quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

No ano do "cemternada" incolor, o Octa palestrino



O time da zona leste passou incólume em 2010, ano em que completou seu primeiro século de existência. Como sempre, parte da imprensa esportiva brasileira que atua não fazendo jornalismo, mas propagandeando seu time do coração, elevou o acontecimento aos píncaros do firmamento, tentando de tudo e mais um pouco no intuito de alardear a centúria incolor. De nada adiantou e a Virgem do Centenário se mostrou incapaz de contentar sua nação zumbi. Nem Paulistão, quando não atingiu sequer as semifinais, nem Brasileiro, quando não foi além do terceiro lugar, a despeito de toda ajuda possível da arbitragem, nem a tão sonhada Libertadores, competição na qual o fiasco chegou já nas oitavas-de-final, fazendo permanecer o provincianismo alvinegro e sua completa nulidade internacional. Que copinha de juniores, que nada! Carnaval? Passou longe, a abstinência foi completa!
Como se não bastasse a amargura do “cemternada”, o time branco e preto foi obrigado a ver a CBF homologar a equiparação - esse é o termo correto - dos campeonatos Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa, disputados entre 1959 e 1970, ao Campeonato Brasileiro, que passou a ser disputado a partir de 1971. Com isso, o Palmeiras se tornou, juntamente com o Santos, o maior vencedor de títulos Brasileiros de todos os tempos, pois somou mais quatro conquistas às outras quatro que já possuía, sagrando-se Octacampeão Brasileiro de Futebol. Os rivais estão comendo poeira!
Muita polêmica se fez em torno da equiparação, um verdadeiro tiroteio de argumentações vindas tanto de quem se mostrou contra, como por parte de quem foi a favor da decisão da CBF. Polêmica um tanto quanto inútil, para falar a verdade, mais um daqueles assuntos que vêm à baila quando a imprensa não tem muito o que abordar assim que as competições se encerram e inicia-se o período de férias do futebol, como foi o caso nesse mês de dezembro. Não é porque a Taça Brasil e o Roberto Gomes Pedrosa foram considerados equivalentes ao Campeonato Brasileiro que sua importância aumentou. Ora, na época em que foram realizados, esses torneios eram as mais importantes disputas do cenário nacional, vários times tinham elencos recheados de craques, a seriedade e o compromisso se mostravam bem mais frequentes por parte dos jogadores, torcer era muito mais saudável do que hoje em dia e a representatividade de cada estado brasileiro nas competições era maior do que no atual Brasileirão.
Todo aquele que tem um mínimo de conhecimento sobre história do futebol brasileiro sabe que a Taça Brasil e o Robertão foram campeonatos do mais alto gabarito, portanto, em essência, a equiparação é em última análise uma questão de nomenclatura que torna todos os campeonatos nacionais disputados de 1959 para cá, campeonatos brasileiros. Há muitos anos, mais precisamente em 1992, eu me envolvi numa discussão travada contra dois torcedores incolores, meus colegas de classe, a respeito de quem tinha mais conquistas nacionais, o Palmeiras ou o time deles. Levei na escola uma revista Placar que mostrava as conquistas de todos os grandes times do Brasil e então lhes provei que eu estava com a razão. Sem ter o que dizer, eles se saíram com o que restava, isto é, desvalorizaram a Taça Brasil e sobretudo o Roberto Gomes Pedrosa, nome pouco adequado para um torneio nacional (daí a questão da nomenclatura ter um significado a ser levado em alta conta). Logo vi que não adiantava discutir, já que eles eram historicamente ignorantes e nada sabiam sobre aqueles campeonatos, muitos menos sobre Biriba, Bombeiro, Dirceu Lopes, Nilton Santos, Mengálvio, Chinesinho,... nem mesmo sobre Pelé, Pepe, Ademir da Guia ou Dudu. A mais notável contribuição da História é mostrar que tudo aquilo que nos cerca não existe apenas desde o momento em que nós mesmos viemos ao mundo. O presente é tributário do passado, algo que costuma passar desapercebido pelos pós-modernos e por adolescentes alienados. No que se refere às competições nacionais brasileiras, a equiparação foi meritória justamente devido a essa questão, ainda que tantas outras coisas memoráveis tenham acontecido no nosso futebol antes de 1959, que o diga, por exemplo, o Palmeiras do início dos anos 1930...
Como bom palmeirense, não posso deixar de tripudiar o rival desprovido de cores, pois sempre tive perfeita noção da imensa superioridade palestrina em termos de história e conquistas, constatação que não sofrerá mudanças no mínimo pelos próximos 30 ou 40 anos, mesmo que o Palmeiras continue sua trilha de apequenamento pós-1999. Ainda que daqui um tempo nos tornemos sem margem para dúvidas um Juventus da Pompeia, continuarei sendo palestrino. Me considero um torcedor consciente, preferiria, ao invés do Octa, que o Palmeiras estivesse forte no presente, - futebol, no calor de sua paixão, faz com que o momento seja mais considerado, apesar da importância histórica - mas a realidade atual é que a SEP não tem condições nem mesmo de conquistar um Campeonato Paulista.
Encerro desejando um bom 2011 a todos, inclusive aos virgens do centenário, exceto, para esses, no quesito futebol.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A inglória tentativa de salvar Stalin


Muitos daqueles que se consideram pensadores de esquerda reconhecem normalmente que o regime stalinista foi totalitário e criminoso. Até aí, nada mais normal. O curioso é observar que a despeito disso, grande parte dessa turma ainda tenta, veladamente, de certo modo, conferir a Stalin uma aura de positividade, que se traduz na ideia de que a URSS então governada pelo ditador georgiano foi o país que derrotou o nazismo na II Guerra. A análise histórica acurada derruba facilmente essa tese, mas a velha paixão ideológica pelo comunismo não permite a tantos chegar em nenhuma ponderação. Proponho a seguir alguns pontos merecedores de análise, todos eles esquecidos pela visão pró-stalinista.
Primeiramente, o elemento que mais evidencia o equívoco da ideia em questão é o pacto Ribbentrop-Molotov, (mais conhecido como pacto germano-soviético) assinado pela Alemanha de Hitler e pela URSS de Stalin em agosto de 1939. O acordo feito pelos dois líderes totalitários previa não somente a não-agressão por parte de ambos os países, como também o estabelecimento de ligações comerciais entre eles e a partilha de territórios europeus com base nas ambições de poder de parte à parte.
Mais do que a mutualidade trivial presente em qualquer acordo diplomático, o pacto Ribbentrop-Molotov contém significados mais profundos e negligenciados pela visão da dita esquerda. Ele representa, sem dúvida, uma expressão bem definida da semelhança formal entre nazismo e comunismo, duas doutrinas baseadas no ódio, na eliminação do "inimigo" e na promessa do Paraíso terreno. Ainda que diversos em relação aos arcabouços teóricos que lhes dão forma, nazismo e comunismo guardam em comum as mesmíssimas finalidades, bem como meios bastante similares que lhes possam conduzir a tais fins. A admiração que Hitler e Stalin nutriam um pelo outro, jamais foi por acaso. Se em 1941 o líder nazista rompeu o pacto, isso se deu porque o próprio Hitler estava enredado no turbilhão totalitário do nazismo. Stalin, também comandante totalitário, igualmente poderia ter motivos para o rompimento, sendo que o austríaco apenas fê-lo primeiro.
A aliança entre nazismo e comunismo, por muito pouco, não venceu a II Guerra já em 1940. Enquanto a Inglaterra era alvo dos intensos raides aéreos da Blitzkrieg e lutava sozinha, já que a França caiu logo e quase sem resistência, Stalin se regozijava fornecendo o petróleo que sustentava a Wehrmacht nazista. Nesse momento crucial do combate, a figura de Winston Churchill, então primeiro ministro britânico, foi de suma importância para impedir que o totalitarismo obtivesse seu triunfo frente à democracia ocidental. Churchill foi o homem que não perdeu a II Guerra em 1940. Quanto a Hitler, Churchill já alertava a respeito de suas terríveis ambições no início da década de 1930, momento no qual pouquíssimos homens de Estado davam atenção ao nazismo, acreditando que o Führer não passava de um bravateiro. Já em relação a Stalin, após o rompimento do pacto, quando a URSS se viu obrigada a lutar ao lado dos Aliados, - sem que, evidentemente, houvesse qualquer motivação ideológica para tanto - Churchill via no líder comunista muito mais um fardo do que uma ajuda. Vale destacar que nessa fase do conflito a Inglaterra enviava víveres e suprimentos bélicos à URSS através do chamado Comboio Ártico, que demandava um tremendo esforço logístico e que sempre foi muito mal agradecido por Stalin.
O primeiro ministro britânico sabia que o fator decisivo para a vitória dos Aliados era a participação dos EUA na guerra. Então com quase 70 anos, Churchill realizou um trabalho diplomático incansável no sentido de levar os americanos para o combate. Muito antes de Pearl Harbor, apenas o estopim da entrada norteamericana na II Guerra, a força retórica e a personalidade do buldogue inglês já vinham abrindo caminho contra a recalcitrância de Roosevelt. Ter trazido os EUA para a II Guerra e assim tornado a balança pendente no lado Aliado foi uma vitória pessoal de Churchill. O Ocidente deveria agradecer mais a ele.
Dar crédito à URSS stalinista pela derrota de Hitler, significa também acreditar que nada mais aconteceu na II Guerra além da batalha de Stalingrado, em 1942. Uma análise ponderada jamais poderia negar que tal batalha, possivelmente a mais sangrenta da história, teve um alto grau de importância, tampouco se desvaloriza a heroica atuação dos soldados russos, por sorte, ajudados também pelo frio rigoroso do inverno continental europeu, para o qual os alemães não estavam nada preparados - devemos graças também ao erro estratégico de Hitler. No entanto, a já citada batalha da Inglaterra, quando a RAF segurou a Luftwaffe em 1940, bem como a evacuação de Dunquerque, ainda nos primórdios da II Guerra, além das importantes vitórias no norte da África, na Itália, contra uma resistência encarniçada das tropas nazistas comandadas pelo marechal Kesselring e, obviamente, a invasão da Normandia em 1944, em sua maioria, ações conjuntas de Inglaterra e EUA, foram igualmente de fundamental importância.
É perfeitamente aceitável e historicamente adequado afirmar que a URSS de Stalin teve uma participação importante e que contribuiu para a derrota de Hitler, mas daí, como procedem muitos supostos esquerdistas, atribuir ao totalitarismo soviético, com ares de exclusividade, a vitória na II Guerra, não passa de passionalismo ideológico, algo inglório e historicamente falho. Muito mais justo, ponderado e correto, seria atentar para o papel de Churchill, não só durante 1939-45, mas bem antes, quando Hitler era visto por muita gente apenas como um fanfarrão a ladrar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sucesso a quem merece


