sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A "mídia" segundo a paralaxe cognitiva esquerdista


Grande parte da sociedade brasileira, enredada pelas pseudofilosofias de esquerda, vive em um estado permanente de paralaxe cognitiva. Esse tipo de distorção da realidade faz com que as pessoas sejam seduzidas por uma miríade de discursos cujo intuito é tornar verdadeiro aquilo que não passa de pura ficção. Não deixa de ser irônico notar que todas essas ideias possuem substrato marxiano, todavia, quando se sabe que a própria teoria de Marx se assenta sobre pressupostos ficcionais, a ironia perde toda a pertinência.
O pensamento de esquerda é desprovido de aparato filosófico-conceitual capaz de organizar argumentação minimamente crível em defesa de seus paradigmas, logo, é muito comum que os arautos esquerdistas lancem mão de invectivas ad hominem ou, quando não existe um alvo específico, as vociferações se dirigem genericamente ad rem, adquirindo viés de culpabilidade depositado na conta de um agente indefinido e supostamente indiferenciado. Nesse último caso, as acusações contra o que eles chamam de "mídia" se tornaram uma regra e uma característica do pensamento de esquerda. O grande problema é que as mentiras deslavadas distribuídas na praça seduzem rapidamente o populacho e, quase de modo instantâneo, são apropriadas pelo senso comum. Assim sendo, pode-se afirmar que o senso comum neste país tem sido mais do que nunca fundamentado em ideias de esquerda, processo no qual os lugares-comuns se revestem também de intenções politicamente corretas. E falsas, inteiramente falsas.
Para a esquerda, em resumo, a "mídia" está a serviço do capital e da "burguesia", uma apreciação que, caso destrinchada, se revela como monumental peça de ficção. Em primeiro lugar, essa ideologia suprime o simples fato de que não existe uma imprensa única e indistinta cuja linha editorial seja idêntica para todos os veículos. Se em relação à imprensa escrita a Veja permanece exclusivamente como um veículo liberal, o mesmo não ocorre com outros semanários de inserção considerável, tais quais Época e Carta Capital, sendo que nessa última as ideias de esquerda encontram meios totais de divulgação. Nos jornais de tiragem diária, tomando apenas o exemplo dos três maiores do país, Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e O Globo, em todos, há espaço para o pensamento de esquerda. Mesmo em se tratando do Estado..., dentre esses aquele que mais procura divulgar paradigmas que não são alinhados ao esquerdismo, é possível encontrar, pelo menos três ou quatro vezes por semana, artigos de opinião escritos por pensadores de esquerda: Tales Ab´Saber, Jessé de Souza e Pedro Rocha de Oliveira estiveram ocupando as páginas do veículo recentemente. A cada dois ou três domingos o leitor depara-se com algum esquerdista dando os ares da graça no caderno "Aliás", basta folheá-lo. Uma vez que parcela enorme das pessoas que se dizem de esquerda não conhece nada a respeito do paradigma por elas adotado que vá além dos clichês mais óbvios do marxismo, não há dúvida de que vivem uma completa paralaxe cognitiva. 
Quando se trata da imprensa televisiva, a situação vigente desmente ainda mais o delírio esquerdopata. Exceto pela Cultura, canal de TV que sempre apostou em um perfil diferente do comum, mas ainda assim com espaço para ideias de esquerda, as maiores emissoras de televisão do país constituem veículos com larga predominância do paradigma esquerdista. A Globo, quase uma autarquia nos dias de hoje, historicamente situacionista, está imbuída como jamais visto anteriormente de valores massificados que se combinam perfeitamente com a ditadura gramsciana do PT. No quesito esportivo, tal quadro salta aos olhos e, até mesmo na GloboNews, que por ser um canal de assinatura atinge público mais seleto, sempre que algum fato político ocorre são recrutados "especialistas" para que teçam comentários. "Especialistas" de esquerda..., como Francisco Carlos Teixeira, aquele que mais tem dado as caras por lá. Note-se bem, um esquerdista que é chamado por um canal de notícias para avaliar questões políticas, ou seja, espaço mais amplo para que se divulgue ideias de fundo marxista, não há! Nem é preciso mencionar algumas das entrevistas concedidas por ícones da esquerda que já foram ao ar na GloboNews: Giovanni Arrighi, Eric Hobsbawm, István Mészáros, Zygmunt Bauman, Slavoj Zizek... Já na Band, menos poderosa do que a Globo, mas com capacidade de inserção significativa perante o senso comum, a mesma linha é seguida e, embora a emissora do Morumbi não possua algo como o GloboNews para conferir ares supostamente doutos em temas sociopolíticos, tem Ricardo Boechat, que vira e mexe dá declarações que fariam inveja a Netchaiev ou a Sorel...
