sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Alemanha e Noruega (Colônia, Travemünde, Oslo e fjords)


Catedral de Colônia: ícone gótico medieval

Volto uma vez mais para escrever sobre a Europa. Agora é a vez da etapa ao norte do continente, a mais exótica do Eurotour, que abrangeu a Alemanha e três países escandinavos, a Noruega, a Suécia e a Dinamarca (Hoje abordarei, além da Alemanha, apenas a Noruega).
A estadia na Alemanha foi relativamente curta, apenas uma noite e mais um dia de viagem até o ponto de onde se toma a balsa para a Escandinávia. A cidade de Colônia foi escolhida para ser visitada em função de seu magnífico domo, aquele que, a meu ver, mais bem representa o gótico medieval europeu. A altura da catedral, seu grau de verticalização e sua geometria triangular, materializam de maneira inconfundível a arquitetura da Alta Idade Média. A edificação, cuja construção se estendeu por cerca de 600 anos, se posta com absoluto triunfo em pleno centro da cidade, especialmente para quem sai da estação de trem Hofbanhof e dá de cara com o monstro gótico, uma visão que chega a assombrar, dada a grandiosidade do domo. Em seu interior, mais elementos de destaque, traduzidos nas relíquias dos três reis magos, o sarcófogo onde estariam os restos mortais de Melchior, Gaspar e Baltazar e o painel que mostra a adoração dos magos ao menino Jesus. A praça na qual está localizada a catedral fica lotada por turistas e pela população local, cenário que transmite claramente o orgulho cívico que o povo alemão sente em relação a seus monumentos públicos. A visita à Colônia não se faz completa sem que o turista adquira nas lojas próximas ao domo a famosa Água de Colônia, souvenir mais típico da cidade, podendo ser encontrado em diversas fragrâncias.


Cotidiano na pequena vila de Travemünde

Deixando Colônia, a viagem seguiu na direção de Travemünde, vila de onde partem ferries para as regiões mais setentrionais da Europa. O local é pitoresco, com algumas ruelas e a avenida principal, situada à beira-mar e povoada por casinhas, transeuntes e aves que harmonicamente dividem o espaço com as pessoas. Era um domingo, e o agito de uma vila como essa, ao contrário do que faz pensar quem está acostumado com o caos de cidades grandes, sujas e caóticas, é extremamente agradável e saudável, contrastando com as bicicletas e com casais de idosos caminhando tranquilamente na orla a alimentar as famílias de patos com seu andar jocoso e simpático. Para completar, numa espécie de tenda, uma banda formada por cinquentões mandava o bom e velho Rock ´n Roll.
Eu poderia ter resumido tudo em uma só expressão: qualidade de vida. Vale ressaltar ainda que, quando se viaja pelas estradas da Alemanha, é incontável a quantidade de aerogeradores avistados, um atrás do outro, o que denota preocupação com questões ambientais e inteligência no uso de uma forma de energia limpa e renovável, a servir de exemplo para certo país dos trópicos, onde a incidência ventosa é elevadíssima, mas cujo governo nada sabe sobre meio ambiente.


Kongelige Slott: palácio neoclássico em Oslo

Depois de passar o dia em Travemünde, tomamos a balsa rumo a Malmö, na Suécia. E que bela balsa da companhia Finnlines, equipada com cabines bastante confortáveis, aptas a permitir um descanso reparador. Logo de manhã, chegando a Malmö, pegamos o carro e dirigimos cerca de 550 quilômetros até Oslo, a capital norueguesa. Devo informar então que essa é uma das mais bonitas cidades que já pude visitar. Limpa, arborizada, calma, organizada, chique, um local dos mais agradáveis do mundo! Impressiona em Oslo a presença marcante de áreas verdes e canteiros floridos, sendo um privilegiado aquele que tem a oportunidade de passear pelas elegantes ruas da cidade, com o topo das inúmeras edificações neoclássicas recortando o pano de fundo formado pelo céu. O ponto alto é constituído pelo Kongelige Slott, grandioso edifício neoclássico do século XIX que abriga a residência real norueguesa. Após transitar por um imenso e verdejante parque, alcança-se o centro do mesmo no qual situa-se o palácio, sem dúvida um dos passeios mais bonitos e sofisticados da Europa. Detalhe, o carro ficou parado na rua por mais de uma hora com a janela aberta e com o GPS à vista sobre o banco do carona. Quando voltamos, tudo estava intocado. É outro papo! Ainda na belíssima Oslo, o visitante deve fazer paradas obrigatórias no Radhuset, prédio da prefeitura com seu grande relógio público, no Teatro Nacional, de monumental arquitetura neoclássica, no Akershus, fortaleza medieval, e no Nobel Institute, de importância óbvia e adornado com impressionante jardim. Eu moraria em Oslo, com muito prazer!


