segunda-feira, 23 de abril de 2012

As ruínas de um ex-time


Doze anos de repetidos vexames, exceto pelo Paulista de 2008, que a egolatria insana do sr. Vanderlei Luxemburgo não permitiu dar continuidade, e hoje não restam mais do que tristes ruínas do ex-time grande verde e branco.
Os cartolas são mafiosos, administradores de fabriqueta de macarrão, parados no tempo, possuem mentalidade arcaica e espírito de vendeta. Não dão a mínima para o futebol, muitos deles sonham inclusive em transformar o Palmeiras em um clube exclusivamente social, o que já conseguiram em larga medida. Presidente que sai, presidente que entra, todos não passam de bananas que falam grosso quando estão fora, jorram eloquência na identificação dos problemas, mas se mostram incapazes de tomar atitudes quando estão dentro. Bananas e incompetentes!
Um técnico de meia tigela, ultrapassado e decadente, parece não treinar os jogadores, não estabelece um padrão de jogo, taticamente pífio, não consegue nem sequer transmitir motivação, algo que no passado sabia fazer. Acomodado, fatura salário pornográfico, mas não se deu o trabalho de acompanhar minimamente a evolução do futebol nos últimos anos, joga no mesmo esquema do Criciúma de 1991. Covarde, pensa pequeno, tem preconceito contra os atletas da base e ainda comete o equívoco primário de acreditar que marcação se obtém com volantes cabeças de prego. Nas entrevistas, é lacônico, não completa frases, não conclui raciocínio nenhum, não se aprofunda em questões táticas e técnicas, se limita tão somente a dar bufadas. Como se não bastasse, devido à incapacidade de comando, acaba por minar o elenco e destruir o ambiente. O sr. Luiz Felipe Scolari passou da hora de se aposentar, não presta mais nem mesmo para treinar a seleção de Burkina Faso, seu destino é tomar chimarrão e contar causos a quem ainda consegue ter paciência de ouvir o papo furado que sai de sua boca. Flávio Murtosa, o Sancho Pança low profile, terá o importante papel de lhe servir a candente bebida herbácea...
O elenco, que está mais para um amontoado de peladeiros, é composto quase inteiramente por péssimos jogadores, frouxos, além de tudo. Defendi Deola até quando pude, mas realmente o sujeito é um frangueiro nato, conseguindo a proeza de ser pior do que Marcos, bracinho de Horácio, se perde totalmente nas bolas aéreas, se tiver vergonha na cara, pede rescisão de contrato hoje mesmo; Cicinho é um raquítico sem tônus para realizar um cruzamento até mesmo se fosse em quadra de condomínio, ficou enciumadinho com a vinda de Artur, outro bagre, diga-se de passagem, e hoje joga ainda menos do que permite sua ínfima capacidade; Juninho é tão raquítico quanto, sente a pressão e se borra em momentos decisivos; Leandro Amaro e Maurício Ramos são protagonistas de chanchada, pastelões que causariam riso numa pelada de casados vs. solteiros, quanto a Henrique, sonha que é o Beckenbauer, mas precisam informá-lo que o Kaiser não lhe confiaria o engraxe das chuteiras; Marcio Araújo talvez sirva para a 3a. divisão do torneio amador da Ilha de Marajó, Marcos Assunção, que não corre, não marca e abusa do direito de errar passes fáceis, daria um razoável kicker no futebol americano pré-universitário; Daniel Carvalho, coitado, tem qualidade, mas ficou inchado, deformado, uma porpeta que mal aguenta meio tempo, Valdívia morreu e esqueceram de enterrar; Maikon Leite apanha da bola, ou pensa, ou corre, nunca as duas coisas juntas, Barcos é a maior enganação do futebol desde a invenção do esporte, não tem a menor pinta de jogador, parece que corre de calça jeans tamanho P e com um piano nas costas, grande negócio fez a LDU; Ricardo Bueno pode fazer companhia a Araújo no certame marajoara, mas só como reserva, do mesmo modo que Bruno, Chico, Gerley, Tinga e Vinícius, Pedro Carmona iria a contrapeso; Patrick teve bom começo como atacante em 2011, mas o sr. Scolari o transformou em volante de marcação, um empréstimo lhe faria bem; Román, Thiago Heleno, João Vitor, Fernandão e Luan poderiam, sem ironia, compor elenco se um de verdade fosse montado, juntariam-se a Wesley. Isso, no entanto, somente após a refundação do time, por ora, seria interessante fechar as portas por uns dois anos e começar tudo do zero quando findado esse período.
O que é mais utópico, projetar essa refundação ou acreditar que o Palmeiras ainda existe?!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Corrupção no Brasil: divulgada, mas não intolerada


Só a liberdade pode tirar os cidadãos do isolamento, no qual a própria independência de sua condição os faz viver, para obrigá-los a aproximar-se uns dos outros, animando-os e reunindo-os cada dia pela necessidade de entender-se, de persuadir-se e de agradar-se mutuamente na prática dos negócios comuns. - Alexis de Tocqueville