Muricy Ramalho é campeão brasileiro pela quinta vez. Sim, pela quinta vez, já que em 2005 o Internacional comandado por ele foi o legítimo campeão. O título conquistado ontem pelo Fluminense não é surpresa, dado que Muricy é já há um bom tempo, disparado, o melhor técnico do futebol brasileiro.
Seria chover no molhado escrever a respeito da competência do treinador nascido em São Paulo no ano de 1955, pois quem analisa despindo-se de passionalismos pueris, não tem a menor dúvida de que lhe sobram capacidade técnica e conhecimento futebolístico. Creio que não seja o fator competência seu diferencial, mas sim outras qualidades que considero mais fundantes num ser humano, e das quais deriva a própria possibilidade de se tornar competente, sobretudo quando o tema é o futebol de hoje em dia.
Muricy é uma pessoa muito diferente da maioria daqueles que fazem parte do ambiente do futebol moderno, mostra-se pois, sério, compromissado e sem jamais abandonar o princípio da honestidade. É o caráter de Muricy que lhe possibilitou alcançar o nível de excelência que possui hoje. Desde 2001, vem realizando trabalhos sólidos e conquistando títulos cada vez mais importantes. A Libertadores é apenas uma questão de tempo para abrilhantar mais ainda o currículo desse treinador vitorioso. Muricy não tem arroubos de estrelismo egocêntrico, nunca põe nada acima do treinamento diário e do afinco que uma equipe de futebol deve ter no dia-a-dia para que possa lograr êxito. Muricy trabalha sem vaidade e em prol da equipe, faz sempre questão de frisar que o técnico não deve interferir muito, assim, ele molda suas equipes procurando respeitar as características dos jogadores com os quais pode contar. Para aqueles que o criticam em função de dirigir times que não empolgam, a eficiência competitiva que lhe rende resultados absolutamente invejáveis e a habilidade de fazer com que equipes funcionem tão bem num futebol essencialmente exportador, servem como respostas irrefutáveis.
Em 2009, raro período de hiato nas conquistas do treinador, Muricy ficou marcado pelos insucessos na Libertadores, com o São Paulo, e principalmente com o Palmeiras no Brasileiro, durante o 2° semestre. Na equipe da zona Sul, pouco se pode lhe atribuir algum senão depois de três conquistas nacionais consecutivas. Já no Palmeiras, o elenco do qual dispunha era terrivelmente fraco e a liderança, obtida num momento muito circunstancial do campeonato, evidentemente não seria mantida na fase aguda da competição e com os desfalques sofridos em jogos decisivos. Um elenco já inepto, se tornaria ainda mais sem alguns atletas titulares e em situação de acirramento da disputa. Só mesmo os ignominiosos e pútridos cartolas alviverdes ainda não sabem que sem elenco é impossível conquistar o Brasileiro por pontos corridos. Por tocar nesse assunto, como se não bastasse, Muricy ainda por cima enfrentou um boicote sórdido por parte do péssimo e teimoso dirigente Gilberto Cipullo, defensor de Vanderlei Luxemburgo. Um ano e pouco depois, Muricy é novamente campeão nacional, já o treinador carioca pula de galho em galho e colhe os frutos bichados de sua decadência.
Após o fiasco da seleção de Dunga no mundial da África do Sul, Muricy foi convidado pela CBF para assumir o time brasileiro. Sem se render à vaidade e às cifras proporcionadas pelo cargo, preferiu uma vez mais agir pautado pela ética e cumprir seu contrato com o Fluminense. A equipe das Laranjeiras ocupou a liderança do Brasileiro durante 23 das 38 rodadas, confirmando a ponta após a partida derradeira e sagrando-se campeã, título que não vinha desde 1984. Retorno grandioso, compensador e merecido por Muricy, aquele que se apoia na simplicidade e na eficiência do trabalho sério, metódico e dedicado, sem lugar para egocentrismos, discursos empolados e balelas psicologizantes. Muricy é diferente do brasileiro comum, Muricy é um brasileiro para quem eu tiro o chapéu. Parabéns, campeão!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Capitalismo(s) sem molde economicista


“O capitalismo é exploratório e gerador de desigualdades sociais”. Poucas ideias são tão batidas quanto esta, que há tempos se tornou lugar comum e um dos carros-chefes do pensamento chamado “politicamente correto”, algo que já infestou praticamente todos os círculos da sociedade, ao menos em se tratando de Brasil.
O marxismo rasteiro e panfletário que faz a cabeça de quem culpa o capitalismo por todos os males do mundo, é de fato o ópio de tantos intelectuais, na célebre formulação de Raymond Aron. Desconfio que muitos arautos do socialismo revolucionário não chegaram nem mesmo a ler O Capital na íntegra, quanto mais a obra inteira de Marx. O Manifesto Comunista basta para que certos setores ditos de esquerda abracem algumas das teses marxianas como se fossem a Verdade única e acabada, a chave-mestra para a compreensão das sociedades humanas. Nem é preciso frisar que várias distorções e vulgarizações do próprio pensamento do filósofo alemão estão pressupostas nesse processo. Curiosamente, nove entre dez pensadores hoje em dia assumem sem o menor o problema que o marxismo mais tradicional, aquele que opera com o paradigma do par base-superestrutura, já está há muito superado e não consegue explicar a complexidade do mundo atual, (essa ponderação é feita na Europa e nos EUA desde a década de 1960, no Brasil, pelo menos há uns 20 anos) mas nem assim a formulação vulgar a respeito do capitalismo deixa de ser amplamente aceita em tantas situações.
Num nível bastante simples e por questões óbvias relativas à paixão ideológica, o ódio ao capitalismo provém da carência de observação histórica e da própria força da vulgata marxista, (não do pensamento marxiano) que pode ser concebida como uma forma de religião mundana e materialista, pautada pelo economicismo, ou seja, a atribuição por parte desses marxistas, à primazia da dimensão econômica na experiência das sociedades. Essa constatação conduz a um patamar mais obscuro e pouquíssimo discutido nas Humanidades, ainda que emane do acordo quase que geral entre os pensadores, citado no parágrafo anterior. Em outras palavras, a vulgarização é fruto de uma espécie de molde economicista que faz pensar o sistema econômico, o capitalismo no caso, como um modelo único que funciona exatamente do mesmo modo em qualquer sociedade ou cultura. Tal aberração esquece completamente as outras dimensões - que não a econômica - componentes da experiência social e que sustentam culturas e modos de pensar absolutamente distintos. É um desprezo ao consenso da superação do par base-superestrutura e um absurdo histórico, filosófico, político, sociológico e antropológico. Pensar em “o” capitalismo, sem relativizações que considerem as tantas dimensões sociais, é um dos mais equivocados reducionismos vigentes nas Humanidades.
Em princípio, o mesmo se daria para com o socialismo, no entanto, as teorizações sobre esse sistema são quase todas realizadas com base no próprio marxismo e permeadas pela noção de totalidade e de fatalismo que nunca estiveram presentes no capitalismo e que por isso mesmo exigem sua relativização. Além da Terceira Via de Anthony Giddens, execrada por qualquer marxista revolucionário, não me parece haver outro socialismo que não o da cartilha vulgarizada, com todos os esquematismos, etapas e métodos pré-estabelecidos que lhe são característicos, de modo que tentar salvar o socialismo do dogma no qual está atolado seria de um esforço teórico certamente insolúvel.
Uma possível objeção à proposta da relativização do capitalismo vem da tese da dependência externa e do que se designa “periferia do capitalismo”. Segundo essa linha, o capitalismo atuaria como uma rede global na qual os países desenvolvidos manteriam os subdesenvolvidos num quadro de dependência em relação à tecnologia e obrigados a fornecer bens primários e de pouco valor agregado às nações ricas. Nesse âmbito, não haveria “capitalismos”, mas um capitalismo único e controlado pelos poderosos países do centro. É uma ideia bastante comum e muito utilizada pelos críticos do capitalismo, mas me parece que perde de vista a existência, nos países subdesenvolvidos, de sujeitos históricos capazes de determinar em alguma medida os rumos de suas sociedades. Tampouco atenta para o caso de nações como Coreia do Sul e Finlândia, que há não muito tempo faziam parte da tal periferia, mas ao gerir de forma inteligente e eficaz seus problemas internos, passaram a fazer parte do centro. Essa concepção se baseia ainda no passado colonial das nações subdesenvolvidas e na questão da acumulação primitiva de capital, no que então também se torna incapaz de explicar o sucesso atual de ex-colônias de exploração, como Bahamas, Cingapura, ou até mesmo o Chile, que tem grandes chances de virar uma nação desenvolvida em questão de pouco mais de uma década. Estudos como os de David Landes e Jean-François Revel, isso para não citar Max Weber, são convincentes quando mostram que o surgimento do capitalismo se deveu muito mais a fatores socioculturais específicos do que a um projeto global e organizado de exploração colonial. No mais, as nações que hoje se resumem à exportação de commodities são geralmente governadas por populistas que se consideram de esquerda e que não se preocupam com investimento em educação, pesquisa e tecnologia.
As análises históricas são fecundas em revelar a eficiência de sistemas capitalistas na redução das desigualdades e na promoção do desenvolvimento. Na mesma toada, não é preciso refletir muito para concluir que não houve experiência socialista que tenha deixado de promover banhos de sangue, mortes aos milhões e descambado em políticas autoritárias/totalitárias. Isso já bastaria para imputar as mais severas reprovações a esse sistema, mesmo se em alguma de tais experiências o sucesso tivesse sido alcançado ao fim do processo, porém, foi algo que também jamais aconteceu.
Ao se pensar nas dimensões históricas que compõem as sociedades, vislumbram-se as diferenças entre o capitalismo suíço e o brasileiro, ou entre o que se passa nos EUA e aquele que vigora na França, ou ainda entre o sistema inglês e o sul coreano, exemplos não faltam... Sendo assim, uma correta avaliação sobre “o capitalismo”, passa necessariamente pela sua relativização de modo a considerar que esse sistema varia de acordo com o substrato sociocultural de cada nação. A grande vantagem dessa reflexão é  permitir entender que o capitalismo pode ou não funcionar bem de acordo com as variações e combinações socioculturais das quais o próprio sistema econômico faz parte, ao passo que o reducionismo, filho legítimo da vulgata marxista, apenas perpetua as doutrinações e a incompreensão, sem lançar nenhum raio de luz na discussão.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Manobras autoritárias


