segunda-feira, 7 de março de 2016

O paradoxo da Polícia Federal e de Sérgio Moro e outras questões


Sou cético por natureza, postura que tem me servido desde há muito para evitar decepções. Se as coisas acontecem de acordo com o que espero, tanto melhor, do contrário, vida que segue.
Na última sexta-feira (04/03/2016), o Brasil acordou com a notícia de que Lula estava sendo conduzido coercitivamente (ao contrário do que ele declarou, fugiu duas vezes quando instado anteriormente a dar depoimento sem ter havido coerção) a depor na Polícia Federal em São Paulo, além de ser alvo de mandato de busca e apreensão. A parcela instruída e decente da sociedade comemorou aquilo que poderia representar o início de uma vitória definitiva não apenas sobre o próprio Lula, mas sobre toda a hoste do PT, dada a importância da figura do ex-presidente. Todavia, acredito que a comemoração tenha sido prematura: não afirmo que não irão haver novos desdobramentos (a ação da PF não teve a ver com as declarações bombásticas e gravíssimas dadas por Delcídio Amaral e divulgadas pela revista Isto é), mas fiquei com a impressão de que houve mais estardalhaço do que efetividade, propriamente dita. Não sei se por falta de eficiência ou se tudo não passou de circo pré-orquestrado, portanto, ficam algumas perguntas:

1. Será que Lula, de fato, prestou depoimento?

2. Caso tenha prestado, por que este foi tão curto?

3. Quem é suspeito de vários crimes e é investigado por uma série de práticas ilícitas não deveria ser interrogado por horas a fio, sem que se desse a Lula e ao seu partido chance de se organizar tão rapidamente a ponto do ex-presidente conceder entrevista em rede nacional pouco tempo depois de deflagrada a operação?

4. Por mais que o teor do suposto depoimento deva permanecer em sigilo, por que não estamos observando nenhum comentário sequer a respeito das possíveis respostas fornecidas por Lula?

5. Um interrogatório bem conduzido, ainda mais se o interrogado tem uma imensa série de questões a esclarecer, sempre deve gerar intenso cansaço físico e psicológico, daí a importância de se alongar o depoimento e lançar questionamentos contundentes que façam com que o investigado caia em contradição. Por que Lula saiu da PF com ares triunfais, sem dar nenhum sinal de ter sofrido pressão, sem apresentar sinais de estafa física e mental? Não, por mais que o ex-presidente seja macaco velho, delegados da PF deveriam saber como colocá-lo em uma sinuca de bico, ainda mais em função do capital político de Lula ser quase inteiramente dependente de sua retórica e dos caracteres imediatos de sua postura e de seu gestual. Era preciso ter minado seu arsenal retórico e ferido com força sua imagem. Não foi isso que se viu...

6. Não se trata de um grande paradoxo, por um lado, que se deposite tanta esperança em Sérgio Moro e na PF e, por outro, notar que a condução coercitiva, pelo menos em termos imediatos, não causou nenhum estrago na retórica e na imagem de Lula? Volto a indagar, houve falha ou tudo isso foi uma farsa?

7. Se em um arranjo ditatorial como aquele que ora estamos vivenciando o trâmite dos acontecimentos, tanto em âmbito oficial como fora dele, não se dá de acordo com a lógica normal, mas segue uma hierarquia de comando mutável, multidirecional, imprevisível, justamente com o objetivo de gerar desorientação nas pessoas, não cabe ponderar sobre a possibilidade de Sérgio Moro ser somente uma peça no tabuleiro do complicadíssimo jogo de xadrez que envolve os poderes de Lula e do PT? Nos  bastidores, ninguém sabe ao certo quanto a ameaças e chantagens que podem ocorrer.

Ao fim da operação Aletheia, seria óbvio pensar que Lula devesse estar mais fraco do que antes dela. Não foi isso que notei. Quem é antípoda do PT não precisava desse estardalhaço todo para aumentar seu repúdio contra a organização criminosa que assola o país há treze anos. Teria sido uma excelente oportunidade para causar estrago em Lula e no PT, amealhando aqueles que possivelmente ainda não se deram conta da gravidade que representa a continuidade do atual (des)governo no poder, contudo, o que se viu na tarde de sexta-feira foi a figura de Lula, senão fortalecida, o que seria muito diante dos crimes que cometeu, no mínimo tendo a chance de emitir uma mensagem, algo considerável em se tratando do que expus acima e que lhe confere algumas possibilidades de recuperar porções de um terreno que a esta altura já deveriam ter sido definitivamente conquistadas por quem lhe combate.
Não se pode bobear com um psicopata como Lula e, contrariando Sun Tzu, nesse caso, não se deve deixar qualquer brecha para o inimigo, ou então ele irá mentir descaradamente, fará jogo de cena e continuará posando de vítima até conseguir convencer gente incapaz de entender o funcionamento de uma mente pérfida e doentia. Lula só será derrotado quando estiver cem por cento fora de ação.

Aguardemos...

2 comentários:

  1. Bem por aí.
    Até para que possamos cobrar atitudes, desconfiar não faz mal.

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