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terça-feira, 2 de novembro de 2010

As chagas petistas e o embuste nacional (da série "Para o Brasil seguir afundando")


"O PT foi o partido que mais investiu no social." MENTIRA!
O governo Lula foi ótimo para as classes mais ricas, que o digam Eike Batista, os grandes empreiteiros, como a alta cúpula da Odebrecht, ou a família Sarney, que possui um quintal chamado Maranhão. Quanto aos mais pobres, apenas a baixíssima instrução dos mesmos e a sandice ideológica de muitos intelectualóides marxistas pode fazer acreditar que o assistencialismo populista ajuda os miseráveis a sair da miséria. Ao contrário, apenas os perpetua no lodo da pobreza. Vale ressaltar que o boom demográfico que já vem se verificando em alguns rincões, face ao assistencialismo, poderá resultar a médio e longo prazo numa tragédia sem precedentes.

"Os números do governo Lula são melhores do que os da era FHC." MENTIRA!
Além de não haver termo de comparação entre o Brasil de hoje e o Brasil pós-hiperinflação, todos os números, ilusórios e falsos em muitos casos, como no que se refere ao crescimento absoluto do PIB, são herança bendita do ajuste econômico realizado por FHC. O governo petista apenas seguiu o que já havia sido feito no período FHC em relação à política econômica, já os investimentos em educação, tecnologia e infraestrutura (o PAC jamais passou de embuste grosseiro, muitas de suas obras, ou estão estão paradas, ou nunca saíram do papel) foram ínfimos ou inexistentes. Entre 2003 e 2007, ainda que os ventos da economia mundial tenham soprado a favor, o crescimento brasileiro foi ínfimo. Daqui para a frente, na contramão do que Lula adora bradar do alto de sua ignomínia autoindulgente, o Brasil, que durante seu governo inepto dormiu sobre os louros dos commodities, irá sofrer penosamente com a redução do dólar e com a queda acentuada na demanda dos países desenvolvidos.

"Durante o governo Lula, milhões de pessoas subiram a escada da pirâmide social." MENTIRA!
Com uma carga tributária tentacular e usurpadora que recai sobre a classe média, aquela que mais trabalha e produz no Brasil sem ter acesso a qualquer serviço público que preste, foi ela que empobreceu para bancar o assistencialismo populista do PT. A dívida interna do país é altíssima, incompatível com o viés estatólatra e atrasado em 80 anos, característica típica do discurso embusteiro do PT e da turminha que se acha de esquerda, gente que tem o péssimo hábito de considerar o Estado superior à sociedade. A capacidade de investimento estatal está mais do que saturada, só poderá se manter às custas do colapso da classe média e do setor produtivo. Vamos ver como o fantoche Dilma irá lidar com tal questão. Já em relação à suposta ascensão social dos mais pobres, nada mais se verifica do que um aumento do consumo de produtos, muitas vezes, de qualidade inferior e pautado em crediário de longo prazo quando se trata de bens duráveis. Até quando esse quadro poderá se manter às expensas do próprio Estado, do contribuinte e das instituições da República, é uma boa (e assustadora) pergunta.

"Com o PT no poder, a imagem do Brasil melhorou no exterior." MENTIRA!
Essa panaceia incapaz de enganar qualquer pessoa com um mínimo de nível cultural, vira e mexe é propalada por desavisados e pelas hostes petistas, motivada muito em função da famosa (e dúbia) declaração de Obama e do que saiu escrito nas imprensas francesa (depois da compra dos obsoletos caças Dassault pelo governo Lula) e espanhola (que depois voltou atrás). O Brasil é bem visto em países subdesenvolvidos e ditatoriais, como Irã e Cuba, graças à horrenda política externa de Lula em conchavo com seus amiguinhos tiranos. No mundo desenvolvido, o Brasil continua sendo visto como nação miserável e na qual impera a lei da selva, famoso apenas pelo Carnaval, pelo futebol, pela cerveja e pelos traseiros femininos, fonte de exploração sexual em tantos casos. Visão essa que, infelizmente, é muito próxima do correto. Depois que Lula se comportou de maneira vexatória e execrável no episódio Zapata, a imprensa espanhola desaprovou fortemente sua conduta, o mesmo acontecendo com a opinião pública em várias partes do planeta. Não é à toa que uma mente decrépita como a do ancião totalitário e arquiteto fajuto Niemeyer, apoia Lula e o PT. E muitos brasileiros bobos e ufanistas babam ovo para aquele que projetou Brasília, o paraíso da corrupção no Brasil.

