quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O velho, o novo e as mazelas de sempre


O governo Lula terminou. Não sem antes brindar a passagem de ano com mais um de seus tantos atos dignos de absoluta repulsa. Numa decisão que caberia ao STF, mas que foi parar nas mãos do chefe do Executivo, desnudando novamente a ausência de autonomia do Judiciário e de princípio republicano, o então presidente, no último dia de sua gestão, tomou a medida derradeira de negar a extradição do terrorista de esquerda, Cesare Battisti. De nada adiantaram os pedidos e argumentos mais do que justos por parte do governo italiano, tampouco os apelos das famílias das vítimas de Battisti pela volta do criminoso à Itália, tudo acabou sendo sumariamente deixado de lado por Lula. O hiperprensidencialismo que vigora no Brasil petista não pensou duas vezes em deixar nas mãos de um tolo apedeuta decisão de tamanha importância. A negativa da extradição repercutiu muitíssimo mal na Europa, selando o fim da era Lula de modo a acentuar ainda mais as falhas gritantes que marcaram um dos piores governos da história brasileira, se não o pior.
Segundo o ex-presidente e de acordo com os próprios líderes petistas, tal qual o comunista Tarso Genro, Battisti deve permanecer em asilo político no Brasil porque seria "perseguido" na Itália, o que então determinou do governo brasileiro (sic) a preservação da tradição humanista. É estarrecedora a justificativa, exatamente pela mentira deslavada que carrega. Battisti cometeu crimes na Itália, deveria retornar a seu país natal para que lá respondesse por seus atos de terror. O Brasil jamais poderia servir como receptáculo para criminosos, já bastam os que são daqui! Além disso, a ideia de humanismo não se aplica ao PT, que em outras ocasiões nas quais uma postura do tipo seria muito mais pertinente, agiu de maneira oposta, haja vista o caso dos atletas cubanos que pediram asilo político no Brasil durante o Panamericano de 2007 e acabaram sendo deportados sem qualquer cerimônia para a ilha dos horrores de Fidel, atitude que rasgou e atirou no lixo todas as convenções  internacionais a respeito do abrigo devido a refugiados de regimes ditatoriais. Na visão petista, um terrorista de esquerda que matou em nome de devaneios políticos merece asilo e tratamento humanista, mas pessoas de bem que fogem de uma tirania retrógrada, são apenas párias anti-revolucionários. Foi escancarada a motivação puramente ideológica que fez Lula manter Battisti no Brasil, caso se tratasse de um criminoso de direita, teria sido extraditado com toda rapidez.
Mal anoiteceu o governo Lula, alvoreceu a era Dilma Roussef. Em seus primeiros dias de governança, a nova presidente tem se mostrado como a criancinha que se entusiasma ao receber um presente. Ao que me parece, Dilma se assemelha muito com Lula em relação à falta de gosto pelo esmero administrativo e, assim que a novidade do poder se transformar na rotina que exige competência, minúcia e ponderação, aí então a mandatária deverá mostrar a que veio.
Pelo que se conhece de Dilma e do PT, não viveremos nada que escape ao que vem se observando desde 2003. A atual presidente possui um certo recato que nem de longe se verificava em Lula, bravateiro, autoindulgente e ávido por discursos vazios, feitos sob medida para a massa inculta. Isso poderá vir a ser uma característica ruim, ao contrário do que sugere de imediato, pois o poder efetivo corre o risco de ficar mais concentrado em gente ainda pior do que Dilma.
Em âmbito objetivo, como colocou o professor Simão Davi Silber, esse novo governo tem tudo para permanecer como o anterior, ou seja, nada mais do que uma enceradeira desgovernada. Não há investimento em infraestrutura, nem em educação, nem em tecnologia, sem os quais não se cria ambiente para negócios e, consequentemente, também não se gera real desenvolvimento (extemporâneo, o petismo ainda crê no desenvolvimentismo estatal). Some-se a isso a carga tributária que atinge 36% do PIB, 10% mais do que em 1994, mantendo a gastança governamental exagerada e sempre inócua, além da inflação que vem num galope crescente, já superando a casa dos 6%, e tem-se o script pronto para que o que pode ser um filme de terror nada divertido.
Diante do descalabro e da incompetência, adjetivos que cabem perfeitamente para (des)qualificar o governo petista, resta a tênue esperança de que possa surgir uma oposição de verdade no Brasil, capaz de estabelecer propostas sólidas e alternativas, bem como cobranças mais fortes em relação à situação, algo que já significaria grande mudança no contexto político do país.

 *PS: ainda quanto ao caso Battisti, clique aqui para saber mais.

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