segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mais 25 músicas essenciais


Quando escrevi sobre minhas 25 músicas preferidas em maio de 2010, fiz a promessa de apresentar uma segunda listagem futura. É o que venho então a realizar passados esses 9 meses. Os critérios de seleção são exatamente os mesmos que respeitei na primeira relação, sendo que talvez eu devesse, todavia, salientar que todas essas músicas são aquelas que considero essenciais apenas dentro do gênero Rock, mas uma vez que o próprio Rock comporta inúmeras vertentes e que minha concepção de música esteja focada nesse estilo, deixo de lado tal ressalva. Vamos às músicas!

IRON MAIDEN/THE TROOPER - possui os ingredientes mais valiosos no Heavy Metal, (riff, solos, agressividade, melodia) uma música muito bem trabalhada e simples ao mesmo tempo, pois lapidar em suas características.

EUROPE/THE FINAL COUNTDOWN - um clássico do Hard, influência cabal para a sonoridade oitentista, revela a perícia extrema de John Norum e os outros membros da banda no auge da forma técnica.

DEMONS & WIZARDS/LOVE´S TRAGEDY ASUNDER - uma composição poderossísima, forte, pujante, coloca, a meu ver, o D&W como melhor banda de Heavy Metal surgida no século XXI, apesar de ser, na realidade, um projeto paralelo ao invés de uma banda.

JASON BECKER/DWELLAR IN THE CELLAR - música que descortina a técnica soberba de Becker e seu estilo peculiaríssimo de esmerilhar uma guitarra; homenagem a esse grande músico que passou a sofrer de grave e rara doença degenerativa.

HELLOWEEN/WE GOT THE RIGHT - os pioneiros do chamado "Heavy Melódico" em uma música mais cadenciada do que sugere o estilo, rica em feeling e melodia.

MOB RULES/SECRET SIGNS - composição bastante curta, mas muito marcante, com grande riff e um toque de folk germânico sem cair no exagero típico de tantos outros conjuntos que seguem essa linha; vejo esses alemães como a melhor banda de Heavy Metal surgida nos anos 1990.

MICHAEL LEE FIRKINS/FREEWAY LINES - música representante do estilo Southern Rock, traz técnica e sofisticação bem acima da média nesse estilo, comprovando a competência monstruosa de Firkins.

QUEENSRYCHE/EYES OF A STRANGER - nascido em Seattle antes da famigerada onda grunge, o Queensryche inaugurou o estilo Prog Metal, executando-o despido do pedantismo insuportável característico das bandas atuais da vertente; pena terem se desvirtuado ao longo da carreira, caindo num quase pop insosso.

RAINBOW/RAINBOW EYES - uma música com carga de emoção pouquíssimas vezes notada, some-se a isso a mágica interpretação do saudoso Dio e está pronta a receita de uma obra prima.

SAVATAGE/DEVASTATION - os mestres do Power Metal oitentista atacam aqui com mais um de seus riffs que fazem jus ao título da composição: completamente devastador!; "RIP Criss Oliva".

STEVE VAI/FOR THE LOVE OF GOD - não sou grande fã deste que é considerado um dos mestres da guitarra, mas nessa composição ele superou seu ponto fraco com grande maestria, conseguindo aliar técnica e feeling de modo perfeito.

MARTY FRIEDMAN/THUNDER MARCH - música grandiosa, melodia belíssima, lembra uma trilha sonora de filme; Friedman teria produzido melhor deixando o Megadeth para se dedicar à carreira solo.

TALISMAN/BLISSFUL GARDEN - hoje em dia o Funk é visto com péssimos olhos no Brasil, não à toa, dada a extrema aberração musical que é tocada nos bailes cariocas; o Funk setentista, porém, nada tem a ver com a tal anomalia e o Talisman foi a banda que primeiro mesclou elementos desse estilo com o Rock, por sinal, de modo muito mais original e competente do que uma certa pimenta vermelha...

TONY MACALPINE/CITY BENEATH THE SEA - composição de grande força e melodia, fazendo jorrar livremente a veia fusion e a genialidade de Macalpine.

VINNIE MOORE/LIFEFORCE - música possuidora de um riff alucinante e na qual o maior Guitar Hero de todos os tempos desfila toda sua técnica e criatividade.

YNGWIE MALMSTEEN/ICARUS DREAM SUITE - o mago sueco das 6 cordas expõe aqui um exemplo da mais perfeita aliança entre erudição e técnica guitarrística; composição magnífica.