Afora todos os embustes petistas, nunca antes no Brasil como durante a era Lula a corrupção foi, não como muitos afirmam, uma prática usual (e ilícita) no país, mas uma forma institucionalizada de aparelhar a máquina pública e açambarcar e garantir a manutenção do poder (Zé Dirceu vem aí de novo). Não vou nem mesmo me estender a respeito da péssima política ambiental do PT ou da questão das privatizações, aspectos outros que servem para expor as chagas petistas, (pouco e mal exploradas pela oposição) pois outrora já tratei de tais fatos, mais de uma vez. Fica apenas uma indagação: e então, PSDB, vai continuar apostando em políticos fracos, sem apelo nem liderança nacional, vai continuar em cima do muro com discursinho social-democrata, ou vai adotar uma postura liberal-clássica, dando ênfase a um Estado eficiente e enxuto, acentuar a importância da educação, da ciência e da tecnologia, abordar questões urbanísticas e ambientais, lutar pelas reformas tributária e previdenciária, enfim vai fazer oposição de verdade, batendo forte na corja petista? 2014 não demorará, isso se houver eleição...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A balela petista do "petróleo é nosso"


É fato banal e sabido por muitos mundo afora, que economias cujo foco principal se concentra na exploração de recursos naturais, principalmente o petróleo, estão bem longe de ser desenvolvidas. O acesso à riqueza gerada por esse tipo de recurso é apanágio único e exclusivo, conforme o caso, dos chamados sheiks do petróleo (na maior parte dos países do Oriente Médio) ou de autocracias governamentais (na Venezuela, no Equador e na Indonésia). Enquanto isso, o quadro brutal de desigualdade faz com que a maioria da população dessas nações tenha que comer o pão que o diabo amassou na dependência da agropecuária rudimentar para se manter. Não é à toa que nesses paises os governos sejam absolutamente nacionalistas e autoritários, pois eles próprios se locupletam dos petrodólares, tampouco são governos que investem na diversificação da economia (qualquer semelhança com o que vem se delineando no Brasil de hoje, não é mera coincidência). No Oriente Médio, por exemplo, as nações mais prósperas são Israel e Turquia, não-produtoras de petróleo, exatamente porque possuem indústria mais desenvolvida e diversificada e terciário mais avançado. O único caso de nação petroleira que foge um pouco à regra se dá com os Emirados Árabes, que ultimamente abriu sua economia ao turismo internacional. De modo geral, é fácil notar que nenhum membro da OPEP é desenvolvido, muito pelo contrário, são países pobres, ou no máximo emergentes, como o próprio Emirados Árabes ou o Kuwait, cuja política tem grau um pouco menor de autoritarismo.
Mesmo a despeito dessa obviedade, já exaustivamente discutida há tempos por tantos analistas, o Brasil, terreno fértil do estatismo fossilizado desde a Era Vargas, passando pelos milicos e chegando ao atual governo, continua pródigo em lançar os mais ridículos clichês provenientes de tal mentalidade provinciana. No ano passado Lula divulgou o marco regulatório da exploração da camada do Pré-Sal, acompanhado do patético slogan (referindo-se ao petróleo) "Patrimônio da União. Riqueza do Povo. Futuro do Brasil". Do ponto de vista econômico, é uma balela difícil de ser superada em seu equívoco. Mas quem no Brasil consegue enxergar essa falácia? Poucos, muito poucos. Do ponto de vista ideológico, entretanto, tem funcionado como uma arma poderosa no discurso populista do PT, já que ciente do viés estatólatra de grande parte da população tupiniquim, o tema do "petróleo é nosso" tem aparecido a todo momento na campanha eleitoral de 2010. Campanha essa que se resume à comparação entre o governo atual e o anterior, ainda que a comparação seja completamente non sense e carente de parâmetros. Jamais a privatização da Petrobrás foi discutida a sério, governo nenhum aventou a possibilidade de leva-lá a cabo. Não é nada surpreendente que nos grotões da ignorância, aqueles que são vítimas e mentes cativas do assistencialismo petista, nada saibam sobre o assunto e caiam como mosquitos ingênuos na teia dessa propaganda nefasta. Estarrecedor é o fato de muita gente com nível de instrução suficiente comprar e bater o pé em defesa do discursinho mentiroso e arcaico do atual governo.
Como se não fosse a tão evidente questão ambiental, um assunto planetário, que por isso mesmo não atrai a atenção das umbigadas nacionalistas e que manda diminuir o afã do petróleo, (já abordei aqui o potencial eólico e solar do país, desprezado pelo governo do PT, que cortou verbas dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia) o tema do petróleo envolve para o Brasil outros pontos que são varridos para baixo do tapete no atual governo.
Para aqueles que tecem loas ao petismo, cabe perguntar no que se traduz exatamente o lema do "petróleo é nosso". Nos investimentos que a Petrobrás realiza em países latinoamericanos nos quais grassam ditaduras? Ou no aparelhamento partidário e fisiológico que essa estatal sofre? Em função disso, será que a Petrobrás é realmente pública, será que seus altos cargos são preenchidos a partir de critérios meritórios? Quem sabe o lema do "petróleo é nosso" não se materialize na verba destinada às ONG´s petistas? Sobre isso, alguém já se perguntou como uma ONG pode ter partido? O que são ONG´s no Brasil? No governo do PT, têm sido braços do próprio governo. ONG´s a serviço do governo..., trágico! E as verbas que a Petrobrás repassou à cooperativa do MST? O petróleo é deles! E a CPI da Petrobrás? Por que o atual governo jamais foi em frente nessa discussão? Voltando ao tema ambiental, o governo alguma vez discutiu, de modo superficial ao menos, os possíveis impactos ecológicos que podem resultar da exploração nas águas profundas do Pré-Sal?
A balela do "petróleo é nosso" continuará a ser propalada pelo governo, muitos incautos permanecerão comprando essa cretinice, nada mais do que a cara do Brasil. Se a candidata do governo nas eleições presidenciais vencer o pleito, a demência do ouro preto invadirá de modo mais agressivo as mentes sujeitas à propaganda autoindulgente, característica do autoritarismo petista. Todavia, ainda é tempo de evitar a tragédia do continuísmo Lula-Dilma (Zé Dirceu). Que prevaleça, então, o bom senso, se é que ele ainda existe...