Lula deu nesses dias uma entrevista a blogueiros. Não sei ao certo qual estilo de entrevista, se foi algo mais direto e reto ou se sofreu algum tipo de mediação oficial, o que empobreceria um pouco, sem dúvida, o teor de inquirição que deve haver por parte do entrevistador em relação ao entrevistado. De qualquer forma, o que mais interessa são algumas das declarações do mandatário da República, como sempre, absolutamente dignas de total reprovação.
O presidente afirmou que a “imprensa velha” falta com a verdade e trata o povo como massa de manobra. Não ficou claro o que Lula entende por “imprensa velha”, embora depreenda-se, evidentemente, que ele tenha se referido à imprensa que faz oposição ao seu péssimo governo. Lula, como bom representante de um partido com nítido viés autoritário, crê que esse papel não caiba à imprensa, o que faz pensar também que em seu ponto de vista, ela sirva apenas como caixa de ressonância para os supostos benefícios gerados pelo poder estabelecido. Lula não é, jamais foi e nunca será defensor de uma imprensa livre e sem rabo preso com o governo, como ocorre em qualquer democracia madura.
Muita gente no Brasil acha que o tema imprensa livre é falácia devido ao fato dos veículos mais conhecidos serem de propriedade de alguns grupos bem restritos. Esses se esquecem da existência de veículos pró-Lula e pró PT, como Caros Amigos, Hora do Povo, Revista do Brasil, ou até mesmo Carta Capital. Seriam esses todos representantes da “imprensa nova”? Talvez sim, partindo das declarações de Lula,  mas o certo é que a imprensa que se opõe ao governo, algo perfeitamente normal em países democráticos, é considerada “golpista” pela turma autoritária. Cabe perguntar se também apontam que a imprensa situacionista de hoje foi golpista na época de outros governos. A verdade é que existe um pessoal que em nome da ideologia, tem justificativa para tudo...
Fora isso, o presidente ou é cínico, ou é néscio. Dada sua aversão ao conhecimento e à falta dele próprio, a segunda opção é mais crível. É de causar extremo estarrecimento assistir ao ícone máximo do assistencialismo populista atribuindo à imprensa a alienação do povo. É a atual política "social" do governo petista que faz com que os mais necessitados naufraguem ingenuamente no canto de sereia desse tipo de prática. São os mais desprovidos de informação que veem na figura do presidente um messias! Pensando bem, além de néscio, Lula é cínico.
O mandatário declarou ainda que pretende estabelecer antes do fim desse ano um projeto que prevê a “regulamentação” da imprensa. O presidente, na cola do que já disse anteriormente o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, entende que a tal regulamentação existe em países da Europa e nos EUA e que isso não representa censura. Ao se observar as aproximações que o atual governo promoveu em âmbito internacional, no entanto, é legítimo duvidar que qualquer lei de imprensa que Lula tente implantar no Brasil vá seguir o exemplo do que acontece em nações desenvolvidas. É muito mais provável supor que Venezuela, Irã ou Coréia do Norte atuem como espelhos da “regulamentação” petista.
Além do mais, o termo “regulamentação” também ficou vago. Uma agência seria responsável por isso? A partir de quais critérios, com quais interesses? A seguir pela esteira do costumeiro aparelhamento político-ideológico vigente no atual governo, coisa boa é que não vem, longe disso. Lula acha que Getúlio Vargas foi o governante exemplar, magnânimo, assim como um número significativo de brasileiros também pensa. O Brasil pode estar à beira do DIP do século XXI. Quanto tempo será que eles levam para descobrir o Aristaire?
Nenhum governo autoritário jamais aceitou a ideia de que o cidadão é livre em suas escolhas, opiniões e formas de pensamento, cabendo então ao poder estabelecido, segundo o paradigma do autoritarismo, “instruir” as massas no correto curso da causa. É uma necessidade histórica e quem desviar do caminho é porque foi engolido pelo movimento inexorável da marcha histórica, devendo ser eliminado como marginal e incapaz. Num Brasil tomado cada vez mais pela ignorância e pelo processo deliberado de massificação, o autoritarismo tem sua tarefa facilitada.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A bruxa que mora ao lado


Tornou-se lugar-comum afirmar que o PT está no poder já há 8 anos, com mais 4 garantidos, graças ao eleitor das regiões mais pobres do Brasil, o que não deixa de ser verdadeiro em se tratando de números absolutos. Todavia, sabe-se que Dilma seria eleita mesmo sem o Nordeste, no qual se encontram os piores indicadores sociais do país.
O assistencialismo populista é sórdido e cruel ao extremo, mas altamente eficaz quando tem o objetivo de iludir o povo desprovido de informação e conhecimento. Sempre foi assim em todo e qualquer regime autoritário, não seria então, diferente no Brasil. Os rincões da miséria padecem da ignorância, dos descaminhos da educação e da sanha de poder de quem governa a nação, mas o eleitor desses locais não deve levar a culpa, justamente em virtude de sua incapacidade de enxergar o óbvio ser fruto das próprias práticas dos comandantes políticos, para os quais é vital manter as massas debaixo do espesso véu do obscurantismo. O pão e circo é aqui e agora.
Em verdade, os responsáveis pelo poder outorgado ao PT estão em latitudes bem mais distantes da linha do equador. A parcela das camadas médias urbanas provinda dos centros intelectuais do Brasil é aquela a quem o atual governo deve render graças. Essa gente, em sua grande maioria, vem sendo educada há cerca de 25 anos com base nas cartilhas doutrinárias do mais vulgar marxismo, estando seus representantes imbuídos do ódio de classe que emana de tal ideologia.
O PT não estaria no poder caso a diferença de votos pró-PSDB fosse maior no Sudeste, no Sul e em parte do Centro-Oeste. Essa diferença não se observa desde o pleito de 2002 exatamente em função da intelectualidade esquerdista e doutrinária que se considera conhecedora única do caminho reparador das injustiças sociais. Marcelo Adnet, carioca, ícone do público adolescente e dos jovens “descoladinhos”, apresentador da MTV, é um dos representantes mais influentes dessa turma. Recentemente, Adnet promoveu em seu programa uma sátira crítica direcionada a quem ele e seu pessoal consideram de direita, da “zelite fascista”, isto é, os eleitores tucanos e os que fazem objeção ao PT, os quais sofrem todo tipo de acusação. Quem quiser pode encontrar o vídeo no YouTube, devendo inclusive observar os comentários que lá são feitos. Todos os que olhei (fui até a terceira página) tecem loas a Adnet. O ódio classista e o autoritarismo são pródigos em acusar seus opositores, mas essa gente não atenta para o fato de que a cisão que hoje caracteriza marcantemente o panorama sócio-político do Brasil é o substrato para os discursos deles próprios. O maniqueísmo “nóis vs.eles” é típico do atual governo, assim como os “dois Brasis”. Quem é raivoso e cheio de preconceitos?
Ainda segundo Adnet, a oposição faz parte da tal “zelite” que não quer ver o povão se dando bem. É difícil ser mais rasteiro e simplista do que isso. De qual elite fala o apresentador da MTV? Da elite política, da elite universitária da qual ele próprio saiu, (um aluno de universidade custa no Brasil muito mais do que um estudante da base) ou da elite empresarial? A maioria desses está com o PT, senhor Adnet...
Intriga também o fato de Adnet ser funcionário de um canal televisivo cuja programação se dirige ao público adolescente, idiotizado em boa parte, e rendida à péssima qualidade do pop comercial. Nada mais “consumistazinho”, nada mais capitalismo à la Miami ou Beverly Hills.
Para os doutrinários, o PSDB é um partido elitista, composto por quadros e eleitores de “direita”. Não lhes ocorre que o discurso tucano, salvo raras exceções, tem mais semelhanças do que diferenças para com o PT, ambos pautados na massificação do consumo popular via crediário e no crescimento do PIB, como se estes fossem indicadores reais de desenvolvimento. Não passam de dois pilares programáticos que em comparação com o que se verifica em países desenvolvidos, podem ser considerados conservadores e retrógrados. Grande paradoxo que os que se opõem a essas visões sejam acusados de conservadorismo!
Durante a campanha presidencial, uma das propagandas tucanas mostrava uma mulher de baixa renda dando à luz, o que facilmente poderia fazer parte da campanha petista. Em essência, o exemplo revela que estrelas e tucanos bebem água da mesma fonte, ou seja, satisfaça o povão acentuando ainda mais sua condição improvisada, cambaleante e miserável. Não há nesse tipo de conduta objetivo algum de melhorar a vida dos mais necessitados a partir da geração de oportunidades e de modo a lhes conferir verdadeira dignidade. Nada mais do que... pão e circo.
Adnet provavelmente sabe quem é Daniel Piza, que num domingo desses escreveu em sua coluna no Estado de São Paulo mencionando a indagação humanista, é correto gerar filhos sem ter condição de sustentá-los? Já quanto a Evaldo Cabral de Mello, nascido em Recife, temo que nosso apresentador não o conheça. O mais arguto e sofisticado historiador brasileiro, posto que divide com José Murilo de Carvalho, afirmou que caso o Brasil tivesse sido alvo de uma política de planejamento familiar na década de 1950 ou 1960, o país estaria numa situação bem mais favorável. Adnet e os que pensam como ele, certamente acreditam que Piza e Cabral de Mello são nazi-fascistas defensores da eugenia. Eu e todos os brasileiros que não gostam do assistencialismo populista, do autoritarismo, da sanha de poder, da autoindulgência, do culto à personalidade, dos impostos sufocantes, da corrupção sistemática, do aparelhamento da máquina pública, da desvalorização do conhecimento, do desdém à educação, da completa ausência de políticas ambientais e do atraso tecnológico, também carregamos essa pecha. Somos todos vizinhos próximos da inversão de valores, essa personagem funesta, sempre à espreita e botando sua fuça de bruxa para fora da moita.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Espectro político: uma ideia confusa e cristalizada *