Como se pode observar, a dita "mídia", como designada pela esquerda, está recheadíssima com inúmeros exemplos que desmentem categoricamente a noção de que os veículos de imprensa estão a serviço do capital e da "burguesia", uma paralaxe cognitiva tributária das hipérboles e da ficção de Marx.
Em segundo lugar, antes de encerrar o presente artigo, vou explorar um caso não propriamente político-ideológico, mas sim relativo às mentalidades, com o objetivo de mostrar que o senso comum abarcado pela esquerda acompanha o que é divulgado pela "mídia" sem se dar conta, também uma situação notória de paralaxe cognitiva.
O mundo de hoje, especialmente em países subdesenvolvidos como o Brasil, mas sempre pensando em perspectiva global, não indica quase nada que deva incentivar as pessoas a terem filhos: superpopulação, escassez de água e outros recursos, intensa demanda energética, poluição, grande produção de resíduos, trânsito caótico, violência, são aspectos que, no mínimo, servem para pensar em redução do número de filhos por casal. Que fique bem claro: não estou criticando a família, instituição à qual atribuo papel fundamental na formação do sujeito, até porque ter filhos não implica que os pais necessariamente irão cuidar da educação dos mesmos, muito pelo contrário, inclusive, pelo que tem se notado. O que critico é a forma através da qual a paternidade vem sendo tratada em parte considerável da imprensa, panorama gerador de consequências nefastas perante o senso comum.
Exceção feita ao falecido psicólogo José Angelo Gaiarsa, que delirava em certos assuntos, mas que em outros fugia do politicamente correto, a paternidade é frequentemente imbuída de status romântico e paradisíaco. Pelo modo como a questão é vista, tem-se a nítida impressão de que ter filhos - mais de um, preferencialmente - é o caminho mais certo para se seguir, o único, talvez. Uma das cenas mais comuns de nosso cotidiano é ver gente se comprazendo euforicamente quando uma mulher anuncia sua gravidez. Nas novelas, que tanta influência perniciosa oferecem às massas, o último capítulo, quando a audiência sobe aos píncaros, faz aparecer um sem número de grávidas e transmite a mensagem final: "a felicidade chega através dos filhos". Existem poucas ideias com o mesmo poder de convencimento. Na "mídia", em geral, fazer filhos e, quanto mais melhor, é algo amplamente divulgado, uma prescrição que muita gente persegue doentiamente.
Tudo aquilo que atua denunciando a falsidade do pensamento esquerdista, bem como levantando discussões a respeito de pontos de vista cuja base são os pressupostos legados por Marx, - o relativismo pós-moderno, em última análise, é uma derivação marxista das teses marxianas - é associado com a "mídia" direitista e burguesa, pronta a contribuir com um golpe, culpada de divulgar mentiras a respeito da esquerda inocente. Essa "mídia" simplesmente não existe a não ser no universo mental fictício e depravado de todo esquerdista, seja ele um acadêmico, um âncora de TV, um articulista ou um mero partícipe do senso comum engolfado pelo próprio esquerdismo. Vive-se em um estado de total paralaxe cognitiva. Lastimável.

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