domingo, 10 de outubro de 2010

A hora do bom senso


De acordo com a primeira pesquisa de intenção de voto para a presidência da República no 2° turno, divulgada ontem (09/10) pelo Datafolha, e a partir do que já se verificou no 1° turno, no qual a vitória da candidata petista dada como certa não se confirmou, a disputa de 31/10 deverá ser acirrada. O candidato do PSDB, no entanto, ainda precisa tirar uma diferença significativa em relação à sua adversária para que possa se sair vitorioso.
Não é difícil projetar uma derrota do PT caso a maior parte do eleitorado que votou em Marina Silva, independente de qualquer aliança política que possa ser costurada, usasse o bom senso e desse seu voto para José Serra. Quem votou na candidata do PV o fez por falta de opção, porque tem restrições tanto quanto a Dilma, como também ao tucano. A diferença é que agora no 2° turno, não restam opções, ou vence o menos pior, que pode ter vários defeitos, como por exemplo, a falta de ideias novas a respeito de ciência e tecnologia, ou mesmo sobre meio ambiente, ou permanece no governo o partido que, além dos mesmos vacilos da parte tucana, já se mostrou capaz de tudo pelo poder, que adota práticas populistas para iludir a massa de pobres, que mantém os privilégios dos ricos, que enforca a classe média, que aparelha a máquina pública e que possui claríssimo e inegável perfil autoritário. Com maioria no Congresso, a chance do PT fazer avançar ainda mais sua sanha bolchevique é bastante grande. Seria uma tragédia para o já combalido Brasil.
Marina Silva nunca esteve preparada para comandar o Executivo. É uma figura política sem expressividade e sem força, haja vista que durante seus anos de ministério no governo do PT, nunca conseguiu colocar em prática qualquer uma de suas políticas ambientais. Aliás, alguém sabe quais são as ideias de Marina -  ela que construiu seu perfil político com base na defesa ecológica - acerca do tema? Obviamente, o insucesso da acriana como ministra do Meio Ambiente não foi apenas culpa sua, dado que um partido da linha ideológica do PT jamais teve preocupações em relação a isso, mas a inépcia ajuda a revelar sua fraqueza. No fim das contas, teve de deixar o partido de Lula e Dilma. Seu estereótipo bonzinho, de fala mansa e suposta ponderação, nunca foi mais do que muleta de discurso, artifício típico a denotar carência de ímpeto e poder de realização. Quem sabe um dia Marina Silva não venha a ser uma figura política de peso? Cabe lembrar a reboque, que durante o governo PT, o desmatamento na Amazônia atingiu recorde histórico em 2008/2009, (Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente em maio de 2008) sem mencionar o Cerrado, que vive situação ainda mais desesperadora. O governo do PT, seus ideólogos e os ruralistas (dentre esses últimos, a maioria eleita na semana passada para representá-los no Congresso, apoia o PT) nunca mencionam o Cerrado, já que o plantio de soja que devasta cada dia mais esse ecossistema é a base principal do agronegócio que sustenta o ilusório crescimento do PIB no governo Lula, salientando-se o fato de que mais de 90% dessa soja não se destina ao consumo humano.
No embate político vigente no Brasil, adeptos festivos do petismo, aqueles que caem no papo furado de tantos professores uspianos e puquianos, todos eles beneficiários de feudos obtidos por meio do jeitinho brasileiro no interior da máquina pública, recorrem desesperados ao argumento da falência da educação paulista supostamente causada pelo PSDB. Balela total! A educação  pública vai de mal a pior no Brasil inteiro desde a época da ditadura militar (que Lula tanto gosta de citar positivamente), bem antes dos tucanos existirem. Não que esses tenham feito melhoras no sistema educacional de São Paulo, muito pelo contrário, mas daí creditar o sucateamento aos mesmos, é má fé ideológica. Ademais, quem são os petistas para falar em educação se o seu Sassá Mutema é o apedeuta mor da nação?!
Outras falácias do petismo abordam os números da economia, hipoteticamente melhores na era Lula do que no governo de FHC. Primeiramente, como já vem sendo ressaltado por analistas isentos e pelos próprios dados do IBGE sobre o IDH, o crescimento do PIB lulista é ilusório, baseado em commodities e brutal com relação ao meio ambiente. Segundo, aqueles que boicotaram exaustivamente o ajuste da economia, feito por FHC, não podem abrir a boca para mencionar esse assunto. Se hoje existem números melhores do que nos anos 90, a reforma econômica tucana é que possibilitou ao PT surfar na onda.  Fora isso, também é má fé ideológica comparar o Brasil de 15 anos atrás com o de hoje. Essa gente petista não entende mesmo como funciona a economia globalizada! Curioso que Lula e os petistas não fazem cerimônia para falar de "herança maldita", mas nunca tiveram a honra de pensar na "herança bendita".
Finalmente, as privatizações não poderiam deixar de ser alvo da demonização petista. No caso da telefonia, quem tem um mínimo de memória sabe o quanto a burocracia do monopólio estatal no setor atrasava a vida e sugava o bolso do cidadão. Se hoje o serviço tem falhas, por outro lado, proporciona poder de escolha e preços acessíveis, graças à concorrência. A crítica das viúvas do Estado é ainda mais forte quanto à Vale e à CSN, no que então não custa sempre lembrar que o prejuízo dado por ambas quando pertenciam ao monopólio estatal era monstruoso. Hoje, além de serem lucrativas, cerca de 60% do capital é nacional. A manjada tese estatólatra das "perdas internacionais", que faz com que os petistas deem as mãos ao defunto Brizola, não passa de embuste deslavado! Agora, cabe perguntar a esse pessoal o que têm a dizer sobre a privatização da máquina pública, essa sim criminosa e típica das práticas políticas do PT. Tudo para se manter no poder, não é mesmo?
Marina foi boicotada enquanto ministra no governo petista, Marina deixou o PT. Marina filiou-se ao PV, partido que se mostra avesso ao autoritarismo. Não sabemos ainda se a acriana e seu partido darão apoio a alguém na disputa do 2° turno, considerando ainda que uma aliança política, especialmente no Brasil de hoje, costuma escapar à questões de ponderação. Independente disso e deixando de lado as alianças e o partidarismo, qualquer dúvida sobre qual deve ser o voto do eleitor de Marina em 31/10, já está desfeita há muito. Apenas sou mais um, dentre tantos, a fazer coro contra o que há de pior na história da política brasileira na Nova República, isto é, contra aquilo que se chama PT.
Oxalá a luz da razão possa emanar os ares de sua bonança e se fazer presente com toda força na mente do eleitor brasileiro, ao menos entre os marineiros!

