quarta-feira, 25 de julho de 2012

Esse é o seu Brasil


As empresas de telefonia celular prestam maus serviços. "Isso é fato", como muita gente gosta de dizer, e não apenas elas, mas outras tantas empresas, de diversos setores de atividade. Em grande parte são líderes de mercado, praticam ardis vergonhosos na tentativa de lograr o consumidor, o que é nojento e deplorável. Por outro lado, o povo brasileiro ainda não entendeu que as relações de consumo envolvem um contrapoder que oferece ao consumidor a possibilidade de pressionar as empresas a oferecer um serviço melhor. Pesquisar, negociar, esperar a melhor hora antes de comprar algum produto ou contratar um serviço, ou mesmo descartá-los estão entre as formas de exercer este contrapoder.
Isso expressaria relações de consumo liberais, o que ocorre em economias capitalistas bem desenvolvidas, não no Brasil, onde jamais existiu qualquer coisa próxima de um capitalismo liberal. Aqui, o governo autoritário e centralizador cujos investimentos em tecnologia são pífios, para não dizer inexistentes, tenta ele próprio forçar as empresas a melhorar seus serviços (ou seria uma tentativa de obter maior controle estatal sobre o setor?) proibindo que as mesmas realizem novas vendas. Haja intervencionismo! As empresas pagam impostos a perder de vista e os repassam a nós, consumidores. Tanto pior, quem ganha para construir estádios de futebol e dar esmolas às massas é sempre o governo. Há aqueles que acham uma maravilha... Esse é o seu Brasil!
Esse também é o governo que chega a gastar dez vezes mais com alunos de cursos superiores do que com o Ensino Básico, uma distorção escabrosa, mais chocante ainda quando se sabe que 38% dos alunos em estágio superior, segundo dados divulgados pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa, são analfabetos funcionais. Para aonde vai o dinheiro público gasto?! E, de quebra, os professores de universidades federais estão em greve há mais de dois meses, eles que ganham salários nada desprezíveis.
Tal quadro educacional ilustra perfeitamente as incoerências de um país no qual os mandatários operam com base em ideias políticas e econômicas absolutamente retrógradas, recebendo endosso de boa parte de uma população imersa na ignorância e/ou nas ideologizações rasteiras da velha esquerda. Dilma afirmou que e educação brasileira está bem encaminhada... Esse é o seu Brasil..., quanto a mim, creio que ensino superior financiado com recursos públicos é algo que nem mesmo deveria existir.
E para completar, vão começar as Olimpíadas... No desembarque em Londres, inúmeros atletas brasileiros de modalidades genuinamente olímpicas passaram completamente despercebidos por torcedores no aeroporto. Trata-se geralmente de pessoal humilde que faz os maiores sacrifícios para poder treinar, quase sempre não conseguem ir bem e, quando algum deles consegue uma medalha, lá vai uma certa imprensa ufanista e sanguessuga fazer merchand em cima. Enquanto isso, a delegação do futebolzeco masculino do seu Brasil foi recebida com histeria. Imagine se não vou torcer contra essa cambada de boleiros metidos!
Daqui quatro anos será no Rio de Janeiro, engordando mais ainda os cofres da cartolagem e das empreiteiras ligadas ao governo (olha aí o capitalismo do seu Brasil!), permanecendo a total ausência de estrutura voltada ao esporte olímpico. E por falar nisso, vale uma olhada no vídeo abaixo. Esse é o seu Brasil!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Buenos Aires em revista

Avenida Nove de Julho/Obelisco

Hoje o blog está de volta após quase um mês de inatividade. Casamento, viagem de lua de mel e, ao fim desta, arrumação do apartamento, algo que parece não terminar. O tempo para escrever quase não existe e agora vejo claramente que vai demorar para que este espaço novamente retorne ao seu ritmo normal. Descubro, todavia, uma pequena janela para expor minhas impressões e comentários a respeito de Buenos Aires, local onde estive depois de casar.
Antes da estadia na capital argentina, ficamos eu e minha esposa durante quatro dias no hotel Australis em Campana, cidade situada a cerca de 80 quilômetros de Buenos Aires. Foi um período de descanso reparador, dolce far niente proporcionado pela hospitalidade e pelo carinho dos amigos da família Montaldo, proprietários do Australis. Na verdade, além da sombra e água fresca, pudemos caminhar pelos belos prados do hotel, passar o tempo jogando sinuca e desfrutar da relaxante piscina aquecida. No restaurante, havia sempre alguma delícia nos esperando; não demorava muito até encontrarmos alguma opção vegetariana no cardápio.

