segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Sacerdotes da irresponsabilidade


A corrida pela presidência da República está a todo vapor e, se de um lado podemos observar propostas por mudanças em relação a tudo de ruim que o PT causou e ainda causa ao país, do outro, por parte daqueles que ora representam o poder e o status quo, nada há além de mentiras, sordidez e retórica terrorista. Não surpreende e basta lembrar a fala de Rui Falcão: "não sabem do que somos capazes". Sabemos.
Logo após o resultado do 1° turno, este sim surpreendente em função do que vinham apontando as pesquisas de intenção de voto, - terá sido um enorme erro dos institutos de pesquisa ou outra coisa? - o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou que a votação majoritária de Dilma nas localidades mais pobres do Brasil é fruto da falta de informação. Trata-se de uma análise trivial e todo mundo que sabe da importância da educação de qualidade é capaz de reconhecer que a carência de instrução torna a manipulação política muito mais fácil. Elementar, exceto para a bancada comuno-petista-esquerdista, de acordo com a qual, inclusive, divulgar a origem dos votos de cada candidato é inadmissível. Falta de informação, em não poucas situações, se deve às tentativas oficiais de omitir a informação... expediente autoritário...
Os Wyllys, os Duviviers, os Safatles os Sakamotos et caterva, espalhados pelas escolas, pelos cursos pré-vestibulares, pelas universidades e por vastos setores da imprensa prontamente se manifestaram contra a banal constatação de FHC, usando, como tipicamente o fazem, de artifícios politicamente corretos e acusando seus adversários daquilo que eles mesmos são. Gente que se orienta antes pela ideologia do que pela reflexão isenta e cuja própria ideologia é inconfundivelmente autoritária, não tem moral para defender democracia e diversidade de ideias - esquerdismo e democracia se relacionam antagonicamente. São caras de pau, isso sim! De acordo com Jean Wyllys, por exemplo, atribuir os votos no PT à falta de informação é preconceito, mas ele apontar como sendo homofóbicos e fascistas aqueles que discordam do seu gayzismo é perfeitamente válido. Grande paladino das causas humanitárias e dos direitos civis... dos que coadunam com sua visão...
Marx jamais pisou em uma fábrica, jamais executou trabalhos braçais, mesmo assim acreditava ser o porta-voz dos proletários, a classe que, segundo ele, seria a única a possuir consciência. Tem-se aí uma contradição monstruosa da teoria marxiana, todavia, Marx atribuía a si um papel sacerdotal, do mesmo modo como procedem seus seguidores, pretensamente doutos. Nenhum deles faz parte do povão, muito pelo contrário, atuam confortavelmente nas torres de marfim das cátedras ou em outros feudos em que a verba estatal costuma ser generosa. Nada de labuta pesada. Nada de farinha com bofe. Embora tenham sido doutrinados e hoje sejam doutrinadores, não se trata, evidentemente, de gente sem instrução e acesso à informação, mas de algo bem pior... Sacerdotes se julgam os intérpretes autorizados da teoria, os guardiões da liturgia e os prescritores da doutrina, compõem, a um só tempo, gênese e estrutura do autoritarismo.
A falta de informação, advinda da carência da educação de qualidade, é uma arma potente na mão dos sacerdotes, sabedores de como usá-la para fins de manipulação política e ideológica. A decência e o humanismo (oposto ao humanitarismo) mandam que medidas sejam implementadas contra tal situação. A ignorância não é deliberada e os ignorantes são vítimas. No caso dos sacerdotes, o mal tem outro nome: "irresponsabilidade". Algum remédio? Não sei, já que se está diante de uma questão psiquiátrica1, mas os responsáveis devem levar consigo o dever de remar contra a maré, denunciando, sempre que necessário, a psicopatia que insiste em nos tentar dominar.

1. Para uma ampla discussão a respeito das relações entre poder político e psiquiatria, ver Andrew Lobaczewski, Ponerologia: psicopatas no poder, Vide Editorial, Campinas, 2013.

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