domingo, 3 de outubro de 2010

Brasileiro vai às urnas


Neste domingo, no momento mesmo em que escrevo estas linhas, o povo brasileiro se encaminha na direção das seções eleitorais para dar seus votos nas eleições presidenciais, estaduais e do Poder Legislativo. Na cabeça do brasileiro, o voto é o instrumento máximo da democracia, ideia que chega a ser corroborada até mesmo por boa parte da imprensa. As eleições são realizadas de tempos em tempos, tendo portanto caráter pontual, além do que, num país onde a consciência política de grande parcela de sua população é deficiente, se esquecendo em quem votou depois de alguns dias, e onde ainda os políticos formam uma casta privilegiada, não há democracia que possa se sustentar apenas esporadicamente em época eleitoral. Não, democracia não é isso, não apenas, pelo menos.
Em sociedades politicamente maduras, a democracia é uma questão cultural, o que enseja e desenvolve, por assim dizer, uma cultura democrática. Nesse tipo de sociedade, o cidadão é possuidor de liberdade politica não somente porque tem direito de votar, mas porque, sobretudo, tem a capacidade e a disposição de exercer sua cultura democrática no cotidiano, prática que se traduz pelo espírito associativo concernente ao diálogo e à cobrança em relação aos políticos. Cidadania, em outras palavras. E nisso, os canais participativos indiretos que hoje em dia são oferecidos ao cidadão, se mostram muito maiores, por exemplo, do que na Atenas clássica com sua democracia direta. Esse mecanismo revela também que o conceito de "democracia burguesa" não passa de falácia ideológica da velha esquerda autoritária.
No Brasil, em contraponto a esse sistema, a fragilidade do espírito associativo, como já elucidado por nomes do quilate de José Murilo de Carvalho, Roberto da Matta e Evaldo Cabral de Mello, não permite que o mesmo seja exercido dentro da política. Em nosso país, o maior exemplo de espírito associativo ocorre no Carnaval, festejo externo à política, que dura 5 dias por ano e que não possibilita nenhum ganho em termos de cidadania, muito pelo contrário. Não surpreende que em uma democracia coxa como a nossa, o voto seja obrigatório, pois além do próprio cidadão nutrir a ilusão de que votar faz dele um partícipe do processo democrático, muitos políticos necessitam do voto das massas em catarse para alcançar ou manter o poder. Em democracias consolidadas, o voto é apenas mais um dentre tantos mecanismos de atuação política, nem de longe o principal. Além disso, a representatividade abarca muito mais elementos do que o fato do cidadão ter votado ou não. O voto facultativo vigente em muitas democracias maduras é sempre um aspecto construtor de consciência política e a abstenção, um forte sinal de protesto quando há algum descontentamento em relação aos políticos. Já em países como o nosso, o voto obrigatório é fator essencial para o vicejar do populismo e do assistencialismo e para a perpetuação dos privilégios da casta política, amparada por votos conquistados na base do cabresto moderno, o marketing, ele próprio vetor de tantas políticas de "pai dos pobres", comuns no Brasil petista. Sendo assim, o que há de surpreendente na eleição de um Tiririca ou de um Netinho?
O paradoxo de nossa democracia de isopor atinge até mesmo detalhes mínimos, como o fato de que para se votar a partir de agora, já não basta apenas o Título de Eleitor, porém, para se obter um passaporte, esse documento deve ser apresentado, além dos comprovantes de votação na última eleição. É a cara do Brasil!
Pensando em resultados e nos prováveis eleitos, o quadro é ainda mais desanimador. No pleito presidencial, as pesquisas mostram que a maioria do eleitor brasileiro dará o voto mais conservador da Nova República, fazendo continuar a corrupção sistemática, o aparelhamento da máquina pública, o autoritarismo, a incapacidade gerencial e a ilusão do crescimento da economia baseado em commodities. Nunca antes na história desse país o eleitor foi tão cretino!
Aqui no Estado de São Paulo, para ficar apenas na análise da disputa pelo governo, sem  entrar no mérito da eleição senatorial, na qual  o resultado poderá ser aberrante, também o conservadorismo dá o tom. É lamentável observar como os paulistas não conseguem escapar à polarização PSDB-PT. Aloizio Mercadante, que pertence ao partido que tão bem representa o que foi escrito no parágrafo anterior, é o segundo colocado nas pesquisas. Já Geraldo Alckmin, um dos políticos mais anódinos de todos os tempos e que tal qual seu co-partidário José Serra, nada tem a dizer sobre urbanização, meio ambiente e tecnologia, lidera. Gente mais inteligente, como Fabio Feldmann, mal consegue atingir 1% na expectativa de voto. Isso também é a cara do Brasil!
É questão de horas para que a apuração seja completada e para que se confirme aquilo que já é previsto. E assim, mais um processo eleitoral estará findado, mais uma vez o ingênuo povo brasileiro será ludibriado e, como sempre, a democracia no país se mostrará apenas uma abstração a ser citada em vão por políticos corruptos, incompetentes, populistas, autoritários...

