sexta-feira, 18 de abril de 2014

A invenção da luta de classes e o ódio à classe média


No pensamento de Marx, a luta de classes é o motor da história, segundo ele, algo observado desde a oposição entre senhor e escravo no mundo antigo, até o antagonismo que opõe burguês e proletário na sociedade industrial capitalista. Nesta, de acordo com o autor em questão, a exploração do homem pelo homem conduziria a um distanciamento cada vez maior entre os donos do capital e o trabalhador assalariado, situação que, por sua vez, promoveria o acirramento da luta de classes e a ocorrência da revolução socialista, pautada obrigatoriamente, nunca é demais frisar, pela violência.
A análise histórica, a despeito das pretensões científicas de Marx, o desmente categoricamente, bastando mencionar conflitos tais quais a Guerra do Peloponeso, as guerras de reconquista na Península Ibérica, a Guerra das Duas Rosas ou importantes desenvolvimentos da história, como o avanço científico e a produção cultural, dentre tantos outros elementos que nada têm a ver com luta de classes, para se saber que a obra marxiana é recheada de falhas e de um senso profético que chega a ser ridículo. Ao longo de seus escritos Marx nunca conseguiu oferecer uma conceituação precisa de classe social nem ninguém que compre a ideia da luta de classes como motor da história poderá sustentar o argumento solidamente, já que a mente humana, com toda a sua complexidade e multiplicidade, não opera somente com base no fator econômico-classista.
É sabido que Marx, tomado pelos arroubos de desonestidade intelectual que marcaram a gênese de suas reflexões, manipulou estatísticas na intenção de confirmar o que ele queria que fosse confirmado, não o que de fato se verificava, por isso o uso anacrônico que fez de muitos dados e fontes. O desenrolar da história, todavia, se encarregou de desnudar a farsa marxiana: em sociedades capitalistas fundadas sobre a liberdade individual, a isonomia jurídica e a meritocracia, os salários reais dos trabalhadores só aumentaram nos últimos cento e cinquenta anos, bem como se formou uma ampla classe média trabalhadora e consumidora, resultado totalmente contrário à polarização proletários empobrecidos-burguesia concentradora de riquezas que Marx quisera prever. Indicadores sociais como renda per capita, além do próprio IDH, mostram que nestas sociedades capitalistas, o acesso à educação, saúde, lazer e cultura é bastante disseminado entre a população.
O surgimento da classe média é um elemento importantíssimo para a compreensão das políticas empreendidas hoje em dia por partidos de esquerda no poder, como o PT, e do ideário que permeia a cabeça dos intelectualóides filiados aos mesmos, vide a sra. Marilena Chauí, marxista de carteirinha, ferrenha adepta da luta de classes como motor da história e que odeia a classe média. Por que será?
No âmbito econômico, a existência da classe média é uma prova do equívoco de Marx quanto ao desenvolvimento do capitalismo e, mesmo no Brasil, país em que o paternalismo servil, o apadrinhamento e o peso do Estado populista sempre contribuíram para minar a construção de um sistema coadunado com a livre iniciativa e com o mérito, ainda assim foi capaz de aparecer o estrato médio da sociedade, especialmente a partir dos anos 1940/1950. A partir daí, é possível notar tentativas paulatinas da esquerda em promover um aproveitamento político da classe média, sobretudo por meio dos mecanismos de produção cultural, o que passa a tomar grande nitidez por volta da segunda metade dos anos 1970. Quem se puser a assistir ao canal Viva, coligado à Globo, e que reprisa novelas e séries da época, pode procurar perceber o tipo de discurso transmitido por muitos personagens, de modo que os valores tidos como vanguardistas, modernos e progressistas se opõem ao que é visto como resquício do que é preciso eliminar para erigir a tal da justiça social, mistificação criada desde Robespierre para o controle ideológico da máquina pública. Qualquer elemento de moralidade é sumariamente condenado e associado a uma superação dialética que anuncia a marcha do novo homem. Na educação, a doutrinação esquerdista se tornou a realidade didática de professores e livros e, com isso, o aspecto político se transformou no mote da esquerda em relação à classe média, pois no que tange ao econômico, a própria existência desta contradiz Marx. É no seio do aspecto político, negligenciado pelo autor de O capital, que nos dias atuais a esquerda insiste em proclamar a existência da luta de classes. Injetando um sentimento de culpa no próprio membro da classe média, impingindo a ele uma conotação retrógrada, tacanha e um dever de ultrapassar os próprios limites, já não mais compatíveis com as leis da história que a fazem avançar, o sujeito se auto-expurga e se abre à visão de mundo revolucionária.
Em função do alto grau de complexidade que permeia um país multifacetado como o Brasil, ainda existem setores médios refratários à cooptação esquerdista, para os quais o governo nada realiza e que ao mesmo tempo são os alvos prediletos da retaliação e da virulência das Marilenas Chauís e dos Jessés de Souza, pessoas cujo desejo não é outro senão destruir o estrato social que derruba as teses de Marx e que ainda se põe como obstáculo à implantação do totalitarismo comunista. Você vai se deixar levar?

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