BORISLAV MITIC/CELTIC LEGENDS - música na qual o competentíssimo guitarrista sérvio brinda o ouvinte com um memorável e soberbo épico.

BOSTON/MORE THAN A FEELING - excelente balada Hard/Prog setentista; homenagem ao já falecido Brad Delp,  grande vocalista e vegetariano, como todos os integrantes da banda.

JOEY TAFOLLA/NINE TOMORROWS - música recheada de técnica e melodia, representante do estilo neoclássico.

STRATOVARIUS/KISS OF JUDAS - ótima composição da banda finlandesa de Heavy Melódico, é uma música muito bem arranjada e livre dos excessos comuns a muitas bandas desse estilo.

PATRICK RONDAT/CLOUDY MOUNTAIN - excelente música, exemplo inconfundível da vertente neoclássica diretamente da palheta do exímio guitarrista francês.

IMPELLITTERI/WARRIOR - trata-se de um Hard/Power dotado de refrão pegajoso, forte riff e vocais assinados po Rob Rock, genial como sempre.

QUIET RIOT/CUM ON FEEL THE NOIZE - a música é uma regravação da banda Slade, mas muito mais poderosa, a meu ver, executada pelo competentíssimo quarteto formado por Kevin DuBrow, Rudy Sarzo, Carlos Cavazo e Frank Banali; homenagem ao já falecido vocalista Du Brow.

DEEP PURPLE/BURN - os mestres da lisergia setentista não poderiam ficar de fora, sobretudo considerando-se essa composição, dotada de tecnicalidade absurda e abrilhantada ainda mais pela voz avassaladora de David Coverdale em pareceria com Glenn Hughes, outro monstro dos vocais.

BLACK SABBATH/SUPERNAUT - para encerrar, mais setentismo, diretamente do ocultismo sabático; riferrama e peso, como manda o bom Metal!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Culturas, gritos de liberdade e valores universais