sábado, 25 de setembro de 2010

França (Paris)

  
Torre Eiffel

Chegou finalmente a hora de finalizar os relatos sobre o Eurotour. É a vez de Paris, etapa que colocou fim à estadia europeia.
É difícil escrever sobre Paris, por vários motivos: primeiro porque possivelmente, tudo o que eu relatar aqui a respeito da Cidade Luz, já é relativamente sabido por qualquer pessoa medianamente informada, segundo, devido ao fato de que há tantas atrações na capital da França, que o turista que fica por lá durante três dias, como no nosso caso, não consegue dar conta  de ver todas elas, evidentemente. Creio que até mesmo quem reside em Paris, se se propuser a contar o que há nela, não poderá fazê-lo de modo a não sentir uma forte sensação de incompletude a menos que escreva um guia. Pois bem, mesmo assim, vamos lá...
Paris é a cidade mais visitada do mundo. Não é, na minha opinião, a mais bonita, nem a mais dotada de valor histórico, nem a mais aconchegante, nem mesmo a mais charmosa. Concordo sim, em lhe atribuir o título de a mais glamourosa, aquela cuja visitação fecha como nenhuma outra uma viagem ao Velho Mundo. Visitar Paris é como completar um álbum de figurinhas, obtendo aquele cromo sem o qual fica faltando algo. Paris é um cartão postal não apenas da Europa, mas do planeta.
A torre Eiffel é indubitavelmente o ponto alto, a atração mais procurada da cidade mais visitada. Um gigante de ferro, mas que tem a leveza de uma pluma, a sublime elegância das formas, impõe-se sem esforço no meio da urbis, podendo ser avistada de vários pontos diferentes. Um monumento que hipnotiza e que traz em si toda a história da moderna Paris, transmitindo a clara impressão de que sempre esteve ali, mesmo tendo sido erguida apenas no final século XIX, época na qual Paris, justamente se modernizou. Não basta apenas vê-la, mas apreciá-la à luz do dia, no crepúsculo, quando suas luzes começam a ser acesas e finalmente à noite, quando oferece ao turista o esplendor total de sua beleza. Entrar na torre, tomar os elevadores e atingir o topo desse ícone da arte e da arquitetura mundiais, também é essencial, já que Paris vista do alto revela encantos, tanto quanto do nível do solo. Um cuidado que se faz necessário no passeio, diz respeito aos cafés que abundam as imediações da torre, uma vez que seu charme faz com que os preços sejam de exorbitância calamitosa. Ande um pouco mais além e encontre um estabelecimento com preços condizentes.
 

Arco do Triunfo

Outra atração que também remete diretamente ao conceito de urbanização que tornou Paris o que ela é hoje, é o conjunto Arco do Triunfo - Champs Elysées. Passear a pé pela avenida mais famosa do mundo e deparar-se com o Arco em toda sua grandiosidade neoclássica é como um rito de passagem que torna o visitante um turista de fato. O Arco do Triunfo situa-se num ponto central de onde se irradiam, além da Champs Elysées, mais onze avenidas, traçado urbano projetado pelo Barão de Haussmann no século XIX. A crítica marxista acusou a modernização haussmaniana de elitista e autoritária, pois a largura das avenidas e sua geometria reta eliminaram a sinuosidade até então vigente, impossibilitando a ocorrência das barricadas. Balela! Atualmente, o estado francês agradece as cifras que o turismo nas avenidas de Haussmann proporciona a seus cofres, assim como tantos marxistas já passaram por ali maravilhados com a exuberância advinda de um conceito de urbanização que até hoje é ausente em países subdesenvolvidos. Barricadas não melhoram a vida de ninguém, nem ontem, nem hoje, projetos urbanísticos, podem sim permití-lo, no entanto. Viva a Paris moderna, carregada de história! Vale ainda mencionar as tantas lojas e cafés presentes no conjunto das avenidas do centro de Paris, nem sempre com preços inacessíveis. A Sephora, na própria Champs Elysées, é uma megaloja de perfumes na qual se pode comprar das melhores fragrâncias do mundo por valores normais. Na Avenue de Wagram, o Caesar Café oferece boas refeições, igualmente a preços atraentes. Aproveite!


