução e indução, só pode ser expresso em norma culta, o que faz dela imprescindível para a posse de um bom repertório discursivo. A norma culta da língua é o terreno comum da comunicação, o pressuposto básico para que os cidadãos em geral tenham acesso ao uso da linguagem, o oposto da forma segregacionista e guetizante advogada pelo pós-modernismo, visão rasteira que parece acreditar que as pessoas mais pobres não sejam capazes de aprender e de utilizar a língua em seu potencial máximo. Se nem todo cidadão no Brasil tem oportunidade para se tornar bom usuário da língua culta, trata-se evidentemente de um problema que tem a ver com a educação, não com a linguagem em si. Não surpreende que em seus devaneios os pós-modernistas se mostrem avessos à educação, que segundo eles não contribuiria para resolver os problemas do país. O pós-modernismo mantém relação praticamente inexistente com a lógica e seus adeptos se contorcem em argumentação vazia e autoindulgente na tentativa de se mostrarem como alternativa de vanguarda em face dos problemas contemporâneos, mas em verdade, são facilmente desmascaráveis em filósofos charlatães e do tipo mais conservador que se possa ter.
Por fim, ao contrário do que querem os pseudopensadores dessa vertente,
no Brasil, país onde uma enorme parte da população é lamentavelmente formada por analfabetos funcionais, o preconceito linguístico se dirige exatamente no sentido oposto do que eles pensam, ou seja, as vítimas são aqueles que procuram usar a língua corretamente. Várias vezes me deparei com gente que costuma chamar de nerd e homossexual (com outro termo) quem fala e escreve como manda a norma culta, exemplo claro de que é o irracionalismo segregacionista, irresponsável e ignorante que gera preconceitos.
Num último apelo e num acesso desesperado de parco rousseauismo, os pós-modernos poderiam radicalizar e se manifestar em defesa de uma vida selvagem e desprovida de qualquer elemento de civilização, na qual então a linguagem como a conhecemos não seria mais necessária. Certo, deixemos os livros e brandemos os tacapes, ... Hobbes que nos acuda!

sábado, 5 de março de 2011

Uma decisão histórica, um marco na proteção animal*


A primeira vez que fui dormir com a sensação de que vivo num país sério foi quando o marqueteiro do ex-presidente Lula, Duda Mendonça, foi preso por prática de rinha de galo. Obviamente, voltei à realidade quando nada aconteceu a ele e o delegado, responsável pela prisão, foi transferido.
Recentemente, tive essa mesma sensação. Não é para menos, afinal, não é sempre que se tem uma decisão favorável à liberdade de expressão. Muito menos, quando se defende o direito de falar sobre maus tratos cometidos contra animais.
Em 2007, os organizadores do rodeio de Barretos, Os Independentes, ingressaram em juízo contra a PEA - Projeto Esperança Animal, uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) por esta haver divulgado em seu web site informações sobre todo tipo de sofrimento a que os animais são submetidos nesse evento.
Todas as informações eram baseadas em laudos elaborados por médicos veterinários que atestaram o quanto é cruel se utilizar o sedém (artefato de couro que aperta a região dos testículos do boi, fazendo-o pular como um touro bravio) e dar choques, pontapés e socos no touro, ainda no brete, antes de sair para a arena. Não há um laudo, mas vários provando a mesma coisa, ou seja, que rodeios causam maus tratos nos animais. Faço aqui, apenas, um resumo minúsculo diante do vasto estudo realizado pelos profissionais que verificaram, para se ter uma ideia, que os animais de rodeio deveriam ter a diminuição das pupilas devido à grande exposição às luzes do evento, porém, ocorre o inverso, a dilatação das pupilas (midríase), que é uma das reações do animal ao medo e ao sofrimento. A esta reação, acrescente-se a taquicardia, o aumento da pressão arterial, entre outras.
Não temos conhecimento de laudos que atestem que o animal pula porque é bravio e que os animais não sofrem. O que existe é um laudo que afirma que o animal pula porque sente cócegas.
Há dois pontos que parecem muito pouco verossímeis nesse laudo. O primeiro é a dúvida quanto a saber como alguém consegue provar que um animal sente cócegas. A não ser que o touro caia no chão, de barriga para cima, se matando de tanto rir, não vejo como provar de outra forma. O outro detalhe é que tal laudo foi assinado por um médico veterinário que era membro dos Independentes. Parcial, não-isento, portanto.
Voltando ao processo, apesar de toda informação divulgada ter sido baseada em documentos e fatos, já que a PEA publicou os nomes da maioria das empresas que patrocinavam rodeios, para que as pessoas que levam suas vidas de acordo com princípios éticos, repudiando empresas causadoras de qualquer mal aos animais, pudessem fazer suas escolhas, a PEA foi condenada por um juiz de Barretos a retirar todo o material do site sob pena de multa diária. Inconformada, a associação recorreu, contando com a experiência e conhecimento dos desembargadores do Tribunal de Justiça. Outra decepção, pois a corte manteve a censura.
Importante registrar aqui que o site não mencionava o rodeio de Barretos e sim, falava em “rodeios”. Os magistrados ignoraram isso, cedendo aos apelos do autor da ação, imaginando (sim, porque não leram a defesa) que estava escrito que Barretos maltrata animais.
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal na esperança de se reestabelecer a liberdade de expressão, direito fundamental garantido pela Constituição Federal. Foi o que ocorreu e, numa decisão histórica, o Ministro Joaquim Barbosa devolveu à associação, à população e ao país o direito de se expressar e estar ciente da verdade. Verdade essa que ganha ainda mais importância na medida em que vai contra uma máquina poderosa e rica, que movimenta empresas, políticos e interesses, verdade que defende seres que não falam, não votam e que não têm poder nem dinheiro, mas que têm direitos em relação aos quais é dever do ser humano estar atento, zelar e respeitar. Basta que uma pessoa decida fazer o que é certo para que as coisas funcionem como deveriam. Parabéns ao ministro e obrigada! Agora nos resta aguardar pela decisão do Plenário do STF. Se os demais magistrados seguirem o relator, os animais agradecem.

* Este texto foi escrito por Fernanda Bonagamba, no qual eu apenas colaborei com algumas linhas.