terça-feira, 3 de setembro de 2013

Dez motivos para romper com Marx e com o marxismo


Os pontos elencados abaixo expressam alguns dos principais equívocos da teoria elaborada por Marx. Todos eles já foram exaustivamente abordados por inúmeros contestadores do pensador renano e, em sua maioria, se encontram comentados em postagens diversas neste blog. É óbvio que não são os únicos equívocos cometidos na obra marxiana, mas são básicos, suficientes para que, no mínimo, sejam buscadas explicações diferentes das que foram legadas por Marx. Não há outro motivo para sistematizá-los senão pelo fato de que os marxistas, ainda tão presentes na imprensa, nas escolas e na universidade, na produção (in)cultural em geral, bem como em setores chave do (des)governo petista, invariavelmente se utilizam da abrangência dos temas marxianos com o objetivo de tangenciar as argumentações contrárias a Marx; assim, se o crítico refuta a teoria marxiana em seu caráter econômico, o marxista lança mão da filosofia, se a invectiva foca na história, ele usa a sociologia, e assim continuamente, tática que o próprio elaborador do sistema não fazia cerimônia em empreender (o primeiro ponto está diretamente relacionado a isso). Uma vez que o prestígio de Marx e dos marxistas permanece indevidamente em alta, contribuindo para embotar a mente de estudantes ou de qualquer outra pessoa sujeita à sedução do canto de sereia, nunca é demais lutar contra a disseminação de tais ideias.
Se após a reflexão sobre os dez pontos seguintes o leitor se sentir estimulado a buscar contato com pensadores diversos e fora da corrente marxista, terei alcançado sucesso.

1. Extrinsecamente, a teoria de Marx quando interpretada por seus seguidores, os marxistas, é tão amplamente variegada, que chega a ser quase impossível apontar em que aspectos estes seguidores são realmente marxistas. São deturpadores do original, ou apenas determinada corrente captou a verdade suprema do pensamento marxiano, o que invalidaria todas as demais?

2. No âmbito intrínseco, Marx jamais cessou de contradizer seus próprios escritos, assim, a fase madura, em vários elementos importantes, é praticamente uma negação de detalhes igualmente fundamentais da fase jovem. Poderia-se objetar que essa é uma característica de muitos pensadores, senão de todos, contudo, para um corpo de ideias que sempre se pretendeu holístico e baseado em leis históricas, trata-se de fator que denota graves incoerências no pensamento marxiano. Aos seguidores marxistas, é correto perguntar: "qual Marx"?

3. A revolução é um telos inexorável ou depende da práxis humana? No caso da primeira hipótese, não é preciso preocupação alguma com aquilo que se sucederá de qualquer jeito. Por outro lado, se é necessário que o ser humano contribua em algo para a irrupção revolucionária, então tem-se aí um conflito entre necessidade e liberdade que, por sua vez, faz concluir que Marx enxerga o segundo fator como secundário. Assim sendo, não é difícil entender o destino brutalmente autoritário das experiências baseadas na teoria marxiana, bem como a justificativa da eliminação genocida de setores "antirrevolucionários" da sociedade. O banho de sangue está no DNA de Marx e do marxismo.

4. Se, como querem muitos marxistas, todas as tentativas de engenharia social tributárias dos escritos de Marx foram erros de cálculo que acabaram por desvirtuar a teoria original, varrendo-lhe o "horizonte de justiça", estamos diante de uma filosofia que se arraiga nas "leis" da história ao mesmo tempo que as nega. Em outros termos, os marxistas acreditam que uma hora dará certo, sendo somente preciso um crédito a mais. Mais banhos de sangue?! Sem problemas, pois na visão destes o futuro redentor sempre está à espera. Quanto às vítimas ... (este ponto, em certa medida, remete ao primeiro).

5. Marx acreditava que o capitalismo conduzia ao empobrecimento progressivo do proletariado, criando um abismo cada vez maior entre estes e a burguesia, daí o advento revolucionário como imanência do desenvolvimento histórico e o papel prático atribuído aos revolucionários. Este é um mantra repetido até hoje pelo esquerdismo. Completamente falso, como não poderia deixar de ser: estatísticas econômicas colhidas ao longo dos últimos dois séculos mostram que em ambientes nos quais a geração de riqueza é favorecida, a prosperidade atinge a todos de maneira indistinta, bastando estudar a história recente dos países desenvolvidos para notar que a liberdade econômica é decisiva para a ocorrência de desenvolvimento humano e redução de desigualdades.

6. Marx não forneceu quase nenhuma explicação a respeito da sociedade comunista. A resposta para a pergunta "como funciona o comunismo"? não existe nos escritos marxianos. Após a derrubada do capitalismo e do domínio burguês, segundo Marx, instaura-se a ditadura do proletariado e, assim que as condições permitirem, o comunismo se estabelece. Quais condições são essas e quanto tempo leva até que elas surjam, ninguém nunca soube. Pior: há uma incoerência gritante em tal entendimento, de vez que a partir de uma situação ditatorial com concentração máxima de poder, segue-se outra na qual não existe poder. É lógico que o comunismo jamais se concretiza.

7. Sistemas nos quais a propriedade privada e o mercado são abolidos, como no comunismo, atuam como uma cobra que devora o próprio corpo. Ludwig von Mises mostrou que o cálculo não pode ser realizado na sociedade comunista, pois se não há mercado, tampouco há preços; se não é possível precificar, não se calcula e, se não se calcula, não se planifica, pressuposto da economia controlada pelo Estado.

8. A teoria marxiana é nula em termos de psicologia e mentalidade, daí que Marx, cujas pretensões científicas sempre foram absolutas, em momento algum conseguiu provar que as condições materiais definem o sujeito. Por que muitos proletários se tornaram reformistas ou se encontraram dentro do sistema capitalista? O que de fato, é classe social para Marx? Ele não responde. Se a perfeita consciência de classe é apanágio do proletariado devido às condições materiais exploratórias, como é possível que alguém que nunca foi proletário tenha chegado a essa conclusão?!

9. A dialética, processo fundamental para a teoria marxiana, é um mito. Bertrand Russell descartou Marx de modo sumário e categórico afirmando que a dialética é específica do plano lógico, sem qualquer relação com a realidade social (a pobreza e a riqueza são diferentes, mas não contraditórias). Edmund Wilson foi mais além e demonstrou como Engels, parceiro de Marx e do qual ele retirou o conceito de dialética, havia manipulado a Lógica de Hegel: a negação de -a nao é a2, e sim a, sendo que para se obter a2 não é necessário negar, bastando multiplicar axa.

10. No âmbito econômico, a noção segundo a qual o valor dos bens advém inteiramente do trabalho e o lucro ocorre em função do sobretrabalho (mais valia) é central nas análises de Marx. Como tão bem refutaram os economistas austríacos, em especial Eugen von Böhm-Bawerk, Marx errou redondamente ao não considerar elementos importantíssimos em sua teoria da exploração no sistema capitalista: tempo, bens da natureza, recorrência e raridade dos bens, valor de uso. Não é preciso salientar que a negligência de Marx compromete de modo gravíssimo sua compreensão.

PS: Além dos autores críticos de Marx e do marxismo que foram citados acima, recomenda-se a leitura de Raymond Aron, Isaiah Berlin e Leszek Kolakowski. A partir da refutação fundamental de Marx e de seus seguidores, outros autores que discutem aspectos diversos da obra marxiana e de seus discípulos, naturalmente se apresentarão.

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