Museu do Louvre

No quesito arte, Paris conta em seu cardápio com o magnífico Museu do Louvre, que vai bem além da Monalisa. As atrações começam ainda na parte externa do museu, cuja construção impressiona pelo tamanho (são 700m de comprimento de cada lado do "U" que lhe dá forma), pela presença das Colunas de Perrault, uma emulação das ordens arquitetônicas da  Grécia Antiga, e das indefectíveis pirâmides de vidro. Já dentro do Louvre, é importante obter um guia (há a versão em Português) com a planta do museu a fim de percorrer suas infindáveis salas e corredores com mais desenvoltura. Este guia indica também as principais atrações do Louvre. São tantas: Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, Eros e Psyche, Código de Hamurabi, Muros do Palácio de Sargão, uma infinidade de sarcófagos egípcios, além da própria Monalisa e de inúmeros outros objetos de arte.


Notre Dame vista do rio Sena

A Catedral de Notre Dame é outro local famoso e que atrai muitos turistas. Não é a mais bonita igreja europeia, perdendo de longe para a Basílica de San Pietro e para o Domo de Colônia, mas suas gárgulas, suas rosetas de vidro e seus arcobotantes na parte traseira, fazem dela um incontestável símbolo gótico. Em conjunto com o Sena, já que fica situada na beira do rio, compõe mais uma das paisagens parisienses. Pensando no rio Sena, fazer um passeio de barco em suas águas limpas é também essencial. O trajeto parte do ponto em frente à Torre Eiffel e percorre alguns dos locais de maior interesse em Paris, ficando o destaque para a ponte Alexandre III, considerada a mais bonita do mundo e que pode ser apreciada bem de perto.


Jardin du Luxembourg

Igualmente atraentes são o Quartier Latin, com seu imponente Pantheon, a bela igreja gótica de Saint Etienne e a Sorbonne, a Sacré-Couer, basílica com elementos arquitetônicos arábes e situada num local de onde se tem uma vista panorâmica de Paris e principalmente, o fantástico Jardin du Luxembourg, uma espécie de parque que possui um projeto paisagístico de encher os olhos, com tapetes de grama verdejantes (especialmente no verão) recobertos pelas mais diversas espécies de flores e seu exuberante colorido, tudo muitíssimo bem cuidado.
Essas foram apenas a atrações que nós visitamos, havendo muitas outras em Paris. O certo é que a Cidade Luz fecha com chave de ouro uma viagem que todo mundo deve realizar um dia na vida!

domingo, 12 de setembro de 2010

Holanda e Bélgica (Amsterdam e Bruxelas)