O espectro político tal qual é conhecido atualmente, isto é, esquerda - centro - direita, surgiu no final do século XVIII com a Revolução Francesa. Naquela época, quando da realização das sessões na Assembleia Nacional Revolucionária, o posicionamento ocorria de forma que os radicais, que aspiravam por mais democratização, acesso à terra e zelavam pelos interesses dos camponeses e pequenos comerciantes, chamados de jacobinos, sentavam-se à esquerda do orador, já aqueles que pertenciam à alta burguesia, grandes comerciantes e industriais, designados por girondinos, ficavam à direita. No meio, finalmente, ficava o pessoal da planície, o que hoje chama-se de centro e que naquele contexto era composto por quem “dançava conforme a música”. Cabe notar que, de forma geral, tanto a direita como a esquerda eram grupos revolucionários que haviam lutado contra o Absolutismo e contra os privilégios da nobreza, ambos, desse modo, empreenderam a revolução. Isso não é tão óbvio quanto parece para muitos dos nossos contemporâneos.
Passaram-se mais de duzentos anos desde então, tempo no qual o mundo assistiu a uma série de mudanças que tornam a realidade do século XXI completamente diversa da França revolucionária. A despeito disso, a questão do espectro político parece ter se cristalizado e, assim sendo, é utilizada de maneira semelhante ainda em nosso tempo, com todas as confusões e anacronismos que tal fato é capaz de gerar.
Uma consequência advinda dessa cristalização é a ideia simplista e obtusa de que a esquerda pode ser associada a tudo que é justo e igualitário, enquanto que à direita, coube a pecha de reacionária, preconceituosa e dominadora. É evidente que surgiu ao longo do tempo uma esquerda que pode ser dita progressista, democrática, laica e desprovida do ódio de classe. Mais evidente ainda, é o fato de que, do mesmo jeito, existe uma outra esquerda, antípoda do progressismo, aferrada a dogmas mundanos, a ideologias datadas, fortemente autoritárias, historicamente falidas e carregadas até a raiz de profundo ódio social.
Embora com a direita uma ponderação do tipo não seja tão nítida, não pelo menos no Brasil de hoje, onde talvez nem exista um pensamento genuinamente direitista, também é correto supor que as mesmas diferenciações sejam críveis. Assim, se há a direita religiosa, conservadora, - muito menos capitalista do que imaginaria qualquer jacobino moderno de plantão -  que não gosta da ciência e não enxerga que o fator liberdade pode e deve coadunar-se com a igualdade, como já ensinou Tocqueville, há também outra direita contrária a essa, pró-capitalismo devidamente organizado, defensora das liberdades civis, do direito de escolha e que aposta na gestão inteligente e democrática da sociedade como forma de correção de injustiças.
Alguém poderia protestar afirmando que essas relativizações nada mais são do que uma caracterização do centro. Bem,... a esquerda autoritária costuma qualificar o centro como sendo a direita envergonhada. Uma boa resposta para tanto é replicar designando-o como esquerda arrependida. Muito mais válido e proveitoso do que estabelecer rotulações vazias vindas no mais das vezes de quem costuma se posicionar nos extremos do espectro, é observar que os caminhos tortuosos que perfazem as temporalidades da história pedem uma mais atenta e minuciosa consideração dos contextos, das variedades oriundas do próprio passar do tempo, do espaço e dos aspectos socioculturais que marcam as diferentes sociedades. Essa maior atenção evitaria aberrações tal qual a acusação clichê de fascista feita por quem se define como sendo de esquerda ao defender, veja só, um governo nacionalista e centralizador, dirigida contra alguém que se posta mais ao centro. Evitaria ainda que aqueles que se colocam como direitistas puros pudessem chegar ao ridículo de tachar como esquerdista radical a quem defende a ciência e a democracia. Existe muito mais entre um extremo e outro do espectro político do que supõem as vãs ideologias.
Qualificações rasteiras têm como único resultado confusões quixotescas. O espectro político, caso ainda seja da vontade de tantos continuar a utilizá-lo, requer atualizações e ponderações bastante específicas e historicizadas. Os rótulos vazios, adotados em geral pelos mais puristas e fomentadores da discórdia, possuídos da crença odiosa de que um governo bom necessita derrotar ou até eliminar um ou outro setor da sociedade, não pode permanecer como essa maneira insistente e acusatória que costuma ocupar o lugar das formas de pensamento isentas de paixões, alicerce de qualquer análise racional.

* O presente artigo é especialmente dedicado aos alunos Mario Amadeu, Renan Spinola e Tiago Castagnet, sempre muitíssimo interessados em temas políticos e filosóficos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

As chagas petistas e o embuste nacional (da série "Para o Brasil seguir afundando")


"O PT foi o partido que mais investiu no social." MENTIRA!
O governo Lula foi ótimo para as classes mais ricas, que o digam Eike Batista, os grandes empreiteiros, como a alta cúpula da Odebrecht, ou a família Sarney, que possui um quintal chamado Maranhão. Quanto aos mais pobres, apenas a baixíssima instrução dos mesmos e a sandice ideológica de muitos intelectualóides marxistas pode fazer acreditar que o assistencialismo populista ajuda os miseráveis a sair da miséria. Ao contrário, apenas os perpetua no lodo da pobreza. Vale ressaltar que o boom demográfico que já vem se verificando em alguns rincões, face ao assistencialismo, poderá resultar a médio e longo prazo numa tragédia sem precedentes.

"Os números do governo Lula são melhores do que os da era FHC." MENTIRA!
Além de não haver termo de comparação entre o Brasil de hoje e o Brasil pós-hiperinflação, todos os números, ilusórios e falsos em muitos casos, como no que se refere ao crescimento absoluto do PIB, são herança bendita do ajuste econômico realizado por FHC. O governo petista apenas seguiu o que já havia sido feito no período FHC em relação à política econômica, já os investimentos em educação, tecnologia e infraestrutura (o PAC jamais passou de embuste grosseiro, muitas de suas obras, ou estão estão paradas, ou nunca saíram do papel) foram ínfimos ou inexistentes. Entre 2003 e 2007, ainda que os ventos da economia mundial tenham soprado a favor, o crescimento brasileiro foi ínfimo. Daqui para a frente, na contramão do que Lula adora bradar do alto de sua ignomínia autoindulgente, o Brasil, que durante seu governo inepto dormiu sobre os louros dos commodities, irá sofrer penosamente com a redução do dólar e com a queda acentuada na demanda dos países desenvolvidos.

"Durante o governo Lula, milhões de pessoas subiram a escada da pirâmide social." MENTIRA!
Com uma carga tributária tentacular e usurpadora que recai sobre a classe média, aquela que mais trabalha e produz no Brasil sem ter acesso a qualquer serviço público que preste, foi ela que empobreceu para bancar o assistencialismo populista do PT. A dívida interna do país é altíssima, incompatível com o viés estatólatra e atrasado em 80 anos, característica típica do discurso embusteiro do PT e da turminha que se acha de esquerda, gente que tem o péssimo hábito de considerar o Estado superior à sociedade. A capacidade de investimento estatal está mais do que saturada, só poderá se manter às custas do colapso da classe média e do setor produtivo. Vamos ver como o fantoche Dilma irá lidar com tal questão. Já em relação à suposta ascensão social dos mais pobres, nada mais se verifica do que um aumento do consumo de produtos, muitas vezes, de qualidade inferior e pautado em crediário de longo prazo quando se trata de bens duráveis. Até quando esse quadro poderá se manter às expensas do próprio Estado, do contribuinte e das instituições da República, é uma boa (e assustadora) pergunta.