Fiquei uma semana pensando em escrever um artigo a respeito da onda de manifestações anti-ditatoriais que varre o mundo árabe no Oriente Médio e no norte da África. Nesse ínterim, assisti a alguns programas de TV nos quais o tema entrou em debate, quando então fui sentindo de modo cada vez mais claro que tudo aquilo que tem sido afirmado sobre a situação é vago e impreciso. Os especialistas não concluem absolutamente nada e não vão além da abertura de um leque de possibilidades totalmente amplo, o que dá a impressão final de se saber menos em relação ao assunto do que no início da conversa. O mais engraçado nisso tudo é ver a frustração de alguns âncoras despreparados, procurando eles próprios alguma opinião que possa dar manchete, mas tendo que se contentar com o ar blasé dos especialistas.
Talvez os estudiosos não estejam errados, pois é melhor e menos comprometedor ficar no terreno do possível diante de um quadro ainda turvo, do que se comprometer com uma análise peremptória que depois venha a se mostrar equivocada. Parece que os intelectuais têm se apropriado bem das estratégias discursivas que marcam a superação do paradigma pirronista pós-moderno, afinal, os estudos humanos possuem estatuto científico particular, de vez que seu objetivo é tentar ajustar distorções e oferecer interpretações verossímeis, ao invés de previsões deterministas e verdades tachativas. É preciso apenas cuidado para não expulsar o fanatismo relativista pela porta da frente, mas se descuidar permitindo que ele entre novamente pela janela.
Feita esta digressão introdutória, válida também como ressalva, fica nítido que se nem os estudiosos do mundo árabe podem oferecer análises mais definidas em relação aos acontecimentos que se verificam, tampouco eu o tentarei. Assim como eles, apenas vou traçar um rascunho da situação, sem ter nesse caso qualquer pretensão erudita.
A primeira ideia que vem à mente ao observar o que tem se sucedido nesses países árabes é que as manifestações, de caráter laico e pró-democrático, podem servir como contra-argumento para aqueles culturalistas ocidentais que sempre acreditaram na cultura como um bloco estanque e impermeável a exotismos, de modo que projetar a hipótese do desenvolvimento de sistemas democráticos no mundo árabe sempre lhes pareceu de um etnocentrismo criminoso. É curioso que pensadores desse tipo estejam sempre armados até os dentes para atacar o etnocentrismo ocidental, mas fechem os olhos para o fato de que tantas culturas não-ocidentais mantêm fortíssimas práticas etnocêntricas.
Sempre defendi, graças à leitura de Tocqueville, a noção de que, no fundo, a democracia é muito mais do que um sistema, já que depende da prática e da gestão de uma cultura democrática que só nasce no seio das sociedades. Assim, a democracia não pode, de fato, ser enxertada, pois ela é um vir-a-ser cultural. Cabe frisar que embora a democracia seja uma questão de cultura, seu antídoto contra o peso de um possível autoritarismo cultural, desde que ela própria não se massifique, é preservar o poder da liberdade individual. Qualquer pessoa está muitíssimo distante de poder afirmar que a democracia se tornará um valor e uma prática no mundo árabe, - há extensa gama de variáveis no processo, algumas delas ainda nem mesmo passíveis de vislumbre - mas se por acaso isso vier a ocorrer, estaríamos então perante uma evidência de transformação cultural das mais interessantes e emblemáticas, além do que, uma vez germinada a democracia árabe, nascida no interior dessas próprias sociedades, estaria seriamente comprometida a visão culturalista. A liberdade individual, um dos pilares de qualquer democracia real, sempre deve estar acima dos sistemas culturais: ideia com a qual terei afinidade permanente.
Outro aspecto muitas vezes negligenciado pelo Ocidente - e aqui devo fazer um mea culpa - está relacionado com o advento da modernidade, sua materialização e seus desdobramentos. Não que seja correto, como querem muitos representantes da velha esquerda reacionária, defender a noção de que nenhum tipo de inovação devesse chegar ao mundo árabe, - estaríamos caindo de novo na ladainha do culturalismo - mas muitas vezes os analistas ocidentais acreditaram que a possibilidade de haver modernização em sociedades permeadas pelo tradicionalismo islâmico nunca passou de quimera. O estudo mais aprofundado do Islã de eras passadas, bem como o próprio conceito de trocas culturais poderia modificar essa descrença. Além disso, é certamente uma grande novidade o fato de que todas essas manifestações estejam se disseminando por meio das tais redes sociais, exemplo de que a virtualidade pode se espraiar para a realidade e também de que uma tecnologia nascida no Ocidente esteja se concretizando e contribuindo politicamente em solo árabe.
Ainda é bastante cedo para traçar perspectivas, sejam elas otimistas ou pessimistas, oriundas de uma ou outra orientação ideológica. O islamismo em sua vertente terrorista poderá tirar proveito do caos que se instala após a queda de regimes, líderes oposicionistas autoritários podem derrubar um ditador e implantar outra ditadura, a cultura democrática corre o risco de não encontrar mentes virtuosas que a fertlizem e que a tornem prática, a violência humana é um fator sempre à espreita, mostrando que os acontecimentos não são pacíficos como alguns veículos insistem em afirmar, até pela reação promovida por comandantes que se arraigam ao poder. O que acontecerá em cada país que hoje se encontra sob revolução permanece como mistério e creio que seja melhor se despir da sanha de exercícios futurológicos e deixar que corra a temporalidade histórica, múltipla, incerta, desprovida de ritmo unívoco. No máximo, pode-se pensar que, dependendo dos arranjos, o abismo que criamos entre Ocidente e culturas não-ocidentais se revele mais estreito do que supomos, ou que o gênero humano ainda seja capaz de torná-lo assim, caso passe a pensar menos em culturas e tradições impermeáveis umas às outras e mais na liberdade como um valor universal. Não terá sido pouco, pelo contrário.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Estado como ídolo e como farsa