Canal em Amsterdam

Olá! Hoje é dia de escrever sobre Holanda e Bélgica, os dois países que compuseram a penúltima etapa do Eurotour. Então, mãos à obra!
Começando por Amsterdam, capital holandesa, logo de cara o que mais chama a atenção do visitante é o agito da cidade, badalada, cosmopolita, vanguardista e liberal. Essa agitação, todavia, nunca passa a impressão de bagunça, sendo antes um elemento que perfaz a própria organização urbana do local. Os inúmeros canais, todos eles limpos, lotados de barcos e sempre margeados por árvores em profusão, dão o toque característico da paisagem. Um charme inconfundivelmente holandês! É impossível também não notar a quantidade gigantesca de bicicletas em Amsterdam. Estacionadas na ruas, nos pontos de locação, ou sendo usadas pelos cidadãos, requerem boa atenção do turista ao caminhar, mas são sem dúvida, um dos fatores que denota a qualidade de vida de quem habita a cidade.
A vida cultural oferecida pela capital holandesa é vasta, uma das mais fartas da Europa. Conforme o tempo disponível, o visitante não pode deixar de conhecer alguns dos museus da cidade, tais como o Rijks, a Casa de Rembrandt, o Museu Judaico, a Casa de Anne Frank e o Museu Van Gogh. O Rijks é considerado o mais tradicional, mas penso que a Casa de Anne Frank e o Van Gogh sejam os dois que devam ter prioridade. 
No caso do pintor holandês, pelo simples fato de possuir o maior acervo de telas do artista, passando por todas as fases de sua pintura. Não há como deixar de notar a evidência do gênio de Van Gogh, também porque as explicações oferecidas junto às obras, informam de modo extremamente detalhado sobre a fantástica, complexa e trágica gênese de sua obra. Depois de apreciar as belas pinturas, o visitante não deve deixar de adquirir a preços módicos nas lojinhas que cercam o museu, ao menos uma réplica de algum dos quadros do grande pintor holandês.
No que se refere a Anne Frank, o valor histórico do museu é inestimável. Aqui cabe um parênteses para abordar a polêmica que envolve a autenticidade do diário escrito pela menina, um dos documentos históricos mais dramáticos acerca da perseguição nazista ao povo judeu. Existem aqueles que, não totalmente desprovidos de razão, negam a autoria do Diário a Anne, sem no entanto incorrerem na negação do Holocausto ou no anti-semitismo. Particularmente, creio que certas partes do diário tenham sido manipuladas por Otto Frank, pai de Anne. Essas minúcias, porém, não desprezam o valor documental dos escritos e nem estão imbuídas de consequências políticas e ideológicas merecedoras de reflexão mais detida pelo público leigo. Levantam, é claro, questões teórico-metodológicas em relação a quem lida com pesquisa histórica, mas o documento, nesse âmbito, não é negado. Por outro lado, a corrente negacionista, - e aí já não estamos mais pensando apenas no Diário - sem nenhuma consistência teórica, apenas adotando os contorcionismos discursivos e a ausência de lógica e de pesquisa documental, recusa as evidências históricas do Holocausto e da perseguição aos judeus (e também aos ciganos). A consiliência de inúmeras provas, diferentes em natureza e no tempo-espaço, bem como os vários estudos a respeito do pensamento nazista, que jamais deixa de ir ao encontro do tema do preconceito racial e do extermínio dos "inimigos da causa", solução tipicamente totalitária, não interessam aos negacionistas, por um único motivo, a saber: o relativismo radical (e modista) dessa corrente tem um objetivo definido, que é reabilitar o nazismo como opção política, algo moralmente aterrador para aqueles que preservam a diferença fundamental entre certo e errado. Um dos maiores apóstolos do negacionismo, Robert Faurisson, declarou que Hitler jamais perseguiria alguém por conta de raça ou religião. Não pode haver mentira maior do que essa e não se pode chegar a outra conclusão, senão a de que Faurisson é um nazista convicto tentando conferir ternura  à ideologia hitleriana. Nos últimos tempos, tem sido trágico e curioso observar como muitas tendências de esquerda abraçaram o negacionismo ao associar os judeus com o capitalismo. Lamentável! Uma coisa é certa, estar na Casa de Anne Frank é se emocionar, pois remete a um dos períodos mais sombrios do pensamento e da história humanas, além de fazer sentir um reflexo do que o povo judeu sofreu durante a perseguição nazista. Visita imprescindível!


Oude Kerk - Amsterdam

O turista que vai a Amsterdam econtra ainda a beleza da arquitetura da Oude Kerk, a velha igreja, da Westertoren, torre com relógio na igreja onde Rembrandt foi sepultado, e do Koninklijk, palácio real da cidade, sem falar de outros tantos monumentos e construções. Interessante também, pela tipicidade local e pelo inusitado ao estrangeiro, é fazer o passeio pelo Red Light District, bairro onde ficam as prostitutas (que possuem carteira de trabalho assinada) e onde há certos estabelecimentos nos quais é permitido o uso de maconha. Quem pensa que fumar o entorpecente é permitido em qualquer lugar e a céu aberto, está muito enganado. Só nos estabelecimentos autorizados pelo governo, a uma quantidade limite por usuário e com pesados impostos recaindo sobre o preço da droga, o que contribui decisivamente para custear o tratamento dos viciados, que somam apenas 5% dos habitantes da cidade.
Em seu agito singular, Amsterdam não deixa de refletir a organização que se vê em toda a Europa. Vale muito a visita.


Atomium - Bruxelas

Após deixarmos a capital da Holanda, fizemos uma parada em Bruxelas, desta feita, capital belga e sede da União Europeia. Como a passagem pela cidade seria rápida, optamos por fazer um city tour em ônibus aberto na parte superior. Valeu a pena, apesar do veículo não acessar a praça central de Bruxelas. Partimos da bonita catedral gótica de Saint Michel e passamos pelo Atomium, grande estrutura em alumínio representando um átomo, construída em 1958 com o objetivo de revelar a pujança da indústria de base na Bélgica, pelo Palácio Real, com sua impressionante fachada neoclássica, pela sede da UE, composta de vários edifícios modernos e pelo o Arco do Triunfo do Cinquentenário Belga, construído para comemorar os cinquenta anos da independência da Bélgica e que não tem nem um terço da fama de seu primo parisiense, mas que em beleza, pode rivalizar tranquilamente com ele. O tour passou também pela estátua do Manneken Pis, pequena fonte que mostra um garotinho urinando e cuja inspiração talvez tenha sido a história do filho de um duque que urinou numa batalha, mas que não conseguimos ver, pois a parada no local foi rápida e pelo fato do monumento ser bem menor do que se possa imaginar. Assim foi a visita à simpática Bruxelas.
Agora só falta relatar a passagem por Paris, última etapa da viagem. Volto daqui uns dias, au revoir!

domingo, 5 de setembro de 2010

Suécia e Dinamarca (Estocolmo e Copenhague)