Fjord norueguês

Depois de uma noite na capital, viajamos pelo interior da Noruega em busca das paisagens naturais mais características do país, os fjords, localizados na costa oeste. Foi um dia de viagem muito cansativo e no qual as condições atmosféricas estiveram longe de ajudar: garoa e neblina, que impediram os fjords de se revelar em sua plenitude e tornaram a dirigibilidade lenta e perigosa. Mesmo assim, foi possível observar cenários impressionantes e que fogem completamente do lugar comum. Além dos próprios fjords, as típicas igrejas de madeira que se fazem presentes em todo interior norueguês compõem outro elemento essencial do passeio. Nas tortuosas estradinhas, ladeadas por montanhas, mar e neve, o visitante tem a sensação de estar nos confins do planeta, em perfeita integração com a natureza. Da próxima vez, como ficou evidente que não vale a pena fazer tais caminhos usando carro, a receita é viajar de barco pelos fjords partindo de Oslo, modo mais tranquilo de apreciar essa bela e inusitada paisagem.
Das longínquas paragens da Noruega, me despeço por aqui. Retorno semana que vem, ainda relatando a passagem pela Escandinávia e já expondo também sobre Holanda e Bélgica. Até lá!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Suíça (Alpes, Thun, Berna)


Berna e sua perfeição urbanística

Assim como avisei no final das impressões italianas, volto hoje para escrever sobre a Suíça, segundo país visitado durante o Eurotour.
Após deixar a península Itálica e ter adentrado no pequeno território suiço, a primeira parada ocorreu em uma estradinha que conduz a Interlaken. No local, conhecido como Passo de São Gotardo, muitos viajantes estacionam seus veículos numa espécie de plateau de onde se obtém uma visão privilegiadíssima dos Alpes. Coberto por gramíneas verdejantes e pinheiros típicos das altas montanhas, o sopé dos Alpes revela ao fundo, montanhas imponentes, cujos topos permanecem cobertos por neves eternas (até quando?!). É possível sentir o frescor do ar alpino entrando macio e reconfortante pelas narinas, uma energia que tonifica o corpo e o espírito, tomando conta do visitante que tem o prazer de entrar em contato com tal maravilha da natureza. O Passo de São Gotardo é, sem qualquer sombra de dúvida, um dos lugares mais bonitos da Terra. Fascinante!
Seguindo viagem, a refinada Interlaken se mostrou acolhedora por meio de suas águas límpidas, uma característica que pode ser observada em toda Suíça, e de seu centro comercial, repleto de charmosas lojinhas nas quais o produto mais cobiçado é o famoso relógio suíço. Instrumento da mais alta precisão, tornado acessível ao grande público graças ao gênero inventivo e disciplinado dos povos ao norte do maciço central europeu, as melhores marcas dessa preciosa engenhosidade não são nada convidativas ao bolso do consumidor sul-americano. É apenas para ficar babando!
Depois de um dia de viagem pelos deslumbrantes caminhos alpinos, foi hora de assentar bagagem no vilarejo de Grindelwald, também ao sopé dos Alpes. Uma vez mais, foi possível observar e entrar em contato com as típicas paisagens suíças, cheias de pinheiros, aqui e acolá, a preencher os prados povoados por casinhas de madeira com suas floreiras multicoloridas. Tudo organizado, limpo e feito para transmitir paz e tranquilidade. Como diz minha namorada Fernanda, a Suíça é como uma casa de bonecas. A perfeita ordem das coisas não a deixa mentir.