Tenho notado muitas pessoas acreditando piamente que a corrupção vem sendo menos tolerada no Brasil. De minha parte, creio que estejamos bem distantes disso, pois é necessário saber marcar a nítida diferença existente entre intolerância e divulgação de informações. Condenar sistematicamente a corrupção implica em possuir um mínimo de conhecimento político e padrões éticos, é uma questão de cultura e de mentalidade, por assim dizer. Já as simples informações a respeito da prática não bastam nem um pouco para a sua condenação, sendo até mesmo pior estar bem ciente sobre algo errado e não se importar tanto, infelizmente, o que ainda predomina no seio da população brasileira.
Analisando-se a formação política do Estado brasileiro não é difícil concluir que a corrupção é um mal que aflige o país desde antes mesmo da emancipação junto a Portugal. Tão logo se livrou da dominação lusitana, o Brasil se tornou um império governado pela dinastia de Bragança, arranjo político sem qualquer elemento democrático, centralizado e autárquico. Ainda que entre 1840 e 1889 D. Pedro II sempre tenha buscado possíveis equilíbrios e conciliações, o que é significativo em se tratando de um imperador, a estrutura de poder vigente não mudou e nem poderia ter mudado, dada a natureza imperial do regime. Antes do final do século XIX eis que surge uma “república de bestializados”, segundo a magistral formulação de José Murilo de Carvalho, na qual o novo sistema político não foi nada além do que uma tomada de poder pelos militares positivistas. A chamada  República da Espada representa notoriamente o atraso histórico característico do Brasil; no mesmo momento em que a filosofia positivista havia chegado ao canto de cisne na Europa, forneceu a diretriz para o estabelecimento de um republicanismo bem tupiniquim, de pura fachada. Os brasileiros nem mesmo sabiam o significado do termo “república".... Veio finalmente o século XX, perpassado por misturas sui generis de oligarquia, coronelismo, populismo e ditaduras, com a “democracia” tendo chegado somente em 1985, após o fim do regime militar e, três anos depois, em 1988, com a promulgação da Constituição Federal. Não é preciso salientar que se trata até hoje apenas de uma democracia formal, totalmente desprovida de essência e de cultura democráticas. Nunca houve no Brasil uma centelha sequer de participação política com base na livre associação e no debate argumentativo, como versa a tradição liberal, em parte pelos entraves impostos por regimes políticos avessos a esse direcionamento, em parte também pelo próprio DNA histórico-cultural do brasileiro, estatólatra por excelência.
Convenhamos, não é fácil se livrar de um peso tão grande gerado por experiências políticas bizarras, elas mesmas atuantes como fator direto da corrupção que assola o país. Se sempre nos faltou cultura democrática, a queda pela corrupção é, ao contrário, uma enorme tentação para grande parte da população brasileira. Parece-me que nem sempre fica claro no entendimento de muitas pessoas, que a corrupção no Brasil está na própria sociedade, ou seja, não é uma prática que paira acima do povo, restrita à classe política, embora nossa mentalidade anti-liberal e apolítica sirva como reforço grandioso para a centralização e para o isolamento dos políticos, que se sentem bem mais à vontade na realização de seus desmandos. Essa consideração é importante e revela bem a diferença entre intolerância e conhecimento de causa, que é o cerne desta reflexão. A corrupção brasileira instala-se desde os pormenores do cotidiano, começa numa tentativa de suborno aparentemente insignificante por parte de um sujeito que estaciona em local proibido, passa por um prefeito de cidadezinha que emprega parentes em seu gabinete e deságua finalmente nos grandes desvios de dinheiro público, que hoje, por vezes, chegam a se tornar institucionalizados através da cobrança de impostos e na (des)organização de eventos como a Copa do Mundo. O estudo de Alberto Carlos Almeida, A cabeça do brasileiro, mostra bem como tanta gente no Brasil aprova o tal do jeitinho, o nepotismo ou o servilismo, provando que apesar de algumas manifestações pontuais - e, sem dúvida, positivas - contra a corrupção, a Lei da Ficha Limpa, por exemplo, não são suficientes para apontar o estabelecimento de uma intolerância sistemática contra os corruptos, exatamente devido à corrupção estar entranhada no brasileiro, estar no sangue que corre em suas veias.
Durante muito tempo pouco se soube acerca da corrupção governamental no país, épocas nas quais os mandatários promoviam a farra do dinheiro público sem em nenhum momento serem flagrados ou mesmo considerados alvos de suspeitas. Uma das poucas conquistas da incipiente democracia brasileira foi fazer a imprensa livre e tem cabido a ela tornar cada vez mais desnuda e disseminada a informação sobre a prática da corrupção no Brasil, daí a importância cabal da liberdade de imprensa, algo que gera ódio nos adeptos do governo centralizado e autoritário. Se a imprensa livre exerce papel imprenscindível de informação, em um país massificado e governado por um partido gramsciano como o Brasil, sozinha ela não tem força para promover sentimentos inconfundíveis de intolerância contra a corrupção. O populismo de Lula e o gramscianismo do PT souberam exatamente como explorar a ignorância das massas em prol da construção do regime autoritário que se consolida cada vez mais no país. Com Lula e com o PT, escorada por trás de uma suposta justiça social e de um distributivismo que só serve para manter a pobreza e a dependência, a corrupção passou não somente a ser tolerada, como também justificada e legitimada. A prova de que o aumento da intolerância contra a corrupção é uma tola quimera está no fato de que o PT foi colocado no poder mais duas vezes após o mensalão, bem como nos índices de popularidade de Lula e de sua marionete, Dilma Rousseff. Ainda que tenham sido e ainda sejam índices um tanto quanto manipulados, isso é parte da estratégia populista e gramsciana.
É tarefa dura e de conclusões imprevisíveis tentar vislumbrar qualquer perspectiva de mudança em tal panorama político, sobretudo quando se entende que as alterações de mentalidade só se processam na longuíssima duração e dependem de uma miríade de fatores. Não há maior intolerância contra a corrupção no Brasil e, apesar de certas manifestações nesse sentido, estas não atingem a grande massa em catarse, justamente aquela que é o substrato e o alvo de um governo como o do PT. Infelizmente, é a cara desse país!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Páscoa e o ocaso da moralidade