Hotel Australis Campana

Passado o sossego de Campana, rumamos em direção à capital argentina. Até que nos hospedássemos em um hotel, foram duas noites no apartamento dos Montaldo, que uma vez mais nos ofereceram tudo de melhor que poderíamos ter. Em Buenos Aires a agenda se faria bem diferente em relação a Campana. Descanso só à noite, sendo que durante o dia a ordem era uma só: passear e desvendar os segredos portenhos.
Há, como em qualquer cidade de país subdesenvolvido, alguns aspectos negativos em Buenos Aires: a sujeira é maior do que temos em São Paulo, alguns estabelecimentos comerciais (também inclui-se aqui o ingresso para certos passeios turísticos) cobram preços exorbitantes, chegando a praticar absurdos na tentativa de tirar proveito do turista e, no trânsito, especialmente entre taxistas e motoristas de ônibus, a falta de respeito e a imprudência imperam.
Por outro lado, Buenos Aires apresenta características que a tornam mais charmosa do que grande parte das cidades brasileiras: as áreas verdes ocorrem em bem maior número e, ao contrário do que se observa no centro, costumam ser limpas, a arquitetura é mais privilegiada, oferecendo ao visitante enorme quantidade de construções históricas em estilo barroco ou neoclássico e os cafés e restaurantes são tão abundantes que não se passa mais de 30 segundos sem que um deles se coloque à frente. Pesquisando os preços, é possível fazer uma refeição farta, com qualidade e gastando valores razoáveis.
Assim como acontece na Europa, em Buenos Aires o comércio de rua é muito mais forte do que os shoppings. Se no Brasil estes oferecem diversidade de opções e conforto, acabam praticamente por relegar várias áreas da cidade à degradação. Um comércio de rua exuberante tal qual na Europa e em Buenos Aires é fator essencial para a manutenção dos centros históricos como locais de efervescência cultural, circulação de ideias e gosto pelas artes e pela história. É na rua que o flaneurismo se faz, desde sempre.

Puerto Madero

Por falar em história, os argentinos a conhecem e a valorizam num grau tão mais elevado do que os brasileiros que a comparação chega a ser covarde. Pude realizar essa análise durante todo o tempo em Buenos Aires e, em especial, nas narrativas do sr. Alfredo Besada, sogro de Carlos Montaldo, e nos tantos city tours que este nos ofereceu, completos e extremamente esclarecedores.
De modo geral, a viagem à Argentina foi muito gratificante e pude ter a certeza de que, excetuando-se a questão que mencionei sobre o trânsito, os argentinos são educados e gentis e qualquer opinião em contrário certamente está contaminada por intenso teor de galvãobuenismo, surrado, tolo e limitado à esfera esportiva.

Palácio das Águas Corrientes

Elenco abaixo tudo aquilo (ou quase) que visitei em Buenos Aires. O que mais me despertou interesse vem precedido de asterisco.

- Casa Rosada
- Congresso
- Cabildo
* Catedral (arquitetura fora do comum para um templo religioso católico, pois remete às construções da antiguidade grega)
* La Boca (com visita ao museu do Boca Juniors e ao estádio La Bombonera - local pitoresco, meio assustador, intrigante, locus privilegiado como revelador de uma certa cultura e de uma paixão clubística)
- Caminito
- Cemitério de La Recoleta
* Avenida Nove de Julho (uma infinidade de cafés e o ícone do Obelisco)
* Feira de San Telmo (muita bugiganga, mas bem interessante para quem tem paciência de vasculhar na busca por artigos diferentes)
* Puerto Madero (oferece uma agradável caminhada, bom lugar para fotos; deve também ser visitado à noite)
- Teatro Colón (construção esplêndida, preço dos ingressos aviltante para visita guiada ao interior)
- Torre dos Ingleses
- Monumento aos mortos das Malvinas (uma guerra inútil; um monumento para consolar a quem?!)
- Edificio Kavanagh (feio se visto por determinado ângulo, porém curioso de outro)
- Calle Florida (muitos brasileiros, muita gente ofertando city tour e shows de Tango; chata, só tem fama, sendo que a Avenida Santa Fé e a Rivadavia são bem melhores para compras)
- Galerias Pacífico (para ver os afrescos do teto, não para comprar)
* Jardim Japonês (lugar lindíssimo, muito calmo e propício à contemplação, imperdível!)

 Jardim Japonês

* Palácio das Águas Corrientes (a mais bela e imponente construção de Buenos Aires, impressionante pelo porte e pela riqueza de detalhes)
* Livraria El Ateneo Santa Fé (antigo teatro que virou livraria, só estando dentro para sentir seu esplendor)
* Catedral de San Isidro (não fica devendo para catedrais europeias)
* El Tigre (bela reserva de campo distante aproximadamente 30 quilômetros de Buenos Aires; lugar muito bonito e excelente também para compras)

A seguir cito alguns estabelecimentos nos quais realizamos refeições. É possível comer comida vegetariana na Argentina, país de tradição carnívora, basta pesquisar. Aqueles que considerei os melhores estão marcados com asterisco.

* Abuela Pan (vegetariano de ótima qualidade e bons preços)
* Pueyrredón (mesa farta e de qualidade, algumas boas opções vegetarianas)
* Green Cuisine (quilo vegetariano, cardápio variadíssimo, muito barato - para viagem)
* Bio Orgânico (alternativo charmoso, bom para vegetarianos e veganos, preços nem tão baixos, mas comida muito saborosa)
- Capriati (lanchonete ruim, pizza sem molho e faltando recheio, praticam extorsão cobrando cubierto, ou seja, mesa com toalha suja; passe bem longe!)
- Pizzaria Gênova (pizza honesta, preço razoável)
- Pizzaria El Tablón (idem ao anterior)
- Delicity (café com boas opções de lanche, possui pão de queijo, verdadeira raridade fora do Brasil)
* Café Tortoni (o mais antigo de Buenos Aires, charmosíssimo, caro, mas de excelente qualidade)
* Dueño Café (se não for a melhor empanada de Buenos Aires, sem dúvida está entre as melhores)
* Aromi (boa pizza)