Logo cedo, no dia seguinte, tomamos o trem que conduz até o topo da montanha Jungfrau. Lá em cima, o grande barato é andar na neve e curtir a brancura dos Alpes cobertos pelo tapete natural de água congelada em contraste com o azul do céu. Mais um espetáculo oferecido pela natureza!
Ainda no mesmo dia, a viagem seguiu rumo a Berna, não sem antes parar na pequenina Thun para um descanso (na verdade, para conhecer o local). Nessa cidade medieval, passeia-se tranquilamente pelas ruazinhas de chão de pedra adornadas com bandeiras da Suíça e da província de Berner-Oberland. Durante as andanças, revela-se num plano mais alto, o castelo da cidade, construído por volta do ano 1190. Simpática, bonita e aprazível, assim é Thun.
Finalmente, a última cidade que fez parte da estadia na Suíça foi Berna, capital do país. Tão logo tomei contato com esse maravilhoso lugar, já pude ter a certeza absoluta de que moraria em Berna na primeira oportunidade. A cidade é patrimônio cultural da humanidade, pois possui um dos mais bem preservados e incríveis conjuntos arquitetônicos medievais do mundo. O casario e as edificações-símbolo, como a catedral e o Zytglogge, um grande relógio público com cúpula gótica, que brinda os turistas com as estatuetas que se expõem sucessivamente, de hora em hora, abaixo do mostrador, são todos de coloração bege-areia. Para completar o mágico cenário bernese, as construções são abraçadas pelo rio Aar e suas águas em tom azul turquesa. O rio fica num nível mais baixo que o casario, tendo suas margens guarnecidas por gramados totalmente aparados e árvores frondosas, permitindo à população de Berna se banhar tranquilamente nesse verdadeiro instrumento de lazer. A limpeza da água é de causar um deleite que se mistura facilmente com a inveja de quem vive numa cidade cruzada pelo Tietê e pelo Pinheiros. Ao redor do centro medieval de Berna estão os bairros residenciais, de ruas tranquilas e arborizadas a ponto do verde das copas formar túneis naturais sobre as vias. É algo indescritível a qualidade de vida oferecida pela cidade, que não à toa é considerada uma das dez melhores do mundo para se viver. Quem tem ideia do que significa urbanização e qualidade de vida, procure fazer um levantamento a respeito de quantos e quais candidatos a cargos públicos no Brasil abordam o tema com consistência e conhecimento. O exercício pode ser altamente desanimador!
A Suíça é um país sempre pronto a mostrar ao visitante todos os detalhes mínimos da organização impecável que oferece. Nada é fora do lugar, tudo se encaixa com perfeição e faz parte de um conjunto harmonioso que fornece a clara impressão de ter sido projetado por gênios na arte da minúcia e do bom gosto.
Curta a Suíça, por enquanto. Volto em breve para discorrer sobre a Alemanha e a Escandinávia...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Itália (Roma, Assis, Firenze)