"Com o PT no poder, a imagem do Brasil melhorou no exterior." MENTIRA!
Essa panaceia incapaz de enganar qualquer pessoa com um mínimo de nível cultural, vira e mexe é propalada por desavisados e pelas hostes petistas, motivada muito em função da famosa (e dúbia) declaração de Obama e do que saiu escrito nas imprensas francesa (depois da compra dos obsoletos caças Dassault pelo governo Lula) e espanhola (que depois voltou atrás). O Brasil é bem visto em países subdesenvolvidos e ditatoriais, como Irã e Cuba, graças à horrenda política externa de Lula em conchavo com seus amiguinhos tiranos. No mundo desenvolvido, o Brasil continua sendo visto como nação miserável e na qual impera a lei da selva, famoso apenas pelo Carnaval, pelo futebol, pela cerveja e pelos traseiros femininos, fonte de exploração sexual em tantos casos. Visão essa que, infelizmente, é muito próxima do correto. Depois que Lula se comportou de maneira vexatória e execrável no episódio Zapata, a imprensa espanhola desaprovou fortemente sua conduta, o mesmo acontecendo com a opinião pública em várias partes do planeta. Não é à toa que uma mente decrépita como a do ancião totalitário e arquiteto fajuto Niemeyer, apoia Lula e o PT. E muitos brasileiros bobos e ufanistas babam ovo para aquele que projetou Brasília, o paraíso da corrupção no Brasil.

Afora todos os embustes petistas, nunca antes no Brasil como durante a era Lula a corrupção foi, não como muitos afirmam, uma prática usual (e ilícita) no país, mas uma forma institucionalizada de aparelhar a máquina pública e açambarcar e garantir a manutenção do poder (Zé Dirceu vem aí de novo). Não vou nem mesmo me estender a respeito da péssima política ambiental do PT ou da questão das privatizações, aspectos outros que servem para expor as chagas petistas, (pouco e mal exploradas pela oposição) pois outrora já tratei de tais fatos, mais de uma vez. Fica apenas uma indagação: e então, PSDB, vai continuar apostando em políticos fracos, sem apelo nem liderança nacional, vai continuar em cima do muro com discursinho social-democrata, ou vai adotar uma postura liberal-clássica, dando ênfase a um Estado eficiente e enxuto, acentuar a importância da educação, da ciência e da tecnologia, abordar questões urbanísticas e ambientais, lutar pelas reformas tributária e previdenciária, enfim vai fazer oposição de verdade, batendo forte na corja petista? 2014 não demorará, isso se houver eleição...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A balela petista do "petróleo é nosso"


É fato banal e sabido por muitos mundo afora, que economias cujo foco principal se concentra na exploração de recursos naturais, principalmente o petróleo, estão bem longe de ser desenvolvidas. O acesso à riqueza gerada por esse tipo de recurso é apanágio único e exclusivo, conforme o caso, dos chamados sheiks do petróleo (na maior parte dos países do Oriente Médio) ou de autocracias governamentais (na Venezuela, no Equador e na Indonésia). Enquanto isso, o quadro brutal de desigualdade faz com que a maioria da população dessas nações tenha que comer o pão que o diabo amassou na dependência da agropecuária rudimentar para se manter. Não é à toa que nesses paises os governos sejam absolutamente nacionalistas e autoritários, pois eles próprios se locupletam dos petrodólares, tampouco são governos que investem na diversificação da economia (qualquer semelhança com o que vem se delineando no Brasil de hoje, não é mera coincidência). No Oriente Médio, por exemplo, as nações mais prósperas são Israel e Turquia, não-produtoras de petróleo, exatamente porque possuem indústria mais desenvolvida e diversificada e terciário mais avançado. O único caso de nação petroleira que foge um pouco à regra se dá com os Emirados Árabes, que ultimamente abriu sua economia ao turismo internacional. De modo geral, é fácil notar que nenhum membro da OPEP é desenvolvido, muito pelo contrário, são países pobres, ou no máximo emergentes, como o próprio Emirados Árabes ou o Kuwait, cuja política tem grau um pouco menor de autoritarismo.
Mesmo a despeito dessa obviedade, já exaustivamente discutida há tempos por tantos analistas, o Brasil, terreno fértil do estatismo fossilizado desde a Era Vargas, passando pelos milicos e chegando ao atual governo, continua pródigo em lançar os mais ridículos clichês provenientes de tal mentalidade provinciana. No ano passado Lula divulgou o marco regulatório da exploração da camada do Pré-Sal, acompanhado do patético slogan (referindo-se ao petróleo) "Patrimônio da União. Riqueza do Povo. Futuro do Brasil". Do ponto de vista econômico, é uma balela difícil de ser superada em seu equívoco. Mas quem no Brasil consegue enxergar essa falácia? Poucos, muito poucos. Do ponto de vista ideológico, entretanto, tem funcionado como uma arma poderosa no discurso populista do PT, já que ciente do viés estatólatra de grande parte da população tupiniquim, o tema do "petróleo é nosso" tem aparecido a todo momento na campanha eleitoral de 2010. Campanha essa que se resume à comparação entre o governo atual e o anterior, ainda que a comparação seja completamente non sense e carente de parâmetros. Jamais a privatização da Petrobrás foi discutida a sério, governo nenhum aventou a possibilidade de leva-lá a cabo. Não é nada surpreendente que nos grotões da ignorância, aqueles que são vítimas e mentes cativas do assistencialismo petista, nada saibam sobre o assunto e caiam como mosquitos ingênuos na teia dessa propaganda nefasta. Estarrecedor é o fato de muita gente com nível de instrução suficiente comprar e bater o pé em defesa do discursinho mentiroso e arcaico do atual governo.
Como se não fosse a tão evidente questão ambiental, um assunto planetário, que por isso mesmo não atrai a atenção das umbigadas nacionalistas e que manda diminuir o afã do petróleo, (já abordei aqui o potencial eólico e solar do país, desprezado pelo governo do PT, que cortou verbas dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia) o tema do petróleo envolve para o Brasil outros pontos que são varridos para baixo do tapete no atual governo.
Para aqueles que tecem loas ao petismo, cabe perguntar no que se traduz exatamente o lema do "petróleo é nosso". Nos investimentos que a Petrobrás realiza em países latinoamericanos nos quais grassam ditaduras? Ou no aparelhamento partidário e fisiológico que essa estatal sofre? Em função disso, será que a Petrobrás é realmente pública, será que seus altos cargos são preenchidos a partir de critérios meritórios? Quem sabe o lema do "petróleo é nosso" não se materialize na verba destinada às ONG´s petistas? Sobre isso, alguém já se perguntou como uma ONG pode ter partido? O que são ONG´s no Brasil? No governo do PT, têm sido braços do próprio governo. ONG´s a serviço do governo..., trágico! E as verbas que a Petrobrás repassou à cooperativa do MST? O petróleo é deles! E a CPI da Petrobrás? Por que o atual governo jamais foi em frente nessa discussão? Voltando ao tema ambiental, o governo alguma vez discutiu, de modo superficial ao menos, os possíveis impactos ecológicos que podem resultar da exploração nas águas profundas do Pré-Sal?
A balela do "petróleo é nosso" continuará a ser propalada pelo governo, muitos incautos permanecerão comprando essa cretinice, nada mais do que a cara do Brasil. Se a candidata do governo nas eleições presidenciais vencer o pleito, a demência do ouro preto invadirá de modo mais agressivo as mentes sujeitas à propaganda autoindulgente, característica do autoritarismo petista. Todavia, ainda é tempo de evitar a tragédia do continuísmo Lula-Dilma (Zé Dirceu). Que prevaleça, então, o bom senso, se é que ele ainda existe...