Onde quer que existam representantes da velha esquerda, há também o argumento do “estado mínimo” como forma de desqualificar o pensamento liberal. Mais uma ideia tola comprada por tanta gente, até por quem não possui uma concepção assentada a respeito de política e economia. Segundo reza a cartilha anti-liberal, o estado mínimo significa um governo o mais ausente possível, talvez até inexistente, que larga o corpo civil ao léu e oferece larga margem para a competição irrefreada, voraz e devoradora. Sinto informar, mas o tal do estado mínimo é típico de muitos países africanos, do Haiti ou de Bangladesh, lugares nos quais qualquer tipo de economia capitalista está absolutamente fora de contexto. Um detalhe que poderia já encerrar a discussão é o simples fato de que a síntese final de Marx é a abolição do estado. Mas vamos além, já que os marxistas de leitura rasteira perderam esse exato detalhe...
Em seu livro Adam Smith em Pequim, o sociólogo e economista italiano Giovanni Arrighi, em relação ao qual guardo inúmeras divergências a respeito da história econômica pós-1945 e do atual mundo globalizado, ofereceu, devo admitir, - faço isso sem o menor esforço - uma interpretação absolutamente original do pensamento de Smith. Se por um lado Arrighi ainda carrega certos dogmatismos, por outro, foi capaz de se despojar do lugar-comum que quase sempre reduz as teses smithsonianas à manjada “mão-invisível” que auto-regula o mercado. Arrighi, infelizmente, não chega a ter uma opinião positiva sobre o liberalismo, mas sua obra pode ajudar a acabar com um mal-entendido: nenhum liberal clássico, da escola de Hume, Locke, Tocqueville e do próprio Smith, despreza as importantes funções que devem ser da responsabilidade do estado. Um liberal dessa linha jamais afirmou que o estado não pode atuar como fiscalizador das leis do mercado, acredita - e isso não invalida a primeira asserção - que o estado não é o promotor do desenvolvimento, papel esse que cabe aos indivíduos e à sociedade a partir de um ajuste que maximize a igualdade das oportunidades e a valorização do mérito e da criatividade. Desse modo, observar o bom cumprimento das regras econômicas (qualquer capitalismo que se preze as possui) não entra de modo algum em contradição com a crença na iniciativa individual e privada como forma de promoção do desenvolvimento.
O liberalismo clássico crê ainda que a educação de base, a saúde e a segurança da população são incumbências das quais o estado não pode se eximir, ainda que tais serviços ocorram também fruto da atividade privada. Em qualquer nação desenvolvida o quadro observado é justamente esse, isto é, estado eficiente e cumpridor das atribuições de sua alçada própria, arranjo que inclusive e, evidentemente, possibilita um melhor funcionamento da máquina estatal, livre de interesses políticos, naturalmente conflitantes com o que é fundamentalmente público e que garante também, por consequência, uma melhor justiça. Definitivamente, o estado livre de funções que não são as suas, ou seja, tudo que foge ao gerenciamento das leis, do preparo básico do cidadão e da garantia de suas perfeitas condições de saúde e segurança, nada tem a ver com um estado de abandono, muito pelo contrário, pois se traduz na pedra de toque de um estado que atua melhor em prol do corpo civil.
No Brasil, onde a velha esquerda já deitou raízes, as privatizações são invariavelmente associadas ao roubo do “patrimônio público”. Não passa em momento algum pela cabeça dos anti-liberais que muitas de suas próprias bandeiras estarão mais em pauta exatamente se o estado estiver isento de fardos que não são os dele. Também escapa aos estatólatras vítimas do paternalismo a trivialidade matemática: empresas privadas pagam imposto ao estado e engordam seus cofres. E atente-se para a abundância faraônica da carga tributária brasileira...
A Cidade do Samba pegou fogo, escolas tiveram seu carnaval posto em prejuízo. Tudo bem que para os envolvidos com a folia seja algo gravíssimo, mas é verdade também tratar-se de uma coisa sem a menor importância para tantos outros. Seria perfeitamente normal a contribuição de empresas privadas no intuito de salvar o divertimento dos foliões e o desfile das escolas afetadas pelo incêndio. Nem um pouco normal, no entanto, uma afronta das mais absurdas eu diria, o poder público carioca fornecer verbas do contribuinte, inclusos aqueles que abominam samba e carnaval, para ajudar essas mesmas escolas, instituições particulares.
O brasileiro comum é bobo e estatólatra, paradoxalmente, não irá ver nenhum mal no estado que ele tanto julga como benfeitor dar dinheiro arrecadado a partir do trabalho e do esforço do cidadão para escolas de samba, ao invés de empregá-lo em educação, saúde e segurança, ou mesmo em causas nobres como a proteção animal, no fundo, também uma questão relacionada com convívio social.  A função do estado no Brasil é fazer festa com dinheiro público; nas próximas eleições, como já vem sendo há um bom tempo, ao político que quiser ser eleito bastará grana para o marketing e um discurso que erija o estado como ídolo, bem ao gosto da velha esquerda.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ser simples é sempre melhor