Fórum Romano e Coliseu ao fundo

Escrevi no último texto, que voltaria em breve para descrever mais detalhes a respeito de cada cidade que visitei na viagem à Europa. Começo a partir de agora, pela Itália, primeiro país no qual estive.
A rota se iniciou na capital da bota, Roma. O centro do antigo Império Romano faz toda justiça à grandiosidade de seu passado. Roma impressiona o visitante a cada passo que é dado, sem exageros, pois a quantidade de monumentos, grandes construções, ruínas, templos, enfim, todo tipo de vestígios históricos e arqueológicos, tudo absolutamente preservado, é de deixar qualquer um boquiaberto. Roma vai bem além do Coliseu, evidentemente o principal cartão postal da cidade e um dos lugares mais famosos do mundo, mas deparar-se com a bela Fontana di Trevi após percorrer ruelas repletas de cafés e gelaterias, observar a monstruosa Piazza Venecia ou andar em meio ao banquete cultural oferecido pelo Fórum Romano, é igualmente uma experiência extática. Quem vai a Roma não pode também dispensar uma visita ao Museu do Vaticano, que reúne vasta coleção de obras da Antiguidade e do Renascimento, bem como vários objetos arqueológicos. Aí também encontra-se muito mais do que apenas a Capela Sistina, sendo que uma visita capaz de aproveitar tudo aquilo que o museu oferece, dura, no mínimo, cerca de 3 horas. Ao lado do museu, a parada seguinte é a Piazza San Pietro e a Basílica de mesmo nome, com seu interior magnífico e onde é possível ainda ver a Pietá de Michelângelo, escultura deslumbrante.
Em termos gastronômicos, a dica vai para os gelatos romanos, os quais se começa a degustar pelos olhos antes de ter o prazer de saboreá-los.
Roma é história em estado puro, é cultura a transbordar a cada metro de chão, é cidade para encantar e deixar saudade!
Após deixar a capital italiana, passei por Assis, cidadela medieval, repleta de construções de pedra e local onde São Francisco nasceu e passou a maior parte de seus anos. No interior da linda basílica de São Francisco, adornada por afrescos de Giotto, estão depositados os restos mortais do homem de origem rica que abdicou do conforto material para dedicar a vida à contemplção monástica e à proteção dos animais. A energia e a sensação de paz e tranquilidade transmitidos por esse lugarejo incrustado na verdejante região da Umbria, são intensamente sentidos por quem o visita.
Quem vai a Assis, também não pode deixar de fazer um passeio a pé pelas ruazinhas da cidade, todas enfeitadas com gerânios e onde podem ser encontrados souvenirs bastante interessantes. Certamente, esse pequeno lugar, místico e aprazível, jamais sairá da memória de quem por ele passar.
A última cidade da Itália que visitei foi Firenze, capital da Toscana e berço do Renascimento Italiano. A presença marcante do Duomo de Santa Maria del Fiore, com suas paredes externas de mármore colorido, o campanário de Giotto e a gigantesca e revolucionária cúpula de Brunelleschi, sem dúvida domina a paisagem dessa bela cidade. Externamente, essa catedral é a mais bela que já vi.
Assim como Roma, Florença também exala cultura, sendo impossível não estar remetido aos grandes nomes do Renascimento, de da Vinci a Maquiavel, quando se caminha por suas ruas. É indispensável ir a pé até a Piazzale Michelângelo, enfrentando uma considerável ladeira, para obter uma vista privilegiada da cidade. De lá, todos os cartões postais fiorentinos são vistos em sua imponência característica. Outros pontos que devem ser passagem obrigatória do visitante são o Palazzo Vecchio, a Piazza della Signoria, a charmosa e peculiar Ponte Vecchio e a Galleria Uffizzi, importantíssimo museu, cujos pontos altos são o retrato do Duque de Urbino, por Piero della Francesca, o Nascimento de Vênus, de Botticelli e A Anunciação e O Baptismo de Cristo, ambos de Da Vinci. Só não menciono com mais destaque a igreja de Santa Croce, também bela, porque acaba ofuscada pela majestade do Duomo.
Finalmente, para fechar com chave de ouro a passagem por esta linda cidade, sugiro a degustação de uma pizza no Ristorante Gusto Leo, onde o preço é acessível, a refeição é muito boa e o atendimento, gentilíssimo.
Mais uns dias e voltarei relatando minha passagem pela Suiça, não sem antes ressaltar com ênfase que a Itália é um país ímpar em sua beleza e em sua riqueza cultural. Arrivederci!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Viagem à Europa


