terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O triste fim de Luiz Gonzaga Belluzzo


Nesta quarta-feira (19/01) chega ao fim o mandato de Luiz Gonzaga Belluzzo como presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, cargo por ele ocupado desde janeiro de 2009. Um triste fim, não há como negar, nem mesmo por aqueles que apostavam piamente no renomado economista. Passados dois anos desde o início de sua gestão, a análise mais lapidar a respeito da administração Belluzzo que pude tomar contato veio da parte de um conselheiro da oposição, cujo nome me escapa de momento. Afirma com humor negro: “o Belluzzionista deixou o Palmeiras sem time, sem estádio e sem dinheiro”. Faltou apenas incluir “sem títulos”.
Na ocasião que antecedeu a eleição de Belluzzo, havia uma quase unanimidade em torno de sua pessoa como a mais capaz de recolocar ordem na casa palmeirense e fazer com que a agremiação esmeraldina pudesse trilhar novamente o caminho das conquistas e da grandeza, marca de um passado já remoto em termos de futebol. Findo o mandato, todas as esperanças ruíram sem deixar o menor resquício. Hoje, o Palmeiras possui uma dívida considerável e aumentada em relação ao início de 2009,  - fato mais estranho na medida em que seu gestor máximo nesse ínterim foi um economista reputado em alto gabarito - não tem um elenco nem de longe capaz de algum feito, ainda que apenas um título estadual, não tem categorias de base que possam render frutos ao time profissional, problema que Belluzzo havia prometido corrigir, não tem um departamento de marketing agressivo e, por um bom tempo ainda, não tem uma casa para mandar seus jogos, constatação que pode se tornar mais assustadora quando levadas em conta todas as trapalhadas e os inúmeros desencontros que têm caracterizado a construção da tal Arena Palestra Itália. Eu não me surpreenderei em nada se daqui uns 5 anos o novo estádio não tiver passado do estágio de maquete.
De modo geral, o brasileiro é suscetível a discursos politicamente corretos, permeados por platitudes e autorizados por uma suposta intelectualidade. Dotado da combinação desses três elementos,  mais o caráter de salvador da pátria que lhe foi imputado por bobos e ingênuos e que até certo ponto ele próprio comprou, apesar de negar, Belluzzo se imunizou contra possíveis ceticismos e, aquele que se atrevesse a lhe direcionar qualquer crítica que fosse, imediatamente era visto como apólogo de Mustafá Contursi, como se somente um dos dois pudesse liderar a administração palestrina. Raríssimos foram os que levantaram o passado pouco recomendável de Belluzzo, fazendo menção aos seus trabalhos horríveis durante os governos de José Sarney e de Orestes Quércia, ou indicando o ridículo das ideias de um cidadão que ainda acredita em desenvolvimentismo e que utiliza conceitos como “cultura ocidental” de forma essencialista e pejorativa. Hoje, os adeptos de Belluzzo estão com o rabinho entre as pernas.
Não sei até que ponto as ultrapassadas noções belluzzionistas afetaram seu desempenho como presidente da SEP, mas quando observamos as papagaiadas protagonizadas por sua pessoa durante a gestão, retroativamente se conclui que ele jamais poderia dar certo. Certamente, a culpa pelo fracasso retumbante não pode recair inteiramente sobre ele, afinal o Palmeiras continua assombrado pelos velhos demônios da época em que se jogava futebol usando gorrinho e pelas insanas disputas feudais que esses mesmos ensejam dentro do clube. Por outro lado, é um grande paradoxo que a figura de Belluzzo, que tanto se apresentou trajando as vestes da aglutinação, encerre seu mandato não só sem sanar mais esse problema crônico nas alamedas de Palestra Itália, o das guerras fratricidas, mas tendo-o agravado, já que a “situação” entra no pleito de 2011 com dois candidatos. Absolutamente rocambolesco!
O Palmeiras precisa de ideias novas, elas que nunca fizeram parte do perfil de Belluzzo, de uma gestão que resgate o clube de sua prisão no tempo e o traga finalmente ao século XXI, precisa de dirigentes comprometidos com o clube, não com seus desejos escusos. Talvez Paulo Nobre seja o que mais possa contribuir, ou quem sabe, Arnaldo Tirone? Ninguém tem certeza, nem mesmo os conselheiros a votar, dado que grande parte deles o fará sem pensar no melhor para o clube. Pode ser que nada mude e que o apequenamento continue em marcha acelerada ou há a chance de ser dado um primeiro impulso, ainda que tímido, numa direção diferente. Quem viver verá. De minha parte, já ficarei satisfeito se não surgir mais nenhum torcedor de gravata matador de bambis.

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