domingo, 10 de outubro de 2010

A hora do bom senso


De acordo com a primeira pesquisa de intenção de voto para a presidência da República no 2° turno, divulgada ontem (09/10) pelo Datafolha, e a partir do que já se verificou no 1° turno, no qual a vitória da candidata petista dada como certa não se confirmou, a disputa de 31/10 deverá ser acirrada. O candidato do PSDB, no entanto, ainda precisa tirar uma diferença significativa em relação à sua adversária para que possa se sair vitorioso.
Não é difícil projetar uma derrota do PT caso a maior parte do eleitorado que votou em Marina Silva, independente de qualquer aliança política que possa ser costurada, usasse o bom senso e desse seu voto para José Serra. Quem votou na candidata do PV o fez por falta de opção, porque tem restrições tanto quanto a Dilma, como também ao tucano. A diferença é que agora no 2° turno, não restam opções, ou vence o menos pior, que pode ter vários defeitos, como por exemplo, a falta de ideias novas a respeito de ciência e tecnologia, ou mesmo sobre meio ambiente, ou permanece no governo o partido que, além dos mesmos vacilos da parte tucana, já se mostrou capaz de tudo pelo poder, que adota práticas populistas para iludir a massa de pobres, que mantém os privilégios dos ricos, que enforca a classe média, que aparelha a máquina pública e que possui claríssimo e inegável perfil autoritário. Com maioria no Congresso, a chance do PT fazer avançar ainda mais sua sanha bolchevique é bastante grande. Seria uma tragédia para o já combalido Brasil.
Marina Silva nunca esteve preparada para comandar o Executivo. É uma figura política sem expressividade e sem força, haja vista que durante seus anos de ministério no governo do PT, nunca conseguiu colocar em prática qualquer uma de suas políticas ambientais. Aliás, alguém sabe quais são as ideias de Marina -  ela que construiu seu perfil político com base na defesa ecológica - acerca do tema? Obviamente, o insucesso da acriana como ministra do Meio Ambiente não foi apenas culpa sua, dado que um partido da linha ideológica do PT jamais teve preocupações em relação a isso, mas a inépcia ajuda a revelar sua fraqueza. No fim das contas, teve de deixar o partido de Lula e Dilma. Seu estereótipo bonzinho, de fala mansa e suposta ponderação, nunca foi mais do que muleta de discurso, artifício típico a denotar carência de ímpeto e poder de realização. Quem sabe um dia Marina Silva não venha a ser uma figura política de peso? Cabe lembrar a reboque, que durante o governo PT, o desmatamento na Amazônia atingiu recorde histórico em 2008/2009, (Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente em maio de 2008) sem mencionar o Cerrado, que vive situação ainda mais desesperadora. O governo do PT, seus ideólogos e os ruralistas (dentre esses últimos, a maioria eleita na semana passada para representá-los no Congresso, apoia o PT) nunca mencionam o Cerrado, já que o plantio de soja que devasta cada dia mais esse ecossistema é a base principal do agronegócio que sustenta o ilusório crescimento do PIB no governo Lula, salientando-se o fato de que mais de 90% dessa soja não se destina ao consumo humano.
No embate político vigente no Brasil, adeptos festivos do petismo, aqueles que caem no papo furado de tantos professores uspianos e puquianos, todos eles beneficiários de feudos obtidos por meio do jeitinho brasileiro no interior da máquina pública, recorrem desesperados ao argumento da falência da educação paulista supostamente causada pelo PSDB. Balela total! A educação  pública vai de mal a pior no Brasil inteiro desde a época da ditadura militar (que Lula tanto gosta de citar positivamente), bem antes dos tucanos existirem. Não que esses tenham feito melhoras no sistema educacional de São Paulo, muito pelo contrário, mas daí creditar o sucateamento aos mesmos, é má fé ideológica. Ademais, quem são os petistas para falar em educação se o seu Sassá Mutema é o apedeuta mor da nação?!
Outras falácias do petismo abordam os números da economia, hipoteticamente melhores na era Lula do que no governo de FHC. Primeiramente, como já vem sendo ressaltado por analistas isentos e pelos próprios dados do IBGE sobre o IDH, o crescimento do PIB lulista é ilusório, baseado em commodities e brutal com relação ao meio ambiente. Segundo, aqueles que boicotaram exaustivamente o ajuste da economia, feito por FHC, não podem abrir a boca para mencionar esse assunto. Se hoje existem números melhores do que nos anos 90, a reforma econômica tucana é que possibilitou ao PT surfar na onda.  Fora isso, também é má fé ideológica comparar o Brasil de 15 anos atrás com o de hoje. Essa gente petista não entende mesmo como funciona a economia globalizada! Curioso que Lula e os petistas não fazem cerimônia para falar de "herança maldita", mas nunca tiveram a honra de pensar na "herança bendita".
Finalmente, as privatizações não poderiam deixar de ser alvo da demonização petista. No caso da telefonia, quem tem um mínimo de memória sabe o quanto a burocracia do monopólio estatal no setor atrasava a vida e sugava o bolso do cidadão. Se hoje o serviço tem falhas, por outro lado, proporciona poder de escolha e preços acessíveis, graças à concorrência. A crítica das viúvas do Estado é ainda mais forte quanto à Vale e à CSN, no que então não custa sempre lembrar que o prejuízo dado por ambas quando pertenciam ao monopólio estatal era monstruoso. Hoje, além de serem lucrativas, cerca de 60% do capital é nacional. A manjada tese estatólatra das "perdas internacionais", que faz com que os petistas deem as mãos ao defunto Brizola, não passa de embuste deslavado! Agora, cabe perguntar a esse pessoal o que têm a dizer sobre a privatização da máquina pública, essa sim criminosa e típica das práticas políticas do PT. Tudo para se manter no poder, não é mesmo?
Marina foi boicotada enquanto ministra no governo petista, Marina deixou o PT. Marina filiou-se ao PV, partido que se mostra avesso ao autoritarismo. Não sabemos ainda se a acriana e seu partido darão apoio a alguém na disputa do 2° turno, considerando ainda que uma aliança política, especialmente no Brasil de hoje, costuma escapar à questões de ponderação. Independente disso e deixando de lado as alianças e o partidarismo, qualquer dúvida sobre qual deve ser o voto do eleitor de Marina em 31/10, já está desfeita há muito. Apenas sou mais um, dentre tantos, a fazer coro contra o que há de pior na história da política brasileira na Nova República, isto é, contra aquilo que se chama PT.
Oxalá a luz da razão possa emanar os ares de sua bonança e se fazer presente com toda força na mente do eleitor brasileiro, ao menos entre os marineiros!

domingo, 3 de outubro de 2010

Brasileiro vai às urnas


Neste domingo, no momento mesmo em que escrevo estas linhas, o povo brasileiro se encaminha na direção das seções eleitorais para dar seus votos nas eleições presidenciais, estaduais e do Poder Legislativo. Na cabeça do brasileiro, o voto é o instrumento máximo da democracia, ideia que chega a ser corroborada até mesmo por boa parte da imprensa. As eleições são realizadas de tempos em tempos, tendo portanto caráter pontual, além do que, num país onde a consciência política de grande parcela de sua população é deficiente, se esquecendo em quem votou depois de alguns dias, e onde ainda os políticos formam uma casta privilegiada, não há democracia que possa se sustentar apenas esporadicamente em época eleitoral. Não, democracia não é isso, não apenas, pelo menos.
Em sociedades politicamente maduras, a democracia é uma questão cultural, o que enseja e desenvolve, por assim dizer, uma cultura democrática. Nesse tipo de sociedade, o cidadão é possuidor de liberdade politica não somente porque tem direito de votar, mas porque, sobretudo, tem a capacidade e a disposição de exercer sua cultura democrática no cotidiano, prática que se traduz pelo espírito associativo concernente ao diálogo e à cobrança em relação aos políticos. Cidadania, em outras palavras. E nisso, os canais participativos indiretos que hoje em dia são oferecidos ao cidadão, se mostram muito maiores, por exemplo, do que na Atenas clássica com sua democracia direta. Esse mecanismo revela também que o conceito de "democracia burguesa" não passa de falácia ideológica da velha esquerda autoritária.
No Brasil, em contraponto a esse sistema, a fragilidade do espírito associativo, como já elucidado por nomes do quilate de José Murilo de Carvalho, Roberto da Matta e Evaldo Cabral de Mello, não permite que o mesmo seja exercido dentro da política. Em nosso país, o maior exemplo de espírito associativo ocorre no Carnaval, festejo externo à política, que dura 5 dias por ano e que não possibilita nenhum ganho em termos de cidadania, muito pelo contrário. Não surpreende que em uma democracia coxa como a nossa, o voto seja obrigatório, pois além do próprio cidadão nutrir a ilusão de que votar faz dele um partícipe do processo democrático, muitos políticos necessitam do voto das massas em catarse para alcançar ou manter o poder. Em democracias consolidadas, o voto é apenas mais um dentre tantos mecanismos de atuação política, nem de longe o principal. Além disso, a representatividade abarca muito mais elementos do que o fato do cidadão ter votado ou não. O voto facultativo vigente em muitas democracias maduras é sempre um aspecto construtor de consciência política e a abstenção, um forte sinal de protesto quando há algum descontentamento em relação aos políticos. Já em países como o nosso, o voto obrigatório é fator essencial para o vicejar do populismo e do assistencialismo e para a perpetuação dos privilégios da casta política, amparada por votos conquistados na base do cabresto moderno, o marketing, ele próprio vetor de tantas políticas de "pai dos pobres", comuns no Brasil petista. Sendo assim, o que há de surpreendente na eleição de um Tiririca ou de um Netinho?
O paradoxo de nossa democracia de isopor atinge até mesmo detalhes mínimos, como o fato de que para se votar a partir de agora, já não basta apenas o Título de Eleitor, porém, para se obter um passaporte, esse documento deve ser apresentado, além dos comprovantes de votação na última eleição. É a cara do Brasil!
Pensando em resultados e nos prováveis eleitos, o quadro é ainda mais desanimador. No pleito presidencial, as pesquisas mostram que a maioria do eleitor brasileiro dará o voto mais conservador da Nova República, fazendo continuar a corrupção sistemática, o aparelhamento da máquina pública, o autoritarismo, a incapacidade gerencial e a ilusão do crescimento da economia baseado em commodities. Nunca antes na história desse país o eleitor foi tão cretino!
Aqui no Estado de São Paulo, para ficar apenas na análise da disputa pelo governo, sem  entrar no mérito da eleição senatorial, na qual  o resultado poderá ser aberrante, também o conservadorismo dá o tom. É lamentável observar como os paulistas não conseguem escapar à polarização PSDB-PT. Aloizio Mercadante, que pertence ao partido que tão bem representa o que foi escrito no parágrafo anterior, é o segundo colocado nas pesquisas. Já Geraldo Alckmin, um dos políticos mais anódinos de todos os tempos e que tal qual seu co-partidário José Serra, nada tem a dizer sobre urbanização, meio ambiente e tecnologia, lidera. Gente mais inteligente, como Fabio Feldmann, mal consegue atingir 1% na expectativa de voto. Isso também é a cara do Brasil!
É questão de horas para que a apuração seja completada e para que se confirme aquilo que já é previsto. E assim, mais um processo eleitoral estará findado, mais uma vez o ingênuo povo brasileiro será ludibriado e, como sempre, a democracia no país se mostrará apenas uma abstração a ser citada em vão por políticos corruptos, incompetentes, populistas, autoritários...