O Zytglogge de Berna, cartão postal no coração da cidade

Goethe, um dos maiores humanistas de todos os tempos, escreveu Viagem à Itália com a intenção de explicar a seus leitores o que tanto lhe chamava a atenção naquele país. Mais tarde, o grande historiador suiço Jacob Burckhardt, em âmbito mais restrito, deu a público seu ensaio sobre a cultura do Renascimento na Itália, igualmente com o objetivo de elucidar as especificidades italianas (florentinas, mais do nunca) que permitiram o despertar do movimento renascentista, bem como seu fascínio próprio pelos elementos culturais adjacentes ao Renascimento. Não é preciso informar que tanto Goethe como Burckhardt tiveram amplo sucesso em suas jornadas, ambos referências de autoridade para o estudo e conhecimento a respeito da Itália. Viajar e conhecer culturas diferentes é uma arte e um exercício filósofico ímpar, algo que nos é ensinado pelos dois mestres em questão.
Estive não apenas na Itália, mas em boa parte da Europa durante o último mês de julho, período de extremo deleite e no qual as reminescências de Goethe e Burckhardt me povoaram a mente. Europa e cultura se confundem, sendo tarefa do viajante atento, tentar deslindar a trama histórica e intelectual que fez e continua fazendo da Europa, afinal de contas, a Europa. Evidentemente, uma tal empreitada transcende em muito um simples blog. No máximo, arriscarei breves insights a seguir.
Particularmente, uma comparação que traz consigo vários desdobramentos foi o que mais me chamou a atenção e, caso se queira refletir acerca do que realmente é qualidade de vida, deve-se obrigatoriamente passar por esse ponto. Trocando em miúdos, os conceitos de cidade e de espaço público são completamente diferentes quando se tem em mente as realidades europeia e brasileira. Vou me abster de escrever sobre o Brasil, já que conhecemos a nossa realidade (ou deveríamos conhecê-la), além disso, basta traçar um perfil urbano europeu para que automaticamente seja feita a comparação com as cidades brasileiras em geral.
Seguramente, é correto afirmar que o centro da cidade é o locus onde a vida se desenrola no continente europeu, centro esse que atua como palco das atrações, todas elas preservadas e devidamente inseridas no espaço, frequentado tanto pela população local, como pelos turistas. No entorno de grandes monumentos como o Coliseu, a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, o domo de Colônia, de museus diversos, parques ou mesmo de prédios públicos como a prefeitura, é imposível não se contagiar com o ritmo alegre e pulsante das cidades do Velho Mundo, um ritmo ágil, movimentado, mas jamais bagunçado e caótico. É ali que se localiza também o comércio, caracterizado pelas lojas de rua, nas quais os turistas encontram variadíssima gama de produtos e ainda os cafés e restaurantes. Esses dois últimos exibem todo seu charme no período noturno, momento no qual a efervescência cultural do centro urbano europeu prolonga sua atividade depois das visitas e passeios realizados de dia. Não há violência com que se preocupar, crianças, jovens, casais, pessoas mais velhas, todos compartilham do que é oferecido por atrações intrínsecas às próprias cidades. O maior perigo se resume à possibilidade do turista mais desavisado ter sua carteira furtada, mesmo assim, apenas em cidades maiores.
Na Europa o cidadão não precisa recorrer à extensões implantadas "artificialmente" no espaço público como forma de lazer. A própria cidade constituiu o lazer, na medida em que vivenciá-la, experimentá-la, é também praticar uma atividade voltada ao lazer. Não à toa, esse mesmo espaço público é convidativo, aprazível, privilegia o contato entre as pessoas, é o local onde a interação cidade-cidadão encontra toda sua plenitude. Em vista de comparações, cabe destacar que os transportes públicos oferecem acesso fácil aos pontos de interesse das cidades europeias, bastando apenas um pouco de paciência incial até pegar-se o jeito para adquirir os bilhetes, comprados muitas vezes em máquinas e para praticar os deslocamentos de acordo com o ponto de referência inicial, ou seja, o local onde se está hospedado. Fora isso, em cidades como Berna, Estocolmo ou Amsterdam, é possível transitar a pé tranquilamente pelo espaço público, de modo que a caminhada se torna um exercício sem igual para conhecer cada pedaço das mesmas, o que traduz exatamente o sentimento de intereção entre o transeunte e a cidade. Notável também, é o respeito que se tem pelos ciclistas, que possuem ciclovias em praticamente todo o coração das cidades, bem como semáforo próprio. Nada mais comum do que se deparar com pessoas de terno e gravata indo trabalhar fazendo uso das duas rodas. Também não surpreende notar que mesmo os idosos não têm preconceito algum quanto ao uso desse fantástico meio de transporte, usando-o quase tão marcadamente quanto crianças, jovens e adultos. Definitivamente, o espaço urbano europeu é culturalmente riquíssimo, organizado, democrático e oferecedor de lazer. Cidades na Europa são sinônimo de qualidade de vida.
Para finalizar, dois mitos a serem desfeitos: em primeiro lugar, é falsa a imagem do europeu mal educado, frio e distante; logicamente, existem diferenças culturais que podem suscitar rusgas, mas um conhecimento mediano de Inglês e regras básicas de boa comunicação bastam para uma relação amistosa. Em segundo, apesar da limpeza das ruas ser bem melhor do que o brasileiro está acostumado, não é correto pensar que não se encontra nem uma mínima sujeirinha no chão, pois elas existem, sobretudo em meses de visitação turística intensa, mas nem de longe se fazem motivo de decepção.
Após esse panorama geral, volto em breve trazendo minhas impressões específicas sobre cada um dos locais que visitei. Até mais!