sábado, 21 de setembro de 2013

Jovens prisioneiros do rebanho


"Os jovens, por serem mais puros do que os adultos, são mais livres do que estes".
A máxima acima está dentre aquelas que mais são repetidas em nosso tempo sem que uma análise minuciosa seja realizada a fim de verificar se é uma noção que de fato possa ter algum fundo de verdade. Quando se busca um entendimento filosófico, fica fácil concluir que se trata de uma ideia inteiramente falsa, no entanto, como muito do que é falso cada vez mais tem conquistado ares de verdade, o número de pessoas que se deixa levar é enorme.
Acreditar que a liberdade é um sentimento mais forte entre os jovens não passa de rousseauísmo romântico e, como tal, impede totalmente de compreender o significado mais nobre dessa virtude. A liberdade não é um dom gratuito da natureza, mas algo que precisa ser exercido por espíritos responsáveis. A liberdade é construída filosoficamente na interioridade de cada indivíduo, no que então assume sentido oposto à noção de que ser livre está relacionado a realizar desejos e fazer tudo aquilo que se tem vontade, como normalmente os jovens interpretam, incentivados por uma vastidão de adultos.
Há exceções, mas de modo geral, os jovens se rebelam contra a autoridade dos pais, acreditando que assim serão capazes de abrir as portas da liberdade. Esse é um dos maiores autoenganos que atinge o ser humano, de vez que a autoridade paterna é natural, ligada à formação dos filhos e transmissão de experiência aos mesmos, um processo que se completa assim que a maturidade é atingida. Além disso, estar sujeito à autoridade dos pais de modo algum limita a liberdade de um filho, até devido à própria questão da experiência, já que quanto mais ela se acumula, mais apto está um indivíduo a exercer sua liberdade. É claro que algumas experiências são obtidas fora dos limites paternos, o que também faz parte da vivência humana, porém não é por conta disso que se deve descartar totalmente os aconselhamentos emanados dos pais. Pelo contrário, pois somente se forem combinadas com tais aconselhamentos, as experiências poderão ser aproveitadas na formação do caráter e da personalidade.
Sempre que os jovens se rebelam contra a autoridade paterna, o fazem em nome do autoritarismo grupal, relacionado não à formação que uma pessoa carrega para o resto da vida, mas sim a imposições comportamentais efêmeras que funcionam como ingresso para participar do grupo. Trata-se, sem dúvida, de algo prejudicial que, ao invés de promover a liberdade, atua como um sério limite a ela. O indivíduo é obrigado a se despir de certos condicionamentos que acumulou ao longo de anos junto dos pais com vistas ao seu benefício para se coadunar com imposições cujo único objetivo é a rebeldia por si mesma. Troca-se a autoridade benéfica dos pais pelo autoritarismo que faz do indivíduo um membro de rebanho desprovido de qualquer possibilidade de escolha e de manifestação de preferência. Liberdade? Não, sua antítese.
Tem sido corriqueiro nos dias de hoje encontrar jovens que não possuem um mínimo de autodisciplina para realizar deveres simples, que estão muitas vezes mergulhados em crises existenciais porque não conseguem fazer escolhas, que cada vez mais prematuramente se rendem ao álcool e outras drogas na tentativa de subornar a realidade. A realidade, vale salientar, retira o ser humano do centro dos acontecimentos, existe, assim sendo, independente dos anseios egoístas, sem fazer nenhuma concessão a quem quer que seja. Ser livre dentro da realidade exige o self control que só se obtém à medida que o sujeito se curva diante do tipo correto de autoridade, aquele que ajuda a viver experiências e extrair seus significados, aquele que ensina a ser livre sem depender de elementos externos.
Caso o senso comum e a educação atual, amparada nos falsos pressupostos de Rousseau, de Marx e das pseudofilosofias pós-modernas, permaneça dando as cartas, o resultado mais concreto e lamentável disso será a continuidade da má formação de jovens, irresponsáveis e iludidos perante prazeres imediatos e prejudiciais confundidos com a liberdade centrípeta e internamente construída. A responsabilidade no tempo presente cabe aos adultos.

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