terça-feira, 27 de maio de 2014

A seleção não tem nada a ver com isso... E eu não tenho nada a ver com eles.


O técnico da seleção brasileira disse que ela nada tem a ver com a Copa fora do campo, ou seja, segundo Luiz Felipe Scolari, tudo de ruim que faz parte deste mundial e que não se relaciona com o que se passa exclusivamente dentro das quatro linhas não importa aos jogadores e à comissão técnica.
Evidentemente, o sr. Scolari, assim como tantos idiotas, pretende que a população torça para o escrete nacional, mas se ele e seus comandados nada têm a ver com a sujeirada nojenta que trouxe a disputa para o Brasil, como se não fossem, antes de tudo - ou pelo menos devessem ser - cidadãos, não há como desvincular os indivíduos e o corpo social dos fatores extracampo. Sendo assim, e assumindo que diante da enormidade de erros e falcatruas que envolvem a Copa 2014, há uma quantidade significativa de pessoas refratárias à descomunal tolice da pátria de chuteiras, conclui-se que muitos não irão torcer pela seleção brasileira. Repare por aí se há bandeiras nas janelas ou ruas decoradas com motivos verdes e amarelos. Eu não estou vendo nada aqui em São Paulo e cidades vizinhas. Menos mal.
O clima nada alvoroçado que antecede o início do torneio deixa claro que, bem ao contrário do que diz o chucro técnico da seleção brasileira, ela tem sim a ver com o que se passa fora do gramado. Qual o sentido da existência dos times nacionais? Ao se analisar a atual situação do futebol brasileiro e a própria declaração do sr. Scolari, a única resposta plausível indica que a seleção brasileira é um fim em si mesmo, um grupo de jogadores cuja maioria nem mesmo atua no Brasil, todos eles alheios a questões políticas e cujos objetivos em nada vão além das vantagens que cada um pode obter vestindo a camisa amarela. Inclui-se aí, logicamente, a comissão técnica que, além do comandante, conta com outra figura execrável, em relação à qual um pingo de respeito que seja, só pode ser visto como absurdo. O sr. Carlos Alberto Parreira, a meu ver um dos grandes responsáveis pela falência do futebol brasileiro, ao soltar uma pérola equiparável àquela que saiu da boca do diretor técnico, se mostrou em compasso com o mesmo. É de autoria do sr. Parreira a seguinte frase: "a CBF é o Brasil que deu certo". A CBF envolta em escândalos de corrupção, a CBF que há décadas virou as costas por completo à organização dos campeonatos, a CBF que não cuida de assuntos ligados à arbitragem, a CBF que não toma providência nenhuma em relação ao calendário bagunçado, em suma, o órgão máximo do futebol brasileiro que em nada exerce aquilo que deveria ser de sua responsabilidade. É essa a CBF que deu certo do sr. Parreira? A CBF que é a cara do Brasil, isto é, que compõe um pedaço da tragédia brasileira? Pior que é! E ainda tem gente que enxerga nesse sujeito alguém que mereça ser levado a sério.
De acordo com o sr. Scolari, seleção brasileira é uma coisa, já aquilo que a cerca em termos do país e do povo que representa, é outra completamente diferente. Segundo o coordenador Parreira, plenamente imbuído da famigerada e nefasta brasilidade, o errado é certo. Você terá coragem de torcer por esses caras? Ou você torce apenas pela seleção? Se respondeu "sim" à última pergunta, aconselho que preste bem atenção à fala do sr. Scolari, afinal, para ele, seleção não passa de um círculo fechado sem conexão com absolutamente nada que seja externo a ela. Trocando em miúdos, o comandante não enxerga vínculo entre o time e o torcedor-cidadão, que sofre na pele com a situação do país. Há três opções: caso concorde com o treinador, você é um Zé Ninguém que torcerá, se não concorda, mas mesmo assim acha que existe patriotismo envolvido na questão, torcerá porque é tonto, ou não torcerá e mostrará respeito por si próprio, assim como merecerá o respeito por parte daqueles que têm nojo disso tudo que está aí. A escolha é de cada um. Em tempo, fica mais outra indagação: por que a imprensa se dispõe a cobrir esse evento maldito?

