sexta-feira, 15 de abril de 2011

A loucura do clima (e das pessoas)


Em abril de 2010 escrevi o artigo A Páscoa está ficando cada vez mais chata, isso porque o clima outonal que combina com essa época do ano no Hemisfério Sul e, assim sendo, também com a Páscoa, passou nos últimos tempos a ser substituído por calor e altas temperaturas. Um ano depois, a situação se repete de modo idêntico.
Não sou climatólogo nem cientista natural, mas face a todos os claros sinais da brutal alteração climática que estamos vivenciando, me inclino fortemente a pensar que sem dúvida alguma o ser humano tem participação importante nesse aumento das temperaturas médias no planeta, ainda que possa não ser o único fator. O próprio argumento das possíveis distorções envolvidas em análises climáticas realizadas em áreas urbanas devido à formação das ilhas de calor, contrário à responsabilidade humana, já aponta que o homem provoca alterações impactantes sobre a natureza.
Os livros didáticos, quase todos eles mergulhados em pensamento esquerdista de botequim, se apressam em afirmar que os países mais ricos são os grandes responsáveis pelas alterações no clima, já que é onde há mais produção industrial e consumo. OK, mas será que a economia mista da China, segundo país mais poluente do mundo, se enquadra nessa classificação? Vale lembrar que a Rússia fica em terceiro na lista e a Índia em quinto, enquanto nações altamente desenvolvidas como Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca, Austrália e Nova Zelândia, são ecologicamente viáveis. Esses mesmos livros são pródigos em negligenciar a pecuária como atividade que colabora acentuadamente com emissões de CO2 - sem falar no metano - na atmosfera. Por que será que omitem a informação? Gostaria de saber o percentual de "ecólogos marxistas" que se abstêm de churrasco... O Brasil, país subdesenvolvido, é o maior exportador de carne bovina do mundo e, além dos malefícios ao ar, a pecuária é também responsável pelo acelerado desmatamento no Cerrado, visto que as lavouras de soja que aí avançam mais a cada dia, direcionam-se quase que totalmente ao fabrico de ração para o gado. É preciso ainda ressaltar o fato de que os problemas ecológicos devem ser pensados em escala mundial, pois afetam a todos, independentemente da nacionalidade, e não abordados numa perspectiva de conflito ricos vs. pobres.
Fora todas essas discussões e argumentos contra ou a favor da parcela de culpa humana no aquecimento global, causa profunda estranheza assistir às previsões do tempo na TV. Hoje mesmo no SPTV, como já pude observar várias outras vezes, Carlos Tramontina e a moça da previsão vibraram alegres e sorridentes com a estimativa de muito sol e temperatura acima dos 30°C no final de semana. "Tempo bom", segundo eles. Tempo bom?! Calor fortíssimo em pleno mês de abril, no outono? Como tanta gente, a dupla de apresentadores não atenta a pensar que algo deve estar errado, ainda que se considere o gosto pelo calor, comum em muitas pessoas. Tempo bom no outono certamente não pode estar associado a temperaturas altas, mas sim ao clima ameno e ao ventinho fresco da manhã e da noite, algo que há muito não se sente face ao comportamento climático alterado pelo aquecimento global. Quem não souber isso é porque não estudou Geografia direito, ou então é alienado mesmo.
Quando no mesmo dia de hoje eu voltava do trabalho por volta das 18h30, cansado e quase destruído pela horrível sensação que o calor me provoca, um advogado conhecido do bairro perguntou se eu não queria tomar uma cerveja num boteco sujo e que descarta lixo sem acondicionamento na calçada. Eu respondi "não, obrigado", e continuei meu caminho. Logo pensei: brasileiro, em geral, se regozija com calor, que combina com cerveja e boteco. Eu nasci no lugar errado, abomino calor e "breja". Bom seria estar a contemplar um fjorde norueguês, com temperaturas baixas e uma boa bebida quente.

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