terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Por que não se calam?!


No fim da semana passada a nova diretoria do Palmeiras anunciou que o centroavante Barcos, principal jogador da equipe palestrina, estava de saída para o Grêmio envolvido em uma troca com cinco jogadores do time gaúcho. Do modo como a transação se apresentou inicialmente, seria vantajosa para o alviverde, que necessita preencher as várias lacunas da equipe, assim como para os gremistas, que estão montando um time bastante forte. Acontece que o atacante Marcelo Moreno, dos cinco atletas que fariam parte da troca, o mais cobiçado deles, não deve vir no pacote, pelo menos não nesse momento. Assim sendo, desaparece quase totalmente aquela vantagem inicial que se vislumbrava para os lados do Palestra Itália. De quebra, o pai de Moreno deu declarações extremamente humilhantes sobre o Palmeiras que correram os quatro cantos do país.
O fato tem sido exaustivamente explorado pela imprensa esportiva que, como não poderia deixar de ser em se tratando de Palmeiras, promove o mais alto sensacionalismo com o objetivo de massacrar o alviverde. Até mesmo o sr. Juca Kfouri, que vive a posar de bom moço e atua na ESPN Brasil, emissora outrora digna de elogios, mas de uns tempos para cá descambando para a vala comum do jornalismo esportivo, explorou a transação de modo a tripudiar do Palmeiras. Ficou mais do que evidente o erro da diretoria palmeirense ao anunciar o negócio sem que os jogadores do Grêmio tivessem sido previamente informados a respeito da situação, mas há uma série de outros aspectos a serem analisados, todos eles deliberadamente negligenciados por jornalistas que nutrem uma raiva doentia pelo Palmeiras. E pensar que são os zumbis incolores, favorecidos pelos nefastos arranjos da politicagem nacional, aqueles que se apropriaram dessa história de "anti": jamais o "contra tudo e contra todos" foi tão deslavadamente falso quanto no caso do time do establishment e tão verdadeiro para o alviverde paulistano.
Barcos fez parte da campanha no Brasileiro de 2012, portanto, é também responsável pelo rebaixamento. Se o argentino anotou 28 gols na temporada passada, também é verdade que ficou de fora das duas partidas finais da Copa do Brasil e protagonizou atuações bem apagadas e abaixo da média, como por exemplo, contra o Guarani nas quartas de final do Paulista. Barcos é normalmente um jogador nota 6,5 ou 7, chegando a 8,5 ou 9 em alguns momentos, mas também 3,5 ou 4 em outros, quando mata a bola de canela ou parece correr usando calça jeans e carregando um piano nas costas. Cheguei a observar certos torcedores tomados pelo desespero, presas fáceis para o sensacionalismo antipalmeirense, declarando que o argentino foi o melhor centroavante dos últimos dez ou até quinze anos, um insulto grave ao hiperdecisivo Oséias, sem contar que o Vagner Love de 2003/04 e Alex Mineiro também se mostraram superiores a ele.
Antes mesmo do Palmeiras ser rebaixado no ano passado, Barcos já indicava que não queria jogar a série B, postura por si só reprovável, pois o descenso ainda não havia se consumado. Após a queda, começou a fazer leilão e renovou contrato somente porque lhe foi concedido aumento pela gestão Alberto Tirone, um absurdo para um jogador que participou do rebaixamento. Não satisfeito, continuou as negociatas para forçar sua saída e fez corpo mole, como ficou claro nas partidas contra Penapolense, XV de Piracicaba e Atlético Sorocaba. Acredito que a pior coisa para um time que precisa recuperar a autoestima é manter em seu elenco atletas insatisfeitos e, se iludido por convocações eventuais na seleção argentina, Barcos acredita que poderá estar na Copa 2014 no lugar de jogadores muitíssimo mais qualificados do que ele, que vá tentar a sorte nos pampas. No Palmeiras, independente do momento, para vestir o manto alviverde o sujeito deve ter culhões, deve ter algo mais, como diria o inigualável Evair, esse sim ídolo eterno, craque que soube esperar a hora certa para mostrar seu inestimável valor, calando a boca de todos que se atreveram a colocá-lo em dúvida. Vale lembrar que Evair chegou ao Palmeiras em 1991, quando o alviverde estava na fila. Evair nunca precisou de negociata, nunca fez biquinho, nem tinha rabo de cavalo para ficar alisando. Mais de dois anos após a sua chegada e depois de ser afastado em 1992 pelo técnico Nelsinho Baptista sob pretextos sórdidos, preconceituosos e mentirosos, destruiu o time incolor dirigido pelo mesmo Nelsinho na final do Paulista de 1993 e tantas outras glórias se seguiram. E então eu pergunto, quem é Barcos?
Barcos não é ninguém, o que torna ainda mais ridículas e oportunistas as análises da imprensa sensacionalista e dos torcedores pilhados dando conta de que a atual diretoria palmeirense "vendeu" a Libertadores. Ora, quem descartou a Libertadores muito antes dela começar foi a gestão anterior, trapalhona, leniente e sem o menor interesse ou tino para futebol, além do maldito estatuto fossilizado, que prevê eleições para o fim de janeiro, quando não é mais possível montar um elenco. Que chances o Palmeiras teria no torneio sulamericano com Barcos no ataque? As mesmas que tem sem o argentino, ou seja, pouquíssimas, bastando ter boa fé para saber que nada mudou, com ou sem Barcos.
Paulo Nobre e José Carlos Brunoro cometeram um erro, se precipitaram e levaram um chapéu da raposa Fábio Koff. Ponto. Se existe algo mais por trás da história, basta que as más línguas o provem. Quanto às declarações do pai de Moreno, não é preciso se preocupar, já que assim como Barcos, ele não é ninguém: desde quando um palavrório leviano vai atingir o Palmeiras?! Vivi os anos 1980 e sei muito bem do que estou escrevendo... Moreno é mais jogador do que Barcos, se não vier, que o Palmeiras receba a compensação financeira. Mais cedo ou mais tarde, um camisa 9 à altura envergará o manto esmeraldino. Ainda acredito que a atual gestão, aos poucos, irá reconstruir o Palmeiras. O tempo dirá.

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