terça-feira, 6 de maio de 2014

Caos nosso de cada dia


O Brasil vive um momento esquisito: as denúncias de corrupção continuam pululando uma atrás da outra, um mar de lama sem igual e o governo, como sempre, procurando minimizar a gravidade da situação, coisa que faz com sucesso desde 2005, já que se aproveita de uma oposição inexistente e de uma população em estado de catarse, a despeito das enganosas ondas de "despertar do gigante", pura ingenuidade de gente que costuma se bem intencionada, mas incapaz de vislumbrar com mínima exatidão o que acontece por aqui.
Dentro de pouco mais de trinta dias, se iniciará a Copa do Mundo, evento esportivo que pode ter consequências políticas das mais importantes. Enquanto a competição estiver acontecendo, com a seleção nacional viva ou não na disputa, será o foco das atenções para grande parcela do povo, portanto, a influência que ela terá nos rumos do país só poderá ser explorada e sentida quando faltar um tempo bastante curto para as eleições de outubro, para o bem ou para o mal. Em um Brasil de tantos absurdos, o fator Copa interferindo na política é só mais um deles. E se tudo já estiver previamente arranjado para que o escrete tupiniquim conquiste a taça? Dá para duvidar? Em tempo: se algum jogador convocado recusasse o chamado de Luiz Felipe Scolari em função de posições políticas e ideológicas, de imediato, se tornaria para mim um herói (como propôs Joseph Campbell, o herói é aquele que renuncia a uma oportunidade em nome de outra, mais fugaz, mas também, muito mais grandiosa). A esse tipo de conjectura, dá-se o nome de "utopia".
Voltando à política em si, um conceito distorcido de política e daquilo que se relaciona ao político é sempre invocado quando quem detém o poder tenta deslegitimar um debate. Assim procede o PT através de seus quadros, pois têm sido absolutamente corriqueiro observá-los dando declarações em relação à CPI da Petrobrás, ressaltando de modo veemente que a mesma não pode enveredar por um caminho político (talvez por isso o governo terá maioria na comissão, inclusive comandando presidência e relatoria...). Ora, mas é óbvio que, queiram ou não os governistas, trata-se sim de uma questão política, ainda mais porque envolve uma empresa pública cujos diretores e ex-diretores, além do próprio governo, devem satisfações não aos partidos da "oposição", mas sim à população brasileira. O PT tem usado a Petrobrás obedecendo a velhas táticas esquerdistas: aparelhamento da máquina pública e populismo, patologias administrativas que destroem as instituições e impedem que a política seja entendida e exercida a partir daquilo que a define, isto é, participação à base de ideias e repertório argumentativo. Desde Aristóteles a política é condição sine qua non para que se erija a condição humana. O PT quer eliminar a política, mas faz politicagem.
E no intuito de gerar o caos para com isso acentuar progressivamente a ditadura gramsciana, o mesmo PT, juntamente com seus acólitos, permanece insuflando o ódio de classes no país: qualquer evento, por mínimo que seja, serve a esse propósito, até mesmo o preço dos ingressos para partidas de futebol e a presença de público nos estádios. Segundo o sr. Lucio de Castro, da ESPN Brasil, está em curso um projeto de "elitização" dos estádios, salvo exceções como o Fluminense. Engraçado: Peter Siemsen não é um membro da elite? Ou é um membro da elite que age contra a elite? Ah, já sei, é porque o presidente do clube das Laranjeiras, tem "consciência social", apesar de ser da elite. Logo no Fluminense, um clube de raízes elitistas... . Mas, devemos insistir: que elite é essa, a elite política? Como, se o Brasil é controlado por um partido de esquerda e se os partidos não-governistas são todos de esquerda, ou, no mínimo, de centro-esquerda? Será a elite econômica? Hummmm..., aquela que é composta por empresários amigos da realeza, liderada por um partido de esquerda? Talvez a elite intelectual, formada majoritariamente por... "intelectualóides" esquerdistas, muito bem representados por ninguém mais, ninguém menos, do que ele, o próprio sr. Lucio de Castro! Agora, sem ironias, é preciso ser de uma idiotice ímpar para não enxergar que vivemos o completo oposto de uma "elitização", ou seja, devido à paulatina desvalorização da cultura, da moral e dos interditos sem os quais não há possibilidade de existência de qualquer sociedade, a massificação que tomou conta do Brasil, vetorizada pela canalhice esquerdista, tenta empurrar goela abaixo das pessoas de bem que o descumprimento de normas básicas de convívio não existe e não passa de uma mistificação preconceituosa. Assim, defendem que todo tipo de comportamento, independente de causar prejuízos à vida em sociedade, deve ser aceito normalmente.
É ou não é o caos? Ele já está instalado!