Storkyrkan, em Estocolmo

Hoje volto para cumprir mais uma etapa de relatos sobre o Eurotour. Será a vez de completar o roteiro na Escandinávia, passando por Estocolmo e Copenhague. No texto anterior, escrevi que Holanda e Bélgica também fariam parte da postagem seguinte, todavia, temo que se incluir esses dois últimos, o texto se torne muito longo e cansativo. Irei deixá-los, assim sendo, para um relato posterior. Feita a ressalva, sigamos viagem!
Depois de ver os fjords, tivemos pouco tempo para descansar na cidade de Hommelvik, centro-norte da Noruega, e seguir viagem no dia seguinte por cerca de 780 km até Estocolmo. Por sorte, teríamos 3 noites na capital sueca, o que nos daria a possibilidade de desacelerar um pouco após os momentos mais cansativos da estadia no Velho Mundo.
A chegada em Estocolmo ocorreu apenas no final da tarde. Era hora então de descansar até o o próximo dia, quando então, já refeitos, teríamos a oportunidade de desvendar a cidade. Estocolmo é normalmente considerada a mais charmosa das capitais nórdicas e um dos mais belos locais da Europa. Nem eu nem minha namorada concordamos com essa avaliação após dois dias inteiros passeando pela cidade. Obviamente, Estocolmo não é um lugar ruim, longe disso, mas perde de Oslo, na própria Escandinávia, ou de cidades em outras partes da Europa, como Berna. Apesar disso, a capital sueca oferece momentos bastante agradáveis, sempre com a baía entre o Mar Báltico e o Lago Malaren dominando a paisagem e servindo ao visitante como ponto de referência.
O ponto alto de Estocolmo, ao menos segundo minha impressão particular, - Fernanda poderá confirmar, ou não - é a Storkyrkan, catedral da cidade com fachada em estilo barroco italiano. A construção não é tão rica em detalhes quanto o gótico, mas suas paredes em tom alaranjado e o relógio da torre lhe dão um aspecto bastante singular e intrigante. Próximo dali, o turista deve fazer uma parada por volta do meio-dia para acompanhar a pomposa cerimônia da troca da guarda no Palácio Real (leve água, pois se precisar comprar por ali, terá de desembolsar até 3 Euros!). Outras catedrais de Estocolmo, como a Riddarholmskyrkan e a Tyska Kyrkan, também valem uma visita, dada a interessante mistura de elementos neoclássicos, góticos e nórdicos. O mesmo efeito é observado no Stadshuset, prédio da prefeitura, que apresenta ainda um belo jardim.
Estocolmo oferece, além disso, um recheado cardápio de museus ao turista. Dependendo do tempo disponível, o visitante escolhe um ou dois para visitar, ou vai em todos eles, sendo que os principais são o Nordiska, o Vasa, o Skansen (esse, além das tradições rurais suecas, mantém animais em seus recintos, motivo pelo qual resolvemos não visitá-lo) e o Historiska, aquele que escolhemos, devido ao rico acervo de peças vikings que possui (o visitante não pode deixar de observar com atenção o machado viking, em notável estado de conservação).
Se Estocolmo se mostra em desvantagem com relação a outras cidades que mencionei, por outro lado, não se pode negar seu charme e sua singularidade. Ao percorrer suas ruas e atrações, o visitante certamente se sentirá no século XIX e desfrutará de um ar imperial novecentista que a capital sueca transmite como nenhuma outra.


Nyhavn, em Copenhague

Após a estadia em Estocolmo, a viagem teve o ponto de parada seguinte em outra capital escandinava, Copenhague, na Dinamarca. Chegamos na cidade num sábado à tarde e logo partimos para uma caminhada na Stroget, um quadrilátero que compõe a maior quantidade de lojas comerciais da Europa. O local se mostrou bagunçado e até mesmo sujo para padrões europeus, o que nos deu uma má impressão inicial de Copenhague. No domingo, saímos novamente, indo em direção ao norte da cidade para ver a Pequena Sereia, estatueta de autoria de Hans Christian Andersen e símbolo da Dinamarca. Chegando no local, soubemos que ela se encontrava em Shangai! Outro motivo de irritação! A caminhada continuou ao longo do dia, o que nos permitiu visitar lugares muito bonitos, como o Nyhavn, canal todo margeado por um colorido casario, ponto alto de Copenhague, a meu ver, além da Igreja de Santo Albano, situada num belo parque, o Amalienborg, conjunto neoclássico de edificações que abriga a residência da família real, o Palácio Christiansborg, sede dos 3 poderes dinamarqueses, a Borsen, antiga sede da Bolsa de Valores, o Palácio Rosenborg, com seus impressionantes jardins e o Radhuset, edifício-sede da prefeitura. O Tivoli, espécie de parque de diversões, é normalmente citado como uma das principais atrações da cidade, porém, me parece um lugar procurado apenas por convenção e modismo. Seu aspecto fake não me atrai, afinal, não fui até a Escandinávia para ver pagode chinês ou templo mourisco, daí eu tê-lo riscado da visitação.
Copenhague possui um número altamente significativo de construções belíssimas que, assim como em Estocolmo, mesclam elementos arquitetônicos de várias origens - neoclássico, gótico e nórdico, -  de modo intrigante, profícuo e charmoso. O lado negativo desta capital escandinava fica por conta da bagunça e da sujeira excessivas, o que me faz pensar que uma única visita seja o suficiente para apreciá-la.
Com os relatos de hoje, encerra-se o exotismo da etapa escandinava do Eurotour. Quando eu retornar aqui, já estaremos de volta à Europa clássica. Até lá!