E a loucura que virou a Páscoa se repetiu mais uma vez esse ano, inclusive em termos climáticos. Tem sido sempre assim e continuará sendo. Esse período representa emblematicamente a transformação pela qual o mundo passou nos últimos tempos, de um feriado austero e contemplativo, se tornou uma busca frenética por chocolates e pela necessidade que tantos sentem de estar sempre no centro dos acontecimentos (agora a moda é o baile havaiano do sábado de Aleluia; antes, em uma época que o Outono já trazia frio, realizavam-se procissões...).
Para mim, o desvirtuamento da Páscoa é mais acentuado do que o do Natal, que apresenta um aspecto comercial há mais tempo e no qual a troca de presentes disseminada contribui mais com o frenesi. O costume de trocar chocolates era algo intrafamiliar até uns vinte anos atrás e foi de lá para cá, cada vez mais, que assumiu esse caráter tolo que dá as cartas atualmente. O Natal já mudou há muitas décadas e talvez as pessoas de maior idade sintam essa modificação mais fortemente que os da minha geração, o mesmo que eu tenho observado com relação à Páscoa.
É fácil adotar o chavão de imputar ao capitalismo essa situação. Fácil e equivocado. Como sempre, a abstração do economicismo posta no lugar das pessoas de carne e osso e de sua moralidade. Será que os que nunca se debruçaram seriamente sobre uma análise das sociedades humanas e, logicamente, incluo nisso todos aqueles que se sentem bem e isentos de responsabilidade por adotarem discursos politicamente corretos, não são participantes da Páscoa pós-moderna? Temo que sejam. Eles mantêm a “tradição” do dia santo sem “carne” comendo peixe. Peixe não é carne?! Peixes morrem por asfixia. Os oceanos são pilhados. Como se não bastasse, o sábado de Aleluia é geralmente marcado por um churrasco e a abstenção da “carne” no dia anterior descamba logo depois na liberação das pulsões por sangue. Vá lá se alguém hoje em dia que ainda não se livrou do consumo de cadáveres ficasse durante os quarenta dias da Quaresma sem carne vermelha, pois seria um pouco mais coerente.
As origens do capitalismo mais genuíno podem ser desincrustadas no puritanismo do século XVII. Os puritanos, permeados por forte sentimento religioso, pregavam uma moralidade rígida, sendo que somente o indivíduo austero, disciplinado e esforçado estaria apto ao acúmulo da riqueza, visto por eles como forma de redenção propiciada pela entidade divina. “Deus ajuda a quem cedo madruga”, eis a máxima mais puritana e capitalista que já houve. Será que essa moralidade e esse comportamento podem ser verificados no mundo de hoje? Com certeza a resposta é não para a maioria das nações. Atualmente, quem mais acumula em países sem tradição capitalista e onde os padrões de moralidade são desprezados, são os que passam mais distantes de qualquer regramento puritano. A culpa é do capitalismo?!
Os supostos doutos sabem que o mundo mudou para pior em vários aspectos, como este que ora reflito é só mais um exemplo. Eles criticam a degeneração, mas cometem a hipocrisia de participar dela e, o que é talvez ainda pior, buscam explicá-la segundo esquemas de pensamento sem nenhum elemento de universalidade ou de moralidade, inválidos até mesmo para pensar o contexto do qual foram produtos, completamente absurdos e extemporâneos em se tratando da contemporaneidade. A culpa é do capitalismo?! Que capitalismo?!