Cada vez menos as pessoas se contentam em ser simples e levar a vida orientadas pela busca de propósitos honestos e pelo cultivo de virtudes frugais. Em oposição a isso, necessitam doentiamente de simulacros e vaidades que fazem elas próprias e os outros pensarem que são detentoras de algum encanto mágico, externo ao sujeito, artificial portanto, e sempre passível de ser desmascarado. Vai ver que é por isso que observamos tamanha quantidade de estados patológicos que afetam acentuadamente a alma e o comportamento nesses tempos atuais.
Já escrevi mais de uma vez a respeito do narcisismo e do egoísmo, esses males típicos da celebrização e da sanha por fama e desejos que quase sempre se revelam efêmeros e paliativos. Com isso, além de muitas pessoas deixarem de ser elas mesmas, transmutando-se em criaturas mesquinhas e bizarras, se afastam também das qualidades que porventura possam deter.
Impossível não bater na tecla de que o brasileiro, em geral, é uma das maiores vítimas desse envaidecimento e o meio futebolístico é um dos cenários que não nos deixa enganar. Alguns exemplos bastam: Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho estão entre as celebridades grotescas. O primeiro é um profissional que há 5 anos não entra em boas condições de jogo, completamente descuidado em relação à forma física. Profissional?! Critico esse jogador faz um bom tempo, nesse blog mesmo, redigi textos dando conta de sua ausência de seriedade e comprometimento. Onde estão aqueles que em 2009 só faltavam ajoelhar diante de Ronaldo? Devem estar pixando muros com xingamentos dirigidos a ele... Ah, por sinal, muitíssimo bem feito para o time provinciano da zona Leste. Quanto ao segundo, não consegue jogar absolutamente nada desde a Copa das Confederações de 2005, a partir de então, só enganou... e frequentou baladas. Eis que chega 2011 e, depois de ser disputado ridiculamente por Palmeiras, Grêmio e Flamengo, fechou contrato não menos ridiculamente com o clube da Gávea. Fácil. Irá fazer seus golzinhos contra os times semi-amadores do interior do Rio e dos rincões do país na Copa do Brasil. Vamos ver o que ele fará no longo, cansativo e difícil Campeonato Brasileiro...
Ronaldo, como não poderia deixar de ser, já vive seu melancólico e fracassado canto de cisne. Eu aposto que o Gaúcho seguirá o mesmo script, afinal, é ele que tem feito por onde desde que se envaideceu após ter brilhado no Barcelona, quando ainda se mantinha como uma pessoa normal. Falando nisso, alguém já reparou como ele anda inchado e com dificuldade de movimentação? Será efeito das noitadas? O jornalista Lucio de Castro toma as dores dos boleiros celebrizados sempre que alguém levanta a questão da falta de profissionalismo por parte dos mesmos. Lucio batizou de “manja” o pessoal que, segundo ele, se mete na vida particular dos jogadores. Eu digo que não há ninguém que irá pagar com mais amargura a ausência de profissionalismo do que esses próprios jogadores, mas há só um detalhe: esses atletas são ídolos e servem de exemplo para muitos jovens, o que é lamentável. No dia em que o brasileiro abrir o olho e enxergar quem de fato merece valor, não estarei mais nem um pouco preocupado com celebridades anódinas.
O argentino Lionel Messi vem sendo considerado o melhor jogador de futebol há duas temporadas. Não noto no meia-atacante do Barcelona nenhum traço de envaidecimento. Vejo, pelo contrário, que ele faz questão de se concentrar cada vez mais, única e exclusivamente, em jogar futebol. Não se ouve nem se lê nada sobre Messi quando o assunto não é esporte. Será por acaso a impressionante regularidade que ele vem mantendo?
Rivaldo é brasileiro, veterano com 38 anos de idade, forma física de um garoto de menos de 20. Sério e humilde exatamente do mesmo jeito que o era quando apareceu como jogador do Mogi-Mirim. Fui contra sua saída da presidência do clube do interior paulista, entretanto, depois de mostrar sua enorme categoria nos gramados do mundo, depois de conquistar tantos títulos, inclusive uma Copa, quando atuou de maneira soberba, depois de eleito melhor do mundo em 1999, o pernambucano não deixou de ser quem sempre foi, seu jeito simples, seu propósito de jogar futebol e seu profissionalismo se mostram intactos. Rivaldo tem tudo para encerrar a carreira com toda dignidade, ele merece isso, pois sempre seguiu o caminho da retidão.
Posso ser chamado de moralista e de desejar mau agouro. Não importa, pois sei que não se trata disso, mas sim da constatação que comprova o velho ditado, “quem procura acha”. Não é nem preciso desejar boa sorte às pessoas simples, uma vez que elas mesmas constroem seu sucesso. Aos envaidecidos, nada mais justo do que a indiferença.