quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Os idiotas


Norbert Elias escreveu Os alemães para explicar a longa gênese que culminou no pensamento nazista na Alemanha. João Fabio Bertonha é autor de Os italianos, obra que busca traçar o DNA histórico-cultural do povo da bota. Há mais outros exemplos de estudos que procuram desvendar histórias a partir da nacionalidade, mas no caso do Brasil, bastaria algo como “Os idiotas” e já seria possível perceber que o escopo estivesse a tratar deste país. O Brasil é uma nação onde predominam idiotas, o tempo todo, do primeiro até o último dia do ano, contudo, é no Carnaval, manifestação indefectível do cretinismo identitário tupiniquim, que a idiotice se torna mais nítida e recorrente.
Ao longo dos últimos dias, navegando pela Internet, me deparo com notícias do tipo: “fulana de tal diz que se prepara o ano inteiro para o Carnaval”; “membro do Filho de Gandhi confirma a fama e beija quatro mulheres em vinte minutos”; “garotas em Salvador avisam aos homens que é só chegar; “Lívia Andrade afirma que desfilar com os seios de fora é mais prático”; apuração em São Paulo tem confusão e vandalismo”. São apenas alguns dos disparates que marcam a idiotice acentuada do período carnavalesco.
Mulheres sendo tratadas como objetos descartáveis. Elas poderão reclamar?! Homens inseguros tentando provar masculinidade. O que pensariam se outros como eles fizessem o mesmo com suas irmãs? Pessoas que enxergam a si próprias somente como números, quantidade ao invés de qualidade, adeptos da insalubridade bucal e genital. E Lívia Andrade, quem é ela? Tem algum talento, alguma chance de aparecer sem que seja nua num desfile de “escola” de samba? Que exemplo oferece para o público feminino?
É comum ouvir mulheres na faixa etária que vai dos vinte e poucos aos trinta anos reclamarem que os homens não querem nada sério. O problema é que elas mesmas são bastante responsáveis por essa situação, pois enquanto adolescentes, - não só cronológica, mas também mentalmente - não se fazem de rogadas em servir de número aos machões. Os mais recatados, que não tomam parte da idiotice, demoram mais tempo até encontrar alguém, mas quando encontram, geralmente se estabelecem. Aí então, quem restou? Ora, os machões já mais velhos, sem os mesmos músculos, com as gorduras bem pronunciadas e o mesmo cérebro vazio de sempre. Uma vez idiota, idiota sempre. Idiotas de ambos os sexos se merecem.
No último dia de Carnaval tivemos a apuração dos desfiles das “escolas” de samba de São Paulo. As cenas protagonizadas pelos tantos idiotas presentes no Anhembi são trágicas porque os prejuízos causados são pagos com dinheiro do contribuinte. Só de pensar que essas “escolas” recebem dinheiro público dá uma vontade enorme de fazer justiça com as próprias mãos, e escrevo isso como adversário ferrenho da anarquia e defensor convicto das leis da sociedade. Quando se tem uma torcida de futebol que virou também “escola” de samba homenageando uma figura desprezível como Lula, um sujeito vivo, presidente da República até ontem, cujo partido ocupa o poder e que pode ainda voltar ele mesmo ao cargo de comandante máximo do país, em uma explícita forma de campanha política, fica difícil acreditar que algo possa se transformar pelo caminho do bem em uma nação de idiotas como o Brasil. E não coloco essa ideia para alfinetar a torcida do time incolor, já que vale exatamente da mesma forma para a Mancha Verde, que inclusive, jamais defendi. Torcedores deveriam se perguntar quanto uma torcida (des)organizada paga ao clube para usar seu escudo... geralmente, não só não pagam nada, mas ainda recebem... Caso todo esse pessoal que costuma ficar indignadíssimo com Carnaval e futebol agisse do mesmo modo com relação aos descalabros da política nacional, o país seria melhor, porém, o zé povinho tupiniquim em toda sua idiotice, fornece o molde mais do que perfeito para o pão e circo.
Se o lado trágico dos fatos da apuração é inconteste, a parte cômica não passa batida, afinal de contas, já que a idiotice carnavalesca é tão óbvia e não vai deixar de se fazer presente, quem está fora disso deve aproveitar a mixórdia para rir um pouco! Brasileiro: povo alegre, festeiro... bem feito para a imprensa, sobretudo a nefasta Globo, que tenta enfiar o adesismo goela abaixo. Que vá para o inferno com seu IBOPE! Após o desfecho tragicômico da apuração no Anhembi, comentaristas debatiam os fatos numa rádio FM, lá pelas tantas, um ouvinte enviou a seguinte mensagem: “país lixo”. Então, um dos comentaristas, com medo de se comprometer e assolado pelo polticamente correto e por aquele velho patriotismo anódino disse: “o Brasil não é um lixo, alguns lixos fazem parte dele”. Alguns?! Faz-me rir, haja lixo, haja idiotas! É a cara do Brasil!

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