sábado, 25 de setembro de 2010

França (Paris)

  
Torre Eiffel

Chegou finalmente a hora de finalizar os relatos sobre o Eurotour. É a vez de Paris, etapa que colocou fim à estadia europeia.
É difícil escrever sobre Paris, por vários motivos: primeiro porque possivelmente, tudo o que eu relatar aqui a respeito da Cidade Luz, já é relativamente sabido por qualquer pessoa medianamente informada, segundo, devido ao fato de que há tantas atrações na capital da França, que o turista que fica por lá durante três dias, como no nosso caso, não consegue dar conta  de ver todas elas, evidentemente. Creio que até mesmo quem reside em Paris, se se propuser a contar o que há nela, não poderá fazê-lo de modo a não sentir uma forte sensação de incompletude a menos que escreva um guia. Pois bem, mesmo assim, vamos lá...
Paris é a cidade mais visitada do mundo. Não é, na minha opinião, a mais bonita, nem a mais dotada de valor histórico, nem a mais aconchegante, nem mesmo a mais charmosa. Concordo sim, em lhe atribuir o título de a mais glamourosa, aquela cuja visitação fecha como nenhuma outra uma viagem ao Velho Mundo. Visitar Paris é como completar um álbum de figurinhas, obtendo aquele cromo sem o qual fica faltando algo. Paris é um cartão postal não apenas da Europa, mas do planeta.
A torre Eiffel é indubitavelmente o ponto alto, a atração mais procurada da cidade mais visitada. Um gigante de ferro, mas que tem a leveza de uma pluma, a sublime elegância das formas, impõe-se sem esforço no meio da urbis, podendo ser avistada de vários pontos diferentes. Um monumento que hipnotiza e que traz em si toda a história da moderna Paris, transmitindo a clara impressão de que sempre esteve ali, mesmo tendo sido erguida apenas no final século XIX, época na qual Paris, justamente se modernizou. Não basta apenas vê-la, mas apreciá-la à luz do dia, no crepúsculo, quando suas luzes começam a ser acesas e finalmente à noite, quando oferece ao turista o esplendor total de sua beleza. Entrar na torre, tomar os elevadores e atingir o topo desse ícone da arte e da arquitetura mundiais, também é essencial, já que Paris vista do alto revela encantos, tanto quanto do nível do solo. Um cuidado que se faz necessário no passeio, diz respeito aos cafés que abundam as imediações da torre, uma vez que seu charme faz com que os preços sejam de exorbitância calamitosa. Ande um pouco mais além e encontre um estabelecimento com preços condizentes.
 

Arco do Triunfo

Outra atração que também remete diretamente ao conceito de urbanização que tornou Paris o que ela é hoje, é o conjunto Arco do Triunfo - Champs Elysées. Passear a pé pela avenida mais famosa do mundo e deparar-se com o Arco em toda sua grandiosidade neoclássica é como um rito de passagem que torna o visitante um turista de fato. O Arco do Triunfo situa-se num ponto central de onde se irradiam, além da Champs Elysées, mais onze avenidas, traçado urbano projetado pelo Barão de Haussmann no século XIX. A crítica marxista acusou a modernização haussmaniana de elitista e autoritária, pois a largura das avenidas e sua geometria reta eliminaram a sinuosidade até então vigente, impossibilitando a ocorrência das barricadas. Balela! Atualmente, o estado francês agradece as cifras que o turismo nas avenidas de Haussmann proporciona a seus cofres, assim como tantos marxistas já passaram por ali maravilhados com a exuberância advinda de um conceito de urbanização que até hoje é ausente em países subdesenvolvidos. Barricadas não melhoram a vida de ninguém, nem ontem, nem hoje, projetos urbanísticos, podem sim permití-lo, no entanto. Viva a Paris moderna, carregada de história! Vale ainda mencionar as tantas lojas e cafés presentes no conjunto das avenidas do centro de Paris, nem sempre com preços inacessíveis. A Sephora, na própria Champs Elysées, é uma megaloja de perfumes na qual se pode comprar das melhores fragrâncias do mundo por valores normais. Na Avenue de Wagram, o Caesar Café oferece boas refeições, igualmente a preços atraentes. Aproveite!


Museu do Louvre

No quesito arte, Paris conta em seu cardápio com o magnífico Museu do Louvre, que vai bem além da Monalisa. As atrações começam ainda na parte externa do museu, cuja construção impressiona pelo tamanho (são 700m de comprimento de cada lado do "U" que lhe dá forma), pela presença das Colunas de Perrault, uma emulação das ordens arquitetônicas da  Grécia Antiga, e das indefectíveis pirâmides de vidro. Já dentro do Louvre, é importante obter um guia (há a versão em Português) com a planta do museu a fim de percorrer suas infindáveis salas e corredores com mais desenvoltura. Este guia indica também as principais atrações do Louvre. São tantas: Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, Eros e Psyche, Código de Hamurabi, Muros do Palácio de Sargão, uma infinidade de sarcófagos egípcios, além da própria Monalisa e de inúmeros outros objetos de arte.


Notre Dame vista do rio Sena

A Catedral de Notre Dame é outro local famoso e que atrai muitos turistas. Não é a mais bonita igreja europeia, perdendo de longe para a Basílica de San Pietro e para o Domo de Colônia, mas suas gárgulas, suas rosetas de vidro e seus arcobotantes na parte traseira, fazem dela um incontestável símbolo gótico. Em conjunto com o Sena, já que fica situada na beira do rio, compõe mais uma das paisagens parisienses. Pensando no rio Sena, fazer um passeio de barco em suas águas limpas é também essencial. O trajeto parte do ponto em frente à Torre Eiffel e percorre alguns dos locais de maior interesse em Paris, ficando o destaque para a ponte Alexandre III, considerada a mais bonita do mundo e que pode ser apreciada bem de perto.


Jardin du Luxembourg

Igualmente atraentes são o Quartier Latin, com seu imponente Pantheon, a bela igreja gótica de Saint Etienne e a Sorbonne, a Sacré-Couer, basílica com elementos arquitetônicos arábes e situada num local de onde se tem uma vista panorâmica de Paris e principalmente, o fantástico Jardin du Luxembourg, uma espécie de parque que possui um projeto paisagístico de encher os olhos, com tapetes de grama verdejantes (especialmente no verão) recobertos pelas mais diversas espécies de flores e seu exuberante colorido, tudo muitíssimo bem cuidado.
Essas foram apenas a atrações que nós visitamos, havendo muitas outras em Paris. O certo é que a Cidade Luz fecha com chave de ouro uma viagem que todo mundo deve realizar um dia na vida!

domingo, 12 de setembro de 2010

Holanda e Bélgica (Amsterdam e Bruxelas)


Canal em Amsterdam

Olá! Hoje é dia de escrever sobre Holanda e Bélgica, os dois países que compuseram a penúltima etapa do Eurotour. Então, mãos à obra!
Começando por Amsterdam, capital holandesa, logo de cara o que mais chama a atenção do visitante é o agito da cidade, badalada, cosmopolita, vanguardista e liberal. Essa agitação, todavia, nunca passa a impressão de bagunça, sendo antes um elemento que perfaz a própria organização urbana do local. Os inúmeros canais, todos eles limpos, lotados de barcos e sempre margeados por árvores em profusão, dão o toque característico da paisagem. Um charme inconfundivelmente holandês! É impossível também não notar a quantidade gigantesca de bicicletas em Amsterdam. Estacionadas na ruas, nos pontos de locação, ou sendo usadas pelos cidadãos, requerem boa atenção do turista ao caminhar, mas são sem dúvida, um dos fatores que denota a qualidade de vida de quem habita a cidade.
A vida cultural oferecida pela capital holandesa é vasta, uma das mais fartas da Europa. Conforme o tempo disponível, o visitante não pode deixar de conhecer alguns dos museus da cidade, tais como o Rijks, a Casa de Rembrandt, o Museu Judaico, a Casa de Anne Frank e o Museu Van Gogh. O Rijks é considerado o mais tradicional, mas penso que a Casa de Anne Frank e o Van Gogh sejam os dois que devam ter prioridade. 
No caso do pintor holandês, pelo simples fato de possuir o maior acervo de telas do artista, passando por todas as fases de sua pintura. Não há como deixar de notar a evidência do gênio de Van Gogh, também porque as explicações oferecidas junto às obras, informam de modo extremamente detalhado sobre a fantástica, complexa e trágica gênese de sua obra. Depois de apreciar as belas pinturas, o visitante não deve deixar de adquirir a preços módicos nas lojinhas que cercam o museu, ao menos uma réplica de algum dos quadros do grande pintor holandês.
No que se refere a Anne Frank, o valor histórico do museu é inestimável. Aqui cabe um parênteses para abordar a polêmica que envolve a autenticidade do diário escrito pela menina, um dos documentos históricos mais dramáticos acerca da perseguição nazista ao povo judeu. Existem aqueles que, não totalmente desprovidos de razão, negam a autoria do Diário a Anne, sem no entanto incorrerem na negação do Holocausto ou no anti-semitismo. Particularmente, creio que certas partes do diário tenham sido manipuladas por Otto Frank, pai de Anne. Essas minúcias, porém, não desprezam o valor documental dos escritos e nem estão imbuídas de consequências políticas e ideológicas merecedoras de reflexão mais detida pelo público leigo. Levantam, é claro, questões teórico-metodológicas em relação a quem lida com pesquisa histórica, mas o documento, nesse âmbito, não é negado. Por outro lado, a corrente negacionista, - e aí já não estamos mais pensando apenas no Diário - sem nenhuma consistência teórica, apenas adotando os contorcionismos discursivos e a ausência de lógica e de pesquisa documental, recusa as evidências históricas do Holocausto e da perseguição aos judeus (e também aos ciganos). A consiliência de inúmeras provas, diferentes em natureza e no tempo-espaço, bem como os vários estudos a respeito do pensamento nazista, que jamais deixa de ir ao encontro do tema do preconceito racial e do extermínio dos "inimigos da causa", solução tipicamente totalitária, não interessam aos negacionistas, por um único motivo, a saber: o relativismo radical (e modista) dessa corrente tem um objetivo definido, que é reabilitar o nazismo como opção política, algo moralmente aterrador para aqueles que preservam a diferença fundamental entre certo e errado. Um dos maiores apóstolos do negacionismo, Robert Faurisson, declarou que Hitler jamais perseguiria alguém por conta de raça ou religião. Não pode haver mentira maior do que essa e não se pode chegar a outra conclusão, senão a de que Faurisson é um nazista convicto tentando conferir ternura  à ideologia hitleriana. Nos últimos tempos, tem sido trágico e curioso observar como muitas tendências de esquerda abraçaram o negacionismo ao associar os judeus com o capitalismo. Lamentável! Uma coisa é certa, estar na Casa de Anne Frank é se emocionar, pois remete a um dos períodos mais sombrios do pensamento e da história humanas, além de fazer sentir um reflexo do que o povo judeu sofreu durante a perseguição nazista. Visita imprescindível!


Oude Kerk - Amsterdam

O turista que vai a Amsterdam econtra ainda a beleza da arquitetura da Oude Kerk, a velha igreja, da Westertoren, torre com relógio na igreja onde Rembrandt foi sepultado, e do Koninklijk, palácio real da cidade, sem falar de outros tantos monumentos e construções. Interessante também, pela tipicidade local e pelo inusitado ao estrangeiro, é fazer o passeio pelo Red Light District, bairro onde ficam as prostitutas (que possuem carteira de trabalho assinada) e onde há certos estabelecimentos nos quais é permitido o uso de maconha. Quem pensa que fumar o entorpecente é permitido em qualquer lugar e a céu aberto, está muito enganado. Só nos estabelecimentos autorizados pelo governo, a uma quantidade limite por usuário e com pesados impostos recaindo sobre o preço da droga, o que contribui decisivamente para custear o tratamento dos viciados, que somam apenas 5% dos habitantes da cidade.
Em seu agito singular, Amsterdam não deixa de refletir a organização que se vê em toda a Europa. Vale muito a visita.


Atomium - Bruxelas

Após deixarmos a capital da Holanda, fizemos uma parada em Bruxelas, desta feita, capital belga e sede da União Europeia. Como a passagem pela cidade seria rápida, optamos por fazer um city tour em ônibus aberto na parte superior. Valeu a pena, apesar do veículo não acessar a praça central de Bruxelas. Partimos da bonita catedral gótica de Saint Michel e passamos pelo Atomium, grande estrutura em alumínio representando um átomo, construída em 1958 com o objetivo de revelar a pujança da indústria de base na Bélgica, pelo Palácio Real, com sua impressionante fachada neoclássica, pela sede da UE, composta de vários edifícios modernos e pelo o Arco do Triunfo do Cinquentenário Belga, construído para comemorar os cinquenta anos da independência da Bélgica e que não tem nem um terço da fama de seu primo parisiense, mas que em beleza, pode rivalizar tranquilamente com ele. O tour passou também pela estátua do Manneken Pis, pequena fonte que mostra um garotinho urinando e cuja inspiração talvez tenha sido a história do filho de um duque que urinou numa batalha, mas que não conseguimos ver, pois a parada no local foi rápida e pelo fato do monumento ser bem menor do que se possa imaginar. Assim foi a visita à simpática Bruxelas.
Agora só falta relatar a passagem por Paris, última etapa da viagem. Volto daqui uns dias, au revoir!

domingo, 5 de setembro de 2010

Suécia e Dinamarca (Estocolmo e Copenhague)


Storkyrkan, em Estocolmo

Hoje volto para cumprir mais uma etapa de relatos sobre o Eurotour. Será a vez de completar o roteiro na Escandinávia, passando por Estocolmo e Copenhague. No texto anterior, escrevi que Holanda e Bélgica também fariam parte da postagem seguinte, todavia, temo que se incluir esses dois últimos, o texto se torne muito longo e cansativo. Irei deixá-los, assim sendo, para um relato posterior. Feita a ressalva, sigamos viagem!
Depois de ver os fjords, tivemos pouco tempo para descansar na cidade de Hommelvik, centro-norte da Noruega, e seguir viagem no dia seguinte por cerca de 780 km até Estocolmo. Por sorte, teríamos 3 noites na capital sueca, o que nos daria a possibilidade de desacelerar um pouco após os momentos mais cansativos da estadia no Velho Mundo.
A chegada em Estocolmo ocorreu apenas no final da tarde. Era hora então de descansar até o o próximo dia, quando então, já refeitos, teríamos a oportunidade de desvendar a cidade. Estocolmo é normalmente considerada a mais charmosa das capitais nórdicas e um dos mais belos locais da Europa. Nem eu nem minha namorada concordamos com essa avaliação após dois dias inteiros passeando pela cidade. Obviamente, Estocolmo não é um lugar ruim, longe disso, mas perde de Oslo, na própria Escandinávia, ou de cidades em outras partes da Europa, como Berna. Apesar disso, a capital sueca oferece momentos bastante agradáveis, sempre com a baía entre o Mar Báltico e o Lago Malaren dominando a paisagem e servindo ao visitante como ponto de referência.
O ponto alto de Estocolmo, ao menos segundo minha impressão particular, - Fernanda poderá confirmar, ou não - é a Storkyrkan, catedral da cidade com fachada em estilo barroco italiano. A construção não é tão rica em detalhes quanto o gótico, mas suas paredes em tom alaranjado e o relógio da torre lhe dão um aspecto bastante singular e intrigante. Próximo dali, o turista deve fazer uma parada por volta do meio-dia para acompanhar a pomposa cerimônia da troca da guarda no Palácio Real (leve água, pois se precisar comprar por ali, terá de desembolsar até 3 Euros!). Outras catedrais de Estocolmo, como a Riddarholmskyrkan e a Tyska Kyrkan, também valem uma visita, dada a interessante mistura de elementos neoclássicos, góticos e nórdicos. O mesmo efeito é observado no Stadshuset, prédio da prefeitura, que apresenta ainda um belo jardim.
Estocolmo oferece, além disso, um recheado cardápio de museus ao turista. Dependendo do tempo disponível, o visitante escolhe um ou dois para visitar, ou vai em todos eles, sendo que os principais são o Nordiska, o Vasa, o Skansen (esse, além das tradições rurais suecas, mantém animais em seus recintos, motivo pelo qual resolvemos não visitá-lo) e o Historiska, aquele que escolhemos, devido ao rico acervo de peças vikings que possui (o visitante não pode deixar de observar com atenção o machado viking, em notável estado de conservação).
Se Estocolmo se mostra em desvantagem com relação a outras cidades que mencionei, por outro lado, não se pode negar seu charme e sua singularidade. Ao percorrer suas ruas e atrações, o visitante certamente se sentirá no século XIX e desfrutará de um ar imperial novecentista que a capital sueca transmite como nenhuma outra.


Nyhavn, em Copenhague

Após a estadia em Estocolmo, a viagem teve o ponto de parada seguinte em outra capital escandinava, Copenhague, na Dinamarca. Chegamos na cidade num sábado à tarde e logo partimos para uma caminhada na Stroget, um quadrilátero que compõe a maior quantidade de lojas comerciais da Europa. O local se mostrou bagunçado e até mesmo sujo para padrões europeus, o que nos deu uma má impressão inicial de Copenhague. No domingo, saímos novamente, indo em direção ao norte da cidade para ver a Pequena Sereia, estatueta de autoria de Hans Christian Andersen e símbolo da Dinamarca. Chegando no local, soubemos que ela se encontrava em Shangai! Outro motivo de irritação! A caminhada continuou ao longo do dia, o que nos permitiu visitar lugares muito bonitos, como o Nyhavn, canal todo margeado por um colorido casario, ponto alto de Copenhague, a meu ver, além da Igreja de Santo Albano, situada num belo parque, o Amalienborg, conjunto neoclássico de edificações que abriga a residência da família real, o Palácio Christiansborg, sede dos 3 poderes dinamarqueses, a Borsen, antiga sede da Bolsa de Valores, o Palácio Rosenborg, com seus impressionantes jardins e o Radhuset, edifício-sede da prefeitura. O Tivoli, espécie de parque de diversões, é normalmente citado como uma das principais atrações da cidade, porém, me parece um lugar procurado apenas por convenção e modismo. Seu aspecto fake não me atrai, afinal, não fui até a Escandinávia para ver pagode chinês ou templo mourisco, daí eu tê-lo riscado da visitação.
Copenhague possui um número altamente significativo de construções belíssimas que, assim como em Estocolmo, mesclam elementos arquitetônicos de várias origens - neoclássico, gótico e nórdico, -  de modo intrigante, profícuo e charmoso. O lado negativo desta capital escandinava fica por conta da bagunça e da sujeira excessivas, o que me faz pensar que uma única visita seja o suficiente para apreciá-la.
Com os relatos de hoje, encerra-se o exotismo da etapa escandinava do Eurotour. Quando eu retornar aqui, já estaremos de volta à Europa clássica. Até lá!